quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

“A Animação não é exclusiva dos Animadores”


“A Animação não é exclusiva dos Animadores”. Esta afirmação não é minha, nem partilho dela. Pelo contrário, é necessário um discurso unificador que reflicta a necessidade de uma acção colectiva que legitime a acção dos Animadores Socioculturais não defesa dos seus reais interesses e direitos socioprofissionais. Sou intransigente e não subestimo a minha autonomia de reflexão sobre o tema e acção quotidiana, especialmente, quando alguém com responsabilidades na formação académica de futuros Animadores defende premissas que considero lesivas para a Animação Sociocultural e para o futuro profissional dos seus agentes.

Princípios como a liberdade de pensamento e autonomia na acção são inalienáveis da pessoa humana, e é com alguma desilusão que presencio a alienação dos Animadores face a matérias que exigem visão crítica sobre o presente e o futuro. A minha perplexidade aumenta quando encontro na blogosfera “promoção” à afirmação supra citada. Os Animadores necessitam de uma dose de motivação colectiva, de espírito solidário e de perder o medo de lutar contra algumas pretensões isoladas, mas que de alguma forma consegue passar uma mensagem que em nada privilegia uma acção participativa com as pessoas, prática que eu considero estar directamente associada ao exercício profissional dos Animadores.

A afirmação que está a substanciar esta reflexão levanta outras questões que entendo ser oportuno referi-las. O Estatuto do Animador é uma das possíveis soluções para minimizar as consequências de apropiações indevidas da categorização profissional Animador e de outros "males". A proposta de Estatuto apresentada pela APDASC no congresso nacional realizado em Novembro de 2010, está a ser ultimada por uma comissão de trabalho constituída para o efeito , é oportuno que ela tenha em linha de conta um conjunto de possíveis cenários de profissionalização dos Animadores. Aos Animadores Socioculturais está vedado a possibilidade de exercerem funções de antropólogos, sociólogos, historiadores, filósofos e o exercício da medicina. Porque razão alguém se lembra de defender que profissionais qualificados em outras áreas do saber possam exercer a Animação Sociocultural ou até se autodefinirem de Animadores?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal

Votos sinceros de um Feliz e Santo Natal. Que este tempo de solidariedade, harmonia e olhar fraterno sejam nossos cúmplices em 2011. Um ano próspero e rico em Humanidade.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Novo número da Animador Sociocultural: Revista Iberoamericana

Está disponível a Animador Sociocultural: Revista Ibroamericana, número 2, ano 4, Dezembro 2010, editada pela Red Iberoamericana de Animación Sociocultural (RIA).

O número actual desta publicação periódica compila um conjunto de trabalhos produzidos por investigadores no âmbito das práticas de Animação Sociocultural e do lazer. Os artigos agora publicados evidenciam a emergência e correlação entre os temas do lazer, da cidadania participativa e intercultural e os âmbitos da Animação. Um conjunto de trabalhos que espelham novas visões e leituras sobre a Animação Sociocultural.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

I Colóquio de Intervenção Comunitária

Século XXI: que comunidades, que intervenções? Este é o tema do I Colóquio de Intervenção Comunitária que realiza-se na Escola Superior de Educação Paula Frassinetti, a 05 de Janeiro de 2011.

A entrada é livre, apenas sujeita a inscrição. Para consultar o programa e realizar a inscrição, clique aqui.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Revista Práticas de Animação, número 4

Está disponível o número 4 da Revista Práticas de Animação editada pela Delegação Regional da Madeira da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC).

O número actual reúne um conjunto significativo de contributos para a reflexão e debate em torno das questões e dos âmbitos da Animação Sociocultural. Destaque para a participação portuguesa, sinal claro, de uma nova geração de Animadores começam a materializar na escritas as suas práticas e reflexões sobre a Animação Sociocultural. De salientar ainda, as participações de investigadores/Animadores do Brasil, Espanha e Venezuela.

A revista Práticas de Animação é um projecto que vem ganhando uma sustentabilidade no meio editorial das revistas de Animação. Para esta realidade contribui a participação entusiasta de todos os colaboradores que até o número 4 deram o seu estimável e importantíssiomo contributo activo e solidário.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Que muitos autarcas partilhassem desta linha de pensamento

«Guarda: a República - 811 anos da cidade

Os saberes expressos pela prática da animação sociocultural podem ser compreendidos a diferentes níveis, nomeadamente no político.

No discurso e actuação política a animação sociocultural, deve ser inserida numa perspectiva de cidadania activa, face aos problemas existentes na sociedade portuguesa como sejam a desintegração social à ausência de uma cultura de vivência e de convivência em grupo.

Hoje tende-se para o predomínio de uma “cultura” virtual desfasada da vida, assente no virtual onde as pessoas vivem a partir das vidas dos outros.

Acreditamos que o futuro da animação sociocultural, tem de centrar-se na dinâmica comunitária, trabalhando a partir dos projectos das pessoas, que fazem parte das associações.

A animação é um fim em si mesmo, um processo interactivo, um meio de aperfeiçoamento pessoal e colectivo, dando sentido às experiências humanas, e contribuindo para a emancipação e transformação das pessoas.

O homem obtém parte da sua realização, participando na comunidade, valorizando culturas ancestrais, lutando por valores, partilhando saberes, promovendo assim a qualificação das relações interpessoais e o diálogo entre pares.

O homem é um criador de sonhos cuja formação se abre à vida, aprende com ela, e potencia esse conhecimento das formas mais diversas!

Daí a importância que neste desiderato, têm as associações e os clubes culturais e recreativos, nas comunidades locais. Já era assim na Primeira República, em cujo programa educativo encontramos sinais do valor da animação sociocultural, numa atitude generosa e quase romântica, às vezes utópica, mas que se transformou numa bandeira que uniu na acção política, muitos republicanos.

Estes fomentaram a realização de concertos populares, de exposições e de eventos culturais e sociais, na perspectiva do novo ideário de transformação do Homem Novo, da autonomia, da liberdade, da participação, da criatividade, da convivência, da justiça, do bem-estar e da partilha de saberes.

Hoje, tal como no tempo da Primeira República, acreditamos no potencial formador do associativismo e porque transportamos a esperança de um futuro, onde todos somos chamados a participar, o executivo da Câmara da Guarda, encomendou a criação de um espectáculo comunitário ao Teatro Municipal, onde as associações e colectividades culturais e recreativas do concelho, se congregaram num projecto de equipa, enquadrados por actores amadores e profissionais reinterpretando a Guarda na Primeira República e comemorando assim os 811 anos da cidade.

Em tempos difíceis, ficou bem patente que quando o “Amor à Terra” é um determinismo colectivo, é possível vencer obstáculos, unindo esforços, e tornando real a utopia.»

Joaquim Valente, Presidente da Câmara Municipal da Guarda.

(Publicado em 05/12/2010, em www.asbeiras.pt)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Associação Insular de Animação Sociocultural

No passado dia 3 de Dezembro, foi apresentada oficialmente a Associação Insular de Animação Sociocultural - AIASC. Este novo organismo associativo tem como objectivo principal contribuir para o estudo, formação, desenvolvimento e divulgação de projectos de investigação no domínio da Animação Sociocultural.

A AIASC no prossecução da sua acção colectiva para e com os Animadores desenvolverá os esforços necessários para:

- Promover a investigação nos âmbitos da Animação Sociocultural e na sua inter-relação com outras áreas de intervenção;
- Propor, apoiar e organizar iniciativas que visem a investigação e/ou o desenvolvimento do objecto da AIASC;
- Articular parcerias para impulsionar o desenvolvimento de grupos de trabalho no âmbito da animação no território insular;
- Fomentar o intercâmbio, a discussão, a cooperação e a comunicação com associações nacionais e internacionais que se relacionem com o estudo da Animação Sociocultural;
- Prestar serviços a entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais no âmbito do objecto da AIASC;
- Adquirir, produzir, divulgar e vender em qualquer tipo de suporte, com conteúdo científico, cultural, social, didáctico, lúdico e/ou informativo;
- Proporcionar apoio aos associados.

«A AIASC - Associação Insular de Animação Sociocultural nasce da vontade e das utopias de um grupo de Animadores madeirenses, cuja visão e entendimento da Animação Sociocultural extravasa os conceitos e âmbitos amplamente discutidos nos fóruns de Animação.

O sentido de oportunidade e crença na mudança social protagonizada nas estruturas associativas, aliado a um forte sentimento de pertença e de contributo para a afirmação da Região Autónoma da Madeira no panorama nacional ao nível da discussão e reflexão da Animação Sociocultural, dos seus âmbitos emergentes e das problemáticas estruturais da profissionalização dos Animadores foram argumentos generosos e, suficientemente, credíveis para que nós sejamos pioneiros na constituição da primeira Associação de Animação Sociocultural no território insular português.

O percurso inicial da AIASC não é muito diferente de outros organismos associativos. O exercício da cidadania no movimento associativo e o conhecimento da realidade madeirense no campo do estudo, da discussão e reflexão colectiva sobre a Animação, facto este, infelizmente, assinalado pela ausência pública de um visível manifesto interesse colectivo é a matéria que alentou o nosso espírito de cidadãos e de Animadores Socioculturais insulares.» (in www.aiasc.pt)

domingo, 28 de novembro de 2010

Apresentação Pública da Associação Insular de Animação Sociocultural - AIASC

No próximo dia 3 de Dezembro, pelas 18h30m, o Fórum FNAC Madeira será o palco de apresentação pública de uma nova associação com sede na Região Autónoma da Madeira.

A Associação Insular de Animação Sociocultural - AIASC, nasce da vontade e das utopias de um grupo de Animadores madeirenses, cuja visão e entendimento da Animação Sociocultural extravasa os conceitos e âmbitos amplamente discutidos nos fóruns de Animação.

A AIASC tem como objectivo contribuir para o estudo, formação, desenvolvimento e divulgação de projectos de investigação no domínio da animação sociocultural.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Leitura(s) sobre o I Congresso Nacional de Animação Sociocultural

É tempo de olharmos para além dos números. Estes continuam a ter leituras antagónicas, eles são importantes para as estatísticas, mas, nada dizem do conteúdo do debate que foi revelador das fragilidades que os Animadores continuam a manifestar através da diversidade das práticas formativas e do exercício profissional. Procurei de forma aberta, livre e autónoma apresentar as reflexões e preocupações resultantes dos debates realizados na Região Autonóma da Madeira, sobre a Formação e o Estatuto dos Animadores, iniciativas que se realizaram ao abrigo do ciclo de debates sobre a Profissão e Profissionalização dos Animadores, tema do I Congresso Nacional de Animação Sociocultural realizado nos passados dias 18, 19 e 20 de Novembro, em Aveiro.

A aprovação da proposta de Estatuto dos Animadores Socioculturais foi importante, mas também é importante resalvar o facto, desta estar aberta a propostas de melhoria, responsabilidade que recai sobre uma comissão eventual designada para o efeito. Uma oportunidade para que os Animadores apresentem propostas válidas para que este sejam um projecto colectivo. Outro documento aprovado no decorrer do congresso, foi a Proposta de Código Ético e Deontológico dos Animadores Socioculturais, documento meramente orientador, sem efeitos sansionatórios para os actos que violem o código, práticas decorrentes do exercício profissional dos Animadores.

Reforço a posição dos Animadores insulares em matéria de integração das diferentes nomenclaturas profissionais na presente proposta de Estatuto dos Animadores. A proposta final tem que priveligiar os diferentes contributos, ela tem que resultar de um processo de integração socioprofissional dos Animadores. Lamentavelmente, não discutimos os conteúdos funcionais do técnico profissional e do licenciado, bem como e o respectivo perfil de competências dos Animadores. Precisamos de discutir com os Animadores e os académicos o perfil de competências e os conteúdos funcionais, talvez num próximo congresso, ... Faço votos para que seja a breve trecho, talvez em reuniões parcelares.

Há temas que simplesmente não pode ser manipulados com o intuito de encerrar dossiers que têm uma fase de maturação dilatada no tempo. Compreendo que é crucial avançar,mas para que isso aconteça é importante que estejamos conscientes das reais dificuldades que o futuro nos reserva. Sou realista e é por sê-lo, que estou convencido de que há pessoas que não entendem ou não querem admitir, ser necessário iniciar um longo e sinuoso caminho de diálogo, de negociações, de avanços e recuos com os organismos com responsabilidades legislativas em matéria laboral para que o Estatuto do Animador (Sociocultural) seja um dia uma realidade. Há que deixar todas as portas da cooperação institucional abertas e isso faz-se com o bom senso que é exigido em situação de inferioridade de poder.

Há princípios basilares de consciencialização de classe profissional que lamentavelmente continua a faltar-nos, porque nós Animadores, somos um grupo profissional fragmentado pela ausência de um desejado Estatuto Profissional, como se isso fosse a tábua de salvação e a resolução permanente dos problemas estruturais, como a ausência de um perfil de competências, o questionamento sobre as múltiplas formações, a ausência de um barómetro oferta/procura ao nível do mercado de trabalho. Estes são focos de tensão que persistem e face aos quais continuamos incapazes de discutir no colectivo. Estou convicto de que estamos a gerir o processo de forma errada e isso será prejudicial para levar por diante um projecto que continuará a contar com futuras propostas e divergências latentes entre os Animadores.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Que modelo de intervenção na cultura?

O papel que os organismos públicos, nomeadamente, as autarquias assumem na intervenção na cultura, é um campo heterógeneo e causador de "amores e desamores" por parte dos agentes culturais. Entendo que a intervenção do sector público no domínio da acção cultural não pode ser mediada pelo gosto e interesses de agentes que entendem que a actividade cultural deve ser mediada pelos protagonismos efémeros, cuja sustentabilidade assenta essencialmente, no financiamento público.

É preciso planificar uma política cultural assente nos recursos socioculturais das comunidades locais; prespectivar a intervenção pública a partir de um projecto cultural transversal aos diferentes domínios da acção municipal (cultura, educação, juventude, ...), previlegiando todos os grupos sociais e envolvendo de forma efectiva e activa os protagonistas da cultura.

A sustentabilidade da actividade cultural digna desse nome, não pode assentar apenas na realização de festivais que algumas pessoas entendem ser um nicho de sustentabilidade cultural e, consequentemente, capaz de projectar o território além fronteiras. Concordo que a efectividade das práticas culturais também se concretizam com a promoção de festivais, eventos que tenham valor cultural acrescido para a promoção das dinâmicas locais; que a eles estejam associados outros projectos promotores das culturas locais, que contribuam para a afirmação de uma identidade comunitária e que sejam instrumentos de democratização cultural.

Continuamos a pensar em mega eventos que nos projectem no mundo exterior. Talvez no plano imediato consigamos esse feito, e a longo prazo? Que mais valias esses projectos contribuem para o tecido sociocultural local/regional? Continuo a defender que a sustentabilidade da intervenção na cultura passa pela envolvimento democrático e participativo da comunidade nos próprios processos de desenvolvimento cultural, partilhando com ela aprendizagens comuns, procurando dinamizar nichos de participação efectiva e de reflexão comum sobre as problemáticas inerentes à construção de uma política cultural que precisa de manter independência das dinâmicas culturais e artísticas de outros territórios, que infelizmente, é como um "vírus" que se vai propagando e de uma opinião pública que quer ganhar notariedade pela "megalomania" dos festivais e eventos artísticos periódicos, com artistas de renome internacional.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Programa de Rádio - "Cidadania Cultural"

"Cidadania Cultural" é o nome de um novo programa radiofónico emitido pela Rádio Zarco, todas as segundas-feiras, entre as 18h e as 20h, na frequência 89.6 FM para o Concelho de Machico. A responsabilidade editorial do programa é um novo desafio que foi-me lançado pela direcção da rádio.

Porquê "Cidadania Cultural"? Porque é nossa intenção que os diferentes agentes culturais colectivos e individuais do concelho, os organismos públicos e entidades privadas com responsabilidades e acção directa nas políticas socioculturais sejam os protagonistas do programa. Eles são convidados a assumir um papel activo num espaço de diálogo informal, onde possam dar a conhecer os seus projectos, discutir ideias e reflectir sobre a(s) cultura(s) como matriz identitária da comunidade machiquense.

domingo, 24 de outubro de 2010

A responsabilidade do contributo pessoal para o bem comum dos Animadores

Não é minha intenção construir cenários que de alguma forma possam sugerir outras leituras, ou que possam orientar quem ler os meus escritos para uma realidade paralela, que alguns de nós, certamente, já se apercebeu estar emergente e dificilmente, terá retorno ao ponto inicial. Por agora, olhemos para os factos.

Brevemente, realiza-se o almejado congresso nacional sobre a profissão e profissionalização dos Animadores Socioculturais organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC), um espaço de debate que desejo que seja profícuo na reflexão colectiva, mas, mais importante, que sai do congresso propostas concretas e credíveis sobre os temas centrais que têm alimentado os últimos debates sobre a Animação e os Animadores em Portugal. Presumo ser um desejo comum que deste congresso nasçam dinâmicas autênticas e comprometidas com o interesse da maioria, dinâmicas que valorizem as acções colectivas construídas nos últimos tempos.

É com apreensão que assistimos a um vazio que tem reflexos expressivos no debate sobre as questões da profissão que, pessoalmente, acreditava que fosse motivador e crescente na participação dos Animadores através das reflexões pessoais e colectivas expressas em fóruns, blogs, entre outros meios de comunicação e de ciberanimação. Enquanto dirigente da Delegação Regional da Madeira da APDASC manifesto a minha satisfação pela adesão e participação activa dos Animadores insulares nos debates realizados na Madeira ao abrigo do ciclo de debates preparatório do congresso nacional.

A democracia reserva um conjunto de direitos expressos no uso da liberdade pelos cidadãos; liberdade essa que no exercício de determinadas acções é pouco abonatório para a consolidação de um projecto nacional. Penso que devemos repensar seria e ponderadamente sobre o que desejamos para o futuro da profissão de Animador Sociocultural em Portugal. Apelo para que os Animadores que partilham destas preocupações manifestem as suas posições, as suas preocupações, expectativas, enfim, dêem o seu contributo para o debate que urge dinamizar numa perspectiva construtivista, acrescida de valor humano e sobretudo de seriedade para que a Animação e os Animadores em Portugal possam olhar o futuro com esperança e partilharem da co-responsabilidade com os dirigentes associativos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Declaração dos Participantes no Seminário Nacional República e a Juventude

No âmbito das comemorações do Centenário da República, o Conselho Nacional de Juventude promoveu o Seminário Nacional República e a Juventude que decorreu em Almada, entre os dias 2 e 4 de Outubro, do qual saiu uma Declaração subscrita pelos participantes. Os jovens subscritores, conscientes da responsabilidade representativa da juventude portuguesa vêem os valores republicanos como princípio basilar para uma reflexão crítica conjunta sobre a participação activa e o papel de protagonistas para o qual são convidados a assumir na transformação social.

A declaração dos participantes enuncia âmbitos de intervenção perante os quais os jovens devem assumir um pensamento crítico, interventivo e transformador. O associativismo e a participação juvenil são premissas base para uma acção activa dos jovens na vida comunitária e, consequentemente, factor de reforço dos espaços que promovem essa participação. As associações continuam a ser escolas de democracia, de formação cidadã e promotoras de igualdade de oportunidades no acesso aos palcos da discussão colectiva sobre temáticas que de outra forma a juventude dificilmente teria acesso ao debate.

A educação é vector estratégico do desenvolvimento social, cultural e económico do país. É necessário e urgente assegurar e promover o acesso de todos, incluindo as minorias que continuam a crescer e a ser minorias à Escola Pública reivindicada pelo Governo e sustentada nos ideais republicanos. É responsabilidade das instituições públicas, entre ela a escola, a garantia efectiva da aprendizagem ao longo da vida. Uma aprendizagem que encontra eco na educação não formal, prática educativa que pode e deve contribuir significativamente para a formação de cidadãos activos e críticos perante as realidades sociais.

A cidadania constrói-se através de processos contínuos de aprendizagens pelo exercício consciente e educador da participação individual e colectiva em favor de mudanças sociais; tarefa permanente que exige abordagens multidisciplinares e de envolvência da sociedade no seu próprio processo de desenvolvimento e transformação comunitária. O diálogo cooperante e institucional entre os diferentes organismos públicos e o sector privado é instrumento fecundo de renovadas políticas de inclusão que premeie a inserção dos jovens no mercado de trabalho.

A promoção da diversidade cultural é um princípio de uma sociedade democrática. Este princípio deve ser trabalhado com os jovens em vários âmbitos da educação formal e não formal, promovendo sempre um diálogo cooperante e respeitador das diferenças e orientações de cada indivíduo. Os valores republicanos devem integrar as acções previstas nas políticas de juventude premiando a participação, a envolvência democrática e consciente dos jovens nos mais variados sectores de decisão da vida juvenil comunitária.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

II Escola de Desenvolvimento Juvenil

A II Escola de Desenvolvimento Juvenil é uma iniciativa organizada pelo Conselho Nacional de Juventude, cujo objectivo visa a criação de um espaço global de "aprendizagem, diálogo e cooperação entre jovens e respectivas organizações juvenis, activos/as no desenvolvimento de actividades educativas sobre temáticas de interesse para a juventude".

No âmbito da realização da Escola de Desenvolvimento está planificado a realização de dois cursos de formação - Educação Não Formal e Educação para os Direitos Humanos -, espaços de aprendizagem que pretende congregar participantes das organizações juvenis de todos o país, docentes e técnicos do Instituto Português da Juventude com o intuito e à semelhança de edições anteriores, criar sinergias entre os participantes e consequentemente, a valorização da educação não formal em Portugal.

A prioridade de candidaturas será para os associados das organizações filiadas e parceiras do Conselho Nacional de Juventude, sem descurar, as candidaturas de jovens oriundos de organizações juvenis ou organismos cuja acção é desenvolvida com a juventude, instituições públicas, professores e demais educadores que desenvolvem projectos com jovens.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Animador Sociocultural, um facilitador de acções e dinâmicas comunitárias

As técnicas de intervenção, os conhecimentos multidisciplinares e aprendizagens teórico-práticas experienciadas na formação académica dos agentes socioculturais, atribui-lhes, um património intelectual simbólico que no mercado de trabalho é expectável, que haja a exigência organizacional para a rentabilidade contínua e crescente desse património no desenvolvimento e facilitação de acções e processos dinâmicos de intervenção comunitária com e dos diferentes grupos sociais.

A minha ténue experiência profissional, vivência quotidiana com diferentes agentes culturais e educativos com colectivos heterogéneos que exigem um trabalho contínuo, persistente, partilha e comunhão permanente de objectivos comuns para que os projectos e demais actividades de intervenção sociocultural possam singrar, exigem das minhas acções dinâmicas criativas e facilitadoras de processos de participação activa protagonizados pelos colectivos.

Os Animadores Socioculturais são facilitadores por excelência da cidadania, dos protagonismos dos colectivos, da promoção das culturas locais. Eles têm que desenvolver continuamente um trabalho de interligação e reforço dos laços sociais das forças vivas da comunidade em favor do bem comum. Facilitar não é dispor e utilizar de forma “abrupta” os recursos comunitários, os equipamentos culturais, o orçamento das instituições públicas. É antes, proporcionar meios e instrumentos que conduzam há construção de dinâmicas permanentes alicerçadas na participação entusiasta e responsável das pessoas.

É expectável, na minha modesta opinião, que os agentes da Animação – os Animadores – sejam educadores para a cidadania democrática e para a cultura. A educação não é tarefa exclusiva dos docentes. Ela é um labor de todos nós, agentes da mudança social, pois, a facilitação também é uma ramificação das dinâmicas socioeducativas no agrupamento das comunidades.

sábado, 2 de outubro de 2010

Por uma necessária autonomia da acção cultural

Fiquei um pouco preocupado quando tomei conhecimento através de um órgão de comunicação social sobre a "brilhante" ideia de um autarca, felizmente, sem pelouro, que defende uma concertação alargada de calendário com as autarquias limítrofes em matéria de promoção da actividade cultural. Ou seja, o senhor autarca defende uma acção cultural no município condicionada pela política cultural de outras autarquias, certamente com realidades socioculturais e educativas diferentes. Tudo isto, para que não haja coincidência de datas na realização das iniciativas culturais que acontecem autonomamente nos diferentes municípios.

Parece-me que aqui a preocupação política não está centrada na formação cultural das pessoas, na valorização da cultura enquanto bem colectivo, pelo contrário, a preocupação manifestada é consumada nos números que ajudam a materializar e a definir as estatísticas dos públicos da cultura.

Entre muitos problemas estruturais e de mentalidades há um resquício que não desaparecerá nos próximos tempos - o plágio das ideias no exercício da acção cultural municipal. O território insular pelas suas características geográficas condiciona toda a actividade social, económica e cultural. Esta realidade é incontornável, ela é um desafio permanente para os técnicos do pelouro da cultura das autarquias, leia-se, para os Animadores Socioculturais no sentido de estes agentes desenharem soluções criativas capazes de responder às necessidades socioculturais da população local. É necessário que os políticos com responsabilidades em matéria de políticas cultural e educativa tenham uma visão global e real do papel que a cultura assume como motor de desenvolvimento local.

É necessário a promoção da autonomia da acção cultural. Não podemos continuar a olhar para a cultura como números, mas sim, como um investimento nas pessoas através de projectos culturais e artísticos promotores de uma pedagogia cultural ou de educação para a cultura. A formação de públicos é um trabalho contínuo e diversificado nas suas diversas modalidades. As plateias repletas de pessoas nem sempre é sinónimo de um público educado, interessado, fruto de um trabalho de democracia cultural, arrisco a afirmar que é qualquer coisa de efémero. Os agentes socioculturais não podem centralizar a sua acção nos números, devem sempre premiar a autonomia da acção sociocultural e educativa com as pessoas.

sábado, 25 de setembro de 2010

I Congresso Nacional de Animação Sociocultural

A Cidade de Aveiro acolhe entre os dias 18 e 20 de Novembro próximo, o I Congresso Nacional de Animação Sociocultural - "Profissão e Profissionalização dos/as Animadores/as", uma iniciativa reveladora da visão estratégica dos dirigentes da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC).

Este congresso reunirá um conjunto de sinergias, ideias, problemáticas e outras motivações colectivas afloradas no decurso da realização do ciclo de debates, espaço de diálogo e reflexão que proporcionou conversas estimulantes sobre o Estatuto do Animador, a Formação dos Animadores e a Ética em Animação Sociocultural. Este último tema é a referência para o próximo debate que se realizará antes do congresso.

Este encontro nacional de Animadores é o momento propício para um debate aberto, franco e estimulador de novas acções em favor da Animação Sociocultural e dos seus agentes directos - os Animadores. Não basta discutir as velhas problemáticas. Enquanto colectivo precisamos de encontrar soluções credíveis que exigirão atitudes firmes. A criação de grupos de trabalho empenhados em dar um contributo sério para que os velhos debates não sejam isso mesmo, velhos debates que o tempo transforma-os em estéreis, poderá ser uma solução a curto prazo para que as ideias principais decorrentes do congresso sejam materializadas num futuro próximo.

A participação neste congresso é um imperativo para todos os Animadores.

sábado, 18 de setembro de 2010

Candidaturas ao Ensino Superior - Resultados da 1ª Fase (II)

Os resultados da 1ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, no que respeita aos cursos de Animação, são para nós, motivo de alguma apreensão quanto ao futuro a curto prazo, em matéria de continuidade de funcionamento de alguns cursos superiores de Animação. Os resultados expressam uma ausência declarada de candidatos interessados em ingressar profissionalmente no campo da Animação. Podemos apontar vários factores que porventura estarão na base dos resultados alcançados pelas diversas instituições de ensino superior para as licenciaturas em Animação.

Há dois factores que no nosso entender poderão ser inibidores: a actual crise económico-financeira do país, que diariamente atira centenas de famílias para o limiar da pobreza, e consequentemente, mata o "sonho" do prosseguimento de estudos dos jovens que se vêem na obrigação solidária de contribuir para a sobrevivência da família. Talvez este seja o factor mais recorrente para explicar a razia dos números para os cursos superiores de Animação em resultado do concurso nacional. Um outro factor não menos "apetecível" é o eterno fado consumado na localização geográfica (interior do país) de alguns estabelecimentos de ensino, que infelizmente estão em desvantagem em relação a outros muito melhores colocados no raking geográfico e talvez no ranking da qualidade do ensino.

A leitura dos resultados não pode cingir-se a estes dois vectores de análise. É necessário olhar para os números com a racionalidade necessária e definir novas linhas de intervenção para minimizar as consequências desta nova realidade. É preciso ouvir as direcções dos cursos, os dirigentes associativos, ouvir as suas leituras sobre esta matéria. Este não é um assunto exclusivo das instituições de ensino superior, é matéria de interesse de toda a comunidade, em especial dos Animadores.

Algumas instituições com licenciaturas na área da Animação Turística conseguiram preencher a 100% as vagas disponibilizadas para o ano lectivo 2010/2011. Curiosamente, as licenciaturas em Animação Sociocultural distribuidas por todo o território nacional foram as mais sacrificadas, com dezenas de vagas por preencher na 1ª fase, salvo raras excepções, que conseguiram uma excelente "quota de mercado". A 2ª fase não será muito diferente. Os números falam por si.

É necessário que haja a coragem suficiente para trabalhar com afinco no sentido de mudar o rumo dos acontecimentos. Não basta exibir estatísticas de empregabilidade, de anúncios com o número de jovens licenciados por cada ano lectivo. É preciso mais... é preciso criar condições ideias de formação integral dos Animadores, oferecer um plano de estudos que facilite o jovem na descoberta de novos âmbitos, de outros mundos onde a intervenção desde a Animação Sociocultural seja uma descoberta permanente. Um plano de estudos capaz de responder aos desafios actuais do mercado de trabalho. É preciso mais... autocrítica no sentido de percebermos se a formação que é oferecida aos Animadores responde aos desafios actuais, se essa formação é uma passagem para entrada directa no mercado de trabalho ou para engrossar as filas de homens e mulheres que buscam o sonho perdido.

Tenhamos a coragem de denunciar o que não está bem. Os números que a Direcção-Geral do Ensino Superior divulgou para as muitas licenciaturas de Animação é no mínimo preocupante. É preciso reflectirmos no colectivo sobre os números. Há mais a dizer, mas aguardemos os resultados da 2ª fase.

domingo, 12 de setembro de 2010

Candidaturas ao Ensino Superior - Resultados da 1ª Fase (I)

Está disponível no site da Direcção-Geral do Ensino Superior os números relativos à colocação dos candidatos na 1ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público para o ano lectivo 2010/2011. Apresentamos o número de vagas disponibilizadas pelas instituições de ensino superior politécnico e universitário público para as licenciaturas em Animação (regime diurno e pós-laboral), paralelamente, ao número de vagas preenchidas nesta 1ª fase.

- Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril
Gestão do Lazer e Animação Turística - 40 vagas preenchidas em 40 disponíveis.
Gestão do Lazer e Animação Turística (regime pós-laboral) - 40 vagas preenchidas em 40 disponíveis.

- Instituto Politécnico de Beja - Escola Superior de Educação de Beja
Animação Sociocultural - 11 vagas preenchidas em 30 disponíveis.

- Instituto Politécnico de Bragança - Escola Superior de Educação
Animação e Produção Artística - 20 vagas preenchidas em 25 disponíveis.

- Instituto Politécnico de Castelo Branco - Escola Superior de Educação
Animação Cultural - 9 vagas preenchidas em 25 disponíveis.

- Instituto Politécnico de Coimbra - Escola Superior de Educação
Animação Socioceducativa - 40 vagas preenchidas em 40 disponíveis.
Animação Socioeducativa (regime pós-laboral) - 9 vagas preenchidas em 25 disponíveis.

- Instituto Politécnico da Guarda - Escola Superior de Educação, Comunicação e Desporto
Animação Sociocultural - 3 vagas preenchidas em 25 disponíveis.

- Instituto Politécnico de Leiria - Escola Superior de Educação e Ciências Sociais
Animação Cultural - 29 vagas preenchidas em 30 disponíveis.

- Instituto Politécnico de Leiria - Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar
Animação Turística - 25 vagas preenchidas em 25 disponíveis.

- Insituto Politécnico de Lisboa - Escola Superior de Educação
Animação Sociocultural - 30 vagas preenchidas em 30 disponíveis.
Animação Sociocultural (regime pós-laboral) - 17 vagas preenchidas em 25 disponíveis.

- Instituto Politécnico de Portalegre - Escola Superior de Educação
Animação Sociocultural - 6 vagas preenchidas em 25 disponíveis.

- Instituto Politécnico de Santarém - Escola Superior de Educação
Animação Cultural e Educação Comunitária - 12 vagas preenchidas em 35 disponíveis.

- Instituto Politécnico de Setúbal - Escola Superior de Educação
Animação e Intervenção Sociocultural - 40 vagas preenchidas em 40 disponíveis.

- Instituto Politécnico de Viseu - Escola Superior de Educação
Animação Cultural - 15 vagas preenchidas em 35 disponíveis.

- Universidade do Algarve - Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo
Informação e Animação Turística - 18 vagas preenchidas em 25 disponíveis.

- Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - Escola de Ciências Sociais e Humanas
Animação Sociocultural - 18 vagas preenchidas em 40 vagas disponíveis.

A Direcção-Geral do Ensino Superior também disponibiliza no seu sítio da Internet o número de vagas para o ano lectivo 2010/2011 para os estabelecimentos de ensino superior politécnico e universitário privado, cujos candidatos integram o regime de concurso institucional de acesso ao ensino superior privado. Aqui fica a menção às licenciaturas em Animação leccionadas no ensino privado.

- Escola Superior Artística do Porto
Animação e Produção Cultural - 20 vagas disponíveis.

- Instituto Piaget - Escola Superior de Educação
Animação Sociocultural - 50 vagas disponíveis.
Desporto e Animação Turística - 20 vagas disponíveis.

- Instituto Superior de Ciências Educativas
Animação Sociocultural - 25 vagas disponíveis.

- Instituto Superior de Ciências Educativas de Felgueiras
Animação Sociocultural - 50 vagas disponíveis.

Fonte: Direcção-Geral do Ensino Superior

domingo, 5 de setembro de 2010

Decreto Legislativo Regional adapta regime jurídico dos conselhos municipais de juventude

O Decreto Legislativo Regional n.º 20/2010/M, de 20 de Agosto adapta à Região Autónoma da Madeira a Lei n.º 8/2009, de 18 de Fevereiro. O diploma legislativo cria o regime jurídico dos conselhos municipais de juventude para os municípios da Região Autónoma da Madeira.

O Decreto Legislativo pretende "(...) clarificar e distinguir as atribuições e competências das autarquias locais, em matéria de juventude, e a competência consultiva e de reflexão, exercida pela participação democrática dos conselhos municipais de juventude." E porque nos parece relevante salientar alguns dos propósitos do conselho municipal expresso no Decreto Legislativo Regional n.º 20/2010/M, Artigo 3.º, passamos a citar: " Colaborar na definição e execução das políticas municipais de juventude, assegurando a sua articulação e coordenação com outras políticas sectoriais, nomeadamente nas áreas do emprego e formação profissional, habitação, educação e ensino superior, cultura, desporto, saúde e acção social", "Contribuir para o aprofundamento do conhecimento dos indicadores económicos, sociais e culturais relativos à juventude" e "Promover iniciativas sobre a juventude a nível local".

Os conselhos municipais de juventude existentes à data de entrada em vigor do Decreto Legislativo Regional, devem adaptar as regras de funcionamento à nova legislação no prazo de seis meses a contar da data de publicação da lei. O mesmo prazo aplica-se aos municípios que ainda não tenham conselho municipal de juventude. Neste caso, as autarquias deverão proceder à instituição deste órgão consultivo para as políticas de juventude.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Comemorar o Ano Internacional da Juventude

É do conhecimento público que no decorrer do ano 2010, Portugal celebra o Ano Internacional da Juventude, efeméride que no nosso entender deverá privilegiar a congregação de esforços das instituições legislativas - Assembleia da República, Assembleia Legislativa das Regiões Autónomas da Madeira e Açores, autarquias, organismos públicos responsáveis pela promoção e execução de políticas de juventude e associações com o intuito de concretizar-se a curto/médio prazo um conjunto de acções que reflictam uma política transparente e inclusiva da juventude na política global.

Na nossa óptica as comemorações da efeméride devem materializar-se enquanto instrumento pacífico de viver a democracia e a cidadania no seio do Poder Local. A institucionalização generalizada e efectiva dos Conselhos Municipais de Juventude, organismo consultivo instituido pela Lei n.º 8/2009 de 18 de Fevereiro, é uma medida de inclusão da juventude no roteiro das políticas locais, mas para que tal pretensão seja real é necessário haver a execução da Lei. A constituição dos Conselhos de Juventude poderá ajudar ao verdadeiro reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo movimento associativo juvenil, enquanto, escola de cidadania democrática e participativa, de educação não-formal através da qual desenvolvem-se projectos de valor educativo elevado, capacitando os jovens protagonistas de saberes e valores.

A potencialização da participação dos jovens no âmbito da definição e concretização das políticas de juventude não devem ser olhadas como ingerência de terceiros na política partidária transposta para as instituições governativas. As associações de juventude são parceiras da política democrática e activa, capaz de estimular a participação e promover uma cidadania inclusiva.

As autarquias devem fazer uso do orçamento participativo, enquanto, instrumento de cidadania activa através do qual os jovens devem ser convidados a participar na definição e promoção de políticas no âmbito municipal, participando nos processos de decisão e "fiscalização" da execução das acções propostas. As políticas definem-se com os cidadãos e executam-se com eles, havendo sempre a possibilidade de uma co-gestão de políticas com os movimentos cívicos aos quais estão agregados.

Que as comemorações da efeméride do Ano Internacional da Juventude não sejam apenas uma iniciativa assinalada no calendário político, mas antes, a concretização de uma verdadeira política de juventude. Uma política de educação não formal no campo da cidadania activa, dos valores humanos e democráticos.

domingo, 15 de agosto de 2010

Ano Internacional da Juventude em Portugal (2010-2011)

O Conselho de Ministros de 12 de Agosto, Dia Internacional da Juventude, instituido pelas Nações Unidas, aprovou uma Resolução que institui em Portugal, o Ano Internacional da Juventude, cujas actividades comemorativas desenrolar-se-ão entre Agosto de 2010 e o mês homologo de 2011. A mesma Resolução cria a Comissão Nacional de Acompanhamento do Ano Internacional da Juventude e define as entidades envolvidas na preparação e execução das iniciativas, sob a coordenação do Instituto Português da Juventude.

"O Ano Internacional da Juventude representa uma oportunidade para reunir sinergias de forma a reforçar a participação cívica dos jovens e aprofundar a transversalidade das políticas direccionadas para a juventude." (Resolução do Conselho de Ministros de 12 de Agosto).

O ano 2010 foi declarado pelas Nações Unidas, o Ano Internacional da Juventude, cujo tema é o Diálogo e Compreensão Mútuos. Os principais objectivos da efeméride centram-se na dinamização do diálogo e na compreensão entre gerações e promover os ideias da paz, do respeito pelos direitos humanos, pela liberdade e pela solidariedade.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Fundação INATEL recruta Animadores Socioculturais - URGENTE

A Fundação INATEL está a recrutar Animadores Socioculturais para a área do Turismo Educativo Júnior. Os candidatos deverão possuir o seguinte perfil:

- Habilitações literárias mínimas ao nível do 12.º ano;
- Formação em Animação Sociocultural, Educação, Pedagogia, Turismo, Desporto, Educação Física ou Teatro;
- Experiência profissional na área de animação de grupos;
- Apetência pelo trabalho em equipa e facilidade de relacionamento interpessoal;
- Bons conhecimentos de informática, na óptica do utilizador;
- Boa comunicação verbal e capacidade de argumentação;
- Espírito de iniciativa;
- Capacidade de trabalho e organização;
- Forte sentido de responsabilidade;
- Disponibilidade imediata e para trabalhar em todo o pais;
- Idade Mínima: 24 anos (Obrigatório).

As respostas, contendo carta de apresentação e Curriculum Vitae, deverão ser enviadas, exclusivamente, para o endereço inatelsocial@inatel.pt até ao próximo dia 09 de Agosto. As candidaturas serão alvo de pré-selecção e as entrevistas realizar-se-ão na Sede da Fundação INATEL em Lisboa.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Achegas para o código deontológico

É relevante os contributos que os Animadores Socioculturais dêem a favor da elaboração de uma proposta de código deontológico, no sentido deste ser um projecto colectivo e participado pelo maior número de Animadores.

Apresentar um conjunto de condutas no quadro da deontologia profissional é matéria que deverá respeitar as diferentes realidades institucionais e laborais, sem desvirtualizar os múltiplos contextos de intervenção do Animador. O agente da Animação, leia-se Animador, é aquele profissional que detêm uma formação adequada ao exercício da profissão, que deverá estar regulamentada por um estatuto próprio, o qual contemple os diferentes graus formativos acreditados pelas instituições de ensino reconhecidas pelos Ministérios da Educação, e da Ciência e do Ensino Superior.

Este agente sociocultural deve reger o seu trabalho em função do bem comum (do grupo e da comunidade) privilegiando sempre as metodologias de intervenção comunitária próprias da Animação Sociocultural. O desempenho profissional exige uma leitura crítica permanente das realidades e das metodologias de trabalho desenvolvidas pelo Animador, acções face às quais terá que orientar os procedimentos técnicos e tomar decisões que respeitem a ética e a deontologia.

O Animador Sociocultural no desempenho das suas funções tem que estar apetrechado de ferramentas e conhecimentos actualizados que lhe possibilitem o desenvolvimento pessoal e profissional, dimensões que são concretizadas com a frequência de formações especializadas e cursos de aperfeiçoamento profissional que deverão contribuir para o nobrecimento da profissão e condutor de uma progressiva autonomia de acção.

O exercício profissional do Animador não deve ser condicionado ou bloqueado por motivos político-partidários e de descriminação por ordem de género, religião ou raça. O agente da Animação tem o dever ético de respeitar os compromissos assumidos com o grupo e a comunidade, sem colocar em causa a relação laboral com a instituição à qual está vinculado profissionalmente. O Animador Sociocultural deve ser promotor da igualidade social e relacional com outros profissionais ao nível do trabalho de equipa multidisciplinar, procurando sempre que necessário um entendimento alargado entre os actores sociais individuais e colectivos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ética e Deontologia em Animação Sociocultural

A ética e a deontologia são dois princípios basilares no exercício profissional dos Animadores Socioculturais. Independentemente da inexistência de um código deontológico para a classe profissional há um conjunto de direitos e deveres comuns aos diferentes grupos profissionais que podem ser transpostos para o grupo profissional dos Animadores, atendendo ao facto, destes comungarem de princípios e normas comuns a outros trabalhadores sociais.

A ética não é mais do que o conjunto de valores e princípios morais e cívicos orientadores da acção do Homem e da sua relação com o grupo e a comunidade. Os princípios éticos são matéria variável, eles balizam o bem e o mal, são referências quotidianas na vida social individual e colectiva. Há um conjunto de normas que são basilares nas dinâmicas de intervenção do Animador com a comunidade, princípios que devem ser respeitados e incutidos nos Animadores desde a sua formação académica. A promoção da cidadania, a liberdade, a cooperação mútua, a confidencialidade, a solidariedade e a promoção de tantos outros direitos culturais e humanos, são valores e princípios centrais na prática da Animação Sociocultural que se cultivam desde a formação académica.

A deontologia é um conjunto de normas, princípios e deveres que regulam a actividade de um grupo profissional. Impõe-se a regulação da actividade profissional no âmbito da Animação Sociocultural. Esta é uma matéria sensível que necessita de um amplo espaço temporal de discussão, de análise e estudo de uma possível proposta de estatuto deontológico. Está tudo em aberto.

O código deontológico dos Animadores deverá respeitar um conjunto de deveres que se estilhaçam na legislação. Um código neutro no campo dos princípios éticos e morais, valores que influenciam a prática profissional e cujo culto não é unanime entre os Animadores. A deontologia em Animação Sociocultural encontra especificidades peculiares quer do ponto de vista do trabalho do Animador com a comunidade, quer dos seus deveres para com a instituição. O triângulo - Animador/instituição/comunidade - é uma realidade incontornável que do ponto de vista dos deveres, normas que comummente estão consagradas no estatuto deontológico, acalentarão controvérsias na perspectiva da ética.

É importante que não se tente regulamentar princípios e valores que norteiam o exercício da Animação Sociocultural. Esses fazem parte da ética.

Faz todo o sentido que nos cursos superiores de Animação seja leccionada uma disciplina que aborde de forma incisiva a ética e a deontologia profissional. Há matérias que devem ser discutidas e reflectidas no contexto formativo ao nível teórico-prático, experenciadas em diferentes situações reais de intervenção comunitária com diferentes grupos e comunidades. Há princípios éticos que fazem parte do processo socializador do Animador, valores que são adquiridos no trabalho colectivo resultado das vivências quotidianas e fruto do trabalho de Animação.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Quaderns d' Animació n.º 12

Está online o número 12, Julho de 2010, da revista semestral Quaderns d' Animació i Educació Social, editada pelo Prof. Mario Viché. A publicação do próximo número está prevista para Janeiro de 2011.

O número actual congrega participações de Portugal, Espanha, Brasil, Chile, Filândia e México. Esta diversidade geográfica e cultural convergem no sentido da reflexão pluralista sobre a Animação Sociocultural e a Educação Social.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Colaborações para o próximo número da Revista Práticas de Animação

A Revista Práticas de Animação editada pela Delegação Regional da Madeira da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural é um projecto editorial assinado "pela universalidade de temas, pensamentos verbalizados pela escrita, reflexões de investigadores e acções de Animadores protagonizadas nas muitas perspectivas do que é a Animação e em que contextos podem intervir".

A Práticas de Animação é uma revista eclética, aberta à participação de todos os interessados. É graças ao contributo de todos aqueles que solidariamente têm contribuido para este projecto, participações que para nós têm um grande significado e que são reveladoras da premência desta publicação no contexto da reflexão sobre as teorias e as práticas da Animação Sociocultural.

Convidamos todos os interessados em colaborar no próximo número da revista (a editar em Outubro de 2010) a remeterem os seus trabalhos para o e-mail: del.madeira@apdasc.com até finais do mês de Setembro próximo. Este é um projecto aberto à participação dos Animadores, dos académicos e de todos os investigadores cuja actividade se cruza com os campos multidisciplinares da Animação Sociocultural.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

As ideias-chave dos debates. Uma partilha global

A matéria produzida no decurso da realização do ciclo de debates sobre "Profissão e Profissionalização dos/as Animadores/as" consubstância alguns dos temas que brevemente estarão em debate no I Congresso Nacional de Animação Sociocultural organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC). É pertinente a divulgação das ideias-chave resultantes dos debates realizados, nomeadamente, o debate sobre o "Estatuto dos/as Animadores/as Socioculturais" e a "Formação em Animação Sociocultural". Na Região Autonóma da Madeira, a "Ética e Deontologia em Animação Sociocultural" será matéria de debate num futuro próximo.

Quando a Delegação Regional da Madeira da APDASC promoveu na Região os debates sobre os dois primeiros temas, entendemos ser importante divulgar algumas ideias-chave resultantes da participação activa dos oradores convidados e dos outros agentes da Animação presentes - os Animadores - um contributo responsável e democrático para o debate nacional. Talvez seja uma estratégia de agrupar em torno de matérias sensíveis e sempre provocadoras de acessas discussões, através de um processo contínuo de consciencialização dos Animadores Socioculturais para a necessária e urgente participação activa e responsável colectiva e individual sobre o futuro da Animação e dos Animadores.

Os temas abordados têm que implicar activamente os Animadores, consciencializá-los para a sua necessária e inadiável participação em todo este processo, caso contrário, corremos o sério risco de transformar esta dinâmica que foi capaz de alentar os espirítos livres num "projecto de gaveta". O debate e a reflexão têm que ser produzidos com todos os implicados nos processos teórico-práticos da Animação Sociocultural. Apelo aos Animadores para que se impliquem, reivindiquem o seu espaço no debate, façam-se ouvir na seio da discussão... Este modelo de participação também é uma forma de exercício da Animação Cidadã.

A participação do Animador só será livre e consciente quando ele conhecer e dominar os argumentos daquilo que reivindica; quando a sua opinião mesmo que contrária à das maiorias seja validada no debate das ideias e na coerência do discurso colectivo.

domingo, 27 de junho de 2010

Os "ópios" do Povo

O nosso quotidiano colectivo por estes dias tem-se construído em função do desporto de massas - o futebol - modalidade desportiva que aliena milhares de pessoas das suas responsabilidades profissionais e sociais e até dos compromissos para o bem comum. O campeonato do mundo de futebol é o cosmos que como por "milagre" faz-nos esquecer a profunda crise social e económica do país, o desânimo nas instituições e nos seus dirigentes. O futebol é como uma força inigualável capaz de levar milhões de portugueses a depositarem todas as suas esperanças no efémero, algo que nos anima e faz-nos acreditar que o título mundial é a solução para a saída triunfal do país da crise que diariamente agoniza as finanças de milhares de famílias. O futebol é o ópio do povo. Talvez, também seja o meu.

A televisão no exercício da sua função de entretenimento oferece aos telespectadores o escape à realidade social, com a transmissão de programas "berajeiros" que retratam uma cultura do vazio, da exploração de valores e da dignidade das pessoas. Diariamente assiste-se à transmissão de uma realidade sociocultural encenada e alienante dos espirítos mais desatentos. Muitos dirão que são programas divertidos, animados e que fazem esquecer por algum tempo o lufa-lufa da vida quotidiana marcada por notícias que nos dão que pensar e que em alguns momentos evidenciam o que mais de selvagem há nos Homens. Sim, mas continuamos a pactuar com a cultura do vazio e do rídiculo.

Hoje as nossas relações sociais já quase não são mediadas pela relação presencial do Homem com o Homem, são antes, mediadas pelas redes sociais virtuais que difundem a nossa identidade à escala planetária, um mundo paralelo onde diariamente fazemos dezenas de novas amizades e com isso, sentimo-nos felizes porque temos novos amigos, pessoas que porventura nunca chegaremos a conhê-las pessoalmente. Hoje o mundo virtual é o refúgio colectivo perante a avalanche dos problemas reais, face aos quais, temos problemas em ganhar coragem, determinação, ousadia e comprometermo-nos através da participação activa e consciente para serem resolvidos. Paralelamente, vivemos num mundo onde ganhamos notariedade, um mundo onde a nossa identidade genética nada diz, mas o que escrevemos é palavra sagrada.

Estas são realidades sociais e culturais que os Animadores Socioculturais não podem relegar para um plano secundário. Esta é a realidade do nosso país, dos nossos concidadãos e é a partir destas multi-evidências que os Animadores têm que trabalhar os valores e as atitudes ao nível dos grupos. O futebol, a televisão e as novas tecnologias (a Internet) são instrumentos válidos e positivos no nosso quotidiano e que poderão ser utilizados como recursos/instrumentos facilitadores para as dinâmicas e processos de Animação Sociocultural em muitos contextos sociais e culturais no exercício da profissão do Animador. Estes "ópios" não são técnicas de Animação com os colectivos. Ao pensarmos assim, estamos a caminhar no sentido contrário do percurso que é a Animação Sociocultural.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Projecto "1º Acto"

O "1º Acto" projecto coordenado pela CRIAMAR - Associação de Solidariedade Social de Apoio ao Desenvolvimento de Crianças e Jovens, na pessoa da Dra. Hermínia Menezes tem como destinatários institucionais as escolas do 2º e 3º ciclos do ensino básico e secundário. As características metodológicas presentes e desenvolvidas ao longo do projecto "1º Acto" são sinal inequívoco de um trabalho pedagógico através do lúdico. Arrisco mesmo a afirmar que é um projecto de Animação Sociocultural desenvolvido no plano da educação não formal.

Um dos objectivos da equipa coordenadora do projecto prende-se com o desenvolvimento de um processo de intervenção pontual junto das escolas, suportado no princípio base do despertar o interesse dos jovens protagonistas do "1º Acto" para a actividade artística através do teatro e dos outros campos artísticos que não lhe são alheios - escrita criativa, dança, música, expressão plástica, entre outros.

Tive o privilégio de conhecer o projecto na sua 2ª edição (2010) numa reunião de trabalho, quando ele foi desenvolvido com um grupo de alunos da Escola Básica e Secundária de Machico. Desde esse momento, apercebi-me que este tinha um enorme potencial no fomento da participação dos jovens e consequentemente do seu protagonismo cidadão através da educação artística, nomeadamente, o teatro. Este projecto é capaz de envolver de forma dinâmica, experimental e criativa os jovens no labor de uma produção teatral - aulas de teatro, escolha do texto, ensaios, montagem de cenários e figurinos, composição e gravação da música, preparação do material gráfico, todo um conjunto de acções de bastidores fundamentais para que a apresentação ao público da peça seja uma realidade.

Este trabalho de educação cultural e de sensibilização para a compreensão das diferenças culturais merece ser apoiado de forma generosa, sinal do reconhecimento do trabalho de Animação Sociocultural desenvolvido com os jovens no âmbito do projecto. Esta será uma experiência positiva que eles recordarão ao longo da vida. Estou em crer que cada um deles será capaz de tirar as melhores aprendizagens da sua participação num processo de educação não formal e de educação para a cultura.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"Escola Aberta" da PASEC na Madeira

A PASEC - Plataforma de Animadores SocioEducativos e Culturais no âmbito da acção “Escola-Aberta para a Democracia Inclusiva”, acção integrada no projecto Dimensão Cosmos 2, esteve na Ilha da Madeira, entre os dias 9 e 13 de Junho. Esta acção promovida pela PASEC na Região resultou de uma parceria com a Delegação Regional da Madeira da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Socio-Cultural (APDASC).

Um dos objectivos do grupo de trabalho da PASEC liderado pelo colega e amigo, Dr. Abraão Costa, foi conhecer a realidade juvenil madeirense e alguns projectos de intervenção social, educativa e cultural desenvolvidos com crianças e jovens. No contexto da deslocação da PASEC à Madeira realizaram-se alguns encontros de trabalho, nomeadamente, com o Dr. Jorge Carvalho, Director Regional de Juventude, momento que possibilitou um conhecimento da realidade associativa juvenil.

O projecto "Despertar a Nogueira" desenvolvido no Bairro da Nogueira, Freguesia da Camacha foi um dos projectos contemplados no plano de trabalhos, bem como o projecto "Reinventa.com" do Bairro da Nazaré, no Funchal. Ambos os projectos estão inseridos na 4ª geração do Programa Escolhas. Um outro projecto contemplado pela visita do grupo de trabalho foi a CRIAMAR - Associação de Solidariedade Social para o Desenvolvimento e Apoio a Crianças e Jovens, da responsabilidade do grupo hoteleiro Pestana.

Pessoalmente, vejo estas acções de cooperação entre associações como um bem maior, no sentido de criarmos laços de cooperação, que entendo serem pertinentes e de grande dinamismo para o associativismo em geral e para as práticas de Animação Sociocultural, em particular. Manifesto o meu agradecimento à PASEC pelo contributo que trouxe aos Animadores insulares, pela troca de experiências e pelo interesse manifestado desde o primeiro momento pelo trabalho que é desenvolvido na Região Autónoma da Madeira.

Há matéria de entendimento para acções futuras. Arrisco a afirmar que foi lançada a primeira pedra de uma obra que desejamos que seja construída com a colaboração de todos aqueles que se identificam com a Animação Sociocultural e os seus agentes.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O "Eu" e o "Nós"

A minha experiência profissional e envolvência activa em projectos associativos, em diferentes domínios da intervenção cultural e social, praxis que materializada parte substancial do meu exercício da cidadania, confirmam a necessária e urgente educação para uma cultura democrática e sensibilização para o ideal do bem comum que se projecta numa acção solidária e colectiva, anulando a promoção individualista e culto do "eu".

Um projecto colectivo é na maioria das vezes, fruto de um trabalho anónimo de pessoas e/ou instituições, um acto que restitui o sentido de unidade na diversidade de acção e de pensamento, prevalecendo o "nós" contra mecanismos artificiais de sobrevalorização de um qualquer indivíduo que pelas suas manobras de genialidade na promoção camuflada da sua pessoa, atenta de forma deliberada contra o bem comum. As mudanças caracterizam-se por tempos de adaptação, de (re)construção de laços de cooperação e de fortalecimento da rede de parcerias. Estas possibilitam avançar contra a corrente, construir pontes de entendimento e de cooperação estratégica.

Porque as mudanças são necessárias à maturidade dos Homens e contributo para a consolidação da praxis cidadã é fundamental que os indivíduos tenham a capacidade de discernimento, no sentido de perceberem a importância da renovação das diferentes lideranças, elemento motivador e democrático. O sentido de responsabilidade pela promoção do "nós", sinónimo de colectivo que não se esgota no(s) parceiro(s) de projecto e a sensatez têm ditado a direcção da minha acção, enquanto, cidadão e Animador Sociocultural, procurando dignificar os projectos em que estou envolvido. Quando sentir que o meu contributo é em proveito próprio terei a dignidade de retirar-me para que o "eu"não seja protagonista e único beneficiário do esforço da acção colectiva. Convido todos aqueles que pela esterilidade de ideias manifestada na ausência de uma acção concertada em benefício do bem comum, tenham a dignidade de contribuir activamente com e para o colectivo a partir de uma linha secundária, sinal claro do seu entendimento e comunhão sobre o "nós".

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A propósito do debate "Formação em Animação Sociocultural"

O Fórum FNAC Madeira foi uma vez mais o espaço eleito para a realização do debate sobre a "Formação em Animação Sociocultural", iniciativa que acontece a nível nacional, e que na Madeira foi organizada pela Delegação Regional da APDASC, no passado dia 22 de Maio.

Há semelhança do debate anterior, dessa feita, um tema nada pacífico - o "Estatuto do Animador" -, foi intenção da organização sentar à mesa do debate para reflectir sobre a formação dos Animadores, docentes dos cursos de Animação Sociocultural dos ensinos técnico-profissional e superior com o objectivo de a partir de uma perspectiva holística discutir um tema que merece ser reflectido com a singularidade que o exige, sem negligenciar a dimensão plural de afirmação das suas potencialidades, provocando o questionamento sobre as particularidades da formação em Animação Sociocultural.

Este foi um debate onde se procurou reflectir com os Animadores as muitas ofertas formativas em Animação; discutir os diferentes planos de estudos ao nível das mais valias para uma formação integral do Animador Sociocultural. A formação do Animador deve contemplar um plano de estudos interdisciplinares, proporcionando-lhe uma formação eclética, capaz de munir os futuros agentes socioculturais de um conjunto de saberes disciplinares que são o resultado da confluência e contributo de diferentes áreas disciplinares; de técnicas de investigação e intervenção social, bem como, de uma formação em "humanidade" que dote os Animadores de uma vontade e necessidade de conhecer e trabalhar com o outro.

Na nossa opinião a formação académica que confere aos formandos o grau de licenciado em Animação Sociocultural; Animação Socioeducativa, Educação Comunitária e Intervenção Sociocultural entre outras nomenclaturas são sinónimo de uma dispersão que em nada beneficia os Animadores. Defendemos uma unificação das diferentes nomenclaturas, medida que em nada prejudicará a identidade dos Animadores e as particularidades dos diferentes planos de estudos ao nível do 1º Ciclo de acordo com o Processo de Bolonha. O plano de estudos do 2º Ciclo pode e deverá oferecer uma panóplia de especializações no âmbito da Animação em comunhão com outras áreas disciplinares. Em bom tempo o Ministério da Educação legislou sobre esta matéria relativamente aos cursos técnico-profissionais, uniformizando em uma única nomenclatura as muitas designações que acompanhavam o "Animador Sociocultural/Assistente...".

Curiosamente, houve manifestações de vontade para que haja um plano de formação de curta duração no âmbito da Animação Sociocultural. Esta é uma ideia já equacionada no sentido de oferecer aos Animadores da Região Autónoma da Madeira uma formação complementar à sua formação académica de base, proporcionando a estes agentes estratégias complementares no desenvolvimento da suas actividades profissional e voluntária.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Desafios permanentes, que respostas?

Há muito tempo que falamos da necessidade de afirmação da profissão do Animador, paralelamente, à emergência da sua identidade; maior participação na discussão colectiva sobre as questões centrais da Animação Sociocultural e dos Animadores, e também do necessário posicionamento relativo à criação do auto-emprego. Considero que estes são desafios permanentes face aos quais os Animadores Socioculturais têm que ter uma posição pro-activa sustentada em respostas criativas. Não significa que eu esteja integralmente de acordo com a fórmula por alguns apresentada para alcançar tais objectivos, ou que o caminho apresentado seja o mais coerente.

A dignificação da profissão do Animador Sociocultural é uma tarefa exigente ao nível da afirmação do conceito da Animação Sociocultural e das suas práticas culturais, cívicas, sociais e educativas no exercício da profissão, mas, é um passo impriscindível para a construção da identidade do Animador. A identidade não é conquistada através de um decreto legislativo, nem pela aprovação do Estatuto do Animador, antes, é construída pelas práticas sustentadas e responsáveis dos seus agentes, os Animadores. O mercado de trabalho oferece muitos obstáculos e por vezes labirínticos. Perante cenários menos optimistas é preciso que impere uma consciência colectiva de mudança social, de maior vontade na afirmação do papel da Animação Sociocultural com as comunidades e os territórios.

Há que abandonar premissas construídas em fundamentos que hoje são ilusões e atitudes saudosistas de um discurso que prevaleceu durante anos e que talvez fosse adequado à realidade socioeconomica e financeira do país. Falo da ideia que continuamos a querer que prevaleça, o auto-emprego. Perante a actual situação difícil do país e consequentemente dos mercados, não podemos apelar a uma ilusão que poderá alimentar o espírito empreendedor dos Animadores Socioculturais. Talvez sejam um convite para um destino indesejado.

Tenho defendido em diversos fóruns a ideia, discutível, dos Animadores Socioculturais criarem necessidades/oportunidades nas instituições ondem excercem funções na qualidade de voluntários, estagiários ou contratados, no sentido dessas entidades contratarem Animadores para os quadros técnicos, com o objectivo de responderem de forma efectiva às realidades comunitárias. Não defendo contratações massivas na Administração Regional e Local. O emprego na Administração Pública sinónimo de emprego para a vida, já não existe. Os Animadores têm que assumir definitivamente um papel de provocadores de mudança, de fabricantes de necessidades institucionais, demonstrando aos potenciais empregadores a importância e necessária contratação de técnicos de Animação Sociocultural, independentemente, da sua categoria profissional.

Apelo à consciencialização da importância do exercício que os Animadores têm na promoção do bem comum e da relação de proximidade com o outro, numa perspectiva de contributo para a empregabilidade, de entreajuda e de dignificação da profissão e construção colectiva de uma identidade tão necessária como o pão para a boca. Estes factores de relação comunitária poderão ser construídos a partir das acções quotidianas dos Animadores. É preciso acreditar e trabalhar no sentido da mudança de atitudes.

domingo, 16 de maio de 2010

Encontro Animação Sociocultural


"O Perfil, a Profissão e os Estatutos do Animador" são o tema do Encontro de Animação Sociocultural que terá lugar no dia 18 de Maio próximo, no Auditório da Escola Superior de Educação de Portalegre (ESEP)/Instituto Politécnico de Portalegre.

Esta é uma iniciativa organizada pelos alunos do 3º ano do curso de Animação Sociocultural da ESEP e pela direcção do curso.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Conferência/Debate "Formação em Animação Sociocultural"

A "Formação em Animação Sociocultural" é o tema do próximo debate que terá lugar no dia 22 de Maio, pelas 18h, na FNAC Madeira. Os convidados para o debate são a Prof. Doutora Ana Lavado, coordenadora da licenciatura em Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação de Beja/ Instituto Politécnico de Beja, e o Prof. Carlos Aveiro, coordenador do curso técnico-profissional de Animação Sociocultural da Escola Profissional Atlântico.

Este debate é o segundo do ciclo de debates "Profissão e a Profissionalização dos/as Animadores/as" organizado a nível nacional pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC), iniciativa à qual a Delegação Regional da Madeira da APDASC associou-se desde a primeira hora, promovendo também na Região Autónoma da Madeira o ciclo de debates à semelhança da direcção nacional.

É nosso objectivo reunir os Animadores insulares independentemente da sua formação (técnico-profissional e/ou superior) e com eles reflectir de forma participativa, aberta e democrática na promoção de um debate de ideias plural com sentido crítico, a partir do qual possamos orientar a nossa acção em prol do bem comum, entenda-se esta ideia como uma formação académica que contribua activamente para a futura carreira profissional dos Animadores.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

"Caminhos da Animação"

Apraz-me escrever sobre o Colóquio "Caminhos da Animação", uma iniciativa do curso de Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação de Beja (ESEB)/Instituto Politécnico de Beja (IPB) que ao longo das sete edições, tem marcado a discussão/reflexão sobre a Animação Sociocultural e a emergência de novos âmbitos de intervenção desde a perspectiva da Animação. A VII edição marca a apresentação oficial de três novos organismos associativos: o Nodo RIA Portugal que terá a sua sede na ESEB/IPB, da Associação Insular de Animação Sociocultural - AIASC e da Rede Anim@te.

O Colóquio "Caminhos da Animação" reveste-se de importância acrescida para a dinamização do curso de Animação da ESEB, sem nunca perder a sua componente técnico-científica que os seus responsáveis continuam a associar-lhe e bem. Uma palavra de apreço ao corpo docente e discente pela forma responsável, inteligente e criativa com que organizam o Colóquio "Caminhos de Animação", um espaço privilegiado para reflectir sobre as práticas da Animação Sociocultural. Os organizadores do colóquio aliaram de forma inteligente a teoria à prática, possibilitando a todos os participantes uma comunhão sobre os possíveis e emergentes âmbitos de intervenção no exercício profissional do Animador Sociocultural.

Por fim, um apontamento sobre o plano de estudos da licenciatura em Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação de Beja. Este plano congrega matérias disciplinares de natureza técnico-científica e teórico-prática capazes de responderem a uma formação especializada de forma equilibrada e evolucionista, proporcionando aos futuros Animadores Socioculturais um conjunto de saberes-fazeres necessários à sua prática profissional. O plano de estudos oferecido revela uma preocupação permanente na dignificação formativa dos Animadores, procurando dar respostas às necessidades socioculturais das comunidades do século XXI. É um sinal claro de acompanhamento dos novos tempos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Animação do Turismo em Espaço Rural

A Animação Turística no contexto do turismo em espaço rural carece de um projecto global de desenvolvimento integrado, equilibrado e participado por todos os actores que protagonizam este nicho de mercado turístico. A promoção turística em espaço rural tem que ser uma aposta diversificada e inteligente, com o objectivo de dinamizar um mercado que exige projectos de Animação Turística de qualidade, cujo sucesso é selado pelo trabalho em rede com as autarquias, os agentes socioculturais e de forma mais directa e responsável entre as unidades de turismo em espaço rural.

A Animação Turística deve ser percepcionada por todos como um conjunto de acções e técnicas direccionadas a motivar, promover e facilitar uma maior e eficaz participação activa dos turistas no desfrute do seu tempo livre (tempo de férias). Ela pode contribuir para o desenvolvimento local numa dimensão económica, social, cultural e ambiental. Um desenvolvimento mediado pelo relacionamento dos turistas com as gentes e com o seu património cultural material e imaterial; uma integração sociocultural activa transformadora do tempo livre em ócio activo.

Não basta oferecer uma pequena unidade hoteleira, resultado da recuperação do património arquitectónico. Há que inovar na forma como se defende as políticas de Animação Turística em espaço rural. É preciso conceber um plano promocional do turismo rural com parceiros públicos e privados. As pequenas e micro empresas locais podem e devem ter um papel activo e de co-responsabilidade no desenvolvimento turístico local, elas são parceiras privilegiadas. Um plano de Animação Turística em espaço rural deve contemplar a recuperação e fomento do artesanato rural, da gastronomia e da cozinha tradicional; a promoção de iniciativas que valorizem a história, a cultura e os patrimónios locais, actividades dinamizadoras da economia local e regional através da criação de emprego. As iniciativas decorrentes da actividade turística não se esgotam aqui, elas dependem da capacidade de inovação e criatividade dos seus protagonistas.

A Animação Turística em espaço rural tem que ser o epicentro da promoção de projectos e actividades a partir das iniciativas locais, possibilitando à população que seja gestora e protagonista de projectos de Animação facilitando desta forma a reanimação dos territórios rurais e das suas populações, numa perspectiva solidária de contributo para o desenvolvimento endógeno integral, valorizador das identidades culturais e da promoção da cultura local no mundo global.

domingo, 18 de abril de 2010

VII Colóquio "Caminhos da Animação"


Decorrerá na Cidade de Beja, nos dias 4 e 5 de Maio, o VII Colóquio "Caminhos da Animação", iniciativa organizada pela Comissão Técnico-Científica e Pedagógica do Curso de Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação de Beja e pelos alunos do respectivo curso. Paralelamente a esta iniciativa, realiza-se até Julho as IV Jornadas de Animação, também sob a égide dos alunos do curso de Animação.

Está a decorrer a fase de inscrições. Elas podem ser feitas através dos seguintes contactos:
Telm. 917357288 ou por e-mail: alavado@ipbeja.pt

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Em breve é o turismo que vai dever tudo à cultura"

"Em breve é o turismo que vai dever tudo à cultura". Esta é uma afirmação de Isabel Canavilhas, Ministra da Cultura, em entrevista à Revista Única do Semanário Expresso.

O turismo cultural é um nicho de desenvolvimento económico, social e cultural que exige um compromisso de envolvência activa das populações locais. Assumir o turismo cultural como alavanca promotora da economia local, de afirmação das identidades e de dinamização sociocultural de um território específico é um desígnio que exige sensibilidade política e empresarial com a identidade cultural comunitária e com os patrimónios das gentes. É uma tarefa que não pode ser arquitectada levianamente. As populações devem ser convocadas a participar, serem protagonistas do desenvolvimento social e económico comunitários.

Urge olhar para a cultura, enquanto, um recurso económico sustentável e alternativo aos grandes projectos turísticos transformadores das particularidades locais em lugares comuns e artificiais, percepcionando o turismo cultural como uma mais valia para o desenvolvimento local e factor dinamizador de um processo de economia solidária.

Os governos locais e regionais devem desenhar um plano estratégico de desenvolvimento cultural partindo de uma matriz em que o turismo e a cultura sejam elementos chave na dignificação e afirmação dos territórios e das suas gentes. Não podemos menorizar o papel transversal que a acção cultural no campo do património cultural material e imaterial pode ter como promotora de um modelo de desenvolvimento global partindo das especificidades do local.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Novo número da Animador Sociocultural: Revista Iberoamericana

Está disponível o novo número da Animador Sociocultural: Revista Iberoamericana, uma publicação periódica da Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (RIA).

Este número reune um conjunto significativo de trabalhos de investigação e experiências no âmbito da cidadania activa, da participação, da democracia, âmbitos que se fundem com a Animação Sociocultural.

Para aceder à revista, clique aqui.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Encontro Europeu de Jovens Animadores e Técnicos de Apoio Psicossocial

Gerar uma plataforma de discussão e de divulgação da Animação SocioCultural e Educativa (ASCE) no contexto europeu, bem como, devolver o protagonismo às dezenas de projectos de ASCE do norte do país, é o objectivo da Plataforma de Animadores SocioCulturais e Educativos (PASEC) que em parceria com a Câmara Municipal de Famalicão e a Rede Europeia de Grupos informais entre outras entidades parceiras, organiza entre os dias 8 e 11 de Abril, o Encontro Europeu de Jovens Animadores e Técnicos de Apoio Psicossocial em Vila Nova de Famalicão.

A metodologia de trabalho prevê um fórum sobre os projectos de ASCE desenvolvidos em Portugal e na Europa com o suporte de uma exposição e feira dos projectos; workshop’s abertos à comunidade; um programa de formação específico a decorrer durante os dias do certame para os animadores envolvidos; colóquios específicos sobre ASCE dinamizados por alguns dos jovens animadores e técnicos de apoio psicossocial e um espectáculo que leve à cena parte do trabalho de Animação Artística desenvolvido pelos parceiros envolvidos.

terça-feira, 30 de março de 2010

A discussão das ideias e propostas para o Estatuto do Animador

A realização dos vários debates sobre o Estatuto do Animador Sociocultural, tema que será amplamente discutido em congresso num futuro próximo, foi uma iniciativa que produziu matéria para reflexão dos participantes à posteriori, mas também de todos os Animadores que de forma (in)directa se identificam com a problemática e os desafios que a proposta de Estatuto do Animador poderá e deverá reunir numa perspectiva de integração e de promoção do bem comum.

Entendemos que a matéria produzida nos debates realizados nas diferentes regiões do país deve ser disponibilizada a todos os Animadores, para que cada um de nós, na medida do possível, possa dar o seu contributo para a discussão que é desejável que seja participada por todos os envolvidos no processo.

"Todos diferentes, todos iguais". É sustentado neste slogan que devemos reflectir e trabalhar seriamente na elaboração de uma proposta de Estatuto do Animador, procurando reunir as muitas sensibilidades e diferentes pontos de vista sobre a mesma matéria. Parece-nos importante criar um espaço de participação colectiva com vista à recolha de propostas dos muitos Animadores dispersos pelo país, no sentido de enriquecer a proposta de Estatuto do Animador. Para tal, é fundamental a disponibilização de um documento de trabalho síntese sobre a matéria em apreço para que a partir dela, a participação seja fluente e criativa.

Começamos a percorrer uma outra etapa e perante esta realidade, é deveras importante que não percamos o sentido de responsabilidade sobre o futuro da profissão aliado a um discurso coerente, realista e optimista.

sábado, 27 de março de 2010

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2010

"O Dia Mundial do Teatro é uma oportunidade de celebrar o Teatro em todas as suas miríades formas. Fonte de entretenimento e inspiração, o Teatro contém em si a capacidade de unificar os inúmeros povos e culturas que existem no mundo. Mas o Teatro é mais do que isso e também proporciona oportunidades de educar e informar. O Teatro é representado no mundo inteiro e nem sempre no cenário de teatro tradicional.

Os espectáculos podem ocorrer numa pequena aldeia em África, no sopé de uma montanha da Arménia, numa pequena ilha do Pacífico. Só precisa de um espaço e de um público. O Teatro tem a capacidade de nos fazer rir, de nos fazer chorar mas deve, também, fazer-nos pensar e reflectir.

O Teatro acontece pelo trabalho em equipa. Os actores são as pessoas que se vêm, mas existe um conjunto espantoso de pessoas que não são vistas. São tão importantes como os actores, e os seus conhecimentos especializados, diferenciados, tornam possível que a produção aconteça. Eles também devem partilhar qualquer triunfo ou sucesso que se espera que venha a acontecer.

O dia 27 de Março é sempre a data oficial do Dia Mundial do Teatro. Em muitos sentidos cada dia deveria ser considerado um dia do teatro, uma vez que temos a responsabilidade de continuar esta tradição de entretenimento, de educação e de elucidar o nosso público, sem o qual não poderíamos existir."

Dame Judi Dench

quinta-feira, 25 de março de 2010

FENPROF defende Animadores Socioculturais nas Escolas

As situações de indisciplina e violência que se têm verificado no espaço escolar originou reacções dos partidos políticos e da Federação Nacional dos Professores (FENPROF). Quer os partidos, quer a FENPROF já apresentaram propostas em sede própria para combater esta realidade escolar.

O Conselho Nacional da FENPROF defende que as escolas possam no quadro da sua autonomia encetar medidas que aumentem o quadro de recursos humanos, nomeadamente, "animadores socioculturais e de tempos livres que possam acompanhar e mesmo orientar as actividades lúdicas dos alunos durante os intervalos e o tempo não lectivo na escola" e "reorganizar o funcionamento das escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico, (...) libertando os seus tempos livres de actividades escolarizadas - que têm também contribuido para o aumento da indisciplina -, preenchendo-os, no âmbito de uma componente de apoio às famílias, com actividades de carácter lúdico, cultural e social."

Uma força partidária com assento parlamentar já apresentou um projecto-lei que visa a criação de gabinetes pedagógicos de integração escolar, órgão que reúna uma equipa multidisciplinar, e da qual façam parte Animadores Socioculturais. Congratulamo-nos com a defesa das presentes medidas. É fundamental que estas não sejam discutidas e até executadas como "panaceias" para os males sociais que se vivem no espaço escolar. Esta é uma oportunidade para que os Animadores Socioculturais assumem um papel de parceiros de um trabalho de intervenção social e educativo na escola e não como uma extensão do corpo docente, ou até mesmo, assumirem um papel securitário no espaço de recreio e nos tempos não lectivos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Notas sobre o debate "O Estatuto do Animador Sociocultural"

A continuidade territorial também se afirma no debate de temas e questões que num passado recente seria mais difícil de acontecer em território insular. No cumprimento da agenda do debate nacional descentralizado por algumas regiões do país, a Delegação Regional da Madeira da APDASC, organizou no passado dia 20 de Março, no Fórum FNAC Madeira, o primeiro de três debates. Neste primeiro debate foi abordado "O Estatuto do Animador Sociocultural".

O Prof. Doutor Avelino Bento foi o convidado numa iniciativa que reuniu um grupo significativo de pessoas, num espaço informal e aberto ao público em geral, porque acreditamos que este tipo de discussão tem que se realizar em espaços informais, onde a proximidade entre todos os presentes sejam um factor mobilizador de uma participação crescente e de igualdade de oportunidades.

Mais importante, foi a discussão dinamizada pelo Prof. Avelino Bento sobre o Estatuto do Animador Sociocultural que reuniu Animadores Socioculturais, estudantes dos cursos de Animação Sociocultural, formadores do ensino técnico-profissional e professores universitários. Curiosamente, durante o debate algumas pessoas curiosas ficaram a assistir ao debate, e até questionaram sobre a matéria em discussão. Talvez seja um sinal de que a sociedade civil começa a despertar para as práticas da Animação Sociocultural, e reconheçam a necessidade da figura do Animador Sociocultural na sociedade actual.

As competências e perfil do Animador Sociocultural são matérias que precisam de ser discutidas no seio das organizações de ensino, no processo de aprendizagem formal e informal dos Animadores Socioculturais, sem descurar, o papel relevante que as associações de Animadores Socioculturais têm a dar para a definição do perfil.

"O que é ser Animador Sociocultural hoje?". Esta foi uma das questões que serviu para abrir o debate, para ouvir os Animadores Socioculturais insulares, oscultar as dificuldades com que se defrontam no exercício das suas práticas. Uma questão que exige uma profunda discussão entre os nossos pares, e cuja resposta deverá orientar os Animadores na definição do seu estatuto socioprofissional.

Defendemos que ao Estatuto do Animador deverá estar subjacente uma linha de integração dos diferentes técnicos superiores formados em Animação: Animadores Socioculturais, Socioeducativos, Culturais, Turísticos, Animadores Socioculturais de Bibliotecas Escolares, entre outros, no sentido de responder à panóplia de nomenclaturas das licenciaturas e pós-graduações em Animação que actualmente estão vigentes no Ensino Superior, procurando que estas figuras profissionais se mantenham, fruto de uma identidade que apesar de ter um corpus teórico-prático comum, é necessário preservar a sua singularidade.

O futuro estatuto deverá definir o perfil profissional do Animador Sociocultural (técnico-profissional e técnico superior) e respectivas competências. Defendemos um estatuto que contemple a unidade de dois grandes grupos: o grupo técnico-profissional e o grupo técnico superior. Esta é uma discriminação positiva, de integração e que respeita a singularidade das diferentes figuras profissionais da Animação Sociocultural que na actualidade continuam a evidenciar a sua presença no mercado de trabalho.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Duas gerações de Animadores Socioculturais. Duas formas de pensar, de estar e de agir

A Animação Sociocultural em Portugal é representada por duas gerações distintas de Animadores com percursos muito diferentes, com um reportório do saber-fazer variado e enriquecido por um percurso singular no contexto vivenciado pelas práticas de Animação Sociocultural. Esta realidade não pode sobrepor-se à nova geração de Animadores que continuam a revindicar para o colectivo socioprofissional um espaço próprio de afirmação de uma identidade que continua a diluir-se entre os seus pares. Não podemos anular ou menosprezar o crescimento efectivo de iniciativas que procuram ser espaços de debate e de afirmação positiva de outras centralidades para as quais as diferentes modalidades e âmbitos da Animação são um contributo a valorizar na participação e na dignificação da cidadania activa.

As realidades sociocultural e política actuais são diferentes daquelas de uma ou duas décadas atrás. Hoje o mercado de trabalho é um mundo heterogéneo, ele continuará a exigir um perfil de trabalhador multifacetado, capaz de dar respostas céleres a problemáticas de diferentes graus de complexidade e de natureza distinta. Mas, na verdade há um modus operandi que continua a manter as características de outrora: o exercício profissional da Animação Sociocultural independentemente do sector de actividade, público, privado ou cooperativo.

Faço parte da nova geração de Animadores Socioculturais, daqueles que não iniciaram o exercício da Animação Sociocultural pela via prática/autodidacta, ou que ingressou na carreira através da prática no movimento associativo ou em qualquer outro organismo. Segui o percurso contrário, exerço a minha actividade em Animação Sociocultural pela via da formação académica, que deu-me a possibilidade de assimilar um conjunto de saberes, de conhecimentos teório-práticos que hoje ajudam-me a ser um Animador Sociocultural.

Recuso a ideia de que os Animadores que trabalham no sector público, nomeadamente, nas autarquias trabalham de acordo com o horário estabelecido para a administração pública. Exerço a minha actividade numa autarquia, e felizmente, estou em condições de contrariar a ideia de que o Animador Sociocultural numa autarquia é mais um funcionário público. Há a excepção à regra e muitos Animadores da minha geração que exercem funções no sector público são essa excepção. Já tive oportunidade neste blog de relatar de forma concisa a minha experiência profissional através da qual, tenho tido a possibilidade de desenvolver uma base de actividade sólida com grupos sectoriais e com diferentes comunidades, procurando sempre desenvolver um conjunto de saberes-fazeres. Um trabalho que muitas vezes revela-se ingrato, uma actividade profissional que continua a exigir a isenção de horário de saída.

Respeito os Animadores Socioculturais que antecederam a minha geração, reconheço-lhes trabalho em prol da Animação e dos Animadores. Este facto não anula de forma alguma a minha vontade em continuar a trilhar novos caminhos, a reflectir e a debater com outros Animadores Socioculturais questões centrais para a nossa geração. Cada um de nós tem a responsabilidade de contribuir para um futuro mais promissor, equilibrado e generoso para as gerações futuras. Um contributo que requer uma vontade de transformar com os outros aquilo que alguns insistem que não seremos capazes de consegui-lo.

sexta-feira, 5 de março de 2010

A categorização socioprofissional dos Animadores Socioculturais

Os animadores sócio-culturais e os sistemas de representação de um corpo profissional: controvérsias em torno da delimitação de categorização profissional é o título de uma tese de mestrado, que de acordo com a sua autora procura "... descrever e interpretar as formas pelas quais os animadores socioculturais se envolvem em controvérsias, designadamente através dos seus porta-vozes, em torno da categorização socioprofissional e de um modo mais geral, mostrar, como esses actores, procuram o reconhecimento social e institucional da sua profissão."

A investigação apresentada testemunha uma realidade socioprofissional protagonizada pelos Animadores Socioculturais que, curiosamente, e de acordo com a nossa análise depois de uma leitura cuidada, parece expressar um sinal claro da divisão fracturante que separa duas gerações de Animadores, mas paradoxalmente, as une. Acompanho este "cisma" a alguns anos, e depois da leitura da tese fiquei mais convicto sobre as questões de fundo que marcam duas gerações de Animadores. As questões da categorização profissional dos Animadores Socioculturais ganha maior visibilidade nos congressos de Animação, onde as realidades que todos nós conhecemos são invocadas e as respostas continuam a ser as mesmas. Estará os Animadores Socioculturais eternamente condenados a não encontrarem soluções de consenso colectivo?

A investigação produzida apresenta um conjunto de matérias de relevante interesse para os Animadores Socioculturais que contribui significativamente para a construção de um conhecimento necessário que é desejável que progrida para um discurso crítico e actual sobre um conjunto de agentes e factos que continuarão a ser obstáculos à definição estatutária da categorização socioprofissional.

Alguns dos argumentos credivelmente fundamentados, agora apresentados, não são para nós, novidade. Congratulo-me pelo facto de em tempo oportuno, termos tido a mestria de trazer para a mesa do debate e da reflexão colectiva, ora denunciando, ora apresentado factos protagonizados pelos mais diversos actores sociais em matéria com referências (in)directas à Animação e aos Animadores Socioculturais. Muito do conteúdo deste blog é testemunho disso mesmo.