terça-feira, 13 de junho de 2017

Receção de artigos | Revista Práticas de Animação 2017

A revista Práticas de Animação tem privilegiado a reflexão sobre o corpus teórico e as práticas de animação sociocultural, numa perspetiva interdisciplinar e de reflexão plural partilhada por animadores, educadores, investigadores e outros atores sociais com experiências e vivências profissionais que permitem se posicionarem no campo teórico-prático da animação sociocultural. 

Os artigos poderão  versar sobre a animação sociocultural, animação socioeducativa, animação turística, o ócio, o lazer e os tempos livres, as políticas culturais, a pedagogia social e a educação sociocomunitária, entre outros domínios de investigação e intervenção privilegiados para a ação dos animadores. 

Neste quadro de realização, convidamos todos os interessados a colaborar no próximo número da revista. para tal poderão enviar os vossos contributos até o próximo mês de setembro de 2017, para o e-mail: revistapraticasdeanimacao@gmail.com

segunda-feira, 27 de março de 2017

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2017

«Eis-nos aqui uma vez mais. Reunidos de novo na Primavera, 55 anos após a nossa reunião inaugural, para comemorar o Dia Mundial do Teatro. Só um dia, 24 horas, é dedicado a celebrar o teatro em todo o mundo. E aqui estamos em Paris, a primeira cidade no mundo a atrair grupos de teatro internacionais para venerar a arte do teatro.

Paris é uma cidade mundial, capaz de conter as tradições do teatro mundial num dia de celebração;  partir da capital francesa podemos transportar-nos para o Japão experimentando os teatros Noh e Bunraku, traçar uma linha desde aqui até pensamentos e expressões tão diversas como a Ópera de Pequim e Kathakali; o palco permite-nos permanecer entre a Grécia e a Escandinávia enquanto nos envolvemos em Ésquilo e Ibsen, Sófocles e Stridberg; permite-nos voar entre a Grã-Bretanha e Itália enquanto reverberamos entre Sarah Kane e Pirandello. Nestas vinte e quatro horas podemos ir de França à Rússia, de Racine e Molière a Tchekov; até podemos cruzar o Atlântico como um raio de inspiração para servir num Campus da Califórnia, atraindo ali um jovem estudante a reinventar-se e a fazer o seu nome no teatro. 

De facto, o teatro tem uma vida ao próspera que desafia o espaço e o tempo; as us peças mais contemporâneas nutrem-se dos sucessos dos séculos passados, e mesmo os reportórios mais clássico se tornam modernos e vitais de cada vez que são novamente representados. O teatro renasce sempre das suas cinzas, alterando somente em novas formas as suas convenções anteriores: é assim que se mantém vivo. 

Obviamente, o Dia Mundial do Teatro não é um dia vulgar a ser integrado no decorrer dos demais dias. Ele permite-nos aceder a um imenso espaço-tempo continuum através da pura majestosidade do cânone global. Para a capacidade de conceptualizar isto, permitam-me que cite um dramaturgo francês, tão brilhante como discreto, Jean Tardieu: ao pensar no espaço Tardieu diz que é sensato perguntar "qual é o caminho mais longo de um lugar a outro?"... Quanto ao tempo, sugere que se meça "em décimas de segundo, o tempo que se demora a pronunciar a palavra "eternidade""... No entanto, para o espaço-tempo, diz: "antes de adormeceres, fixa a tua mente em dois pontos no espaço, e calcula o tempo que leva, num sonho, a ir de um ao outro. É a frase, num sonho, que sempre ficou em mim. Até parece, que Tardieu e Bob Wilson se conheceram. Também podemos resumir a singularidade do Dia Mundial do Teatro citando as palavras de Samuel Beckett, que faz com que a personagem Winnie diga, no seu estidlo expedito: "oh que belo dia teria sido". Ao pensar nesta mensagem, que me sinto honrada por ter sido convidada a escrever, recordei todos os sonhos de todas estas cenas. Como tal, é justo dizer que não vim só a esta sala da UNESCO; todas as personagens que já representei estão aqui comigo, papéis que parecemabandonar-me quando a cortina cai, gravaram uma vida subterrânea dentro de mim, à espera de assistir ou destruir os papéis que se seguem: Freda, Araminte, Orlando, Hedda Gabbler, Medeia, Merteuil, Blanche DuBois... Também complementando-me enquanto estou hoje diante de vós estão as personagens que amei e aplaudi enquanto espectadora. É por isto que pertenço ao mundo. Sou grega, Africana, Síria, Veneziana, Russa, Brasileira, Persa, Romana, Japonesa, Nova-Iorquina, MArselhesa, Filipina, Argentina, Norueguesa, Coreana, Alemã, Austríaca, Inglesa - uma verdadeira cidadã do mundo, em virtude de todo pessoal que existe em mim. Pois é aqui, no palco e no teatro que encontramos a globalização. 

No Dia Mundial do Teatro em 1964, Laurence Olivier anunciou que, depois de mais de um século de luta, tinha sido finalmente criado no Reino Unido um teatro Nacional, que ele desejava transformar imediatamente num teatro internacional, pelos menos em termos de repertório. Ele sabia bem que Shakespeare pertencia ao mundo. 

Enquanto pesquisava para esta mensagem, fiquei feliz por saber que a mensagem inaugural do Dia Mundial do Teatro em 1962, foi confiada a Jean Cocteau, um candidato apropriado devido ao livro de sua autoria "À volta do mundo novamente em 80 dias". Isto fez-me perceber que andei à volta do mundo diferentemente. Fi-lo em 80 espectáculos ou 80 filmes,. Incluo os filmes pois não distinguo entre fazer teatro ou filmes, o que me surpreende mesmo de cada vez que o digo, mas é verdade, é assim que é, não vejo diferença entre os dois. 

Ao falar aqui não sou eu, não sou uma actriz, sou somente uma das muitas pessoas que o teatro usa como uma conduta para existir, e é meu dever sser recetiva a isso - ou, por outras palavras, não fazemos o teatro existir, é antes graças ao teatro que nós existimos. O teatro é muito forte. resiste e sobrevive a tudo, guerras, censura, penúria. 

Basta dizer que "o palco é uma cena vazia de um tempo indeterminado" - tudo o que precisamos é de um actor. Ou  de uma actriz. O que é que eles vão fazer? O que é que eles vão dizer? Eles falam? o público espera, ele sabe, pois sem público não há teatro - nunca esqueçam isto.Uma só pessoa é uma audiência. mas esperemos que não haja muitos lugares vazios! As produções de Lonesco estavam sempre cheias, e ele representa este valor artístico franco e belo tendo, no final de uma das suas peças, uma velha senhora que diz: "Sim, sim, morramos em plena glória. Morramos para entrar na lenda... pelo menos teremos a nossa rua..."

O Dia Mundial do Teatro existe já há 55 anos. Em 55 anos, sou a oitava mulher a ser convidada a pronunciar uma mensagem - se se pode chamar a isto uma "mensagem". Os meus predecessores (como os machos das espécies se impuseram!) falaram sobre o teatro da imaginação, liberdade, e originalidade, para evocarem beleza, multiculturalismo e fizeram perguntas sem resposta. Em 2013, só há quatro anos atrás, Dario Fo disse: "A única solução para a crise reside na esperança de uma grande caça às bruxas contra nós, especialmente contra os jovens que querem aprender a arte do teatro: assim uma nova diáspora de actores emergirá, que sem dúvida desenharão a partir deste constrangimento inimagináveis benefícios encontrando uma nova forma de representação". Inimagináveis benefícios - parece ser uma boa fórmula, valida para incluir em qualquer retórica política, não acham?

Enquanto estou em Paris, pouco antes de uma eleição presidencial, gostaria de sugerir que aqueles que aparentemente anseiam governar-nos devem estar conscientes dos benefícios inimagináveis trazidos pelo teatro. Mas também desejo sublinhar, nada de caça às bruxas!

O Teatro representa para mim o outro no seu diálogo, e é ausência de ódio. "Amizade entre os povos" - não sei muito bem o que isto significa, mas acredito na comunidade, na amizade entre espectadores e actores, a união duradoura entre todos os povos que o teatro une - tradutores, educadores, figurinistas, artistas do palco, académicos, profissionais e audiências. O teatro protege-nos; dá-nos abrigo... Acredito que o teatro nos ama... tanto quanto o amamos...

recordo-me de um antigo encenador com quem trabalhei, que, antes de cada espectáculo gritava, firmemente a plenos pulmões "Dêem espaço ao teatro!" - e estas são, esta noite, as minhas últimas palavras.»

Isabelle Hupert

quinta-feira, 16 de março de 2017

Congresso Internacional Animação Sociocultural: Turismo Rural e Desenvolvimento Comunitário



A Intervenção - Associação para a Promoção e Divulgação Cultural organiza em Ponte da Barca, nos dias 28, 29 e 30 de abril de 2017, o Congresso Internacional Animação Sociocultural: Turismo Rural e Desenvolvimento Comunitário.

Entre  os objetivos do congresso sublinhamos os seguintes:

- Projetar a cultura e o património rural como meio de animação turística;
- promover a ruralidade como meio de animação turística;
- Aprofundar os contributos que a animação sociocultural pode conferir no encontrar de metodologias ativas que leve as pessoas a encontrarem o seu autodesenvolvimento dentro dos seus próprios territórios; 
- Repensar o modelo de formação de técnicos de turismo, animadores socioculturais, incidindo na necessidade de um perfil de profissional que dinamize projetos turísticos assentes na interação humana, valorização do património e o desenvolvimento rural (levar os agentes locais e os turistas a envolverem-se na história, na tradição local e a tornarem-se eles mesmos cartazes de publicidade ao meio);
- Potenciar a animação sociocultural, o turismo, o património e a cultura como geradores de emprego, empreendedorismo, eventos e projetos de dinamização local, regional e nacional.

A metodologia de trabalho no congresso assentará em  painéis, mesas redondas, relatos de experiências e em duas conferências temáticas: a conferência inaugural subordinada ao tema Turismo Rural e Ruralidade - realidades e ficções e a conferência de encerramento com o tema Desenvolvimento rural e intervenção comunitária.

Nos painéis estarão em destaque os seguintes temas: Turismo, Saúde, Ócio, tempo Livre e intervenção terapêutica no Espaço Rural; Turismo paranormal e religiosidade no espaço rural; Animação Sociocultural, turismo e ruralidade, património, intervenção social, cultural, educativa e desenvolvimento local; As Artes e a Cultura como meio de animação turística rural e educação comunitária; animação, gastronomia, tradição e inovação no espaço rural; Turismo rural: Educação e Animação ambiental, criatividade e empreendedorismo. 

No espaço dedicado aos relatos de experiências haverá lugar para Relatos de Projetos e Experiências de Turismo no Espaço Rural a nível nacional e em Ponte da Barca. Na mesa redonda destaque para Os Incentivos e apoios ao turismo e desenvolvimento rural. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Reconhecimento político do papel social das universidades seniores

As universidades seniores não são apenas academias do saber, antes um projeto coletivo de grande alcance social e de intervenção para e com a população sénior, espaços privilegiados para a animação sociocultural. Na verdade, as questões da terceira idade continuam na agenda das políticas públicas e são uma das áreas de intervenção dos atores sociais e culturais (animadores socioculturais, assistentes sociais e educadores sociais, sociólogos, entre outros profissionais).

Há muito que para os animadores socioculturais (pelo menos para muitos deles) as universidades seniores são instituições de grande alcance e de intervenção socioeducativa, social e cultural, espaços de sociabilidade, de participação social e de inclusão dos seniores. A Resolução do Conselho de Ministros n.º76/2016, de 29 de novembro, materializa o reconhecimento político das academias seniores. Segundo a resolução o Conselho de Ministros reconhece «[…] a importância das academias designadas “universidades seniores” como respostas socioeducativas que visam criar dinamizar regularmente actividades nas áreas sociais, culturais, do conhecimento, do saber e de convívio, a partir dos 50 anos de idade, prosseguidas por entidades públicas ou privadas , com ou sem fins lucrativos».

Um olhar metodológico sobre a vida comunitária em concreto nas sociedades urbanas, facilmente se depreende que os grupos sociais mais vulneráveis estão isolados do ponto de vista individual e coletivo. As universidades seniores são uma resposta institucional e social de grande valor para a dignificação e inclusão dos seniores. Estas instituições desempenham um papel estratégico na valorização da cidadania das pessoas mais velhas, no acompanhamento e exercício do envelhecimento ativo. As academias de terceira idade são «escolas» de aprendizagens mútuas, de partilha de saberes, espaços de educação não formal, lugares de aprendizagens ao longo da vida e de inclusão sociocultural.

No plano municipal, as políticas para a terceira idade deverão ser desiderato permanente dos programas políticos sufragados e implementados pelos diferentes executivos. As academias seniores em muitos municípios e freguesias são a única resposta social municipal para um grupo vulnerável. Falta uma política municipal para a terceira idade… Falta incluir as problemáticas sociais da terceira idade na agenda política municipal. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Congresso Internacional Animação Sociocultural, Globalização, Multiculturalidade, Educação Intercultural e Educação Comunitária



A Intervenção - Associação para a Promoção e Divulgação Cultural promove o Congresso Internacional: Animação Sociocultural, Globalização, Multiculturalidade, Educação Intercultural e Educação Comunitária. O evento tem como objetivos:

  •  Fomentar o debate e a reflexão em torno de sinais e inquietudes que se colocam à sociedade de hoje e consequentemente à Animação Sociocultural, à Multiculturalidade e à Educação Intercultural;
  • Valorizar a multiculturalidade e a educação intercultural como marcos de uma vivência plural potenciadora de aprendizagens assentes na partilha, na troca de experiências e de diálogos permanentes entre culturas, saberes, perspetivas, projetos e trajetos nos campos da Animação Sociocultural e Animadores Socioculturais;
  • Potenciar o reforço da educação comunitária e promover o aparecimento de redes e de uma interação comprometida na assunção de um ser protagonista do seu próprio desenvolvimento.

O congresso está estruturado por sessões temáticas. A conferência inaugural será proferida pelo professor doutor Adriano Moreira, que dissertará sobre o tema: Interculturalidade, Cidadania e Participação

No painel I estará em debate a Gerontologia Comunitária, educação intercultural e intergeracional; no painel II discutir-se-á a Educação Intercultural, Multiculturalidade, Globalização e Movimentos Sociais e no painel III a Animação Sociocultural, participação, cidadania, multiculturalidade e educação Intercultural

Animação Sociocultural, Associativismo, Voluntariado, Educação Intercultural e Intervenção Comunitária é o tema do painel IV, enquanto no painel V estará em destaque As artes, multiculturalidade e Educação Intercultural. No painel VI, O Local e o Global: desafios para as sociedades multiculturais é o tema de eleição. No painel VII estará em enfoque as Experiências de Intervenção Artística na área intercultural.

O Painel VIII será centrado no tema: A Animação Artística, multiculturalidade e educação comunitária e o painel IX na Multiculturalidade, Educação Intercultural, Turismo, Ócio e Tempo Livre. 

A conferência de encerramento subordinada ao tema Educação Intercultural - Realidades e Perspetivas será proferida pelo professor doutor António Sampaio da Nóvoa.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Receção de artigos para a revista Práticas de Animação

A revista Práticas de Animação é um projeto editorial que tem privilegiado a reflexão sobre o corpus teórico e as práticas de animação sociocultural, numa perspetiva interdisciplinar e de reflexão plural partilhada por animadores, investigadores e outros atores sociais com experiências e vivências profissionais que permitem posicionarem-se no campo teórico-prático da animação sociocultural.

É nosso desiderato reunir um conjunto diversificado de contributos que aclarem sobre as dinâmicas da animação sociocultural e sejam achegas para a reflexão nos múltiplos contextos de intervenção.

Os artigos poderão versar sobre a animação sociocultural, animação socioeducativa, animação turística, o ócio, o lazer e os tempos livres, as políticas culturais, a pedagogia social e a educação sociocomunitária entre outros domínios de investigação e intervenção priviligiados para a ação dos animadores.

A revista integra o projeto de animação digital «AD» com a Quaderns d’ Animació i Educació Social e a revista internacional Animación, territórios y prácticas socioculturales.

Neste quadro de realização está aberta a participação a todos os interessados em colaborar no próximo número da revista. Para tal poderão enviar os respetivos contributos até o próximo ao fim do mês de setembro de 2016, para o e-mail: revistapraticasdeanimacao@gmail.com 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O que faz falta

O que faz falta é animar a cidadania. Vivemos tempos sombrios onde não há espaço para a democracia participativa, um tempo de desresponsabilização face às grandes linhas estratégicas de ação coletiva. Falta uma pedagogia da militância política não partidária e democrática. É chocante a falta de (des)envolvimento dos sujeitos nas questões coletivas de interesse comum à vida comunitária.

O que faz falta é desenvolver uma pedagogia de e para a cultura com todos. O poder político no exercício das funções que lhe são confiadas, não pode ignorar a história social e cultural da comunidade. É preciso conhecer, dignificar e partilhar um passado comum para desenhar um programa político no quadro da realização da cultura.

A ação cultural é um processo contínuo de valorização dos saberes-fazeres dos sujeitos, de enobrecimento das identidades e da cultura. O que faz falta é exercitar quotidianamente uma pedagogia para a cultura, fomentar a cidadania cultural dos sujeitos, potenciar as organizações de base para que contribuam ativamente para o desenho de uma política cultural de continuidade e não ações avulsas, capricho de um ou outro político.

O que faz falta é a solidariedade humana em tempos de incertezas sociais, culturais e económicas. É urgente educar para uma cultura de paz, de solidariedade humana, fomentar o sentido do bem comum. Faz falta, cada um ser cidadão comprometidos com os seus grupos de pertença, com a comunidade que contribuiu para a afirmação da sua identidade e comummente dos valores socioculturais.

O que faz falta é educar os homens e as mulheres do futuro. A cidadania começa na escola mas não se esgota dentro dos seus muros. A educação não pode ser, apenas, a transmissão unilateral de conhecimento, antes, e cada vez mais, deverá caracterizar-se por ser um processo de aprendizagens não formais e informais, onde os jovens sejam o centro das dinâmicas educativas. É desejável um processo educativo profusamente ligado à comunidade. 

domingo, 27 de março de 2016

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2016

Dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro


«Será que precisamos de teatro?

Esta é a questão que milhares de profissionais dececionados com o teatro, e que milhões de outras pessoas que estão cansados dele, perguntam a si próprios.

Para que é que precisamos dele?

Nos anos em que a cena é tão insignificante quando comparada com os bairros das cidades e capitais do mundo, onde estão em cena as autênticas tragédias da vida real.

O que é para nós?

Galerias e balcões dourados em salas de espectáculo, braços de cadeiras aveludadas, bastidores sujos, vozes de actores bem polidas, ou vice-versa, algo que pode ser aparentemente diferente: caixas negras, manchadas com lama e sangue, com um amontoado de corpos nus dentro.

O que é capaz de nos dizer?

Tudo!

O Teatro pode dizer-nos tudo.

Como os deuses habitam nos céus, e como os prisioneiros definham em caves subterrâneas esquecidas, e como as paixões nos podem elevar, e como o amor nos pode abater, e como ninguém precisa de uma boa pessoa neste mundo, e como a mentira reina, e como as pessoas vivem em apartamentos, enquanto crianças murcham em campos de refugiados, e como todos eles terão que voltar ao deserto, e como, dia após dia, somos forçados a nos separar dos nossos entes queridos, - o teatro pode dizer-nos tudo.

O teatro tem sido, e manter-se-á eterno.

E agora, nestes últimos cinquenta ou setenta anos, é particularmente necessário. Porque se observamos como está a arte popular, vemos imediatamente aquilo que apenas o teatro nos está a dar - uma palavra de boca a boca, um olhar de olho a olho, um gesto de mão a mão, e de corpo a corpo. Não precisa de intermediários para trabalhar junto dos seres humanos, -constitui a parte mais transparente da luz, não pertence ao sul, ao norte, este ou oeste, - oh não, é a própria essência da luz, a brilhar nos quatro cantos do mundo, imediatamente reconhecido por qualquer pessoa, quer seja hostil ou amigável para com ele.

E nós precisamos de teatro que permanece sempre diferente, nós precisamos de teatro de diferentes géneros.

Mesmo assim, penso que de todas as possíveis formas e contornos do teatro, são as suas formas mas arcaicas que terão atualmente uma maior procura. O teatro de formas rituais não se deve opor artificialmente ao das nações ditas “civilizadas”. A cultura secular está cada vez mais emasculada, a chamada “cultura informativa” gradualmente substitui e faz desaparecer entidades simples, bem como a nossa esperança de as encontrar um dia.

Mas eu agora vejo-o claramente: o teatro está a escancarar as suas portas. Admissão livre para todos.

Para o inferno com os aparelhos e computadores – vão simplesmente ao teatro, ocupem filas inteiras nas plateias e nas galerias, ouçam o mundo e vejam as imagens vivas! – é o teatro na vossa frente, não o negligenciem e não percam uma oportunidade de participarem nele – talvez seja a oportunidade mais preciosa que partilhamos nas nossas vidas apressadas e egocêntricas.

Precisamos de todos os géneros de teatro.

Existe apenas um teatro que seguramente não é necessário para ninguém – refiro-me ao teatro do jogo político, o teatro das “armadilhas” políticas, o teatro dos políticos, o fútil teatro da política. O que nós seguramente não precisamos é do teatro do terror diário – quer seja individual ou colectivo, o que nós não precisamos é do teatro dos corpos e do sangue nas ruas e praças, nas capitais e nas províncias, o teatro falso das batalhas entre religiões e grupos étnicos…»

 Anatoli Vassiliev

Tradução do Russo para Inglês: Natalia Isaeva
Tradução para Português: Bruno Daniel Gomes, com revisão de Fernando Rodrigues (FPTA - Federação Portuguesa de Teatro)

terça-feira, 8 de março de 2016

ANIMA 2016 - Encontro Internacional de Animação Sociocultural


«Novas oportunidades de emprego e inclusão para jovens de risco» é o tema do ANIMA 2016 – Encontro Internacional de Animação Sociocultural que se realizará entre os dias 15 de março e 01 de abril, disseminado em dezenas de eventos de animação sociocultural e educativa que terão lugar nas cidades de Coimbra, Famalicão, Póvoa de Lanhoso e Praia (Cabo Verde), com representantes de 7 países.

No ANIMA há a destacar a conferência internacional «Empregabilidade Juvenil e Acesso ao Ensino Superior», o espetáculo «Há dias em que tudo muda...», as jornadas de trabalho em Cabo Verde e a Semana de Campo.


O formato metodológico das conferências será de estudo de caso, com a participação dos protagonistas, seja através do espetáculo incluídos nas conferências, seja através do seu testemunho real. De acordo com a organização Serão os jovens, agentes educativos os protagonistas de todos os momentos de debate, intervenção e espetáculo, estando reservado para os especialistas o papel de avaliadores e comentadores. 

Os workshop's serão eminentemente práticos e com demonstração real. O Encontro está integrado no Programa Erasmus + da União Europeia.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Carta aberta em defesa dos profissionais da animação sociocultural

A CERCA DE LA INCOMPRENDIDA Y MALTRATADA PROFESIÓN DE LA ANIMACIÓN SOCIOCULTURAL

El perfil profesional del animador sociocultural últimamente se ha visto catapultado a la palestra mediática, gracias a la repercusión que han tenido las declaraciones realizadas por el ex-presidente de la intervenida Caja Castilla-La Mancha, (CCM) ante el juez que lleva la causa contra él y otros directivos de la misma por administración desleal y falseamiento de cuentas entre otros delitos imputados.

En dichas declaraciones identificaba (no sólo comparaba) su función en la CCM con la de un animador sociocultural,  para tratar de justificar su ignorancia sobre las cuentas de la Entidad y su incompetencia en materia ejecutiva,  exculpándose de este modo de sus responsabilidades presidenciales y delitos que se le imputan. Con ello,  el Sr. Hernández Moltó no sé si demostrará su ignorancia ante el juez en materia bancaria, pero lo que sí demuestra es su ignorancia (quiero pensar que no maledicencia) sobre lo que es un animador sociocultural.

No obstante y pese a la desafortunada ocurrencia, tanto dicho símil como su autor  parece que “han hecho fortuna” con este ejercicio (real o simulado) de intrusismo profesional,  habiendo encontrado estas manifestaciones  amplio eco e ingeniosa glosa por parte de comentaristas y periodistas en diferentes medios,  entre los que sobresale el artículo de opinión de Jesús Mota, aparecido en El País el pasado 4 de febrero,  texto en el que se llega a asociar la profesión del animador sociocultural con la de showman y presentador de TV.

Hemos de reconocer que el perfil  de los animadores socioculturales aún no es suficientemente conocido entre el público en general y su polivalencia tanto conceptual como profesional  se presta a posibles confusiones con otras figuras de la animación que no llevan el apellido sociocultural. Pero precisamente por ello,  en nada contribuyen a su clarificación y dignificación,  la amplificación mediática y glosa periodística de comentarios como los aludidos.

Por todo ello y con el fin de contrarrestar esta ceremonia de la confusión derivada de la ignorancia (quiero pensar que no de la maledicencia) sobre las auténticas funciones de los animadores socioculturales,  desde la Red Iberoamericana de Animación Sociocultural que tengo el honor de presidir queremos manifestar nuestro malestar por esta situación y hacer algunas aclaraciones al respecto:

1. La animación sociocultural es una disciplina y una profesión oficialmente reconocidas en sus diferentes modalidades y niveles formativos y académicos, que tiene por misión principal la de educar en la participación implicando a sus destinatarios en el disfrute y desarrollo de proyectos y actividades socioculturales de su interés para mejorar su calidad de vida y la de su entorno.

2. Los animadores y las animadoras socioculturales, por tanto, son profesionales cualificados cuyo trabajo ha de estar acreditado por una titulación oficial profesional o académica que habilita para el ejercicio de su profesión dentro del sector de los Servicios Socioculturales y a la Comunidad o de la Educación Social respectivamente.

3. En razón de lo anterior, pueden existir (y de hecho existen) animadores socioculturales trabajando en entidades bancarias, especialmente dentro de sus Fundaciones y Obras Socioculturales, en cuanto gestores  y dinamizadores de los proyectos socioculturales que éstas ofertan. Pero ciertamente ni con el sueldo,  ni con las competencias y responsabilidades que ha de tener un presidente o directivo de entidad bancaria.

4. La Animación Sociocultural es una didáctica de la participación y educa en valores a través del ocio,  del juego y de las actividades sociales y culturales,  para empoderar a las personas de manera que puedan ser ciudadanos activos y responsables en una sociedad democrática. Una profesión que de fomentarse y valorarse  más de lo que se fomenta y valora por los poderes  políticos,  públicos y mediáticos, posiblemente evitaría situaciones y personajes como los que acabamos de aludir.

Víctor J. Ventosa Pérez
Presidente da Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (RIA)