segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Estatuto, Carreiras, Código Ético e Deontológico do Animador

Não me sinto só, pois, há sempre alguém que partilha de alguma forma das minhas preocupações, convicções, enfim das minhas modestas ideias, relativamente à necessidade de um debate sério e esclarecedor; um espaço onde se discuta abertamente a centralidade do tema - Estatuto, Carreiras, Código Ético e Deontológico do Animador.

Este debate ou reuniões sectoriais se preferirem, deve ser realizado com as estruturas associativas representativas dos cursos técnico-profissionais e superiores de Animação, com as direcções dos cursos cujas nomenclaturas proliferam como cogumelos e ao gosto de outros tantos. Este primeiro encontro deverá permitir ouvir quem interessa efectivamente - os Animadores. Aqueles que continuam no anónimato, na sombra, num silêncio que me assusta sempre que "grito" em seu favor e alguém "manda-me" calar.

É preciso sermos "bons alunos" e fazermos o trabalho de casa que consiste em apresentar ideias concretas, explicitar o que desejamos em matéria de Estatuto, Código Ético e Deontológico. Parece-me que estamos a perder o fôlego num combate que ainda nem começou, urge uma participação mais activa e empenhada, uma cidadania comprometida com as questões associativas e sociais em matéria de defesa dos interesses colectivos dos Animadores.

Não podemos ficar por encontros sectoriais. É fundamental reunir com os sindicatos com certeza, eles terão uma palavra a dizer, pois, é importante a conquista de apoios, a solidariedade institucional, ouvir críticas e sugestões que possam contribuir para a melhoria da Proposta do Estatuto do Animador e então, avançar para um diálogo com as estruturas governamentais.

Vivemos na (in)certeza do que acontecerá com a extinção das várias carreiras de Animador que actualmente figuram no quadro da Administração Pública. Mas, esta realidade não pode ser pretexto, nem sinónimo para a nossa inércia sobre esta matéria.

Deixem-me viver plenamente a minha cidadania, a minha quota de democracia. Deixem-me ser um Animador Sociocultural, num país onde desejo que a minha profissão seja reconhecida pelas instituições acreditadas para esse efeito.

16 comentários:

Anónimo disse...

Nós apoiamos a sua causa, pois estamos no 12º ano do curso de Acção Social, e temos vindo a abordar estes temas nas aulas de Praticas de Animação Sociocultural,nas quais lemos alguns textos, nomeadamente o seu e um da Prof. Drª Ana da Silva. Temos receio de entrar no mercado de trabalho, pois esta área não tem estatuto, ou seja não é devidamente reconhecida pela sociedade.
Concordamos plenamente com a sua causa e gostariamos de o poder ajudar. Tal como o senhor diz, temos de agir, sensibilizar as pessoas para este facto pois na nossa opnião muitas pessoas associam um Animador Sociocultural a alguem que entretem. Temos que mostrar à população o que é realmente um Animador Sociocultural e o conceito de Animação sociocultural. Na nossa opnião, se nos juntarmos todos conseguiremos fazer algo para mudar esta situação!!!

Anabela Bessa
Carla Amorim

Viana do Castelo

Anónimo disse...

Realmente é importante que se crie o Estatuto do Animador Sociocultural, principalmente num país como o nosso, no qual, na minha opinião e também pela leitura do seu texto, a Animação Sociocultural não está bem definida e pode dizer-se, também, que um pouco desconhecida.
O Estatuto era importante para que a profissão de Animador fosse reconhecida como tal, principalmente perante as instituições, permitindo aos Animadores Socioculturais exercerem a sua profissão sem medo de nada e defendê-la da melhor forma possível.

Elsa Nibra, Viana do Castelo, 12ºano

Albino Viveiros disse...

Olá!

Fico sensibilizado pelo vosso ponto de vista e sensibilidade demonstrada face à matéria que abordei neste tópico.

Estou consciente dos obstáculos que encontraremos, mas, é fundamental iniciar um processo de diálogo com as estruturas sindicais e governamentais relativamente a estas matérias.

É evidente que a definição das práticas de Animação Sociocultural faz-se com a comunidade, no trabalho com os grupos, no quotidiano, mas, há todo um processo mais teórico que importa definir, clarificar no seio institucional. De alguma forma balizar a acção dos Animadores Socioculturais.

Estou consciente que esta matéria está longe de reunir consenso, tanto mais que há uma proliferação de cursos que apresentam a Animação Sociocultural como um campo de intervenção para os profissionais saidos desses mesmos cursos.

O momento é de união, um estado que deve ser marcado pela integração sócio-profissional dos agentes sociais e culturais com formação no âmbito da Animação Sociocultural, distribuídos em diferentes categorias que respeitem a formação específica de cada um.

O desafio está lançando é preciso lutar por conquistá-lo.


Albino Viveiros

Anónimo disse...

Na nossa opinião como alunas do 12ºano do Curso Tecnologico de Acção Social, reconhecemos que é necessário que exista um estatuto do Animador. Ser Animador é uma profissão que deve ser reconhecida por todas as instituições, visto que esta profissão é uma profissão importante na sociedade actual, no que diz respeito, especialmente, à reinserção social. Também é necessário que os Animadores tenham conhecimento acerca das funções executadas e do código ético e Deontológico. É preocupante só "meia dúzia" de Animadores lutem por um estatuto da sua profissão.
Agradecemos o seu comentário em nosso nome e no nome dos nossos colegas.

Adriana Esteves e Andreia Rocha
(Viana do Castelo)

Anónimo disse...

Caro Dr Albino,

lemos o seu artigo numa aula de prácticas de animação sociocultural e ficamos extremamente preocupadas pelo facto de o animador sociocultural não ter estatuto definido, pois já se luta por essa causa desde 1976. Como estamos num curso tecnológico de acção social, ficamos bastante sensibilizadas por não se conseguir ultrapassar esta barreira e tambem pelo o facto de as pessoas pensarem que um animador sociocultural tem como objectivo entreter as pessoas e nao fazer com que elas interajam e cooperam entre elas. Achamos que é preciso sensibilizar o governo para que haja uma lei que regule o estatuto. Também nao entendemos o porquê de haver animadores socioculturais a nao se envolverem nesta causa pois um dos valores da animaçao sociocultural é a participação!!!

Bernadette da Rocha
Andreia Passos

Albino Viveiros disse...

Olá!!!

Há uma proposta de Estatuto do Animador Sociocultural da Associação Nacional de Animadores Sociocultirais - ANASC, que pode ser consultada em http://anasc.no.sapo.pt/estatuto

Esta proposta de Estatuto aprovada na Assembleia-Geral da ANASC em 1999, está desfazada da realidade e é redutora no seu conteúdo. Ele apenas contempla os Animadores Socioculturais afectos à Administração Pública. Hoje essa realidade está em profunda transformação com a nova realidade da Administração Pública, com a superação das categorias profissionais.

Na minha opinião esta proposta de Estatuto continua a ser uma referência para nós Animadores, mas, não podemos ficar por aqui, ele deverá ser a base para uma nova proposta mais abrangente em termos de categorias socioprofissionais no quadro da Animação Sociocultural.

A participação é factor essencial em Animação, e se os Animadores Socioculturais não são capazes de abraçar uma causa comum, o cenário social para estes agentes não será muito animador. Parece-me que as estruturas associativas têm um papel estruturante na mobilização de vontades e de uma acção eficaz nesta matéria.

O futuro constrói-se desde o presente e é um empreendimento de todos.


Albino Viveiros

Paula Cruz disse...

Boa tarde,
sou a professora dos jovens que comentaram o seu artigo e desde já agradeço as respostas que publicou aos seus comentários.
Estamos neste momento a estudar a temática "Perfil técnico do Animador Sociocultural" e analisámos a proposta de Estatuto da ANASC. Foi também neste âmbito que descobriram o seu blog (e outros), dos quais vão ser visitantes assíduos.
Obviamente que eles ainda não têm a experiência que lhes permite ter uma visão clara sobre o assunto, mas gostava que esta unidade lectiva e estes contactos lhes servisse como mote para reflexão.
Continuação de bom trabalho.

Paula Cruz
Escola Secundária de Monserrate - Viana do Castelo

Albino Viveiros disse...

Estimada Prof. Paula Cruz,


Pareceu-me um grupo de alunos empenhados e atentos à realidade. Conheço de forma genérica o plano curricular da disciplina "Práticas de Animação Sociocultural" do curso de Acção Social.

É importante sensibilizar os alunos para estas realidades que de alguma forma importa reflectir a par das práticas de Animação Sociocultural, esta última de importância acrescida para os futuros agentes de Acção Social.

Continuação de bom trabalho!

Albino Viveiros

tatiana disse...

Boas tarde sou a tatiana e tou no curso de animador Sociocultural e tou no 2º ano. E tou a realizar um trabalho para terça feira apresentar e tou a falar do estatuto e codigo deontologico na animação e gostaria que me ajuda-se se fosse possivel.
Obrigada

Albino Viveiros disse...

Olá Tatiana,

Claro que posso ajudar-te. Só preciso que coloques as tuas questões ou dúvidas.

Bom trabalho!

Albino Viveiros

Anónimo disse...

Olá,

Sou professora de Animação Sociocultural do curso profissional de Animadores Socioculturais e tenho lido os comentários entre alunos, professores e o Dr Albino Viveiros. Se possível gostaria que me esclarecessem no sentido de saber se já existe um código deontológico do animador sociocultural. Tenho procurado mas ainda não encontrei nada.

Obrigada e bem hajam.

Mariana Rosário

Albino Viveiros disse...

Cara Prof. Mariana Rosário,

Muito se tem reflectido e discutido, mas na verdade a produção de ideias concretas para que se possa avançar para uma proposta de Código Deontológico do Animador Sociocultural, à semelhança dos nossos colegas Educadores Sociais ainda não foram suficientes fortes.

Lamentavelmente, os Animadores também, não contam com um Estatuto Profissional reconhecido oficialmente, há sim, uma proposta de Estatuto da autoria da Associação Nacional de Animadores Socioculturais (ANASC), amplamente divulgado.

Acredito que esta nova geração de Animadores Socioculturais está a ganhar consciência para a necessidade que se impõem aos profissionais da Animação, a necessidade de um Código Deontológico, que terá que estar associado ao Estatuto Profissional do Animador.

É preciso que continuemos a consciencializar os Animadores para esta necessidade, pois, só assim, terão uma verdadeira e ampla consciência para as questões profissionais da Animação Sociocultural.


Cumprimentos,

Albino Viveiros

Anónimo disse...

Caro Dr. Albino Viveiros,

Agradeço-lhe a resposta. Concordo e partilho inteiramente do seu ponto de vista.

Bem haja.

Mariana Rosário

Inês disse...

Boa noite, sou aluna do curso de Animação Sociocultural na Escola Superior de Educaçao de Lisboa e estou a realizar um trbalho sobre a regulamentação ética e deontologica profissional. A minha dúvida é encontrar artigos que por exemplo comparem o nosso código com o de Espanha no que toca a ASC. Ou seja, diferenças entre estes, visto que em Espanha a ASC está bem mais desenvolvida que aqui. Gostaria de saber se tem algum artigo sobre esta matéria ou algo que eu possa perceber de uma melhor maneira as diferenças entre este dois países na este respeito.

Albino Viveiros disse...

Olá Inês!

Em Portugal não há um Código Ético e Deontológico dos Animadores Socioculturais. Esta é uma matéria que há muito é discutida entre os Animadores. Há sim, vontade em avançar para a definição do Código Ético e Deontológico, mas estamos a dar os primeiros passos na tentativa de concretizar tal aspiração, a par da vontade de criar o almejado Estatuto do Animador.

Ao contrário dos Animadores, os nossos colegas Educadores Sociais têm o Código Deontológico do Educador Social Português.

Estou em crer que esta matéria exige um debate alargado, uma participação activa de todos os envolvidos no processo de (in)formação dos Animadores Socioculturais; um trabalho de bastidores com acções concretas junto dos organismos institucionais e múltiplas leituras dos diferentes entendimentos que esta matéria suscita nos mais variados sectores académicos e associativos.

Cumprimentos,

Albino Viveiros

Inês disse...

Bos noite!

Antes demais muito obrigada pela sua atenção. Eu realmento tenho pesquisado imenso e não consigo encontrar nada a esse respeito, o que me fez ir falar directamente com a professora e irei fazer o trabalho de outra maneira, a meu ver até bastante mais interessante. Visto que não há o que comparar, pois não temos ainda código deontologico, vou falar sobre a Declaração Internacional de Princípios Éticos do Trabalho Social. Este para além de ser o que mais se aproxima do de ASC por ser internacional pertence a todos os países, sofrendo pois alterações dependendo das políticas e das problemáticas de casa país.

Muito Obrigada e felicidades

Inês B.