O primeiro blog de animação sociocultural na Região Autónoma da Madeira
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Os projectos culturais: que modelo(s) de financiamento? Que modelo de profissionais para a cultura?
Esta realidade inflige um duro golpe nos projectos culturais associativos, provocando uma paralisia no acto da criação cultural, da promoção da cidadania cultural, da continuidade da intervenção cívica, contributo privilegiado para a descentralização e democracia culturais, e consequentemente, de um projecto global - a educação para a cultura - ideia multidisciplinar que não se encerra com o trabalho desenvolvido na escola.
As novas realidades sociais, económicas e culturais sobejamente conhecidas, que não serão fáceis de driblar, apontam para duas saídas possíveis:
1ª - Os agentes culturais têm que recorrer a programas comunitários no domínio da cultura, um desafio que tem que acontecer através do estabelecimento de parcerias público-privadas com as entidades culturais ou através de um trabalho em rede entre as associações culturais.
2ª - As autarquias não podem demitir-se das suas obrigações em matéria de cultura, ou seja, têm que rever prioridades no apoio ao movimento associativo cultural, nomeadamente, apoiando projectos, e não, facilitando apoios anuais que em alguns casos não são justificados pelas entidades apoiadas. Este facto, não anula o papel do Poder Local na concretização de projectos socioculturais de relevo municipal e na continuidade ou definição de uma política cultural sustentada na matriz da Animação Sociocultural.
No passado mês de Outubro, realizou-se o I Fórum da Cultura na Madeira, cujas conclusões encontram-se no portal culturede. Da leitura das conclusões quero salientar algumas das ideias vincadas no documento: programação cultural e profissionalização dos programadores e dos agentes culturais. Estas duas ideias centrais merecem uma discussão e reflexão que não pode ser adiada e remete-nos para a figura e o papel do Animador Sociocultural.
Tenho defendido neste espaço de intervenção e em outros escritos, a imperatibilidade dos Animadores Socioculturais possuirem uma bagagem de conhecimentos e competências de acordo com as múltiplas realidades sociais e culturais, quer isto dizer, que é fundamental que os Animadores tenham conhecimentos de programação e gestão culturais, certamente uma resposta ao nível de projectos e dos equipamentos culturais. Se hoje a Madeira reclama a profissionalização dos agentes culturais, as instituições de Ensino Superior têm o dever público de responder positivamente a esta realidade. As competências instrumentais que reclamamos para os Animadores é sugerido no documento "Implementação do Processo de Bolonha a nível nacional. Grupos por Área de Conhecimento PSICOLOGIA e CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO".
Por outro lado, é fulcral que as dinâmicas socioculturais que vão acontecendo no território não sejam entendidas pelas Instituições do Poder Regional e Poder Local como acções de simples programação e gestão culturais. Os animadores são uma mais valia ao nível dos recursos humanos para a concretização da ideia de profissionalização dos agentes culturais, e certamente, será um nicho de empregabilidade à micro escala. Esta é uma realidade a explorar no contexto insular. Os Animadores têm que se aventurar na descoberta criativa de novos caminhos para a empregabilidade.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Notas sobre o II Encontro Regional de Animação Sociocultural
A Delegação Regional da Madeira da APDASC, estutura associativa responsável pelo projecto, foi categórica na planificação do ERASC, quando assumiu através do programa proposto a universalidade do debate sobre a Animação Sociocultural. Estamos convictos de que é importante continuar com este modelo de iniciativa no território insular; procurando sempre adaptar as metodologias de trabalho e os temas à realidade regional. É fundamental implusionar uma dinâmica activa de intervenção, de debate e reflexão com os intervenientes nos painéis em discussão.
A nomenclatura "Encontro Regional" não pode ser sinónimo de "regionalismo", pelo contrário, tem que continuar a privilegiar a abertura à reflexão teórica que acontece no território nacional, comungando com a prática desenvolvida na região, sustentada nas metodologias da Animação Sociocultural e desenvolvida através de projectos socioculturais e educativos em múltiplos contextos sociais.
É importante a abertura do espírito aos novos âmbitos de discussão e intervenção da Animação Sociocultural. Estas iniciativas são espaços de reflexão, de (des)encontro de teorias e práticas socioculturais, de suscitação de inquietudes e de fomento da Animação Sociocultural no espaço geográfico insular. Temos a consciência de que é preciso adaptar metodologias de trabalho, uma posição em favor de uma maior envolvência e participação de todos. Esta ideia não invalida a continuidade da abertura do ERASC à participação de investigadores com mérito no âmbito da Animação Sociocultural, capazes de provocarem novos entendimentos acerca do posicionamento da Animação e dos novos âmbitos de intervenção que estão a ganhar projecção no século XXI.
Encontros do género não são espaços de fabricação de soluções para as diferentes realidades sociais. Eles são um espaço de divulgação de projectos inspirados nas metodologias da Animação Sociocultural, que entendemos que a sua divulgação contribuirá para uma consciencialização pública sobre as questões da Animação. Esta ideia não pode ser desvirtualizada em favor de interesses individuais. Este facto originou a necessidade de planificarmos outros projectos formativos localizados, ou seja, com temas específicos de teor eminentemente prático.
A Delegação Regional da Madeira da APDASC continuará a trabalhar com a mesma determinação para que o III Encontro Regional de Animação Sociocultural seja uma realidade e comungue dos princípios que defendemos.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Breves
Paralelamente à realização do II Congresso Iberoamericano de Animação Sociocultural realizado sob a égide da Rede Ibero-americana de Animação Sociocultural (RIA), foi eleita a nova Junta Directiva da RIA para o biénio 2008/2010 e apresentado os Nodos que estão em funcionamento e/ou em fase de criação, como é o caso do Nodo português. Aqui fica o convite a todos aqueles que queiram associar-se, um acto que é um contributo activo para o fortalecimento da RIA, através dos seus Nodos.
sábado, 1 de novembro de 2008
APDASC promove acção de formação
Esta formação tem como objectivos: estimular para a inovação na programação de actividades artísticas, lúdicas e sociais; desenvolver a capacidade de programar com eficiência e eficácia; incrementar métodos correctos de avaliação de actividades.
A frequência desta acção de formação está sujeita a inscrição, que deverá ser realizada até o dia 24 de Novembro. Os associados da APDASC e/ou da Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (RIA) gozam de um desconto de 50% sobre o valor da inscrição.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
A multiplicidade da oferta de cursos e acções de formação em Animação
Em matéria de ensino técnico-profissional e no que aos cursos de Animação Sociocultural respeita, manifesto com as devidas reservas, a minha posição favorável à sua existência no plano actual, no sentido da uniformização da nomenclatura e do plano de estudos do curso. Certamente, um exercício de uma equipa de trabalho com saldo positivo. Esta posição, não justifica o facto de eu assumir uma postura contrária, quando assistimos a uma proliferação profundamente exagerada do número de escolas que leccionam o curso técnico-profissional de Animador Sociocultural.
Estou em crer que esta realidade continua a ser provocadora de instabilidade socioprofissional entre os Animadores, da qualidade formativa dos futuros agentes da Animação e certamente, da variabilidade do grau de exigência manifestado pelo corpo docente. Mas, não esqueçamos que há escolas que empregam Animadores Socioculturais, graças, aos cursos de Animação.
Volvido algum tempo sobre o debate acerca do Processo de Bolonha, e em matéria de Ensino Superior, parece-me que este sofreu uma "revolução" pacífica. Uma oportunidade perdida para os cursos de Animação. Defendo uma linha de acção "transformadora" para os cursos superiores de Animação; matéria que poderá ser lida em outros escritos. Continuo a assumir a posição inicial, ou seja, a uniformização das nomenclaturas dos cursos de Animação ao nível das licenciaturas (1º Ciclo) e respectivos planos de estudos. Justifico esta posição, pelo facto dos mestrados (2º Ciclo) possibilitarem as tão almejadas especializações no âmbito profissional da Animação.
Um outro ponto que merece reflexão e tomada de consciência são as acções de formação de curta duração que versam sobre a Animação e seus âmbitos. Estas unidades formativas não devem ser percepcionadas como um mal maior; talvez uma resposta menos conseguida e mal enquadrada no contexto de intervenção da Animação. Entendo a sua existência e o recursos dos Animadores à sua frequência, pois, certamente acontece, como um momento de aprendizagem permanente, de aquisição de conhecimentos específicos sobre possíveis âmbitos profissionais.
Esta realidade não é mais do que a crescente procura de acções formativas em Animação e a falta de regulamentação legal que discipline a leccionação destas formações, que no fim da sua frequência habilita o formando para o exercício da prática da Animação Sociocultural. Este facto consolida a necessidade de legislar sobre esta e outras matérias de interesse primordial para os Animadores Socioculturais, com vista, a definir o seu lugar no "pódio" das categorias profissionais.
Novo número da Revista Ibero-americana Animador Sociocultural
Está disponível o novo número da Revista Ibero-americana Animador Sociocultural, correspondente ao ano 3 - número 1 - Out2008/Abr2009.
Destacamos a boa participação portuguesa, com os artigos: " A importância da animação comunitária como modelo e metodologia de intervenção social e comunitária no contexto da educação não formal" Paula Susana da Silva Correia, “Contributos da animação socioeducativa para uma pedagogia de lazer” da autoria de António Fachada e "Realidades e alternativas do tempo livre na Adolescência um estudo sobre a população escolarizada no concelho de Esposende na prespectiva da animação sociocultural" por Sara Margarida de Matos e Cepa.
Este número do periódico oficial da Rede Ibero-americana de Animação Sociocultural presta um tributo a temas transversais à Animação Sociocultural – o lazer, os tempos livres e a educação não formal – ideias e conceitos que têm merecido reflexões e contributos importantes de todo o espaço ibero-americano, especialmente, a temática do lazer, com forte presença desde o Brasil.
A Animação da Democracia (II)
Este modelo de participação cidadã e de animação da democracia nos municípios é certamente um processo comunitário que merece ser mais estimulado pelo poder político, projectando as necessidades, vivências e aspirações dos movimentos sociais de base na vida local.
Hoje há outros instrumentos de animação cidadã para a participação na vida comunitária local, desde uma prespectiva política e não somente, pela via partidária. O Orçamento Participativo é um instrumento democrático de maior representatividade da vontade expressa pela comunidade e com algum poder deliberativo no que concerne ao orçamento municipal.
O Orçamento Participativo interpela o poder governativo municipal para uma acção política em conformidade com o sentido de participação vinculativa das pessoas e de dignificação da própria democracia. Em 2002, o Município de Palmela contribuiu para a história dos municípios portugueses, com a introdução do modelo de Orçamento Participativo, enquanto modelo democrático de participação activa da comunidade local. Outras câmaras municipais e juntas de freguesia portuguesas seguiram-lhe o exemplo, adoptando esta metodologia moderna de animar a democracia, à semelhança de outros países da América Latina, cujo exemplo mais divulgado vem de Porto Alegre, no Brasil.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
A Animação da Democracia (I)
Entendo que o acto de democratizar a democracia não se resume ao simples facto de vivermos numa sociedade pluralista do ponto de vista, das vivências político-partidárias. Democratizar é educar os cidadãos para tomarem parte activa no debate dos verdadeiros problemas que afectam o seu quotidiano. A Animação da democracia concretiza-se em acções de sensibilização dos actores sociais no sentido, de educá-los para se agruparem em movimentos cívicos revindicativos, facultando-lhes instrumentos para uma acção colectiva em prol do bem comum.
Animar a democracia tem que ser um acto quotidiano de cada cidadão, mas, de forma especial, daqueles que têm responsabilidades de gestão da causa pública; um dever moral para com todos os concidadãos que depositaram um voto de confiança na sua acção política.
Creio que a melhor forma de animar a democracia passa pela Animação local, por um trabalho do Poder Local com os cidadãos; um trabalho de envolvimento das pessoas nas tomadas de decisão em matéria que lhes diga directamente respeito, nomeadamente, à vida comunitária. Um compromisso político com o cidadão e com a democracia.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Curso de Formação de Animadores
A formação é composta por oito módulos, num total de 56 horas. O objectivo principal é proporcionar uma formação base para o desempenho da função de animador. Podem inscrever-se todos os interessados com idade igual ou superior a 18 anos e com o 11º ano de escolaridade. Após a conclusão do curso de formação e de acordo com as necessidades em matéria de recursos humanos da APCC, serão seleccionados animadores estagiários para o desempenho de funções nos campos de férias promovidos por esta instituição.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Motor de dinâmicas socioculturais
As zonas rurais da Madeira têm ganho uma dinâmica sociocultural importante na perspectiva da animação das gentes rurais e do território. Esta realidade que começa a ganhar alguma sustentabilidade no território regional, é o resultado da existência dos Centros Cívicos - equipamentos polivalentes, motores de dinâmicas locais e provocadores de novos laços de sociabilidade - nomeadamente, na visão colectiva que os grupos sociais têm da importância social e cultural dos novos equipamentos colectivos.
Hoje, as novas realidades socioculturais locais exigem um outro olhar sobre o território, uma nova abordagem de desenvolvimento e de crescimento sustentado. O desenvolvimento cultural comunitário é responsabilidade de um conjunto de instituições locais; um projecto comunitário facilitador de uma relação de proximidade com a cultura, de construção de novas prespectivas de afirmação da comunidade e de dinamização do território.