sábado, 23 de agosto de 2008

A Animação do Património

Foi tornado público por José do Nascimento, responsável máximo da Direcção Regional da Cultura do Alentejo (DRCALEN), que as ruínas romanas de Miróbriga, no Concelho de Santiago do Cacém serão classificadas como Monumento Nacional, no âmbito da reavaliação dos monumentos do Alentejo. Estas ruínas estavam classificadas desde 1940, como Imóvel de interesse Público.

No que respeita às ruínas romanas de Miróbriga, está em negociação entre a DRCALEN, a autarquia de Santiago do Cacém e a Liga dos Amigos de Miróbriga, a celebração de um protocolo para a gestão conjunta do sítio arqueológico.

O propósito deste post não pretende divulgar a notícia da nova classificação das ruínas de Miróbriga, mas, o facto do anúncio feito pelo Director da DRCALEN, sobre a instalação de gabinetes de actividades socioeducativas, associativismo e voluntariado em todos os monumentos sob a gestão daquela direcção regional, que prefazem um total de 40 monumentos. De acordo com José do Nascimento, estes gabinetes visam o desenvolvimento de um trabalho de Animação Sociocultural com as autarquias e as escolas, estimulando o associativismo e o voluntariado.

E porque, estamos de alguma forma a abordar o tema da Animação do Património, apraz-me referir o Despacho Conjunto n.º 834/2005, dos Ministérios da Educação e da Cultura, cujo despacho originou a aprovação do Programa de Promoção de Projectos Educativos na Área da Cultura.

Este despacho ministerial originou acessas e apaixonadas discussões "momentâneas" sobre a imperatibilidade da figura do Animador Sociocultural, enquanto elemento omisso na legislação, mas, um agente central que deverá estar associado ao desenvolvimento dos projectos, ao abrigo do Programa de Promoção de Projectos Educativos na Área da Cultura.

A este propósito, uma sintética referência ao aludido Programa de Promoção. O Programa enquadra num plano de acção cultural, instituições escolares em articulação directa, assente em parcerias com os espaços culturais – museus, palácios, monumentos, sítios arqueológicos, equipamentos culturais e parques botânicos -, o que resulta das potencialidades educativas que os diversos espaços culturais e os escolares manifestam quando comprovada experiência na área do desenvolvimento de serviços educativos.

Podem ainda ser parceiros nos projectos na área da cultura, as associações de defesa do património, as autarquias locais, entre outras instituições de âmbito local.

Os programas educativos a desenvolver nos espaços da cultura deverão ter como modelos o “Desenvolvimento de projectos educativos direccionados para a cidadania, envolvendo escolas ou a comunidade, nomeadamente acções de sensibilização para a preservação e valorização do património cultural material e imaterial, ao nível local, com possível articulação com outras instituições ou associações.” (Art. 4º, ponto 2)

Face a este novo cenário, apresentado para o património cultural no Alentejo, parece-me fazer algum sentido, retomar a discussão acerca do lugar do Animador Sociocultural no aludido Programa de Promoção de Projectos Educativos na Área da Cultura. Ânimo para a reflexão e discussão com sentido de oportunidade. Temos o tema (actual)... falta a provocação do debate.

sábado, 16 de agosto de 2008

A quem cabe a responsabilidade da dinamização dos Espaços Culturais?

A dinamização dos espaços socioculturais continua a ser uma responsabilidade exclusiva das autarquias. Este é a forma generalizada que a sociedade civil tem sobre os equipamentos culturais, porque muitas autarquias são as responsáveis pela gestão das infra-estruturas e numa primeira linha de acção, pela sua dinamização.

Numa perspectiva de descentralização da acção e de democracia culturais, a Região Autónoma da Madeira está apetrechada ao nível dos equipamentos. As autarquias têm uma responsabilidade acrescida com esta nova realidade, mas, não podemos excluir outras entidades com igual responsabilidade, não ao nível da gestão, mas, enquanto instituições contributivas para a dinamização de projectos e actividades com o intuito de materializar-se a ideia de educação para a cultura. A escola deve ser uma parceira inequívoca das autarquias na definição de uma política de acção cultural, na definição de estratégias de intervenção junto dos colectivos, de educadora para a cultura e para o envolvimento dos cidadãos na vida cultural da comunidade.

As colectividades de cultura também têm responsabilidades em matéria de dinamização sociocultural dos novos equipamentos de proximidade. É fundamental educar as gentes para uma cidadania activa, animá-las a participar na cultura, na construção de um programa efectivo de participação nos projectos de dinamização cultural comunitária.

As autarquias devem cumprir o seu papel em matéria cultural com os actores sociais. Elas devem proporcionar instrumentos de facilitação para a participação da sociedade civil nas políticas de acção cultural e dinamizar processos democráticos de acesso à cultura. Os actores sociais devem responder com dinâmica, criatividade e propor alternativas à massificação cultural, que continua a ser a nota dominante.

A dinamização dos equipamentos socioculturais é responsabilidade dos serviços autárquicos, do grupo escolar, do grupo de jovens do bairro, da colectividade da freguesia e da paróquia. Acredito que se todos procurarem exercer uma cidadania activa no seio da comunidade, então, estaremos a construir práticas de Animação Sociocultural, na óptica de um plano de acção cultural municipal.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Formadores no âmbito da Animação na Região Autónoma da Madeira

O Instituto Regional de Emprego da Região Autónoma da Madeira disponibiliza um grupo de colaboradores no âmbito formativo da Animação - Animador Cultural e Animador Turístico (Tempos Livres e Desporto).

Os colaboradores com habilitações ao nível de 12º ano - Animador Turístico - é a categoria profissional que tem expressividade em alguns concelhos da Região, nomeadamente, em Machico, Calheta, Santana, Funchal e Santa Cruz. É o Concelho de Santa Cruz que ganha em colaboradores/tempo de experiência, quantificado em meses; seguido do Concelho do Funchal. Este último conta com um colaborador com habilitações académicas com o grau de licenciatura.

No que respeita aos colaboradores - Animador Cultural - regista-se uma predominância na relação colaboradores/tempo de experiência, nos Concelhos de Santa Cruz, Machico, Funchal, Porto Santo, Ribeira Brava e Calheta. Nestes concelhos há o registo de colaboradores com habilitações ao nível do 12º ano. Os Concelhos de Machico, Funchal, Câmara de Lobos, Ponta do Sol, Ribeira Brava, Calheta, Santa Cruz e Porto Santo são aqueles que têm colaboradores com formação académica de grau de licenciado. O Concelho da Ribeira Brava regista um colaborador com formação académica de nível de bacharelato/curso médio.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Alguém questionou?

O José Vieira no seu blog Animação Sociocultural & Juventude divulga os números de vagas e os estabelecimentos de Ensino Superior Público que leccionarão os cursos de Animação no ano lectivo 2008/2009.

As nomenclaturas dos cursos de Animação continuam a ser diferentes de um estabelecimento de ensino para outro. Relembro que tivemos a oportunidade de uniformizar tais nomenclaturas com a adaptação dos cursos superiores de Animação ao Processo de Bolonha. Alguém questionou? Algumas pessoas...

As associações de Animadores tiveram a oportunidade de assumir uma posição colectiva e pública relativamente a esta matéria. Assumiram-na publicamente?

Felizmente para algumas instituições do Ensino Superior Público houve um aumento de vagas em 7,8% relativamente ao ano lectivo anterior. Há quase 500 vagas para os cursos Superiores de Animação no Ensino Público. E quantas vagas há no Ensino Superior Privado para o ano lectivo 2008/2009? O somatório final certamente dará um bom número.

O Curso de Animação Cultural e Educação Comunitária leccionado pela Escola Superior de Educação de Santarém em regime diurno, também funcionará em regime pós-laboral; o mesmo acontecerá no Curso de Animação Sociocultural em Lisboa. Alguém questionou o porquê?

Será que o mercado de trabalho empregará centenas de Animadores recém-licenciados anualmente? Quem benefícia com estas medidas? Certamente as instituições de Ensino Superior Público com os dividendos financeiros que esta medida proporciona e com certeza, os recursos humanos afectos à instituição.

E se as Associações de Animadores se pronunciassem sobre estas medidas?

domingo, 20 de julho de 2008

"Faço política para que outros façam cultura"

"Faço política para que outros façam cultura". Esta frase é um excerto da entrevista concedida pelo Ministro da Cultura ao Semanário Expresso, publicada na edição do passado dia, 12 de Julho.

Independentemente de eu partilhar ou não, as linhas de acção escolhidas pelo actual ministro com a tutela da cultura, a frase que serve de título ao post, no nosso entender, ilustra bem, aquele que deverá ser, o lema dos políticos com responsabilidades em matéria cultural, independentemente de situarem a sua acção governativa ao nível ministerial, numa direcção regional ou no quadro autárquico.

Reportarei a minha reflexão ao Poder Local, um território político onde há uma maior relação de proximidade entre os políticos eleitos e a sociedade civil, e consequentemente uma vinculação de poder mais vincada nas relações sociais e institucionais. É certo, que hoje há um conjunto de pessoas com responsabilidades políticas nas autarquias que têm desenvolvido um trabalho meritório no contexto local, na afirmação das especificidades socioculturais do território e na valorização e promoção de uma cidadania activa e participativa nas políticas culturais locais.

Por outro lado, continuamos a ter um grupo de políticos que sustentam as suas acções na retórica, que insistem na política do espectáculo e da música de cabaré; continuam a ignorar a necessidade de gerar processos participativos, de construção de uma política cultural nascida das reais necessidades e demanda da sociedade civil. Uma política alicerçada na Animação Sociocultural; uma acção conducente com uma política de valorização da cultura local e da diversidade cultural. É fundamental uma acção política direccionada para a democracia cultural, um estádio que advogue a participação cidadã, enquanto sinónimo de uma cidadania cultural.

O "fazer" cultura é um desafio às populações, às colectividades de cultura e recreio, à sociedade civil, mas acima de tudo, aos Animadores Socioculturais, que devem estar conscientes do seu papel na comunidade. Eles têm a desempenhar um papel de intervenção, um exercício de mediação, de gestão de recursos socioculturais e comunitários, e nunca de "fazedores" de cultura. Os Animadores devem sim, serem agilizadores de processos que conduzam à mudança social e cultural, à transformação de cidadãos passivos em pessoas empenhadas em contribuir para a afirmação da sociocultura, na dinamização de processos democráticos de afirmação do território cultural num mundo globalizado.

Aos políticos cabe-lhes gerir o território, proporcionar condições favoráveis ao desenvolvimento das comunidades e facultar meios e recursos para que a mudança aconteça, nunca aspirar a "fazer" cultura.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Revista Quaderns d'Animació n.º 8

Está disponível on-line o número 8 da Revista Quaderns d' Animació i Educació Social editada pelo Prof. Doutor Mario Viché.

O presente número apresenta um conjunto de artigos que abordam temáticas diversificadas e complementares no campo da Educação Social e da Animação Sociocultural. O actual número reúne contributos de Portugal, Brasil, Moçambique, Filândia e Espanha.

A Revista Quaderns d' Animació a exemplo do número anterior, disponibiliza informação sobre alguns recursos bibliográficos, espaços de formação e documentação disponível on-line.

http://quadernsanimacio.net/

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Próximos eventos de Animação

Aqui fica o registo dos próximos encontros de Animação Sociocultural agendados para o corrente ano e para 2009.


II Congresso Iberoamericano de Animação Sociocultural - “LOS AGENTES DE LA ANIMACIÓN SOCIOCULTURAL” organizado pela Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural, de 16 a 18 de Outubro de 2008/ Salamanca e Cáceres (Espanha);

II Encontro Regional de Animação Sociocultural - "A ANIMAÇÃO SOCIOCULTURAL E OS GRUPOS SOCIAIS" organizado pela Delegação Regional da Madeira da APDASC, 07 de Novembro de 2008, no Museu de Electricidade - Casa da Luz (Funchal/Madeira);

4º Colóquio Internacional de Animação -
"LA CRÉATIVITÉ EN ANIMATION. ENJEUX ORGANISATIONNELS, COMMUNAUTAIRES ET CITOYENS", organizado pela Université du Québec à Montréal (Canadá), de 28 a 30 de Outubro de 2009;

I Congresso Internacional "A ANIMAÇÃO E AS ARTES NA EDUCAÇÃO", em Vigo - Galiza (Espanha), em 2009.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

A Animação do desenvolvimento local

O desenvolvimento local é um processo de transformação da realidade social, económica, cultural e material das comunidades através de iniciativas de base comunitária, bem como da valorização dos recursos endógenos e humanos em ligação com as populações locais e o território. O "local" é o âmbito territorial mais adequado para o desenvolvimento da comunidade, para o desenvolvimento de projectos de Animação Sociocultural com as gentes.

Falar de desenvolvimento local é construir o futuro com as pessoas, é diagnosticar uma realidade social com a comunidade, sustentar os objectivos da acção comunitária a partir das vontades, expectativas e necessidades da comunidade local.

Desenhar o desenvolvimento local na perspectiva da Animação Sociocultural é construir um processo de Educação Permanente e de Educação de Adultos, pois, a melhor forma de envolver os grupos no seu próprio desenvolvimento é feita pela informação e consciencialização sobre a realidade com recurso à participação comunitária. É desenvolvendo competências pessoais e sociais que os actores locais valorizarão o território e os recursos comunitários endógenos, que serão certamente cidadãos activos numa democracia que desejamos que seja participada.

Os agentes do desenvolvimento - os Animadores Socioculturais - devem assumir a Formação e Educação de Adultos em meios desfavorecidos como um desafio ao desevolvimento local. Outro desafio é a economia social e solidária, agente de desenvolvimento económico e capacitadora de novas indústrias à escala microeconómica, com produção assente nos recursos endógenos e promota de emprego no território local; uma economia de solidariedade que não visa o lucro, mas a pessoa.

Associado à economia solidária está o associativismo local que é gerador de participação, de democracia e voluntariado, pois, os seus dirigentes são voluntários no desenvolvimento dos projectos de cariz associativo. As associações são o espaço propício para que aconteça acções comunitárias de Animação Sociocutural, para que as gentes se envolvam no seu próprio processo de desenvolvimento, para que conquistem a auto-estima desejada e prespectivem o futuro com um outro olhar.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

As Provas de Aptidão Profissional

No cumprimento da legislação dos cursos técnicos leccionados pelas escolas profissionais, os alunos no culminar da sua formação ( nível III), sujeitam-se a uma avaliação interna e externa, através das PAP'S - Provas de Aptidão Profissional - um exercício individual de demonstração das competências adquiridas e desenvolvidas no decorrer da sua formação teórico-prática.

Fui júri das PAP's dos alunos do curso técnico de Animação Sociocultural, tarefa um tanto espinhosa, pois, é de grande responsabilidade num tão curto espaço de tempo, avaliar um conjunto de trabalhos/projectos, na sua maioria meritórios das respectivas avaliações. A apresentação dos projectos que tive o privilégio de assistir, e digo-o de forma sincera, foi para mim, momentos de grande cumplicidade com aqueles futuros Animadores Socioculturais.

Testemunhei a apresentação de projectos de Animação Sociocultural na modalidade cultural, social e educativa. Foi um tempo de revelação de novos pretextos de afirmação do papel do Animador Sociocultural na comunidade, um paradigma defendido inteligentemente, por alguns dos avaliados. Novos âmbitos da Animação Sociocultural no contexto social regional foram abordados de forma incisiva, o que demonstra maturidade na reflexão das questões do exercício da Animação Sociocultural e do papel do Animador em algumas instituições educativas, culturais e sociais (referência às unidades de saúde) da Região.

Felicito os alunos pela maturidade demonstrada, pelo domínio dos argumentos apresentados, pela excelência de alguns projectos, que a serem concretizados serão uma alavanca na mudança social comunitária.

domingo, 22 de junho de 2008

Uma acção colectiva que alimenta a esperança

A algum tempo atrás tive conhecimento da concretização de um projecto da autoria de um grupo de alunos do Curso Técnico de Animador Sociocultural lecionado por uma, das muitas escolas profissionais deste país. Até aqui, nada de novo...

Devo confessar que o renovar da minha esperança, em que os Animadores Socioculturais reflictam e debatam a necessidade da criação do Estatuto do Animador aconteceu com o conhecimento do aludido projecto, um trabalho colectivo realizado no âmbito do módulo Perfil e Estatuto Profissional do Animador, da disciplina de Animação Sociocultural.

Estou em crer que este foi um pequeno passo, para que alguns de nós volte a despertar e a sentir novo folgo no caminhar e na defesa de ideias e projectos para o bem comum. Por outro lado, este trabalho académico que resultou do trabalho colectivo, poderá ser classificado de manta de retalhos, ou até de insignificante, pelos profetas da desgraça. Os discursos começam a esvaziar-se de sentido, é cheagada a hora de concreterizar.

Estamos perante um grupo de futuros Animadores que merecem ser apoiados, que sintam que há uma estrutura associativa que está atenta à realidade sociocprofissional dos Animadores Socioculturais, que toma posições em defesa destes agentes, que estuda alternativas face à realidade social e de mercado que hoje vivemos. Este espiríto de concreterização tem que espalhar-se, contagiar outras centenas de Animadores, provocar consciências, derrubar barreiras que alguns querem fazer crer que são intransponíveis.