A intervenção - Associação para a Promoção e Divulgação Cultural organiza o I Congresso Internacional «Teatro do Oprimido - teorias, técnicas e metodologias para a intervenção social, cultural e educativa no século XXI.
O primeiro blog de animação sociocultural na Região Autónoma da Madeira
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Mensagem da UNESCO para o Dia Internacional da Juventude 2013
O Dia Internacional da Juventude é celebrado no dia 12 de agosto. Apesar de volvidos alguns dias, parece-nos importante e atual divulgar a mensagem da diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, a assinalar a efeméride.
«Os jovens representam hoje quase um terço dos migrantes
internacionais. Essas migrações redirecionam o mapa do mundo e a face da
sociedade moderna. Elas representam um imenso potencial de reaproximação dos
povos, do diálogo intercultural e de desenvolvimento. No entanto, elas também
provocam um imenso desafio em termos de exclusão, de pobreza, de exploração ou
de discriminações.
É vital conhecer melhor as realidades complexas dessas migrações,
conceber as políticas públicas para que sejam mais adequadas e mais eficazes. A
pesquisa em ciências sociais são de importância decisiva. Elas mostram as
evoluções surpreendentes de fluxos migratórios ao longo dos últimos 20 anos:
mais numerosos, mais femininos e mais jovens. O Dia Internacional da Juventude
dedicado aos migrantes jovens coincide justamente com o lançamento do Relatório
mundial da juventude sobre este tema, que traz um esclarecimento original sobre
o impacto dos jovens migrantes no futuro das nações.
Para liberar o potencial dos jovens, devemos considera-los como
parceiros de primeiro plano na concepção e na implementação de políticas que
lhes concernem. Novas ferramentas aumentaram nossos métodos de consulta, de
participação e de diálogo: vamos usá-las, então! A Conferência Nacional sobre a
Migração de Jovens e o Desenvolvimento, em Chennai (Índia), em cooperação com a
UNESCO, é um exemplo de evento sobre mudanças que permite aos jovens e aos
pesquisadores de compartilhar suas experiências, como outros eventos similares
que aconteceram este ano em Samoa sobre emprego para jovens, na Rússia sobre o
diálogo intercultural, no Quirguistão sobre jovens mulheres migrantes… No mesmo
espírito, e tenho o prazer de anunciar que o 8° Fórum de Juventude da UNESCO
acontecerá na sede da Organização, em Paris, de 29 a 31 de outubro de 2013.
Para que todos os jovens de mobilizem para defender seus direitos: a jovem
Malala Yousafzai, que lutou pela educação de meninas é um exemplo. Vamos
dar-lhes meios de se fazerem compreendidos!
A intensidade dos movimentos migratórios em um mundo globalizado e
conectado clama por uma cooperação mais forte e solidária entre os Estados.
Exige também, no interior das sociedades, que haja mais acesso à educação de
qualidade, à participação democrática e a competências interculturais, que
ajudam a viver juntos, especialmente nas cidades, onde vive mais da metade da
população mundial.
Quer pela rejeição à pobreza, pelos perigos de aquecimento
climático, pela aspiração a uma vida digna ou pelo respeito de seus direitos,
milhões de jovens desejam construir um futuro melhor além de suas fronteiras.
Eu peço neste dia aos parceiros da UNESCO e a todos os Estados-membros a unirem
seus esforços para fazer dessa energia considerável uma força e um ativo para a
paz, o desenvolvimento e o respeito aos direitos do indivíduo.»
terça-feira, 6 de agosto de 2013
A animação sociocultural na encruzilhada da realidade sociopolítica (II)
É
preocupante o encerramento abrupto dos cursos superiores de animação, considero
um revés na afirmação social da profissão e na formação académica dos
animadores. Esta medida origina diferentes sentimentos e leituras sobre o
processo e contribui para alimentar a descrença coletiva de transformação
social da realidade atual. Outra leitura, talvez reúna menos apoio, mas com
maior fundamento à luz da realidade social, política e educativa do país, é o
ajustamento da oferta formativa à procura por parte dos candidatos ao ensino
superior. Não quero descurar a possibilidade de um ajustamento da procura às reais
necessidades do mercado de trabalho.
Qual o
número de animadores licenciados em Portugal? Porque não há uma uniformização
dos planos de estudos das licenciaturas em animação sociocultural? Porquê as
muitas nomenclaturas para designar os cursos de animação quando têm em comum a
matriz axiológica? Estas são questões que devem servir de base para
compreendermos o processo em marcha. Continuo a defender uma única nomenclatura
em animação, com um plano de estudos comum e uma aposta inequívoca em áreas de
especialização que sejam uma resposta aos paradigmas de desenvolvimento dos
territórios e das comunidades.
A
animação sociocultural não é panaceia para os males sociais e os animadores não
são «bombeiros» de serviço para socorrer as instituições. É preciso balizar a
profissão, é fundamental definir competências técnicas e sociais, mas acima de
tudo é urgente fomentar uma plataforma de pressão que desperte nas instituições
a necessidade das dinâmicas da animação no seio organizacional. A aproximação
progressiva entre as organizações de ensino e o mercado laboral é um desafio
permanente e, é por excelência uma porta aberta a um intercâmbio de
experiências que possibilitam um real conhecimento do que é ser animador
sociocultural.
Os
animadores reivindicam espaços de intervenção e reclamam para o exercício da
profissão a presença de agentes socioculturais em inúmeras organizações da
administração pública e da sociedade civil. Este é um exercício de cidadania,
um direito que lhes assiste e um propósito sério e digno de registo. Não
considero que a animação sociocultural esteja moribunda, ela continua dinâmica,
talvez a pujança dos animadores esteja orientada para labores exclusivamente individuais
em detrimento do coletivo. Os novos movimentos sociais são expressão de
dinâmicas de animação sociocultural, de força coletiva que irrompe do anonimato
cidadão e conquista identidade de grupo impelindo para um novo paradigma de
cidadania na era global.
Os contextos
educativos e sociopolíticos alteraram-se e com eles, nós, cidadãos e animadores,
somos forçados a nos reposicionar no mundo, a ler e reinterpretar a realidade, a
mediar conflitos e implementar soluções à luz dos novos paradigmas. A animação
sociocultural enquanto metodologia de intervenção comunitária e padrão estratégico
de fomento da participação ativa dos indivíduos nos processos de mudança,
encontra nos grupos e nas instituições os recursos endógenos ao desenvolvimento
local sustentável.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
A animação sociocultural na encruzilhada da realidade sociopolítica (I)
A
animação sociocultural e os animadores enquanto fomentadores da participação
comunitária são protagonistas de reflexões espontâneas, apaixonadas, e por
vezes eloquentes. É preciso focar a reflexão e posterior ação nos tempos
sociais que vivemos, eles são bafejados por ventos de mudança e de
oportunidades que empelam os animadores, enquanto militantes da cidadania ativa
comprometida com a democracia e o bem comum, a projetarem no presente aquilo
que poderá ser novos âmbitos de intervenção sociocultural.
O que é
a animação sociocultural? Quem são os animadores? São duas questões que se
revelam de difícil resposta. A identidade socioprofissional é a matriz da ação que
se desvaneceu no tempo.
Uma
premissa nuclear para fundamentar a animação desde a perspetiva dos animadores é
que conheçam o seu ADN profissional, ou serão incapazes de contribuir
individual e coletivamente para descodificar os sinais sociais da sociedade
atual e compreender as suas dinâmicas. Na verdade, quantificar e tentar definir
as funções do animador sociocultural é um exercício académico que exige um
conhecimento da realidade profissional. Neste domínio de estudo, têm que ser os
próprios agentes da mudança social a construírem o discurso teórico da animação
e consequentemente a definirem as suas funções, enquanto profissionais
especializados na área.
Aos
animadores socioculturais é exigido autenticidade, atitude ativa e crítica na
intervenção face às realidades socioculturais, políticas e educativas no
entorno dos territórios de intervenção. É esperado dos animadores um discurso técnico-científico
com o objetivo de transmitir numa linguagem persuasiva através da sua ação o
que é a animação sociocultural e os seus territórios de intervenção.
O prof.
Avelino Bento e muito bem, desafiou os animadores a refletirem sobre as suas
práticas. Não posso estar mais de acordo. Há a ausência de uma reflexão
alargada e comprometida por parte dos animadores sobre as suas práticas, um
exercício que exige a conjugação de dois vetores estruturantes: a teoria e a
ação. Não menos verdade é a falta de um sentido de responsabilidade pela
dignificação da profissão materializada em grupos de pressão, com objetivos
claros e com uma linha de orientação estratégica definida para o longo prazo. Falta
a coesão grupal que nunca conseguiu vingar entre os animadores.
É total
responsabilidade dos animadores a materialização do conceito de animação
sociocultural, para isso, impõe-se que soltem as amarras do porto seguro e se
aventurem, com a convicção de que poderão contribuir positivamente para a
mudança do perceção social e política sobre o trabalho dos animadores socioculturais.
Definir a animação sociocultural é uma condição para construir socialmente e
identitária da profissão.
Não é legítimo, digo mesmo, é confuso reivindicar um
estatuto profissional quando os próprios interessados não refletem sobre as suas
práticas com o objetivo de sintetizarem o conceito matricial da animação
sociocultural à luz das nossas realidades sociais, educativas, económicas,
políticas e culturais. É fundamental agir em função de uma atitude pró-ativa e
de uma consciência crítica.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Recepção de artigos para a revista Práticas de Animação
A revista Práticas de Animação é um projeto editorial que tem privilegiado a reflexão sobre o corpus teórico e as práticas de animação sociocultural, numa perspetiva interdisciplinar e de reflexão plural partilhada por animadores, educadores, investigadores e outros atores sociais com experiências e vivências profissionais que permitem posicionarem-se no campo teórico-prático da animação e projetar as suas reflexões no seio de uma comunidade aberta e democrática como a dos animadores socioculturais que continua a dinamizar a discussão sobre a animação e as suas práticas.
É nosso desiderato reunir um conjunto diversificado de contributos que aclarem sobre as dinâmicas da animação e sejam achegas para a reflexão sobre o papel da animação sociocultural nos múltiplos contextos de intervenção. Os artigos poderão versar sobre a animação sociocultural, socioeducativa, turística, o ócio, o lazer e os tempos livres, as políticas culturais, a pedagogia social e a educação sociocomunitária, entre outros domínios de investigação e intervenção privilegiados para a ação dos animadores.
Neste quadro de realização convidamos todos os interessados a colaborar no próximo número da revista. Para tal poderão enviar os seus contributos até o próximo mês de setembro de 2013, para o e-mail: revistapraticasdeanimacao@gmail.com
quarta-feira, 3 de julho de 2013
O reconhecimento europeu sobre a animação juvenil (III)
O Conselho e os Representantes dos Governos dos Estados-Membros
convidam a Comissão e os Estados-Membros no quadro das suas competências a
criarem condições mais favoráveis para o desenvolvimento, apoio e implementação
da animação juvenil, bem como, reconhecer e fortalecer o seu papel na
sociedade. Outra recomendação está associada com o apoio ao desenvolvimento de
novas estratégias, ou melhoria das existentes para desenvolver as capacidades
dos animadores e dirigentes juvenis, e apoiar a sociedade civil na
implementação de modelos ajustados de formação de animadores /dirigentes.
O reconhecimento e o aumento qualitativo da animação juvenil
poderão ser rentabilizados, caso haja, a identificação das competências e
métodos partilhados pelos agentes da animação e as diversas formas de
intervenção. A empregabilidade jovem é um desafio permanente e audaz, quando
ele é meta para os animadores e dirigentes juvenis e a sua mobilidade através
de um melhor (re)conhecimento das suas qualificações e capacidades adquiridas
pelas práticas.
A Resolução do Conselho e dos Representantes dos Governos dos
Estados-Membros também sugere a promoção e apoio à investigação no domínio da
animação juvenil e da política de juventude, e a disponibilização de informação
sobre a animação e torna-la acessível através de mecanismos de informação,
aumentando as sinergias e a complementaridade entre iniciativas da União
Europeia, do Conselho da Europa e de outros organismos europeus, nacionais,
regionais e locais. Esta medida é reforçada com a promoção de oportunidades de
intercâmbio, cooperação em rede de animadores/ dirigentes juvenis, decisores
políticos e investigadores no domínio da juventude.
A sociedade civil com afetação direta ao trabalho
socioeducativo é incentivada a aumentar a plataforma de acessibilidade da
animação juvenil a todas as crianças e jovens, em especial, as que têm menos
oportunidades, bem como, promover a formação de animadores e dirigentes que
exercem a sua atividade no domínio da juventude, com o intuito de garantir a
qualidade das práticas de intervenção. A avaliação das abordagens, dos métodos
e práticas de animação juvenil é uma das recomendações dirigidas à sociedade
civil, que é desafiada a continuar a investir no desenvolvimento inovador
através de novas iniciativas sustentadas nas experiências reais das crianças e
jovens, dos animadores e dirigentes.
É salientada a importância do reconhecimento do papel da
animação juvenil como plataforma de oportunidades de aprendizagem não formal. A
animação deverá estar integrada nas políticas e programas de juventude por
forma a possibilitar a todos os jovens, a aquisição e desenvolvimento de
capacidades e competências necessárias à sociedade e à economia de 2020 e mais
além.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
O reconhecimento europeu sobre a animação juvenil (II)
É consensual que a animação contribui para a definição e
concretização de políticas de juventude em áreas como a aprendizagem ao longo
da vida, a inclusão social e a criação de emprego através da capacitação social
e empreendedora dos jovens. Estas valias deverão ser ratificadas formalmente
pelos governos locais, regionais e nacionais, através do reconhecimento formal
e da validação das competências adquiridas pelos processos de educação não formal.
A Resolução do Conselho e dos Representantes dos
Estados-Membros reforçam a necessária complementaridade de implicar em matéria
de animação juvenil os decisores políticos, os dirigentes e animadores juvenis,
investigadores e outros atores sociais associados de alguma forma à juventude.
Esta pretensão das organizações europeias poderá materializar-se através dos
Conselhos Municipais de Juventude enquanto órgãos consultivos dos decisores
políticos e plataformas de democracia representativa e participativa.
Os conselhos municipais são ferramentas privilegiadas para o
exercício da cidadania ativa, teoricamente, é a partir do diálogo estruturado
que emergirá contributos válidos sustentados na realidade concreta vivida pela
juventude, ser a voz irreverente que denúncia as necessidades e alerta para os
desafios que os jovens enfrentam como grupo social, desafios como a exclusão
social e o desemprego jovem. O Conselho Municipal de Juventude é um ator social
personificado pelo coletivo, a quem é-lhe incumbida a responsabilidade, quando
não instrumentalizado partidariamente, de contribuir para a definição de
políticas locais de animação juvenil.
É recomendado aos Estados-Membros que promovam estratégias
de apoio e remoção dos obstáculos à animação juvenil. Os apoios poderão ser financeiros,
de recursos ou infra estruturas. Outras formas de apoio poderão passar pelo
envolvimento das organizações governamentais e não governamentais locais e
regionais na assunção de um papel mais ativo no desenvolvimento, no apoio e na
implementação da animação juvenil. Os Estados-Membros também poderão contribuir
no apoio e desenvolvimento da animação juvenil na implementação do quadro
renovado, extensível na concretização dos objetivos dos diversos campos de
intervenção.
O Conselho e os Representantes dos Estados-Membros convidam a
Comissão a desenvolver estudos para mapear a diversidade, a abrangência e o
impacto que a animação juvenil assume na União Europeia. Outro desafio está
associado ao desenvolvimento de capacidades e competências dos animadores e
dirigentes juvenis, bem como, o reconhecimento da aprendizagem não formal via
animação juvenil proporcionando experiências de aprendizagem com a mobilidade
aos animadores e dirigentes. Desenvolver instrumentos que atestem as
competências dos animadores e dirigentes juvenis que ajudem a reconhecer e a
avaliar a qualidade da animação juvenil na Europa.
Estas recomendações devem
ter acolhimento por parte dos decisores políticos que em parceria com as organizações
da sociedade civil apoiem o desenvolvimento de estratégias para a
sustentabilidade de dinâmicas locais de animação juvenil. Os paradigmas de desenvolvimento social e de bem-estar comunitário podem ser trabalhados na perspetiva da animação. O protagonismo tem de estar do lado dos jovens cidadãos, são eles que no exercício da sua cidadania e na rebeldia das suas ideias que contribuirão para uma política de juventude responsável e de inclusão social.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
O reconhecimento europeu sobre a animação juvenil (I)
As políticas setoriais para a juventude produzidas no seio
da União Europeia constituem os antecedentes da «Resolução do Conselho e dos
Representantes dos Governos dos Estados-Membros, reunidos no Conselho, sobre
animação juvenil». Pode ler-se no documento que os antecedentes políticos de
tal Resolução estão associados à ação da União Europeia que deve ter por
objetivo o incentivo ao «… desenvolvimento de programas de intercâmbio para
jovens e animadores socioeducativos ( …) e a participação dos jovens na vida
democrática» (2010: 1). Outros propósitos são o programa «Juventude em acção» e
a resolução sobre um quadro renovado para a cooperação europeia no domínio da
juventude (2010-2018).
Para o Conselho a animação juvenil «(…) é uma expressão lata
que abrange uma grande diversidade de actividades de natureza social, cultural,
educativa ou política, efectuadas por jovens, com e para os jovens. Nestas
actividades incluem-se ainda, cada vez mais, o desporto e os serviços aos
jovens.» (2010: 1). O Conselho e os representantes dos Governos dos
Estados-Membros reconhecem que a animação juvenil pertence ao domínio da
educação extraescolar e está sustentada em dinâmicas de aprendizagem informal
e não formal e na participação voluntária. As atividades são geridas
autonomamente e/ou conjuntamente sob a orientação educativa ou pedagógica de
animadores e dirigentes juvenis.
De acordo com a Resolução do Conselho e dos Representantes
dos Governos dos Estados-Membros a animação juvenil é organizada e exercida por
organizações dirigidas por e para jovens, grupos informais ou entidades
públicas, aos níveis local, regional, nacional e europeu conforme o contexto
comunitário, histórico, social e político de realização da animação juvenil;
mediante o objetivo de envolver e empoderar todas as crianças e jovens,
principalmente, os com menos oportunidades; o empenho de animadores e
dirigentes juvenis; as organizações, serviços ou prestadores governamentais ou
não, independentemente de serem ou não, dirigidos por jovens. Saliente-se que
as autoridades locais e regionais também desempenham um papel fundamental no
apoio e desenvolvimento local e regional da animação juvenil.
A animação juvenil complementa o âmbito da educação não
formal, possibilitando aos jovens as mais variadas aprendizagens informais e
não formais, de assunção de responsabilidades na execução de ações individuais
e no coletivo, e conferindo-lhes o papel de protagonistas no seu próprio
processo de desenvolvimento, dotando-os de autonomia, de espírito empreendor e
de emancipação social. A animação juvenil contribui para o fortalecimento das
relações grupais, para a capacitação pessoal e profissional e na tomada de
decisões.
O valor social que a animação juvenil acresce na vida dos
jovens pode ser mensurável ao nível da sua participação autónoma nos processos
de desenvolvimento grupal, na responsabilização social através do voluntariado,
e consequentemente, da cidadania ativa através do exercício dum um diálogo
estruturado, intergeracional e intercultural como elo de reforço da coesão
social comunitária. A aludida Resolução sobre a animação juvenil no contexto
europeu aponta para o contributo que a animação poderá assumir no
desenvolvimento da criatividade, da sensibilização sociocultural, do empreendedorismo
e da inovação dos jovens.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
A animação sociocultural e o território educativo
Os territórios educativos enquanto espaços de educação
formal, informal e não formal são lugares de dinâmicas sociais e culturais de
crianças e jovens, são espaços de criação de identidade e de cultura, capazes
de proporcionarem experiências partilhadas. A escola como território
privilegiado da educação formal tem de ser observada como agente de mudança
social e, consequentemente, também cenário de políticas de animação
sociocultural, ou seja, a animação enquanto pedagogia transformadora implícita
aos processos geradores de participação cidadã e de desenvolvimento comunitário
tem que ser potencializada através das dinâmicas educativas.
Neste quadro de realização é pertinente focar o projeto de
enriquecimento curricular «Mercado Quinhentista» dinamizado numa primeira
edição apenas pela comunidade educativa da Escola Básica e Secundária de Machico. Nos
passados dias 07, 08 e 09 de junho, realizou-se a 8ª edição do projeto cuja
temática foi «Machiquo Villa Manuelina», numa organização da Câmara Municipal
de Machico e da Escola Básica e Secundária de Machico. Uma organização que conta com a participação ativa de escolas, organizações educativas e culturais locais e regionais, partilhando dos objetivos e acrescentando valores culturais. À luz da matriz
conceptual da animação sociocultural penso ser correto considerar o «Mercado
Quinhentista» um projeto de animação, porque ele é fortemente envolvente e
redesenhado pela participação comunitária a cada edição.
O projeto de recriação histórica extravasou o território da
educação formal, mas mantêm-se fiel aos objetivos traçados pelos docentes
responsáveis pela paternidade do «Mercado Quinhentista» e a uma metodologia de
pedagogia participativa, de envolvência e coresponsabilidade de todos os atores
que corporizam o projeto. O envolvimento comunitário através da participação
ativa das organizações educativas, culturais e sociais, do comércio local e a
emergência de novas dinâmicas turístico-culturais associadas ao «Mercado
Quinhentista» revelam práticas transformadoras de uma cidadania alheia à vida
cultural, com o emergir de uma pedagogia da participação cidadã voluntária, da
promoção da cultura e da história, como ativos culturais decisivos para o
alavancar da economia local mediadas por processos educativos nos contextos da
educação formal e da não formal.
Este é um exemplo da necessária e urgente complementaridade
de políticas de animação sociocultural que precisam de germinar nos territórios
educativos. É preciso construir uma cidadania ativa alicerçada na democracia da
cultura e da responsabilidade socioeducativa partilhada por todos os atores
sociais. Envolver é um verbo de ação, e deverá sê-lo na construção de políticas
educativas e culturais, numa relação de proximidade e de compromisso. A
animação sociocultural enquanto pedagogia participativa e transformadora
através da ação humanizadora de homens e mulheres conscientes do seu papel
cidadão só será efetiva, dinâmica e construtora de um tecido socialmente
equilibrado, se houver processos mobilizadores da participação de crianças e jovens
em projetos que garantam equidade no acesso à cultura e à educação.
A escola de hoje tem que proporcionar experiências de
cidadania cultural, de transmissão de valores democráticos e de construção de
um diálogo estruturado. A animação sociocultural e a educação deverão ser o
suporte de políticas sustentáveis que visem o desenvolvimento comunitário pela
participação de todos os atores sociais. É necessário reforçar o diálogo e a
cooperação entre a escola e a comunidade envolvente, uma dinâmica que não pode
ser entendida como perda da autonomia, mas como a dinamização do território
educativo não formal. Este é um espaço privilegiado para a pedagogia dos
valores e da cidadania.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Colóquio «Animação Sociocultural com População Sem-abrigo: Contextos e Práticas»
A Associação Integrar promove nos dias 29 e 30 de maio de 2013, na Casa da Cultura de Coimbra, o III Colóquio subordinado ao tema «Animação Sociocultural com população Sem-abrigo: Contextos e Práticas» e workshops.
O colóquio pretende ser a plataforma
de discussão relativa à contextualização da animação, ao enquadramento da
problemática e à apresentação de projetos desenvolvidos em diferentes zonas
geográficas do país, que através da animação promovem a inclusão de grupos
desfavorecidos. Os painéis sobre os quais estará centrada a dinâmica do
colóquio serão a «A Animação Sociocultural», «Animação e Situação de
Sem-abrigo», «Animação Sociocultural naInclusão de Grupos Desfavorecidos» e
«Boas Práticas: Projectos Promotores de Inclusão».
Os workshops
que serão dinamizados no âmbito do colóquio são: «Experienciar o Real: Jogos de
Interacção», «Expressões Artísticas», «Projecto de Integração Cultural» e
«Estratégias de Planeamento e desenvolvimento de Iniciativas de Animação com
Pessoas em Situação de Sem-abrigo». Para mais informação consulte a página oficial da Associação Integrar.
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