sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Revista Práticas de Animação

Está online a revista Práticas de Animação, número 8. O número atual conta com uma diversidade de contributos, de investigadores, docentes e animadores socioculturais, de Portugal, Espanha e América Latina. 

A revista afirma-se como um projeto editorial no quadro teórico da reflexão e da investigação no campo da animação sociocultural, educação social, lazer, ócio e do trabalho comunitário. O número agora publicado é a expressão materializada da participação de diferentes atores sociais que, a partir das suas práticas profissionais e de investigação contribuem para a clarificação, sedimentação e fortalecimento de uma rede de conhecimentos sobre diferentes metodologias e práticas de ação sociocultural com as comunidades.

Foi firmado com o prof. doutor Mario Viché, editor da revista Quaderns d' Animació i Educació Social o projeto de intercâmbio editorial «Animação Digital» desde o número anterior da Práticas de Animação. Este é um propósito forte na afirmação das publicações periódicas digitais no âmbito da animação sociocultural e da educação social. 

domingo, 10 de janeiro de 2016

A profissão do técnico de juventude

Na sequência das conclusões das II Jornadas de Educação Não Formal «Instrumentos de Validação de Competências Adquiridas em Contextos de ENF e Youth Work» realizadas a 10 de dezembro de 2014, sob a égide do Conselho Nacional de Juventude, conclusões essas, que dedicamos alguma atenção na escrita dos posts «As conclusões das II Jornadas de Educação Não Formal» e «A figura profissional do animador de juventude», sobretudo, pelo discurso incisivo do grupo de trabalho na defesa urgente do reconhecimento social e político do conceito de youth work, do enquadramento legal da figura do youth worker (animador de juventude), do estatuto profissional, da formação, do perfil e do código de ética.

A discussão sobre a emergência social da figura profissional do animador de juventude teve um efeito político instantâneo, com a aprovação da Resolução da Assembleia da República n.º 2/2015, que recomenda ao Governo a regulamentação da criação da profissão do animador de juventude «… em harmonia com a condição do “youth worker”, incluindo tal profissão no Catálogo Nacional das Profissões, …».

Em abono da verdade, importa referir que tal iniciativa legislativa adveio do Projeto de Resolução n.º 1171/XII/4.ª datado de 04 de dezembro de 2014, subscrito por um grupo de deputados, do grupo parlamentar do partido da maioria do XIX Governo Constitucional. A integração da profissão de técnico de juventude, à qual, corresponde um nível 4 de qualificação no Catálogo Nacional de Qualificações, foi publicada no Boletim do Trabalho e Emprego, n.º 45, de 8 de dezembro de 2015. 

Conforme a descrição geral do perfil profissional, ao técnico de juventude compete intervir na conceção, organização, desenvolvimento e avaliação de projetos, programas e atividades com e para jovens, através das metodologias do domínio da educação não formal, facilitando e promovendo a cidadania, a participação, a autonomia, a inclusão e o desenvolvimento pessoal, social e cultural. 

A criação da profissão do técnico de juventude e o perfil de competências adstritas à profissão suscitam questões que continuam a nos inquietar enquanto animadores socioculturais. Na verdade, criou-se uma profissão para a qual, entendemos haver uma figura profissional que se encaixa no perfil desenhado: o técnico de animação sociocultural. Esta é a a subversão de uma realidade social e política existente no nosso país, face à qual, os animadores socioculturais estão em desvantagem política. 

Importa alertar para o facto de que, as competências atribuídas ao perfil profissional do técnico de juventude conjugam-se com as competências do perfil do animador sociocultural. 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Recomendações sobre a participação dos cidadãos na vida cultural (II)

O Conselho Nacional de Educação com a Recomendação sobre Educação Artística contribui, a nosso ver, de forma incisiva para a consciencialização política e cívica, com maior determinação no campo cívico, da necessária articulação das políticas culturais com as políticas educativas e vice-versa, no domínio da educação artística como pilar do desenvolvimento humano individual e do grupo na suas dimensões social, educativa e cultural.

Na recomendação, o Conselho elege o conceito de educação artística para destacar a visão global que integre as aprendizagens das diferentes linguagens artísticas (artes plásticas, música, dança, teatro, cinema e artes digitais), numa perspetiva valorizadora da criatividade, da comunicação e do conhecimento dos patrimónios histórico, artístico e contemporâneo. O Conselho Nacional de Educação reforça o reconhecimento da importância da educação artística para o desenvolvimento humano, proporcionando a todos uma cultura artística, a fruição das manifestações artísticas e a expressão da criatividade; a promoção de uma dinâmica evolutiva que ultrapasse as dicotomias «conhecer» versus «fazer» e «apreciar» versus «criar», sem perder a noção da importância dos seus polos como dimensões importantes a fomentar numa interacção que as contemple e promova.

Na Recomendação sobre Educação Artística, o Conselho sugere a integração de componentes de educação artística de forma articulada nos projetos municipais de educação, bem como, nos projetos educativos das escolas; o reforço da utilização dos recursos culturais e artísticos, incentivando-se as parcerias e outras formas de colaboração entre os agentes artísticos, as organizações locais e nacionais capazes de contribuir para a formação artística; ofertas de formação e actividades extra-escolares. Por fim, e não menos importante está a recomendação que sintetiza o que subscrevemos em sentido global: «Que, ao nível das políticas públicas, os sectores da Educação e da Cultura articulem programas e recursos particularmente vocacionados para a educação artística».

A participação cidadã na vida cultural das comunidades também se materializa pela promoção das artes e na espectável articulação com os processos de mediação artística. A participação dos cidadãos é um processo de aprendizagem permanentemente evolutivo, mas que deverá ser orientado e experienciado através de um conjunto de recursos comunitários. O trabalho de mediação artística não é exclusivo de um grupo de artistas é antes, uma responsabilidade partilhada por todos os agentes da cultura, da educação e do social, comprometidos com o desenvolvimento comunitário. É nesta família que se integra os animadores socioculturais.

domingo, 29 de novembro de 2015

Recomendações sobre a participação dos cidadãos na vida cultural (I)

O debate e consequentemente as recomendações sobre a participação individual e coletiva dos cidadãos na vida cultural da comunidade são matérias reunidas num conjunto de diretrizes emanadas, em particular, pela UNESCO e, numa perspetiva global de educação para a cultura,  pelo Conselho Nacional da Educação.

É nosso entendimento que as recomendações propostas têm uma alcance temporal infinito, são de leitura transversal a vários âmbitos de intervenção e documentos úteis para um conjunto de agentes que intervém no território sociocultural, mas, de forma peculiar, o seu conhecimento poderá ser útil e de importância acrescida no debate sobre os campos de intervenção da animação sociocultural e na compreensão difusa sobre o trabalho dos animadores socioculturais.

A UNESCO na recomendação relativa à participação e ao contributo das massas populares na vida cultural (1976), recorda o artigo 27º da Declaração Universal dos Direitos do Homem: «Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam».

Aquele organismo considera a cultura como forma integrante da vida social, que pela sua própria natureza é um fenómeno social, resultado da criação comum dos homens e da ação exercida uns sobre os outros. Acrescenta que, o acesso à cultura e a participação na vida cultural são dimensões complementarias de uma mesma realidade e sublinha que sem participação, o simples aceso à cultura está muito aquém dos objetivos do desenvolvimento cultural. Para a UNESCO a participação na vida cultural é a possibilidade efetiva e real do indivíduo ou do coletivo de expressar-se, comunicar, atuar e criar com o objetivo de assegurar o seu próprio desenvolvimento, uma vida harmoniosa e o progresso cultural da sociedade.

A recomendação ressalva que a participação na vida cultural é mediada na associação dos diferentes setores sociais ao nível da tomada de decisões, na sua execução e na avaliação das atividades. Para tal e entre as várias políticas setoriais, destaque para uma política de educação permanente que perspetive as melhorias qualitativas dos indivíduos em matéria de educação cultural e de formação artística, com o intuito de serem capazes de dominarem melhor as mudanças sociais e participarem no todo da vida comunitária.

Em matéria de medidas no quadro da ação cultural é de todo pertinente, salientar em matéria de animação sociocultural vincada na recomendação relativa à participação e ao contributo das massas populares na vida cultural proposta aos Estados-membros, no sentido de estes contribuirem para a formação de agentes de ação cultural, em particular, de animadores com o objetivo de difundirem a informação, a comunicação e a expressão, colocando em relação entre si os homens e organizando a mediação entre o público, as obras, os criadores e as instituições culturais.

Ainda neste quadro setorial, uma outra medida proposta é ao nível da faculdade de meios de intervenção que facilitem o apoio aos animadores espontâneos locais; o estimular as iniciativas e a participação levando à prática os processos de aprendizagem para essa ação. Outra recomendação passa pelo fomentar a utilização de instrumentos de comunicação e expressão que tenham valor pedagógico e potencial criador, proporcionando esses meios aos centros de animação e culturais.

No âmbito educativo é recomendado e sublinhamos, a relação sistemática do projeto cultural com o projeto educativo na perspetiva da educação permanente, envolvendo um conjunto de atores sociais; assegurar o acesso dos indivíduos ao saber, para tal, deverá ser tido em conta, a necessidade de criar condições sociais e económicas que garantam a participação na vida comunitária; e desenvolver sistematicamente os programas de educação cultural e de formação artística.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A educação para a cultura: o papel da animação sociocultural

A educação para a cultura deverá acentar nas premissas da educação comunitária e da animação sociocultural.

A educação comunitária é um processo educativo permanente que, segundo Moacir Carneiro (1987), deriva de uma clara opção política, cujo objetivo é a organização comunitária  da vida associativa como processo de aprendizagem, de pedagogia do quotidiano visando a transformação social, os processos de mudança individual e coletiva pela educação não formal.

A primeira etapa da educação comunitária é a formação de uma consciência política no indivíduo e na comunidade. A educação comunitária é a educação para a comunidade, pela comunidade e com a comunidade. Esta trilogia do processo aplicada à educação comunitária, também o é, na animação sociocultural, ou seja, acenta na premissa de envolver para desenvolver nos indivíduos e nos grupos uma consciência cidadã crítica e transformadora. As associações locais são agentes privilegiados da educação comunitária.

Consideramos que o social fundamenta-se no capital humano. É na cultura enquanto matriz identitária individual e coletiva dos grupos e comunidades que os indivíduos projetam as suas histórias de vida, alicerçam as suas ações coletivas e constroem plataformas de participação ativa na vida comunitária. O educativo é a alavanca de processos informais não formais não formal de aprendizagens em múltiplos contextos comunitários.

Estamos crentes na necessária formação dos públicos para a cultura, em especial, para as artes. A familiaridade do animador sociocultural com as expressões e as práticas artísticas contribuirá para uma maior e real aproximação e formação de públicos. Os projetos de educação artística fundamentados nas metodologias da animação sociocultural deverão estar orientados para um processo de pedagogia cultural, para a literacia artística criando espaços de contextualização, de envolvimento, de descoberta, de experimentação e de participação dos sujeitos no processo e, não somente, um papel de fruição e de consumo culturais.

A proximidade do animador sociocultural com as expressões artísticas, quer pela sua formação inicial e contínua, quer pelas suas práticas através do trabalho desenvolvido com as comunidades e numa lógica de relação com os demais agentes (artísticos, educativos e outros agregados ao campo das artes) poderá ser um sério contributo para a formação dos públicos.

O animador sociocultural deve legitimamente contribuir de forma autónoma e pedagógica para a fruição cultural dos cidadãos, com recurso as mais variadas manifestações artísticas e culturais com ligação à comunidade. Os animadores socioculturais desempenham um papel de relevo na formação cultural comunitária com recurso aos processos de mediação e literacia artísticas através das aprendizagens não formais enquanto dinâmicas de inclusão social e cultural.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Congresso Internacional «O Animador Sociocultural no Século XXI»


A Intervenção - Associação para a Promoção e Divulgação Cultural organiza o Congresso Internacional « O Animador Sociocultural no Século XXI - perfil, funções, âmbitos, metodologias, modelos de formação e projetos de intervenção», na cidade de Barcelos, nos dias 6, 7 e 8 de novembro de 2015.

Os trabalhos do congresso repartir-se-ão por painéis, mesas redondas e relatos de experiências de animadores socioculturais.

Os painéis são os seguintes: A Formação de Animadores em Portugal e na Europa; Animadores Socioculturais e âmbitos de Intervenção; Perfil, Ética e Deontologia Profissional dos Animadores Socioculturais; Animadores Socioculturais: Emprego/ Trabalho/ Empreendedorismo; Metodologias e projetos de Intervenção do Animador Sociocultural e da Animação Sociocultural; A identidade do Animador Sociocultural face aos outros trabalhadores sociais, culturais e educativos; O Animador Sociocultural realidades e perspetivas futuras e Relatos de Experiências de Animadores Socioculturais. Os temas das mesas redondas são: O Animador Sociocultural no Século XX e Século XXI, As Diferentes Propostas de Estatuto de Animador Sociocultural em Portugal: pequenas intervenções sobre as propostas de estatutos dos anos 70, 80, 90 e século XXI.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Rede colaborativa «Animação Digital»



A rede «Animação Digital» é um projeto colaborativo de otimização e intercâmbio entre  revistas digitais no campo da animação sociocultural e, neste momento, congrega três revistas editadas em três países: Canadá, Espanha e Portugal.

«Revista internacional Animación, territorios y prácticas socioculturales»
Dirigida por Jean-Marie Lafortune

«Quaderns d' Animació i Educació Social»
Dirigida por Mario Viché

«Práticas de Animação»
Dirigida por Albino Viveiros

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Quaderns d' Animació i Educació Social



Está on-line a revista Quaderns d' Animació i Educació Social, n.º 22. A revista no âmbito da animação sociocultural e da educação social é editada pelo prof. doutor Mario Viché. 

No número atual destarque para a participação portuguesa rubricada por Ana Fontes com o ensaio «As artes enquanto estratégias de intervenção da animação sociocultural na terceira idade» e Mário Montez com o trabalho «Paisagens contemporâneas para uma possível animação militante».   

É de referir que há uma vinculação entre a Quaderns de Animació e a Práticas de Animação, através do projeto de intercâmbio editorial «Animação Digital» representado pelo logótipo comum «AD», ao abrigo do qual, foi publicado no presente número da Quaderns d' Animació o artigo do Mário Montez (traduzido para espanhol) intitulado «¿Animación Socio...qué?. Mitos y angustias alrededor de la denominación y el concepto de Animación Sociocultural», anteriormente, publicado na Práticas de Animação, n.º 7.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Receção de artigos para a revista Práticas de Animação

A revista Práticas de Animação é um projeto editorial que tem privilegiado a reflexão sobre o corpus teórico e as práticas de animação sociocultural. 

Os diferentes contributos são o reflexo da diversidade de posicionamento sobre a animação sociocultural e os seus campos de intervenção numa perspetiva interdisciplinar e de reflexão plural partilhada por animadores, educadores, investigadores e outros atores sociais com experiências e vivências profissionais em diferentes latitudes geográficas que permitem posicionarem-se no campo teórico-prático da animação e projetarem as suas reflexões no seio de uma comunidade aberta e democrática, como a dos animadores socioculturais que continua a dinamizar a discussão sobre a animação e as suas práticas.

É nosso desiderato reunir um conjunto diversificado de contributos que aclarem sobre as dinâmicas da animação e sejam achegas para a reflexão e discussão sobre o papel da animação sociocultural nos múltiplos contextos de intervenção. 

Os artigos poderão versar sobre a animação sociocultural, socioeducativa, turística, o ócio, o lazer e os tempos livres, as políticas culturais, a  pedagogia social e a educação sociocomunitária, entre outros domínios de investigação e intervenção privilegiados para a ação dos animadores. 

Neste quadro de realização convidamos todos os interessados a colaborar no próximo número da revista. Para tal poderão enviar os respetivos contributos até o próximo mês de setembro de 2015, para o correio eletrónico da revista: revistapraticasdeanimacao@gmail.com 

terça-feira, 16 de junho de 2015

I Congresso Internacional O Animador Sociocultural no Século XXI



A Intervenção – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural organiza o I Congresso Internacional O Animador Sociocultural no Século XXI, na cidade de Barcelos, nos dias 6, 7 e 8 de novembro de 2015.

No congresso estarão os seguintes temas em debate divididos por painéis:

- A Formação de Animadores em Portugal e na Europa
- Animadores Socioculturais e Âmbitos de Intervenção
- Perfil, Ética e Deontologia Profissional dos Animadores Socioculturais
- Animadores Socioculturais: Emprego/ Trabalho/ Empreendedorismo
- Metodologias e projetos de intervenção do Animador Sociocultural e da Animação Sociocultural
- A identidade do Animador face aos trabalhadores sociais, culturais e educativos
- O Animador Sociocultural realidades e perspetivas futuras

Por mesas redondas:

- O Animador Sociocultural no Século XX e Século XXI
- As diferentes propostas de Estatuto de Animador Sociocultural em Portugal: pequenas intervenções sobre as propostas de estatutos dos anos 70, 80, 90 e século XXI

E Relatos de Experiências de Animadores Socioculturais.

Para mais informações e inscrições, aceda aqui.