quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Em retrospectiva

Estamos na recta final de mais um ano que na minha singela opinião foi positivo em vários campos da acção sociocultural. Foram concretizadas iniciativas que assinalam a presença incontornável da nossa existência, enquanto, Animadores Socioculturais mas com maior pujança a nossa militância pela cidadania activa e comprometida com o colectivo.

Não é menos verdade que muito ficou por realizar, engana-se quem pensar que foi pela ausência de engenharia humana, por falta de motivação do colectivo ou até por desinteresse e desnorte. Pelo contrário, foi necessário construir os alicerçes que sustentarão a nossa acção futura. Muitas vezes, é forçoso "reorganizar" as linhas de acção há muito programadas para que o futuro ambicionado seja uma realidade efectiva.

Na despedida do "ano velho" não posso deixar de assinalar o fortalecimento dos sentimentos de amizade, estima, respeito e consideração que nutro por pessoas que hoje tenho a certeza que estão no meu restrito circulo de amizades. É estimulante a partilha de conhecimentos, de opiniões convergentes e divergentes, de formas de estar na vida e não apenas de passar por ela. A distância não nos impede de partilhar o melhor da vida - a amizade e o respeito mútuo -, nem enfraquece a nossa capacidade crítica de reflectir sobre as questões da Animação Sociocultural, da cidadania e consequentemente da democracia.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Natal


É costume trocarmos votos festivos com aqueles que nos são próximos: familiares, amigos, vizinhos e colegas. Estabelecemos uma relação de proximidade harmoniosa com os outros.

O Natal tem o poder de transformar os Homens e o seu quotidiano. Ele é como um tempo mágico, um tempo de tréguas nas batalhas que travamos quotidianamente numa tentativa de afirmação da nossa existência e na conquista de um lugar no pódio da vida social.

Vejo e procuro fazer da época natalícia um tempo contínuo de esperança, de alimento para as utopias que fortalecem os espíritos inquietos com os flagelos sociais sobre os quais temos responsabilidades enquanto cidadãos. Para mim, o Natal continua a ser sinónimo de valores caros à Humanidade: a paz, o humanismo, a solidariedade, a fraternidade; valores que se traduzem num compromisso pelo bem comum.

Votos sinceros de um Feliz e Santo Natal. Que a natividade do Menino Jesus seja para todos nós o (re)acender do humanismo e do compromisso de dádiva por causas transformadoras do mundo em que vivemos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Plano Gerontológico da Região Autónoma da Madeira

O Plano Gerontológico da RAM "Viver mais, Viver melhor" 2009 – 2013 é de acordo com a Secretaria Regional dos Assuntos Sociais um "... documento de orientação estratégica que, num quadro de referência, ensaia a definição de objectivos estratégicos e horizontes temporais, bem como define medidas que vão influenciar a adequação de um conjunto de respostas às necessidades das pessoas idosas para ainda enunciar metas e indicadores numa visão prospectiva de desenvolvimento táctico de maneira a construirmos modelos organizativos capazes de responder às novas realidades sociais que emergem."

Após uma leitura do Plano Gerontológico, entendo que o trabalho apresentado merece leituras interdisciplinares e de discussão dos possíveis contributos práticos que os diferentes profissionais oriundos das Ciências da Saúde, das Ciências Sociais e das Ciências da Educação poderão trazer para a gestão e concretização efectiva do Plano. As respostas sociais para com as pessoas idosas serão mais eficazes se envolverem os muitos profissionais do social, contrariando uma possível sobrevalorização de alguns em detrimento de outros técnicos com formação específica que também podem ser parte das respostas sociais e culturais das instituições públicas e privadas ao envelhecimento activo.

O Plano estabelece três grandes estratégias de intervenção: envelhecimento activo, dependências e segurança, capacitação e formação específica.

O envelhecimento activo implica uma participação contínua do idoso nas questões sociais, económicas, culturais, espirituais, cívicas e políticas da vida da e em comunidade. Ele (o envelhecimento) ... "é entendido como um processo de optimização de oportunidades nos domínios da saúde, da participação e da segurança, com o objectivo de prolongar a qualidade de vida das pessoas à medida que envelhecem".

Em matéria de capacitação e formação específica a envolvência activa dos idosos em actividades socioculturais ou através da formação contínua são um antídoto para a manutenção da vida activa, combatendo e retardando o aparecimento de doenças e incapacidades.

Das diversas medidas apresentadas no eixo de intervenção para o envelhecimento activo, destaque para o "apoio aos projectos e acções intergeracionais que incentivem a parceria, o intercâmbio e a valorização da pessoa idosa". A meta é envolver em projectos intergeracionais uma escola por concelho. Em resultado de um Estudo sobre os Idosos da RAM (1980) foi implementado um programa que entre outras medidas promoveu o ensino de adultos a idosos, tendo também sido desenvolvidas actividades de animação, de terapia ocupacional, entre outras medidas de carácter preventivo.

Já nos anos 90, da parceria entre o Centro Social e Paroquial da Encarnação, da Escola Básica e Secundária do Estreito de Câmara de Lobos e da Secretaria Regional de Educação foram criados pela primeira vez projectos intergeracionais na área escola e nos Clubes Intergerações nas Escolas Básicas e Secundárias do Estreito de Câmara de Lobos, no Galeão e no Funchal.

Outra medida estratégica daquele eixo, fundamenta-se no fomento/divulgação do turismo sénior, actividades culturais e de lazer e intercâmbios entre idosos. A medida proposta do turismo sénior vai de encontro ao defendido no Estudo Prospectivo dos Perfis Profissionais para o Reforço da Competitividade e Produtividade da Economia Regional (2007-2013) que aponta como oportunidades de futuro para a Região em matéria de saúde e bem-estar, maior exploração do potencial do turismo sénior associado a um conjunto de serviços de saúde, desportivos e de apoio pessoal à exigência de infra-estruturas, serviços e recursos humanos especializados.

O eixo de intervenção para as dependências e segurança aponta entre várias medidas, o reforço da rede de equipamentos sociais (Lares, Centros de Dia e Centros de Convívio) vocacionados para a pessoa idosa. Nestes equipamentos na RAM são desenvolvidas actividades sócio-recreativas, desportivas e culturais, manifestando-se já a consolidação de um trabalho intergeracional. Em matéria de equipamentos sociais colectivos, o Estudo Prospectivo defende a construção/reabilitação de equipamentos de convívio e de actividades lúdicas, culturais e recreativas, mas também a criação de empregos de proximidade com o intuito de uma gestão de actividades e de equipamentos colectivos privilegiados para a integração de grupos sociais desfavorecidos e marginalizados.

Uma outra medida é o desenvolvimento de um programa de formação para profissionais. Esta última medida é também apontada no eixo de intervenção para a capacitação e formação específica.

E porque vai de encontro às ideias apresentadas no Plano Gerontológico, sublinho duas intervenções estratégicas apontadas no Plano de Saúde 2004 - 2010 da Região Autónoma da Madeira: a "promoção da articulação interpessoal e intergeracional" e "dinamização de iniciativas de índole cultural que preparem o adulto para uma vida social satisfatória após o fim da actividade profissional".

Parece-me pertinente referir ainda que o Estudo Prospectivo dos Perfis Profissionais coloca a figura do Animador Sociocultural enquadrada em outras dinâmicas sectoriais, nomeadamente, no sector da Saúde e Serviços Sociais com competências em matéria de Animação e entretenimento para a saúde e bem-estar (serviços especializados, cuidados pessoais e de apoio à vida pessoal e familiar (serviços, processos e tecnologias).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Experiência de Teatro Legislativo em Portugal

"A Ana acabou de entrar para o Ensino Superior. Precisa de bolsa para conseguir estudar, mas vai ser mais difícil do que pensava. Vendo a bolsa rejeitada, tenta fazer alguma coisa. Mas nem todos os colegas acham que valha a pena protestar, porque fica sempre tudo na mesma. Há professores que lhe fazem avisos sobre a sua impertinência. E a Reitoria apresenta-lhe soluções que não a convencem. Será que a única solução é contrair um empréstimo? Ou as coisas poderiam ser diferentes? Que obstáculos é que a Ana encontra? Que comportamentos e que leis ajudariam a que esta história tivesse um outro final? Se fosse possível mudar alguma coisa nesta história, o que mudarias?" (Sinopse da peça Estudantes por Empréstimo).

Esta é a história que fundamenta a primeira iniciativa de Teatro Legislativo em Portugal de acordo com José Soeiro, deputado do Bloco de Esquerda à Assembleia da República e mentor do projecto teatral Estudantes por Empréstimo. Esta é uma peça de teatro-fórum criada por um grupo de estudantes do Ensino Superior cujo desafio principal mais do que a participação de quem quiser aderir ao projecto é mudar o rumo à história, propor outras formas de agir a partir da história representada. É democratizar a política através do teatro.

De acordo com a informação disponibilizada sobre o projecto, os responsáveis pelo Estudantes por Empréstimo pretendem calendarizar um conjunto de apresentações e sessões de Teatro Legislativo em várias localidades. A etapa final deste projecto pioneiro em Portugal materializar-se-á com algumas das sugestões dos espectadores-actores transformadas em iniciativas legislativas (perguntas ao Governo, projectos de resolução, requerimentos ou projectos de lei) e com uma audição na Assembleia da República.

O Teatro Legislativo é a utilização da metodologia do Teatro do Oprimido com o intuito de mudar a Lei, porque o problema esta numa Lei ou num conjunto de Leis. As histórias concretas do quotidiano colectivo dos cidadãos é a sustentabilidade para a discussão e de provocação para o encontro de soluções que levem às alterações necessárias e justas da Lei; é um teste às formas de organização colectiva com a força necessária para provocar a mudança legislativa em função do bem comum.

O Teatro Legislativo humaniza a política, despoletando o debate a partir de uma história concreta. É um contributo muito válido que merece ser estimulado no sentido de proporcionar espaços descentralizados de discussão da política, dos problemas reais das pessoas e de promover o envolvimento activo dos seus protagonistas que são os cidadãos. É na promoção desta ideia que no fim de cada sessão de teatro-fórum, os espectadores-actores são convidados a apresentar sugestões, a tomarem parte activa na mudança que encontrará feedback nas iniciativas legislativas.

"O teatro político não é aquele que impinge soluções determinadas por outros, mas o que dá às pessoas o protagonismo de ensaiar e escolher as soluções que fazem sentido para a sua vida." (José Soeiro)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ciclo de Debates "Profissão e Profissionalização dos Animadores Socioculturais"

"Profissão e Profissionalização dos/as Animadores/as Socioculturais" é o tema que estará em discussão no ciclo de debates que a Delegação Regional da Madeira da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC) promoverá em 2010. Esta iniciativa está integrada no ciclo de debates que acontecerá em território nacional promovido pela APDASC.

A Delegação Regional da Madeira da APDASC elegeu a FNAC Madeira como palco para a realização do ciclo de debates. A 13 de Março realizar-se-á o primeiro debate subordinado ao tema "Estatuto dos Animadores Socioculturais"; a 4 de Maio o tema em discussão será a "Formação em Animação Sociocultural em Portugal" e a 12 de Junho "Ética e Deontologia em Animação Sociocultural", tema que encerrará o ciclo de debates proposto para 2010.

Fazemos um apelo para uma participação activa dos Animadores da Madeira numa iniciativa que desejamos que se traduza num contributo válido para a discussão e concretização de acções futuras.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Massa Crítica

As minhas vivências quotidianas estão intimamente ligadas a um contínuo processo de socialização cada vez mais experienciado nas práticas profissionais que pessoalmente, defendo que devem ser progressivas em domínios de intervenção diversificados, mas, complementares entre si. É na experimentação das ideias, no confronto do debate que é possível descobrir novos âmbitos de investigação/intervenção e descontruir discursos que carecem de modernidade conceptual. Este objectivo que deve ser central à acção dos agentes da sociocultura exige o que as minhas suspeitas têm vindo a confirmar: ausência de uma massa crítica capaz de exercitar a cidadania com vigor de carácter, criatividade de pensamento e de acção face às realidades socioculturais da sociedade em que vivemos.

Infelizmente, muitos de nós vive para o imediato, centrado no seu mundo, vivendo como ilhas, sem a determinação necessária de contribuir para a desconstrução de paradigmas que precisam de renovação experiencial e de vivência comunitária em favor do bem comum. Uma atitude que passa pela fermentação de massa crítica capaz de trazer inovação e renovação aos grupos de pertença, especialmente, aos grupos socioprofissionais.

É urgente que se transforme a passividade fomentada na descrença dos valores, do humanismo, do espírito implusionador de acções fortalecedoras da sociedade civil em mecanismos capazes de gerar dinâmicas sociais e culturais comunitárias empreendedoras de uma nova política de convivência colectiva. Cada um de nós tem a obrigação de contribuir positivamente para o bem-estar colectivo, para os processos criativos de Animação Comunitária; até de reinventar a cidadania activa no grupo de pertença. É esta ideia de cidadania que precisa de massa crítica que incomode os interesses de alguns e contribua de forma civilizada para a afirmação identitária de muitos.

Entendo que os Animadores têm a obrigação ética de implusionar a formação de massa crítica através da concretização de programas e projectos de Animação Sociocultural. Não aceito que a passividade e a resignação perante as contradições da vida sejam palavras de ordem, pelo contrário... Para mim, a utopia continua a ser palavra de ordem.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Curso de Formação "Organização e Animação dos Campos e Colónias de Férias"

A Associação UPAJE em parceria com a Escola Superior de Educação de Coimbra promoverão o Curso de Formação de Animadores/as de Campos de Férias, a iniciativa que está integrada na cadeira de Organização e Animação de Campos e Colónias de Férias do Curso de Animação Socioeducativa daquela Escola Superior de Educação, decorrerá entre os dias 3 e 8 de Dezembro de 2009, com um dia de reunião de preparação em Alfragide, a 28 de Novembro. A formação terá lugar no Centro de Férias e Actividades da UPAJE, em Vila Nova do Ceira, Góis (Coimbra).

O curso tem como objectivos: perceber o potencial dos campos de férias como potencial recurso pedagógico, enquanto parte de uma actividade educativa permanente; aperceber-se do percurso histórico e do lugar que as actividades de tempos livres e lazer ocupam na sociedade; associar aos campos e colónias de férias, uma dinâmica própria de funcionamento; perceber a relação existente entre projecto de trabalho e programa de actividades; analisar sob os seus diversos aspectos, a relação da equipa com a colónia/ campo de férias como um todo; entre outros objectivos.

A Coordenação do curso estará à responsabilidade dos docentes do Curso de Animação Socioeducativa da Escola Superior de Educação de Coimbra que leccionarão os conteúdos programáticos de acordo com a seguinte estrutura curricular:

1. O Enquadramento social e histórico das colónias e campos de férias;
2. Os campos e colónias de férias como importantes contextos socioeducativos;
3. Tipologias de actividades;
4. Técnicas e recursos educativos;
5. Elaboração de programas educativos;
6. A vida quotidiana do animador no Campo de Férias – papel e funções;
7. Dinâmica de Grupos;
8. A preparação, organização, dinamização e orientação do grupo;
9. Dispositivos pedagógicos geradores da co-responsabilização, autonomia e autogestão.
10. Prevenção e segurança nas actividades

Para mais informações e inscrições, clique aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Novo número da Revista Práticas de Animação

Está on-line o número 3 da Revista Práticas de Animação, uma edição da Delegação Regional da Madeira da APDASC e que conta com o apoio da Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (RIA).

O número actual, o mais participado, é um sinal inequívoco da sedimentação de um projecto editorial no campo da Animação Sociocultural nascido em território insular. Destaque para a diversidade de contributos (Portugal, Espanha, Brasil, Venezuela, Uruguai e República Dominicana) que fundamentam os conceitos e as práticas da Animação.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um novo ciclo de políticas para a cultura?

As políticas autárquicas estão indissociavelmente conectadas a um ciclo político que marca a agenda das políticas culturais locais. Estas políticas precisam de novos estímulos que devem continuar a estar sustentados no envolvimento da comunidade associativa, dos agentes culturais e educativos. É com estes actores do desenvolvimento que será possível construir um programa municipal que reúna um conjunto de sensibilidades e competências científicas e técnicas no domínio da acção cultural.

O novo ciclo autárquico que agora começa é um tempo primordial para a discussão e concretização efectiva do enquadramento da participação activa da comunidade. Há acções no domínio da cultura que são fundamentais para a sustentabilidade de uma acção política que precisa de vigor e sustentabilidade para a prossecução dos objectivos do desenvolvimento cultural. Há sinais claros de mudança nas orientações de algumas das políticas locais, sinal da leitura das realidades sociais, do empenho do elenco político municipal para a mudança necessária.

As políticas da cultura não podem ser desenhadas somente por políticos teoricamente iluminados pelo espírito da verdade absoluta, engavetados em gabinetes, pelo contrário, as políticas têm que nascer do quotidiano vivido pelos grupos, pelas comunidades rural e urbana, pelas práticas profissionais dos agentes socioculturais que actuam no território cultural, num diálogo permanente e construtor de "pontes" entre a administração municipal e os actores do desenvolvimento comunitário. Os agentes socioculturais podem e devem ser essas "pontes" de transição das vivências colectivas nos espaços de socialização, de criação e descentralização culturais com os eleitos locais. Os políticos e os técnicos têm de se empenhar num trabalho sério que perspective a definição de orientações da acção cultural duradouras no tempo, e não de políticas a curto prazo mediadas por um ciclo político.

A administração autárquica deve exigir uma participação activa aos actores da cultura, envolvê-los no processo político de sedimentação de caminhos para o desenvolvimento sociocultural das gentes locais. Este é um processo democrático que exige abertura de espírito e de cooperação entre todos. Só assim, um dia os agentes socioculturais poderão dizer que contribuirão para a definição de uma política cultural no âmbito municipal. Uma política aberta à mudança e alicerçada na multiplicidade dos contributos da comunidade.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

As minhas experiências como Animador Sociocultural

É sempre um acto intimista quando o exercício a que nos propomos implica a reflexão sobre o nosso percurso de vida, mesmo que seja, o percurso profissional. Não posso deixar de associar à construção das minhas práticas de Animação Sociocultural na Região Autónoma da Madeira, porque é neste território concreto que trabalho e a partir do qual, tenho vindo a reflectir sobre a Animação Sociocultural e os Animadores. Este é um percurso de homem livre carregado de utopias, de vontades e acima de tudo, de construir a mudança com aqueles que acreditam em valores que estão para além da nossa curta existência e que norteam as práticas de intervenção sociocultural.

Abordar as experiências profissionais desde as práticas da Animação Sociocultural é falar de um desafio permanente na consolidação de um espaço profissional que se apresenta como um "mundo novo" a ser conquistado quotidianamente. Felizmente, quando ingressei no mercado de trabalho tive a oportunidade de exercer funções de Animador Sociocultural numa autarquia, não que a instituição me "transforma-se" em Animador ou que me sinta superior a alguém, mas sim, pelas possibilidades que se abriram para colocar em prática um conjunto de saberes. Continuo a trabalhar numa autarquia exercendo as funções de Animador Sociocultural, sem nunca ter perdido o sentido do que é a Animação Sociocultural; pelo contrário, foi ganhando o sentido de oportunidade e descobrindo os muitos e possíveis contextos de exercício da Animação Sociocultural com os grupos e comunidades no âmbito local.

Sempre me defini como Animador Sociocultural e continuo a fazê-lo, porque acredito que é o meu trabalho quotidiano fundamentado num conjunto de ensinamentos teórico-práticos adquiridos em contexto formativo que permite-me analisar as realidades socioculturais locais, regionais e, até nacional. Conjugo esses saberes com as práticas que se vão transformando em certezas daquilo que sou profissionalmente, que ajudam-me a reflectir sobre o que é a Animação Sociocultural, ou melhor, a acrescentar alguma coisa às reflexões que são produzidas pelos académicos que foram e continuam a ser para mim, referências incontornáveis da Animação.

Nos meus escritos tenho procurado sempre partir das realidades que me são familiares profissionalmente, das leituras que procuro fazer, das minhas práticas como Animador Sociocultural remunerado e voluntário no movimento associativo, sempre sustentado num exercício de reflexão crítica. Acredito que este é um trabalho necessário para que possa evoluir, para acrescentar valor ao meu património intelectual, mas preferencialmente, para gerar espaços de discussão com outros Animadores que acreditam nos mesmos valores e defendem que é possível discutir os contextos de intervenção numa outra perspectiva da Animação Sociocultural.

A Região Autónoma da Madeira, especialmente a partir dos anos 90, sofreu uma evolução positiva no que se refere aos equipamentos colectivos, sociais e culturais. Classifico como uma referência para o exercício das práticas da Animação Sociocultural, ou de Gestão Cultural para outros. Independentemente das diferentes posições sobre esta matéria, os equipamentos socioculturais, nomeadamente, os Centros Cívicos são uma escola prática para o exercício da Animação Sociocultural no território insular. Pela minha relação de proximidade com estes equipamentos, nomeadamente, por razões laborais tenho adquirido um conjunto de ferramentas e desenvolvido competências que contrariamente ao que se possa dizer e escrever, não são incompatíveis com as funções de Animador, antes, complementares.

Este é o testemunho telegráfico das minhas experiências por terras de Tristão Vaz e Gonçalves Zarco. Muito mais há a dizer sobre elas. O que importa são as nossas experiências e com elas, a definição do nosso percurso de vida como Animadores Socioculturais. A história é construída por Homens e factos que se vão consolidando e ficam registados para memória futura.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

As práticas de Animação Sociocultural

O Prof. Avelino Bento no post Que Animação Sociocultural? Sei que não vou por aí, coloca em foco a necessidade de se discutir as práticas de Animação Sociocultural e respectivas funções do Animador, com enfoque, naquelas protagonizadas pelos muitos Animadores no exercício decorrente da actividade profissional, grupo de agentes onde revejo-me como Animador. Uma reflexão urgente, creio eu, que precisa de ser estimulada e compreendida à luz das diferentes realidades sociopolíticas, geográficas, culturais e sociais.

Reconheço que as nossas preocupações têm passado pelo debate de outros temas que preocupam os Animadores, talvez, pelo mediatismo do tema entre os Animadores, ou porque determinada matéria continua a ser alvo de múltiplas leituras e de diferentes tomadas de posição. Reflectir as práticas de Animação é o assumir das debilidades e potencialidades dos Animadores Socioculturais no seu quotidiano profissional; é colocar em evidência o trabalho protagonizado por cada um de nós. Estou em crer que as possíveis reflexões trazidas à luz do dia por muitos de nós será um contributo positivo para todos: docentes dos cursos de Animação, estudantes, investigadores e Animadores Socioculturais.

Cada um de nós tem um papel activo a desempenhar na discussão das práticas de Animação Sociocultural. Uma discussão que passará pela experiência profissional, por um conhecimento adquirido pelo "casamento" entre a teoria interiorizada decorrente dos ensinamentos do curso e a prática experienciada nos terrenos da Animação. Aceito o desafio, brevemente, vou relatar neste espaço a minha vivência como Animador Sociocultural no território insular.

sábado, 31 de outubro de 2009

As Provas de Aptidão Profissional - desafio à criatividade

Já tive oportunidade de tecer um breve comentário sobre as Provas de Aptidão Profissional dos alunos do curso profissional de Animador Sociocultural, comentário produzido, enquanto, júri externo de avaliação de algumas Provas de Aptidão. A curta reflexão postada originou uma participação interessante por parte dos alunos de diversas escolas do País, mas com um elemento comum: a Prova de Aptidão Profissional, ou melhor, a necessidade de escolha de um tema para ela.

A minha participação nesses actos formais de avaliação do trabalho desenvolvido pelos alunos, tem-se revelado frutífera e até um pouco esclarecedora sobre um conjunto de questões que tenho colocado a mim mesmo e reforçadas pela participação desses futuros Animadores que procuram colaboração para a respectiva Prova de Aptidão Profissional.

A Prova de Aptidão Profissional não pode ser entendida como uma formalidade que permitirá concluir o curso, ela tem de ser percepcionada como um instrumento de trabalho aberto à criatividade, à aquisição de conhecimento; ser um tempo de reflexão e aprofundamento teórico-prático do papel do Animador na comunidade e do contributo da Animação Sociocultural. Uma visão que deve materializar-se naquele contexto específico sobre o qual é produzida a Prova de Aptidão. Este entendimento tem de ser a base de tudo em que assentará o projecto final de curso.

Por esta razão, é exigível um maior e melhor acompanhamento pedagógico e científico das Provas. A escolha do tema da Prova de Aptidão Profissional não pode nem deve ser condicionada pelo orientador(a), porque este(a) muitas vezes não domina, desconhece o tema escolhido pelo aluno, ou até tem uma visão errada sobre o mesmo. A escolha tem de resultar da vontade própria do aluno. E é responsabilidade do docente desenvolver os esforços necessários no sentido de haver uma orientação séria, rigorosa e pedagógica contrariando o facilitismo, que premeia a falta de criatividade, de exigência na discussão de conceitos e na reflexão necessária que é imprescindível os alunos aprenderem a fazer face a um conjuntos de temas actuais que são transversais aos âmbitos da Animação Sociocultural.

As Provas de Aptidão Profissional são um desafio de criatividade e aprendizagem permanente, de descobertas e relacionamento crítico de temas fulcrais para o desenvolvimento comunitário sustentável. É com alguma "revolta" que no exercício de avaliador, por vezes, sou confrontado com temas suficientemente discutidos, trabalhados, que não acrescentam valor ao tema; alguns nada têm haver com a Animação Sociocultural.

É altura de dignificar mais os cursos profissionais de Animador Sociocultural, dignificação que também passa por valorizar as Provas de Aptidão Profissional no seu todo, e parte dessa valorização poderá estar no recurso aos Animadores, no sentido de estes profissionais (co)leccionarem ou (co)orientarem as respectivas Provas de Aptidão. É uma sugestão que talvez mereça ser discutida à luz da utopia possível que continua a orientar-nos na reflexão e discussão das ideias.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Curso de Animação de Idosos

A Socialgest promoverá a 2ª edição do curso de Animação de Idosos, cujo objectivo é promover a Animação dos idosos na comunidade e nas instituições. Esta formação será ministrada à distância e abordará os seguintes conteúdos programáticos: animação de idosos; tipos de animação (motora, cognitiva, social, pessoal, comunitária e de expressão); exemplos práticos de planos de animação e envelhecimento activo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A renovação necessária

A renovação nos quadros dirigentes das associações é necessária e crucial para a democracia participativa no movimento associativo. A concretização de alguns projectos propostos aos associados, não merece grandes reparos, antes, o reconhecimento da dedicação da equipa dirigente ao bem comum, numa luta contínua pela afirmação dos objectivos da associação. Outros dirigentes por razões diversas e muitas vezes fundamentadas em factos pouco relevantes e não justificativos da "inépcia" caracterizadora da sua acção, não conseguiram imprimir a dinâmica necessária na afirmação de um projecto associativo que tem que ser assumido como alternativa, de reunião de ideias, opiniões e de um consenso necessário para a prossecução dos grandes temas inerentes aos objectivos associativos.

No movimento associativo há um momento privilegiado para concretizar, de planear para o futuro projectos estruturantes da actividade associativa, enfim, de comprometer os sucessores na liderança, com um trabalho realizado em função do colectivo anónimo, daqueles associados que continuam a depositar esperança na sua associação.

A informação hoje circula numa velocidade cruzeiro, os acontecimentos são factos diários que merecem uma leitura atenta e crítica; tomadas de posição públicas sem nunca fechar a porta ao diálogo construtivo e participativo, talvez, assumir um papel de parceiro social em matéria de relevante interesse no contexto da actividade associativa.

Não aceito a inoperância como um dado adquirido; uma fatalidade do destino. Os dirigentes associativos assumiram um compromisso de responsabilidade e defesa dos interesses colectivos, registados como objectivos da actividade da associação. Os associados merecem mais e melhor acção em prol da defesa dos seus interesses. Se os dirigentes não são capazes de levar por diante o projecto associativo, então, que criem condições para que outros se comprometam com o colectivo na dignificação dessa missão.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Breves considerações sobre a criação da carreira do Animador Cultural

A anunciada proposta de criação da carreira do Animador Cultural a que fiz referência no post anterior, mereceu alguma reflexão desapaixonada pelo tema e sobre o qual, entendo ser necessário fazer breves considerações que são de certa forma, um contributo ao que tenho escrito sobre a matéria em discussão.

A leitura que voltei a fazer do programa proposto para a cultura, onde se lê a proposta de criação da carreira do Animador Cultural, origina um conjunto de questões que necessitam de ser esclarecidas pelo partido proponente e até, uma tomada de posição das instituições com responsabilidades nesta matéria, no sentido de assumirem um papel de parceiras inequívocas na condução de um "possível" projecto de lei sobre a carreira do Animador Cultural. Até porque esta proposta poderá ser um sinal de abertura política para a discussão de outros temas de relevante interesse para os Animadores.

Não pode ser descurada a necessidade dos proponentes da proposta clarificarem os objectivos de criação da carreira do Animador e o seu âmbito institucional. Mas, também é importante saber de que forma irão articular e integrar as diferentes nomenclaturas profissionais associadas ao Animador; saber em que categorias serão classificados os Animadores com formação de nível técnico-profissional, de nível superior; em que nível serão categorizados os Animadores com anos de experiência, mas, sem formação específica, ou até, aquelas pessoas oriundas dos cursos do programa "Novas Oportunidades" e dos cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA).

O Decreto-Lei n.º 121/2008, de 11 de Julho que legisla no âmbito das reformas da Administração Pública "... identifica e extingue as carreiras e categorias cujos trabalhadores integrados ou delas titulares transitam para as carreiras gerais de técnico superior, assistente técnico e assistente operacional...", carreiras previstas na Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro.

No que respeita à diferentes carreiras associadas à Animação existentes na Administração Pública até então, e que de acordo com o Decreto-Lei n.º 121/2008, foram extintas são: Animador Sócio-cultural de Bibliotecas Escolares (carreira técnica superior de regime geral adjectivada); Técnico de Promoção e Animação Turística (carreira técnica de regime geral adjectivada); Técnico Superior da área de Animação Sócio-Cultural de Bibliotecas Escolares (carreira do pessoal não docente do ensino básico e secundário da Região Autónoma da Madeira, prevista no Decreto Legislativo Regional n.º 29/2006/M, de 19 de Julho); Técnico Superior de Animação Cultural (carreira técnica superior de regime geral adjectivada), cujo conteúdo funcional foi definido pelo Despacho n.º 6254/2004, de 30 de Março; Animador Cultural (carreira técnico-profissional de regime geral adjectivada); Técnico de Animação Cultural ( categorias de 1º e 2º classes da Secretaria-Geral do ex-Ministério do Emprego e da Segurança Social prevista no Decreto Regulamentar n.º 17/91, de 11 de Abril); Técnico Profissional Animador Juvenil (carreira técnico-profissional de regime geral adjectivada); Técnico Profissional de Actividade Física e Animação Desportiva (carreira técnico-profissional de regime geral adjectivada), com o conteúdo funcional definido no Despacho n.º 20/SEALOT/94, de 12 de Maio; Técnico Profissional de Animação Cultural (carreira técnico-profissional de regime geral adjectivada), com o conteúdo funcional legislado pelo Despacho n.º 1/90, de 27 de Janeiro; Técnico Profissional de Animação Cultural e Desporto (carreira técnico-profissional de regime geral adjectivada); Técnico Profissional de Animação de Turismo (carreira específica da Região Autónoma da Madeira prevista no Decreto Legislativo Regional n.º 23/99/M, de 26 de Agosto); Técnico Profissional de Animação Sócio-Cultural (carreira técnico-profissional de regime geral adjectivada); Auxiliar de Animação Cultural (carreira específica da Região Autónoma dos Açores prevista no Decreto Regulamentar Regional n.º 13/2001/A, de 7 de Novembro).

A extinção da maioria das carreiras na Administração Pública não pressupõem a extinção automática dos respectivos conteúdos funcionais, nem da expressão da actividade profissional conforme é enunciado no n.º 1, do Artigo 10º, do Decreto-Lei n.º 121/2008. "A actividade profissional que fosse inerente à designação das carreiras ou categorias ora extintas obtém expressão, nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 5º da lei, na caracterização dos postos de trabalho, previstos nos mapas de pessoal, em função da atribuição, competência ou actividade que o seu ocupante se destina a cumprir ou a executar".

No que respeita à carreira do Animador Cultural no sector privado/cooperativo, os conteúdos funcionais, a carreira e respectivas tabelas salariais encontram-se publicadas na Convenção Colectiva de Trabalho assinada entre a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) e a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação e outros (FNE), publicada no Boletim do Trabalho e Emprego, n.º 32, de 29 de Agosto de 2008.

sábado, 10 de outubro de 2009

Programa eleitoral defende a criação da carreira do Animador Cultural

Uma das forças políticas com assento na Assembleia da República, no seu manifesto eleitoral referente às eleições de 2009, apresentou aos portugueses um conjunto de medidas para os diferentes campos de intervenção da acção governativa. Aparentemente, as propostas apresentadas ao eleitorado no domínio da cultura, revelam maturidade de pensamento estratégico, vontade de acção comprometida com a cidadania, e acima de tudo, uma visão política fundamentada nas realidades locais, regionais e nacional. Um sentido de oportunidade expresso num programa de acção que defende uma política cultural de visão abrangente, intervencionista, e integradora. Uma política que é desejável que se concretize em articulação com a área da educação.

As propostas governativas para a cultura revelam uma linha de pensamento "plagiado", ideias generalistas que aparentam terem sido rebuscadas aqui e ali, reveladas numa linguagem cuidada e demasiado académica em matéria de visão política. Parece-me que o programa agora apresentado neste domínio, parte de reflexões alheias, de experiências vividas no quadro autárquico e de projectos de lei já concretizados. Ao mesmo tempo, revela desconhecimento de algumas realidades socioprofissionais, ao propor a criação da carreira do mediador cultural, quando esta foi criada pela Lei n.º 105/2001 de 31 de Agosto (estabelece o estatuto legal do mediador sócio-cultural). No domínio das carreiras profissionais, o mesmo manifesto eleitoral defende a criação da carreira de Animador Cultural. Curiosamente, a animação e a mediação cultural são apresentados como "novos profissionalismos".

A mesma força partidária no seu programa eleitoral defendia a circulação dos Animadores e mediadores culturais nos estabelecimentos de ensino, bairros sociais, estabelecimentos prisionais e nas instituições culturais do Estado (especialmente em museus e bibliotecas). Há efectivamente, Animadores Socioculturais a exercer funções em bairros sociais, integrados em equipas de intervenção multidisciplinares, também podemos encontrar Animadores nas escolas, nomeadamente nos programas de actividades de enriquecimento curricular e nos serviços educativos das bibliotecas municipais.

É verdade que o reforço das ideias e das propostas apresentadas num programa eleitoral, no domínio de um campo fragilizado e de alguma forma, deixado ao sabor de uma desgovernação, é oportunidade para que um partido político encontre nessa brecha, uma oportunidade de conquista de votos junto de uma franja populacional descontente em matéria de política sectorial, ou até, cativar um grupo socioprofissional que reivindica o reconhecimento do seu estatuto profissional. É importante que tenhamos a capacidade de discernir o que é efectivamente importante para a consolidação da carreira dos Animadores.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A acção cultural municipal entre a democracia e o elitismo

A acção cultural no quadro da intervenção autárquica, não pode nem deve cingir-se à promoção de uma cultura despida dos valores socioculturais e de uma pedagogia participativa e envolvente da comunidade na actividade do município. A acção cultural deve ser, estrategicamente, sustentada numa verdadeira e coerente análise das realidades locais; uma acção reflectida e planificada à luz de um programa de desenvolvimento cultural que reflicta, claramente, o que se pretende para o município a longo prazo, em matéria de cultura.

Recuso a ideia da promoção cultural assente na cultura do espectáculo, a cultura elitista e de gosto pessoal. Uma ideia defendida por pessoas, a quem não reconheço competências científicas, técnicas e pedagógicas no trabalho cultural. A crítica demagógica, despromovida de conteúdo sério e susceptível de discussão, não merece qualquer comentário, nem será tida em consideração.

Entendo que o Animador Sociocultural no exercício de funções no sector cultural de uma autarquia, deve pautar a sua intervenção no fundamento dos verdadeiros valores da democracia, da promoção e da descentralização culturais. Estes são vectores de acção merecedores de discussão e de um trabalho sério e supra partidário. O Animador Sociocultural tem o dever profissional e ético de trabalhar para e com a comunidade, num trabalho vigoroso e planificado com os agentes socioeducativos e culturais que actuam no município. Eles são actores da cultura no território local.

A actividade sociocultural no âmbito municipal merece um maior investimento financeiro e de recursos humanos especializados. Um investimento que se traduzirá numa actividade mais dinâmica e rica de conteúdo, mais criativa e mais participada por todos, mas que continuará a ser empreendida com o mesmo empenho, dedicação e vontade de transformar a realidade com a participação activa dos cidadãos. É urgente utopiar a cidadania cultural..., só assim, os Animadores serão capazes de construir um projecto sociocultural democrático de futuro.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pós-Graduação em Animação Socioeducativa na Madeira

A Escola Superior de Educação de Setúbal leccionará no ano lectivo 2009/2010, no Funchal, um curso de pós-graduação em Animação Socioeducativa. Passo a transcrever a fundamentação apresentada para a leccionação do referido curso.

Na realidade escolar e social da Madeira constata-se a existência de dois públicos potencialmente interessados na frequência de uma pós-graduação em Animação Socioeducativa:

a) Por um lado, as Escolas dispõem de muitos(as) docentes e de outros(as)técnicos(as) sensíveis à necessidade de responder adequadamente e em modalidades não formais a populações escolares diversificadas. Falamos, não apenas das que apresentam necessidades específicas devido a precárias condições sociais de existência ou a diferentes origens culturais, mas também às que, em outras condições de existência, necessitam de ver ampliados os seus quadros de referência sociocultural;

b) Por outro lado, embora alguns profissionais exerçam já funções afins, carecem, em muitos casos, de qualificação que permita não apenas um desempenho eficaz como uma capacitação teórica e reflexiva, condição indispensável a uma consistente evolução das práticas profissionais.

Os destinatários da pós-graduação são: Professores do Ensino Básico e do Ensino Secundário, Educadores de Infância, Animadores Socioculturais de Bibliotecas Escolares e outros técnicos de formação diversificada existentes nas escolas e serviços.

E os Animadores com formação académica em Animação Cultural, Socioeducativa, Sociocultural, Educação Comunitária e Animação Cultural, que não exercendo a sua actividade profissional nas escolas, porventura, não reunem as condições elegíveis para concorrer ao curso agora apresentado? Importa discutir, seriamente, sobre o exercício da prática da Animação Sociocultural nas escolas. Este é um âmbito de intervenção para o qual, os Animadores Socioculturais estão capacitados graças à sua formação académica, a qual que lhes porpocionou um conjunto de aprendizagens teórico-práticas num contexto de formação multidisciplinar.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Que lugar para os Animadores Socioculturais insulares?

O movimento associativo continua a ser um espaço de cidadania activa, de democracia do pensamento e da acção colectiva, fundamentados num projecto comum, partilhado por grupos de pessoas agrupadas, mediante uma identidade sociocultural ou profissional.

Os Animadores Socioculturais insulares, nomeadamente, os madeirenses, não são alheios a esta realidade social. Eles têm assumido uma postura activa no movimento associativo, criando verdadeiros espaços de cidadania, de democracia no debate e na reflexão, mas mais importante que tudo isso, é o trabalho efectivo, consciente e provocador de outras acções que entendem ser profícuas para os Animadores que desenvolvem a sua actividade profissional no território insular, sem descurar a solidariedade com os demais colegas do território nacional.

Vejo e vivo a insularidade como um desafio permanente para a afirmação da diversidade do pensamento social e entendimento da Animação Sociocultural e do exercício da profissão. É lamentável que se conviva com acções que privilegiam a exclusão dos Animadores Socioculturais insulares do panorama nacional da Animação Sociocultural. Uma realidade assistida pelo silenciamento colectivo, situação face à qual, muitas vezes, não há a firmeza necessária para lhe resistir.

Acredito que há condições favoráveis para um novo projecto associativo no espaço geográfico insular. Um projecto que não seja mais um contributo para o somatório do registo de associações, antes, uma estrutura parceira no desenvolvimento de projectos consubstanciados na realidade regional/nacional; um préstimo para o desenvolvimento de acções estruturantes para o desenvolvimento de uma realidade, que algumas pessoas teimam em não reconhecer na Região Autonóma da Madeira.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Programa Iniciativa - RTP2

O Iniciativa, transmitido pela RTP2, enquadra na filosofia do programa, as questões do emprego, da formação e do sucesso profissional. O programa transmitido a 17 de Julho, aborda entre outros temas, a formação profissional do Animador Sociocultural e o exercício das suas funções no desenvolvimento do seu trabalho com os grupos e com a comunidade. Um vídeo de grande interesse para os Animadores, com testemunhos reais.

Para visualizar o vídeo, clique aqui.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Esperança... Vamos reconstruir

É com profunda tristeza que foi informado do acidente que destruiu a sede nacional da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC). Quero manifestar a minha solidariedade com a direcção nacional da APDASC, em especial, à pessoa do seu Presidente, Carlos Costa.

São nos momentos difíceis que devemos avançar para a linha da frente, e este é sem dúvida, um desafio que nos é colocado, restando-nos trabalhar para contrariar o rumo dos acontecimentos. É responsabilidade, dos Animadores, em especial, dos sócios da APDASC colaborarem de forma activa e empenhada na reconstrução da "vida" da APDASC. Estou certo que há compromissos que serão necessários honrar a curto prazo, e para que o sejam, todos nós somos convocados a colaborar de alguma forma, numa campanha de inter-ajuda. Da minha parte, resta-me dizer... PRESENTE e com vontade de contrariar as vivicitudes da vida.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Realizar-se-á na Cidade de Chaves, nos próximos dias 5, 6 e 7 de Novembro de 2009, o I Congresso Internacional de Animação Sociocultural na Terceira Idade. A ordem de trabalhos privilegiará os seguintes temas:

- Terceira Idade e Intervenção Social, Cultural e Educativa;
- Animação Sociocultural, Saúde e Bem-Estar;
- Técnicas e Recursos para a Animação Sociocultural na Terceira Idade;
- Animação Sociocultural na Terceira Idade, Inovação, Empreendedorismo e Empregabilidade;
- A Animação Sociocultural na Terceira Idade;
- Animação Sociocultural na Terceira Idade, Tempos Livres, Desenvolvimento e Intervenção Comunitária;
- Experiências de Animação Socioculturalna Terceira Idade

domingo, 16 de agosto de 2009

Oferta de Estágios Profissionais - Câmara Municipal de Mértola

A Câmara Municipal de Mértola está a promover estágios no âmbito do Programa de Estágios Profissionais na Administração Local (PEPAL) para recém-formados à procura do 1º emprego ou desempregados à procura de novo emprego.

Um dos requisitos legais para se candidatar ao estágio é possuir uma licenciatura em Animação Sociocultural (nível V) ou curso de qualificação profissional na mesma área (nível III), e ter entre 18 e 30 anos.

Para mais informações clique aqui.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Oferta de Emprego - Município de Barcelos

Está a decorrer o concurso público para a contratação de um técnico superior com licenciatura em Animação Sociocultural, para exercer funções no Município de Barcelos. Para mais informações consultar o Aviso n.º 14304/2009, publicado no Diário da República, 2.ª série — N.º 155 — 12 de Agosto de 2009.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

"20 Propostas Jovens para Portugal"

O Conselho Nacional de Juventude com o objectivo de oscultar as organizações de juventude e demais jovens interessados, lançou um projecto denominado "20 Propostas Jovens para Portugal". Este projecto traduz-se numa plataforma on-line, onde os jovens a título individual ou através de entidades associativas, poderão apresentar propostas, preocupações e expectativas com relação às políticas de juventude no contexto nacional.

O objectivo do projecto enquanto espaço de cidadania activa e de democracia participativa das organizações juvenis centra-se no debate das problemáticas que afectam os jovens, e apresentação de sugestões de possíveis medidas a serem adoptadas pelas instituições governativas.

Até o dia 28 de Agosto de 2009, todos os jovens e organizações de juventude poderão apresentar o seu contributo, um processo que culminará em Setembro próximo, com a divulgação de "20 Propostas Jovens para Portugal", abrangendo áreas de acção diversas: cultura, educação, cidadania, inclusão social, participação, cooperação, ambiente, emancipação juvenil, habitação, emprego e desenvolvimento sustentável, entre outros campos de debate e acção. Os contributos apresentados serão com certeza, profícuos para o dossier "20 propostas", que o Conselho Nacional de Juventude pretende apresentar às forças político-partidárias concorrentes às próximas eleições legislativas, com o intuito dos políticos assumirem um compromisso com a juventude, ao pô-las em prática.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Vagas para os cursos de Animação no ano lectivo 2009/2010

A Direcção-Geral do Ensino Superior disponibilizou on-line, uma base de dados, relativa aos cursos que admitem candidatos para o ano lectivo 2009/2010, no Ensino Superior Público Privado. Centraremos a nossa análise na oferta disponibilizada para o curso superior de Animação (grau de licenciatura - 1º Ciclo).

A oferta formativa continua a ser caracterizada por uma multiplicidade de cursos de Animação com diferentes nomenclaturas, um propósito que parece contribuir para a identidade da instituição de ensino que leccionará o curso. De salientar que estas instituições iniciarão um projecto de formação académica, com objectivos e saídas profissionais semelhantes, mas, com planos de estudos diferentes, à semelhança do que acontece com a nomenclatura. As centenas de pessoas que no fim de cadaanolectivo ingressa nomercado de trabalho, independentemente dos percursos académicos ditados por caprichos e outros males institucionais, terão algo em comum: a prática profissional.

Aqui fica uma relação da oferta formativa para os cursos de Animação/ número de vagas para o anolectivo 2009/2010.

- Animação Cultural oferece 90 vagas;

- Animação Cultural e Educação Comunitária disponibiliza 25 vagas;

- Animação e Intervenção Sociocultural disponibliza 35 vagas;

- Animação e Produção Artística oferece 23 vagas;

- Animação e Produção Cultural (sem indicação de vagas);

- Animação Sociocultural com 165 vagas (exceptuando as vagas não divulgadas para três estabelecimentos de ensino);

- Animação Sociocultural (regime pós-laboral) com 25 vagas;

- Animação Socioeducativa com 40 vagas;

- Animação Socioeducativa (regime pós-laboral) disponibiliza 25vagas;

- Animação Turística com 25 vagas.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

III Congresso Iberoamericano de Animação Sociocultural

Realiza-se na Cidade de Buenos Aires, na Argentina, entre os dias 7 e 10 de Outubro de 2010, o III Congresso Iberoamericano de Animação Sociocultural "Enfoques, Prácticas y Perspectivas en Animación Sociocultural". A organização do congresso é da responsabilidade da Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (RIA), através do Nodo Argentina.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Novo número da Revista Quaderns d' Animació

Já está online o número 10, da Revista Quaderns d' Animació i Educació Social da responsabilidade editorial do Prof. Mario Viché. Esta publicação periódica é uma referência no domínio da Animação Sociocultural, e de leitura "obrigatória" para os Animadores e Educadores.

O número actual aborda uma multiplicidade de temas susceptíveis de leituras e práticas desde a perspectiva metodológica da Animação Sociocultural.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Curso de Aprendizagem em Animação Sociocultural

A Portaria n.º 1497/2008, estabelece o regime dos cursos de aprendizagem. Estes são uma das modalidades de formação de dupla certificação, que conferem o nível 3 de formação profissional e a habilitação escolar de nível secundário (12º ano). Esta nova modalidade formativa visa os jovens até os 25 anos de idade, contribuindo para a sua empregabilidade de acordo com as necessidades do mercado de trabalho; também possibilita a sua progressão escolar e profissional, visto que privilegia o prosseguimento de estudos.

Esta nova modalidade formativa está enquadrada no referencial de competências e de formação do Catálogo Nacional de Qualificações. O curso de aprendizagem em Animação Sociocultural está integrado na área de formação, 762 - Trabalho Social e Orientação, com o intinerário de formação em Animação Sociocultural. Na Classificação Nacional das Áreas de Educação e Formação, actualizada pela Portaria n.º 256/2005, a área de formação 762, tem correspondência com o Serviço Social.

A legislação define que os formadores das componentes sociocultural e científica do curso devem possuir habilitação em conformidade com o domínio de formação em que exercerão a docência. Infelizmente o legislador omitiu a necessidade da premissa anterior, ter obrigatoriedade para a componente tecnológica. É nesta que está integrada as unidades de formação directamente ligadas à Animação Sociocultural; razão que entendo ter força necessária para estar salvaguardada por legislação específica aplicável aos Animadores e à Animação Sociocultural.

Estamos perante a duplicação distorcida da oferta patrocinada pelo Catálogo Nacional de Qualificações, que para a qualificação em Animação Sociocultural oferece a mesma habilitação escolar e profissional, que o curso de aprendizagem; exceptuando o facto do limite de idade dos candidatos ser de 25 anos. Um erro metodológico que se traduzirá na formação profissional dos formandos, é o facto do plano de estudos do curso de Animação Sociocultural apresentado no Catálogo Nacional, distorcer no conteúdo do plano oferecido pelo curso de aprendizagem. Qual o formando que entra no mercado de trabalho com formação mais adequada para desenvolver um conjunto de iniciativas sustentáveis do ponto de vista da intervenção comunitária face às realidades sociais e culturais? Não será mais inteligente uniformizar as unidades de formação?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Prémio Iberoamericano de Investigação e Acção em Animação Sociocultural

A Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (RIA) com o patrocínio da Consejería de los Jóvenes y del Deporte de la Junta de Extremadura, com o apoio da Editorial CCS, Obras Socioculturales de Caja Duero e Caja Laboral, e com a colaboração científica e académica da Sociedade Iberoamericana de Pedagogia Social (SIPS) lançou o Prémio Iberoamericano de Investigação e Acção em Animação Sociocultural que tem como objectivo promover o reconhecimento, a difusão e a inovação das metodologias e práticas que tomam como referência a Animação Sociocultural no contexto iberoamericano. Paralelamente, o prémio visa patrocinar a publicação de investigações que contribuam para a melhoria dos fundamentos teóricos e aplicados à formação e profissionalização dos indivíduos que participam quotidianamente nas iniciativas e programas. A este prémio podem concorrer investigadores, Animadores e demais entidades, como autores individuais ou colectivos, com uma obra ou iniciativa.

A referência à Animação Sociocultural, às suas teorias e práticas, assim como a qualquer âmbito temático em que se concretize os programas e actuações do trabalho, é um dos requisitos exigidos pelo regulamento. Os trabalhos podem ser apresentados em qualquer uma das línguas ofíciais da América Latina, de Espanha e Portugal. O mesmo se aplica ao espaço geográfico dos trabalhos.
Alinhar à esquerda

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Colaborações para o próximo número da revista "Práticas de Animação"

O próximo número da revista "Práticas de Animação", um periódico editado pela Delegação Regional da Madeira da APDASC, será publicada em Novembro de 2009. A partir do próximo número, a revista contará com o apoio da Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (RIA), facto que nos deixa satisfeitos, mas, aumenta a nossa responsabilidade. Outra novidade é a possibilidade deste periódico passar a ser co-editado pelo NODO RIA Portugal.

A "Práticas de Animação" pretende ser uma revista "eclética", cujo objectivo visa reunir um amplo conjunto de reflexões teórico-práticas que se cruzam com a matriz da Animação Sociocultural. Este é um projecto que implica dinâmica colectiva e participação entusiasta de todos.

As colaborações para o próximo número, podem ser enviadas até 31 de Outubro próximo, para revistapraticasdeanimacao@gmail.com ou del.madeira@apdasc.com

terça-feira, 30 de junho de 2009

Oferta de Emprego - Município de Beja

Foi publicado ontem, em Diário da República, 2ª série - n.º 123 - de 29 de Junho, a abertura de concurso para a contratação de um técnico superior de Animação Sociocultural (possuidor de uma licenciatura na área da Animação Sociocultural), para exercer funções no Município de Beja.

A formalização da candidatura deverá ser feita mediante o preenchimento de um formulário, o qual poderá ser obtido na Divisão de Recursos Humanos ou na página electrónica do município (www.cm-beja.pt). O documento deverá ser entregue pessoalmente na referida Divisão ou remetido pelo correio, em carta registada, com aviso de recepção e endereçado à Câmara Municipal de Beja. As candidaturas estão abertas nos próximos 10 dias.


quarta-feira, 24 de junho de 2009

A empregabilidade dos Animadores Socioculturais

É com reserva que abordo a empregabilidade dos Animadores Socioculturais, melhor, a sua não empregabilidade na área de formação. Na verdade, vivemos um período conturbado paras as economias mundiais, e a nossa não é excepção, antes pelo contrário, está entre as mais frágeis. Um cenário pouco animador, mesmo para os mais optimistas. A realidade social e económica que Portugal está a viver, é geradora de um mal-estar colectivo de consequências difusas.

Tenho acompanhado com preocupação a situação profissional de alguns jovens Animadores licenciados, que felizmente, continuam a acreditar que haverá uma oportunidade de empregabilidade, na esperança de poderem pôr em prática no terreno com as comunidades locais, as metodologias de projecto, as dinâmicas de grupo e demais processos de intervenção numa perspectiva de Animação Sociocultural.

O programa de estágios profissionais, agora com a duração de 12 meses, financiado na integra pelo Instituto de Emprego ou em parte, de acordo com a designação social das entidades candidatas, é um instrumento valioso e necessário para a integração profissional de centenas de jovens Animadores no mundo laboral. É o início da concretização do sonho... E no fim do estágio?

As instituições que acolhem os Animadores Socioculturais ao abrigo daquele programa de apoio ao 1º emprego, não se podem alienar do exercício de uma política de responsabilidade social clara e precisa, para com os candidatos ao estágio profissional. Quero com isto dizer, que importa exercer pelos devidos meios, um canal de cooperação com outros parceiros sociais no sentido de assegurar a continuidade do Animador Sociocultural na instituição, mantendo sempre um diálogo verdadeiro com o estagiário, para não continuarmos a assistir ao descartar sistemático dos Animadores Socioculturais, no fim do período de estágio.

Os Animadores são percepcionados como uma mais valia para o trabalho social, cultural e/ou educativo que a entidade desenvolve com a comunidade. Eles possuem a "bagagem" teórico-prática necessária para o desenho e desenvolvimento de projectos de intervenção sustentados na leitura da realidade social. Um recurso humano necessário no campo da intervenção sociocultural. Casos há, em que os Animadores assumem funções em regime de voluntariado, pois, o orçamento não contempla o profissional licenciado em Animação Sociocultural.

Esta é uma realidade que exige uma discussão pública, com o assumir de responsabilidades sociais e políticas na defesa dos interesses socioprofissionais dos Animadores Socioculturais (técnico-profissionais e licenciados), mas, com um trabalho mais incisivo, pedagógico e cooperante, no que respeita à classe dos licenciados, pois, estes continuam a ser os mais sacrificados pelas políticas de empregabilidade das instituições.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

I Concurso Nacional "Melhor Blog de Animação Sociocultural 2009"


A Associação Portuguesa pra o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural está a promover o I concurso nacional "Melhor Blog de Animação Sociocultural 2009". Mais informações podem ser consultadas no blog oficial do concurso.

De acordo com a promotora da iniciativa o concurso tem como objectivo promover a qualidade e a divulgação dos blogs portugueses sobre Animação Sociocultural, importantes veículos de informação, comunicação e desenvolvimento da Animação Sociocultural.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Animação, Animadores e o Poder Político

Qualquer tipo de abordagem e tentativa de oscultação dos movimentos partidários sobre as questões actuais da Animação e uma das preocupações centrais dos Animadores é uma tarefa corajosa e um desafio para as associações que tomam em mãos, aliciante projecto. Um desafio no sentido de definir, à priori, um percurso sustentado num diálogo pedagógico e sensibilizador, que perspective a definição de uma estratégia de abordagem ao poder político, sobre a percepção que este tem acerca da Animação e dos Animadores Socioculturais.

Entendo que o maior desafio está na oscultação dos movimentos político-partidários sobre a figura do Animador Sociocultural e da importância que este assume na concretização de políticas sectoriais (cultural, educativa, social, entre outras) de mudança com a comunidade, sem deixar ao acaso, "velhas" reivindicações. Uma tarefa que a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC) procurou empreender junto dos partidos. Esta odisseia exige uma leitura séria e desapaixonada da questão central - a percepção político-partidária da Animação e dos Animadores Socioculturais - que é motivadora de manipulação e partidarização da figura profissional do Animador Sociocultural, enquanto agente de proximidade na agilização de processos de mudança e mediador comunitário, no sentido deste ser um possível "mensageiro" de um discurso político-partidário.

A triologia - Animação, Animadores e Poder Político - é sem dúvida uma relação quotidiana de proximidade e de conflito com a ética no exercício de funções dos Animadores Socioculturais.
É sabido que muitos Animadores exercem a profissão em instituições públicas directamente ligadas ao Poder Local, as autarquias. Outros exercem em instituições privadas, onde também, e muitas vezes, a política partidária dita as regras e a tomada de decisões.

O exercício da Animação Sociocultural no âmbito das autarquias (no sector público são as que têm maior capacidade de empregabilidade de Animadores) é um repto permanente na afirmação e consolidação da profissão de Animador Sociocultural. Há um desafio diário na construção de verdadeiras práticas de Animação como metodologia de intervenção sociocultural numa dimensão pedagógica e participativa dos grupos na vida local.

A praxis da Animação Sociocultural não pode estar desligada de um projecto político, de um projecto de cidadania participativa, mas pode e deve estar desligada de ambições e influências partidárias. Aqui reside o maior desafio da coexistência da Animação Sociocultural e o poder político, uma relação que os Animadores saberão mediar profissional e éticamente.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

"Páginas de Liberdade"

Páginas de Liberdade é o título do filme assinado pelo realizador Richard LaGravenese, que relata uma história sustentada em factos reais. Uma obra cinematográfica que recomendo, vivamente, aos Animadores Socioculturais.

O filme retrata a vida de um grupo de alunos de ensino secundário que frequenta um liceu, onde, à priori, os bons e os maus alunos são catalogados, razão assinada em função do meio social, económico e cultural de onde alguns protagonistas da acção, os alunos, provêem. Estes alunos estão estigmatizados pela pobreza, pela violência doméstica e das armas, uma realidade protagonizada pelos gangues, entre outras causas sociais vividas na primeira pessoa. Arrisco a dizer que são o "lixo da sociedade", com um percurso de vida definido por outros e irremediavelmente abandonados à sua sorte.

Páginas de Liberdade é um hino de louvor à capacidade de motivação, de mobilização de vontades, de capacitação de cada aluno como Homem autónomo e empenhado na construção do próprio processo de desenvolvimento pessoal e colectivo. É dinâmica imprimida num processo de (des)envolvimento de um espírito crítico e de construção de instrumentos transformadores da própria realidade social, em que estavam socialmente mergulhados e condenados pela comunidade. A professora Erin Gruwell foi capaz de devolver-lhes a dignidade humana, de formar um grupo coeso, capaz de partilhar objectivos comuns, de trabalhar para o colectivo e não alimentar, um pensamento derrotista e individualista.

A história do filme é uma lição para nós, Animadores. Ele transmite uma mensagem de esperança e alimenta a ideia de que é necessário despertar em cada pessoa, o valor da humanidade e do potencial do trabalho colectivo, da afirmação da sua identidade e da necessidade da aprendizagem permanente, sem negar a história de vida de cada indivíduo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Palestra "Qualidade de vida na terceira idade"

No âmbito das III jornadas de Animação Sociocultural, um grupo de alunas do 3º ano do Curso de Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação de Beja, promoverá uma palestra no contexto da Terceira idade: "Qualidade de Vida na Terceira Idade". No encontro serão abordados os seguintes temas:

- Envelhecimento de Qualidade (Psicóloga Vânia Guiomar);
- Antropologia do Corpo (Antropóloga e Docente Ana Lavado);
- A morte e a Fé (Padre Manuel Pato);
- Animação na Terceira Idade (Animadora Ana Fialho);
- Cuidados de Saúde na Terceira Idade (a confirmar orador).

A iniciativa realizar-se-á no próximo dia 09 de Junho, pelas 09h30m, no Auditório da Escola Superior de Educação de Beja.

Mais informações sobre a iniciativa podem ser obtidas com Helena Esteves (helenasfe@hotmail.com), Helena Paulino (helenapaulino17@hotmail.com), Helena Calaco (hmrsc@hotmail.com) ou Suzete Guereirro (meninakiduza938@hotmail.com

domingo, 24 de maio de 2009

Novo número da Revista Animador Sociocultural

Já está disponível o novo número (ano 3, número 2, Maio 2009) da revista Animador Sociocultural, uma publicação digital periódica da Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural - RIA.

O número agora editado volta a contar com a participação portuguesa. "A Animação Sociocutural e a educação para os valores" e "A formação de animadores" e "Animação Sociocultural na sua vertente socioeducativa - Animação Infantil" são os contributos portugueses.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Recrutamento de Animadores de Campos de Férias

A UPAJE - União para a Acção Cultural e Juvenil Educativa, associação sem fins lucrativos, que tem por finalidade a criação, promoção e concretização de iniciativas de apoio às crianças, jovens, adultos e idosos, com vista à respectiva integração social e comunitária, através da acção sócio-cultural e educativa, bem como, o fomento da aprendizagem, através de processos de educação não formal e ao longo da vida, direccionada para os diferentes escalões etários da população.

No âmbito da organização dos seus Campos de Férias 2009, a UPAJE encontra-se a recrutar Animadores de Campos de Férias. Neste sentido, os interessados deverão enviar o curriculum vitae para calmeida@upaje.pt ou geral@upaje.pt, em alternativa contactar a UPAJE através do telefone 214719480. Mais informações podem ser obtidas no site da UPAJE e no blog.

domingo, 17 de maio de 2009

É tempo de intervir

É imperioso que comece a nascer uma nova forma de estar e de intervir junto da sociedade civil, em matéria de Animação Sociocultural, sobre as questões socioprofissionais dos Animadores, entre outros temas de relevante interesse para a Animação.

Sinto que há uma apatia das organizações associativas com responsabilidades na matéria referenciada. É fundamental dar um novo impulso às dinâmicas de intervenção que se projectaram já a algum tempo; há uma luta que ainda está longe de estar perdida, mas que exige uma presença contínua junto da opinião pública, em especial, por respeito a todos aqueles que acreditam na mudança.

Os fóruns de debate que se possam criar, serão espaços de cidadania activa, servirão um novo tempo de auscultar opiniões e críticas, ajudará a redefinir objectivos e a traçar novas linhas de combate, enfim, será o reanimar de processos de intervenção que qualquer cidadão, enquanto agente de mudança tem o direito de exigir e o dever de participar com empenho, em nome de uma causa maior. Avançemos no debate sobre temas socioculturais, educativos e políticos estruturais no tempo presente, que serão um contributo na redefinição de processos de cidadania e de novos campos de intervenção desde uma perspectiva da Animação Sociocultural.

As mudanças sociais são inevitáveis e os Animadores Socioculturais têm que acompanhar as novas realidades. Eles precisam de avançar para a linha da frente, dar um sério contributo na afirmação dos novos campos de acção que são uma realidade concreta na nossa sociedade.

Estamos a atravessar momentos de grande tensão social provocada por inúmeros factores, com especial incidência, para a instabilidade económica e financeira que devastou as maiores economias mundiais, atingindo a nossa débil economia com repercussões gravissímas na sociedade civil. Este é um tema que deve merecer mais do que solidariedade para com milhares de pessoas que vivem diariamente o drama do desemprego, é fundamental uma tomada de posição. O desafio para os Animadores Socioculturais, agentes da mudança, é tomar em mãos estes dramas sociais.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Mercado Quinhentista em Machico


Dias 5 e 6 de Junho, todos os caminhos vão dar a Machico.

Realizar-se-á o Mercado Quinhentista, evento com várias actividades que pretendem recriar vivências quotidianas deste período da nossa história insular e em particualr dos primeiros tempos de colonização e desenvolvimento da Capitania de Machico.

Venha viver o passado.


Organização: Câmara Municipal de Machico e Escola Básica e Secundária de Machico

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Democracia e descentralização culturais: da teoria à prática

A descentralização cultural e com esta a democracia das práticas e das vontades, tem conquistado novos territórios fora dos espaços urbanos. A Freguesia dos Prazeres, no Concelho da Calheta é um exemplo paradigmático dessa vontade de transformar teorias em práticas socioculturais efectivas com e para os cidadãos.

A ideia de criação de um espaço para ocupação dos tempos livres da população local, intenção inicial do Padre Rui Sousa, rapidamente, se transformou num projecto mais arrojado, num equipamento cultural em meio rural, numa galeria de arte. Esta ideia ganhou consistência, porque as pessoas da freguesia, tinham alguma relutância em visitar o Centro das Artes - Casas das Mudas, na Calheta, afirmou o pároco. Esta nova galeria de artes plásticas é um balão de ar fresco, e o romper de um ciclo de discursos sobre a necessária e urgente democracia cultural.

Parece-me imperativo olhar para este novo equipamento, promovido por uma instituição que tradicionalmente não exerce um papel directo na acção cultural, mas, sem dúvida, um feliz contributo para a vida cultural das populações dos Prazeres, uma forma de aproximá-las e educá-las para a cultura e a arte.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mensagem do Dia Internacional da Dança 2009

Dia Internacional da Dança - 29 de Abril, 2009

«Este dia muito especial, Dia Internacional de Dança, é dedicado a uma linguagem que todos nós no mundo podemos falar, a linguagem inerente aos nossos corpos e às nossas almas, aos nossos antepassados e aos nossos filhos.

Este dia é dedicado a todos os deuses, gurus e avós que sempre nos ensinaram e nos inspiraram.

A cada canção, impulso e a cada momento em que nos fez mover.

É dedicado à criança pequena que deseja mexer-se como a sua estrela e à mãe que diz, "tu já podes".

Este dia é dedicado a cada corpo de todos os credos, cores e culturas que carrega as tradições do seu passado em histórias do presente e sonhos do futuro.

Este dia é dedicado à Dança, à sua miríade de dialectos e ao seu imenso poder para expressar, transformar, unir e encantar.»

Akram Kahn

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A formiga no carreiro

A formiga no carreiro
Vinha em sentido cantrário
Caiu ao Tejo
Ao pé dum septuagenário
Larpou trepou às tábuas
Que flutuavam nas àguas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Vinha em sentido diferente
Caiu à rua
No meio de toda a gente
Buliu buliu abriu as gâmbias
Para trepar às varandas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Andava a roda da vida
Caiu em cima
Duma espinhela caída
Furou furou à brava
Numa cova que ali estava
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro

Zeca Afonso

domingo, 19 de abril de 2009

"Desafios da Animação Sociocultural"

"Uma conversa acompanhada de um chá...". E assim, aconteceu a primeira tertúlia que abordou os Desafios da Animação Sociocultural.

A tertúlia, foi o resultado de um desafio que oportunamente, lancei numa conversa de café às animadoras Márcia Pereira, Marta Sá e Filipa Azevedo, promotoras e dinamizadoras daquele fim de tarde, aprazível, em redor das ideias e das palavras que se queriam soltas, profundas e provocadoras de consciências, numa conversa aberta, participada e interessada.

A tertúlia que ontem aconteceu no Café Fnac, no Madeira Shopping, teve como principal objectivo aprofundar a reflexão sobre a Animação, um processo de reflexão e discussão sustentado nos projectos desenvolvidos pelas promotoras da tertúlia, resultado dos respectivos estágios profissionais.

O grupo de pessoas, por sinal interessado, nas questões da Animação Sociocultural, infelizmente, muitos dos Animadores a trabalharem na região, optaram pela ausência. Aqueles que passaram pela Fnac, poderam conhecer de uma forma mais realista, intimista e na primeira pessoa, o testemunho das primeiras experiências profissionais vivenciadas pelas animadoras, num trabalho de terreno realizado com as respectivas comunidades, alvo dos seus projectos de intervenção. E foi em torno destes projectos que a troca de ideias, a discussão e a provocação do debate que se deseja que continue, aconteceu naturalmente, no mínimo, interessante.

Faço votos e certamente que os dirigentes associativos na Região Autónoma da Madeira, com responsabilidades em matéria de defesa dos interesses dos Animadores e no debate sério sobre a Animação Sociocultural, serão capazes de provocar novos tempos de reflexão, num espaço que se deseja informal e dessacralizado. Um tempo e espaço onde a sociedade possa ser ouvida, onde possamos, num discurso claro e directo, trilhar novos caminhos, construir outras acções comprometidas com as instituições. Precisamos de Animadores provocadores de consciências, agitadores de causas, que acreditem que é possível transformar.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Linhas orientadoras da Carta do Protagonismo Juvenil

“Animação SocioCultural e Protagonismo Juvenil” foi o tema do III Encontro Nacional de Formação de Jovens Animadores que se realizou entre os dias 9 e 11 de Abril, em Vila Nova de Famalicão, iniciativa da responsabilidade da Plataforma de Animadores SocioEducativos e Culturais (PASEC).

Dos trabalhos desenvolvidos, resultou as linhas orientadoras da Carta do Protagonismo Juvenil, aprovada na última sessão do Encontro Nacional. Aqui fica o registo dessas mesmas linhas:


A) São Direitos do Protagonista Juvenil:

- Ter liberdade de expressão
- Ter o apoio das instituições públicas competentes a nível estrutural e financeiro para implementação dos seus projectos
- Ter acesso a espaços de discussão como grupos de base, reflexão ou políticos
- Ter oportunidades de formação como complemento ao seu percurso de desenvolvimento pessoal e social
- Contar com o apoio da família enquanto agente primário de socialização
- Ter oportunidades de intervenção

B) São deveres do Protagonista Juvenil:


- Acatar com a responsabilidade e consequências das opções e intervenções que desenvolve
- Encarar a participação activa como forma de promoção de uma Educação para a Cidadania
- Ser dinamizador e mediador da Comunidade
- Divulgar junto dos seus pares e comunidade as dinâmicas e processos fomentadoras do Protagonismo Juvenil
- Privilegiar na sua intervenção as comunidades de risco
- Respeitar as diferentes Ideologias e Perspectivas de pensamento
- Respeitar a identidade e integridade dos sujeitos com quem interage ou opera
- Encarar-se enquanto indivíduo como Actor, embora sem desvalorizar o seu papel de observador

C) O Protagonista tem como os seus principais Campos de Oportunidade:


- O Associativismo Juvenil é uma das formas de expressarmos os nossos ideários
- Práticas de Educação para a Cidadania
- Promoção do Desenvolvimento Local
- Divulgação das Causas e Projectos Juvenis
- Programa Juventude em Acção
- Programas Nacionais de Apoio aos Jovens
- Produção de Conhecimento na Área juvenil
- A Escola também como espaço de Educação Não-Formal
- Participação Democrática
- Participação e Produção Cultural
- Grupos informais de intervenção local (Ex.: grupos informais da PASEC)
- Metodologias participativas como forma de mobilização das comunidades juvenis

sábado, 11 de abril de 2009

Acção de formação "Serviços Educativos em Museus"

"Serviços Educativos em Museus" é a acção de formação promovida pela ARCHAIS, Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira em colaboração com a Câmara Municipal de Machico. Esta formação terá lugar, dia 25 de Abril de 2009, entre as 9h e as 12h30m, na Sala de Actividades Culturais da Junta de Freguesia de Machico. A acção proposta tem como objectivo divulgar as estratégias no âmbitos dos serviços educativos dos espaços museológicos, e propor novas formas de abordagem à componente educativa, tendo como horizonte, a promoção da educação ao longo da vida.

A actividade formativa será dinamizada pela Dr.ª Ana Duarte, licenciada em História, e actualmente a frequentar o doutoramento em Museologia e Património na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Da sua actividade profissional, destaque para o desenvolvido de projectos de implantação de serviços educativos em diversos espaços museais nacionais.

As inscrições têm um custo de cinco euros. Os interessados poderão formalizar a inscrição nos serviços do Núcleo Museológico de Machico - Solar do Ribeirinho, pelo telefone 291964118, até ao dia 22 de Abril.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Contrariar o conformismo... uma tarefa de todos

É com inquietude de espírito que assisto a uma apatia dos Animadores Socioculturais e até, o manifesto de concordância, talvez, numa tentativa de compromisso futuro com a instituição e seus dirigentes, que as relações laborais, naturalmente, impõem a todos os profissionais em início de carreira. Parece-me oportuno, apelar à ética, no sentido dos Animadores contrariarem essa realidade do mundo laboral.

O meu desencanto agrava-se ainda mais, com a postura passiva que alguns Animadores assumem perante a comparação que muito boa gente, continua a fazer entre o agente sociocultural, Animador, com formação específica no domínio da Animação Sociocultural, independentemente, do nível de formação (nível III, IV e V) e os entertainers. Esta minha observação sustenta-se na concretização de um projecto de Animação Sociocultural, realizado por colegas de formação e profissão, que contemplou uma curta actuação de um entertainer, apresentado como animador, que simplesmente subiu ao palco e interpretou meia dúzia de músicas de gosto dúvidoso. Continuo a interrogar-me, sobre o contributo daquela curta actuação para a mudança social no contexto daquele projecto de Animação.

Nada tenho contra o exercício da actividade dos entertainers, desde que, não se definam como animadores, e os Animadores Socioculturais não se demitam das suas responsabilidades em matéria de defesa e honrabilidade da sua profissão. O testemunho deste facto, veio uma vez mais, comprovar que os Animadores Socioculturais vivem num pessimismo relativamente as questões centrais para a definição da sua profissão, mas, sempre na esperança de que aconteça um milagre e tudo se resolva, a bem dos Animadores e da Animação Sociocultural.

Não é com conversas de retórica que alcançaremos os objectivos que perseguimos há muito tempo. O milagre que esperamos acontecerá com trabalho colectivo, que pode dar-se a diferentes níveis de envolvimento, com o exigir de responsabilidades às instituições e seus dirigentes, e com uma atitude pró-activa na defesa e dignificação da Animação Sociocultural e dos Animadores. O processo de mudança começa no compromisso de cada Animador.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Encontro Nacional "Animação SocioCultural e Protagonismo Juvenil"

A PASEC, Plataforma de Animadores SocioEducativos e Culturais, em parceria com outras entidades organizam o III Encontro Nacional de Formação de Jovens Animadores “Animação SocioCultural e Protagonismo Juvenil”. Esta iniciativa também designada por Feira Nacional do Protagonismo Juvenil, realizar-se-á nos dias 9 e 11 de Abril, na Escola Profissional CIOR, Vila Nova de Famalicão.

Entre as actividades programadas, destaque para o painel temático “O Modelo de Animação SocioCultural Português”, com a presença do Prof. Fernando Ilídio, Director do Mestrado de Animação Sociocultural da Universidade do Minho e dos Professores António Leal e Virgílio Correia da Escola Superior de Educação de Coimbra, entre outras personalidades. O painel terá lugar na Escola Profissional CIOR, no dia 10 Abril, pelas 14h30.

Ainda de acordo com a organização, o encontro contará com uma série de ciclos temáticos sobre a forma de worshop’s que abordarão os vários métodos de intervenção preconizadores e mobilizadores das manifestações de protagonismo juvenil, mais concretamente o protagonismo juvenil expresso através das artes de rua, expressão dramática e educação lúdica.

“O Modelo de Animação SocioCultural português” e “Educação e Pedagogia”, são os temas em discussão nas mesas-redondas, na modalidade de painéis temáticos. Paralelamente será discutida e aprovada uma proposta de Carta do Protagonista Juvenil, como documento orientador de reflexão sobre as temáticas em reflexão. Outras actividades estão agendadas, nomeadamente, a realização do torneio “All Football” com a participação de adolescentes e jovens das instituições parceiras da PASEC, jogos nocturnos e uma noite cultural na Cidade de Famalicão aberta à comunidade.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

1º Encontro de Teatro Comunitário

Felicito a Márcia Pereira, Animadora Cultural e Educadora Comunitária, pela liderança do projecto de Educação pela Arte na Inclusão Social, desenvolvido no Centro Luís de Camões - IPSS, no Funchal. Integrado neste projecto esteve o 1º Encontro de Teatro Comunitário, no âmbito das comemorações do Dia Internacional do Teatro, no passado dia 27 de Março.

Foi com expectativa que fui até ao jardim do Bairro do Hospital, no Funchal, assistir àquele que considero um projecto de Animação Sociocultural; uma iniciativa que reuniu numa clareira rodeada de blocos de cimento, cuja finalidade, é alberguar centenas de pessoas anónimas. Dezenas de pessoas assistiram de forma intimista, provocadora, mas com um sentido de intervenção com a comunidade, muito forte. Afinal falamos de teatro comunitário. Passaram pelo palco, vários grupos de actores, utentes de diferentes instituições de intervenção social, que quiseram partilhar as mesmas e também, outras problemáticas.

Este foi um trabalho também orientado por colegas Animadoras, que através da linguagem teatral procuram desenvolver com os protagonistas da acção, um conjunto de competências sociais, profissionais e de identidade. O teatro é um instrumento de integração social, de estímulo e de tomada de consciência para as problemáticas da comunidade, para outras acções de intervenção com a comunidade, enfim, para a dramatização de outras histórias paralelas à história dramatizada no palco da vida.

O que é o Teatro Comunitário?

O teatro comunitário é uma modalidade de teatro realizada por pessoas com pouca ou nenhuma experiência na linguagem teatral, cujo conteúdo é baseado na realidade quootidiana dos que participam da experiência e na problemática específica da comunidade. Neste estilo de teatro a técnica e a formação de actores é apenas um dos caminhos a serem percorridos. Cabe primeiro pensar o cidadão. Um bom cidadão certamente poderá ser um bom actor.