segunda-feira, 23 de março de 2015

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2015

«Os verdadeiros mestres do teatro encontram-se facilmente longe do palco. E não estão geralmente interessados no teatro que seja como uma máquina para replicar convenções e reproduzir lugares comuns. Eles procuram encontrar a fonte da palpitação, as correntes vitais que tendem a evitar as salas de espetáculo e as multidões de pessoas prontas a copiar um qualquer mundo. Copiamos, em vez de criarmos mundos focados ou mesmo dependentes do debate com o público, cultivando emoções que ultrapassam a superficialidade. É que, na realidade, nada revela melhor as paixões escondidas do que o teatro.

Sou muitas vezes levado pela prosa para refletir. Penso frequentemente nos escritores que há quase um século descreveram profeticamente, mas também com parcimónia, o declínio dos deuses europeus, o crepúsculo que mergulhou a nossa civilização numa escuridão de que ainda não recuperou. Estou a pensar em Franz Kafka, Thomas Mann e Marcel Proust. Presentemente também incluiria Maxwell Coetzee nesse grupo de profetas.

A sua visão comum do inevitável fim do mundo – não do planeta mas do modelo das relações humanas – e da ordem social e sua decadência, é hoje em dia dolorosamente sentida por todos nós. Por nós, que vivemos neste pós fim do mundo. Que vivemos em confronto com crimes e conflitos que deflagram diariamente por todo o lado com uma velocidade superior à capacidade ubíqua dos próprios meios de comunicação. Estes fogos rapidamente se esgotam e desaparecem das notícias, para sempre. E nós sentimo-nos abandonados, assustados e enclausurados. Não somos já capazes de construir torres, e os muros que esforçadamente levantámos deixam de nos proteger – pelo contrário, requerem eles próprios proteção e cuidados que consomem grande parte da nossa energia vital. Perdemos a força que nos permite vislumbrar para lá dos portões, para lá dos muros. E essa devia ser a razão de existir do teatro e é aí que devia encontrar a sua força. O canto íntimo que é proibido devassar.

“A lenda procura explicar aquilo que não pode ser explicado. Está ancorada na verdade, e deve acabar no inexplicável” – é assim que Kafka descreveu a transformação da lenda de Prometeu. Acredito profundamente que estas mesmas palavras deviam descrever o teatro. E é este tipo de teatro, aquele que está ancorado na verdade e encontra o seu fim no inexplicável, que eu desejo a todos os que nele trabalham, os que se encontram no palco e os que constituem o público, e isto eu desejo de todo o meu coração.»

Krzysztof Warlikowski

Fonte: GDA – Gestão dos Direitos dos Artistas, Intérpretes ou Executantes

quarta-feira, 18 de março de 2015

A figura profissional do animador de juventude

Na sequência da leitura das conclusões dos grupos de trabalho das II Jornadas de Educação Não Formal «Instrumentos de Validação de Competências Adquiridas em Contextos de ENF e Youth Work» promovidas pelo Conselho Nacional de Juventude e do discurso que possamos construir, é pertinente, perceber a dimensão social e política que a proclamada urgência da definição do conceito youth work assume no panorama nacional.

No documento «20 Propostas Jovens para Portugal» da responsabilidade do Conselho Nacional de Juventude, o conceito youth work é empregue com a nomenclatura animadores socioeducativos/ dinamizadores comunitários.

A Comissão das Comunidades Europeias no documento «Uma Estratégia da EU para a Juventude - Investir e Mobilizar - Um método aberto de coordenação renovado para a bordar os desafios e as oportunidades que se colocam à juventude» reporta a animação socioeducativa para o campo da educação não formal. O Tratado da União Europeia, Artigo 149º, n.º 2, aplica o termo animadores socioeducativos àqueles que realizam trabalho com jovens. 

Num post anterior, enumeramos as principais conclusões dos grupos de trabalho das II Jornadas de Educação Não Formal. As mais relevantes são sinalizadas com o necessário reconhecimento social e político do conceito youth work, do enquadramento legal e do trabalho desenvolvido pelo youth worker, formação, perfil, estatuto profissional e código de ética.

Numa breve análise, a discussão centra-se em questões particulares, quando na verdade, devemos olhar no global para depois centrar as atenções no particular. As preocupações expressas nas conclusões das Jornadas de Educação Não Formal são deveras importantes para a discussão permanente protagonizada pelos animadores socioculturais. No momento presente importa percebermos o alcance social e político do conjunto de reivindicações protagonizadas pelo movimento associativo.

A «Resolução do Conselho e dos Representantes dos Governos dos estados-Membros, reunidos no Conselho, sobre animação juvenil» evoca o papel da animação juvenil na formação integral e empoderamento dos jovens e reconhece o papel social da animação juvenil.

A Resolução da Assembleia da República n.º 2/2015, recomenda ao Governo que seja regulamentada a criação da profissão do animador de juventude, em harmonia com a condição do youth worker, incluindo-a no Catálogo Nacional das Profissões. é de louvara iniciativa do Parlamento que traduz o interesse nacional sobre esta matéria. A Resolução acrescenta novos dados para o debate e gera novos questionamentos. O reconhecimento legislativo da profissão do animador e a definição do estatuto legal do animador sociocultural não serão matérias suscetíveis do interesse político do Governo e social da sociedade civil?

Parece-nos ser consensual que a figura do animador de juventude seja integrado na família profissional do animador sociocultural. O perfil de animador de juventude não estará porventura agregado aos perfis dos animadores licenciados pelo ensino superior português?

Ao longo dos anos formaram-se pelas instituições de ensino superior animadores socioculturais, animadores socioeducativos, animadores culturais e educadores comunitários, animadores turísticos, entre outras nomenclaturas para uma mesma prática profissional, mas com diferentes planos de estudos. Ao que parece, houve uma falha formativa... «desvalorizou-se» a necessária formação de animadores de juventude... Ou, a formação em animação sociocultural não capacita os animadores com ferramentas metodológicas, saber científico e pedagógico (não formal) para o desenvolvimento de um trabalho especializado no âmbito da juventude?

As conclusões vinculadas nas Jornadas de Educação Não Formal são por si só, credíveis de debate e de uma aturada reflexão, mas estamos em crer que deverão ser refletidas à luz das questões epistemológicas da animação sociocultural, da formação dos animadores, da profissão e da necessidade de criação do estatuto e do código deontológico. Este é, certamente, um conjunto de itens que contribuem para a construção contínua de uma identidade socioprofissional.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

I Congresso Internacional - Animação Sociocultural, Gerontologia e Educação Intergeracional – Estratégias e Métodos de Intervenção para um Envelhecimento Ativo


A Intervenção - Associação para a Promoção e Divulgação Cultural promove nos dias 22, 23 e 24 de maio de 2015, na vila de Murça (no Auditório Municipal da Biblioteca), o I Congresso Internacional - Animação Sociocultural, Gerontologia e Educação Intergeracional - estarégias e Métodos de Intervenção para um Envelhecimento Ativo.

O congresso será constituído pelos seguintes painéis:

- Envelhecimento Ativo e Autonomia
- Animação Sociocultural na Terceira Idade: Cidadania e Participação 
- Animação Sociocultural na terceira Idade realidade portuguesa e perspetivas europeias
- Animação Sociocultural, Gerontologia e Deficiência na Terceira Idade
- As Artes como meio de Animação Sociocultural, Educação Intergeracional e envelhecimento ativo
- Animação Sociocultural, Gerontologia, Práticas Intergeracionais e Educação Intergeracional
- Relatos de Experiências de Animação Sociocultural e Educação Intergeracional
- O Animador Sociocultural Gerontólogo

domingo, 1 de fevereiro de 2015

As conclusões das II Jornadas de Educação Não Formal

A educação não formal é uma forma de aprendizagem que se desenvolve, paralelamente, ao sistema formal de ensino. É um processo educativo organizado e estruturado que possibilita aos intervenientes o seu desenvolvimento pessoal, capacitação para o exercício da cidadania ativa, valoriza a flexibilidade e está centrado nos aprendentes.

A educação não formal como espaço de aprendizagem social permite que cada jovem seja ator do seu próprio processo de desenvolvimento.

O Conselho Nacional de Juventude realizou no dia 10 de dezembro de 2014, as II Jornadas de Educação Não Formal que tiveram como objetivo refletir e reunir contributos sobre «Instrumentos de Validação de Competências Adquiridas em Contextos de ENF e Youth Work».

A nossa reflexão sobre esta temática tem pertinência na sequência da leitura das conclusões das jornadas que nos permitem refletir sobre questões atuais para a animação sociocultural e para os seus agentes.

O grupo de discussão sobre youth work aponta nas suas conclusões para medidas como a criação de um processo de mapeamento, por forma a perceber em que áreas ocorre o youth work; auscultação dos diversos intervenientes para a construção de um entendimento comum; realização de um estudo de diagnóstico; e mapeamento dos princípios e indicadores de qualidade.

O mesmo grupo de trabalho sublinha a necessidade de desenvolver políticas públicas nacionais direcionadas para o reconhecimento e desenvolvimento do youth work (criação de grupos de trabalho intersectoriais e criação de enquadramento legal); desenvolvimento de parcerias estratégicas envolvendo a sociedade civil, os decisores políticos e privados; e formação reconhecida.

Os desafios mapeados na área do youth work estão agregados à capacitação de atores (formação de ensino superior ao nível de licenciatura); falta de reconhecimento local e regional. Outro dos desafios está elencado ao termo de youth work – tem que ser impulsionado pelas organizações de juventude e terá que haver um trabalho conjunto para chegar aos decisores políticos; inexistência de estudos sobre o impacto do youth work; falta de estudos em Portugal sobre youth work; falta de padrões de como trabalhar para a juventude; reconhecimento formal e informal; e o reconhecimento por parte dos vários atores sociais da necessidade do youth work.

Sobre os youth workers, o grupo de trabalho questiona o papel destes agentes e a forma como intervém. Qual a formação que devem agenciar e desenvolver? A aspiração à progressão profissional, bem como, definir o conceito de youth worker; envolvimento dos youth workers na legislação; estatuto da profissão. Qual o perfil, o que é um youth worker de qualidade? Código de ética.

O grupo de discussão sobre youth work regista um aspeto fundamental para a afirmação social - «Não existirá reconhecimento social enquanto não houver este trabalho de conceptualização primeiro». Afirmam ainda, que é essencial definir as funções e competências do youth worker e criar um grupo de trabalho para apontar opções de tradução de youth worker envolvendo um conjunto de organizações de juventude e representação do Poder Local.

O grupo de discussão sobre instrumentos de validação de educação não formal aponta para a perigosidade da validação face à inexistência de um quadro teórico comum para a educação não formal, o que pode originar problemas para a validação. A possível perda de valores associados à educação não formal, ou seja, a de procura de aprendizagem de uma forma diferente da educação formal. Outro aspeto essencial é o foco da validação incidir na metodologia e não nos agentes; e o foco no produto (a certificação deve privilegiar o processo, a aprendizagem ao longo da vida).

O grupo de trabalho refere o papel do associativismo no processo de validação da educação não formal. As associações assumirem o papel mediador entre facilitadores - «facilitandos» e elementos de avaliação; as organizações juvenis como laboratório de experimentação; e a utilização da educação não formal no processo de aprendizagem não só dos participantes, mas também, da organização como garantia de democracia e de boa governação.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Práticas de Animação - número 8

Está disponível o oitavo número da revista Práticas de Animação. A revista ao longo dos oito anos de existência tem congregado animadores, docentes, investigadores e outros agentes educativos e culturais de diferentes nacionalidades que nas suas esferas de investigação e ação têm contribuído para a consolidação do projeto.

A animação sociocultural e os seus âmbitos de intervenção, numa perspetiva de reflexão plural com enfoque para as diferentes áreas de ação é o objeto central da revista. O número atual reúne um conjunto de artigos de investigação e divulgação de práticas. 

A Práticas de Animação é um dos instrumentos de divulgação séria da participação ativa de docentes/investigadores e animadores que através dos trabalhos agora publicados, refletem a visão distinta sobre o papel da animação sociocultural e, são um contributo para as diferentes abordagens que poderão ser desenvolvidas partindo dos princípios da animação como metodologia de intervenção social, educativa, cultural e política.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Votos Natalícios

Vivemos um tempo de esperança, de (re)encontro, de partilha de valores e sentimentos generosos que nos alimentam a alma e fortalecem a dignidade de seres humanos; partilhamos afetos e ansiamos pela paz no mundo. 

Os valores da solidariedade são fecundos e prósperos no tempo da Natividade.

Faço votos para que sejamos capazes de alimentar a esperança solidária em 2015, numa ação coletiva que não pode apenas alimentar-se de palavras e morrer na vontade de tentar fazer algo, antes deverá alimentar e fortalecer as nossas ações em prol da mudança, com sentido firme de que é pelo coletivo que a mudança acontece.

Votos de um feliz e Santo Natal!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

XXI Congresso Internacional de Animação Sociocultural


«Cooperação, Desenvolvimento e Futuro» é o tema do XXI Congresso Internacional de Animação Sociocultural organizado pela Associação para o Desenvolvimento da Animação Sociocultural (APDASC), nos dias 20 e 21 de novembro de 2015, na Ericeira.

O tema global do congresso vai de encontro à decisão do Parlamento Europeu e do Conselho que aprovou o ano 2015, como Ano Europeu da Cooperação para o Desenvolvimento, com o lema «O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro». Entre os objetivos do Ano Europeu destaque para o «Fomentar a participação direta, o pensamento crítico e o interesse ativo dos cidadãos da União e dos interessados na cooperação para o desenvolvimento, inclusive na formulação e execução das respetivas políticas».

O XXI congresso de animação sociocultural tem como temas: o desenvolvimento humano; as políticas de desenvolvimento da União Europeia; a discriminação em razão do género; as práticas de animação sociocultural no âmbito da cooperação para o desenvolvimento, e os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). 

Entre os objetivos do congresso destacamos os seguintes: celebrar 2015 como o Ano Europeu da Cooperação para o Desenvolvimento; fomentar a cooperação para o desenvolvimento humano e a realização do ser humano em todas as suas dimensões; sensibilizar para a orientação da política atual da União Europeia; promover programas de animação sociocultural que contribuam para a luta contra a discriminação em razão do género, superar estereótipos e eliminar obstáculos em matéria de acesso à educação e ao emprego; identificar e divulgar boas práticas de animação sociocultural no campo da cooperação para o desenvolvimento.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Animação sociocultural, didática da participação

Não basta (des)envolver. É preciso educar para a participação.

A participação não pode ser reduzida a um chavão em animação sociocultural, ou seja, não basta afirmar e sublinhar a importância da participação cidadã nos processos, antes, terá que haver uma cultura da participação democrática e horizontal, que nasça das bases e do envolvimento responsável e consciente do grupo.

A participação pressupõe um processo de maturação da cultura democrática, de diálogo construtivo e horizontal, de aprendizagens permanentes, de empoderamento individual e coletivo.

A animação sociocultural como didática da participação é o eixo central de um processo de aprendizagem, de facilitação de ferramentas e de métodos para a participação comunitária. Precisamos de refletir a animação enquanto metodologia de intervenção social, cultural, educativa e cívica, partindo do pressuposto de que a animação é o suporte do exercício da política cidadã.

Entendemos que os animadores socioculturais na prossecução da ação individual e colectiva devem privilegiar o princípio da educação no século XXI defendido pela UNESCO. Este princípio está alicerçado em quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.

Aprender a conhecer implica um olhar extramuros, ou seja, aprender a ler e a interpretar os sinais dos tempos, as micro realidades sem excluir as macro realidades, pois há muito que vivemos no mundo global. A aprendizagem do conhecimento exige um olhar analítico, crítico e problematizador que busca soluções a partir da sua própria resiliência e dos colectivos.

O aprender a fazer é um desígnio cidadão, do qual os animadores socioculturais são os baluartes deste princípio educativo, incluindo os outros três. O empoderamento das comunidades também se faz pelo processo educativo não formal, munindo-os de ferramentas que viabilizem os indivíduos a serem os protagonistas da transformação social, da projecção da sua identidade enquanto comunidade e da sua emancipação sociopolítica.

Ser cidadão é ter voz e liberdade de intervir na vida comunitária como resultado de um processo de consciencialização e de aquisição de competências socioeducativas que fortaleçam as dinâmicas de aprendizagens participativas.

Aprender a viver juntos apela para o princípio da multiculturalidade e da tolerância, para os valores da promoção da paz, da dignidade humana e da democracia. O respeito pelo outro aloca um conjunto de valores humanos e princípios inquestionáveis na ação transformadora. A animação sociocultural deve promover sempre o diálogo aberto, pacífico e enriquecedor entre os povos, entre culturas distintas e longínquas. Aprender a viver juntos é um desígnio permanente e o pilar mais arrojado da educação no século XXI.

Aprender a ser é um processo de aprendizagem comum que encerra os três pilares anteriores. Este princípio educativo evoca a autonomia do sujeito, o ser cidadão num mundo global e multicultural, implica o vigor da resiliência face à complexa realidade social envolvente que exige múltiplas leituras e ações transformadoras e apaziguadoras.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Autenticidade, identidade e participação em turismo

O turismo enquanto fenómeno social, cultural e económico tem que assentar em políticas públicas que cruzem as diferentes áreas de ação governativa. 

A definição de políticas de turismo não pode ficar à mercê de interesses associativos e privados, pelo contrário, deverá resultar da sinergia do trabalho em rede das entidades públicas e privadas, de linhas estratégicas de intervenção sustentadas na tríade autenticidade, identidade e participação. As políticas locais de turismo não podem ser desenhadas à revelia de um contínuo processo participativo de consciencialização da comunidade para o fenómeno turístico, para a sua importância económica e para as consequências sociais e culturais que advêm do desenvolvimento turístico sobre o território e as comunidades local e visitante. 

Em turismo a autenticidade é a palavra de ordem. É errado e contra natura oferecer um produto turístico que não detenha o selo da autenticidade do lugar. A criação de artificialismos e de recriações imaginadas em nada contribui para a diferenciação do destino, para a afirmação do território e dos seus ativos socioculturais, para a sustentabilidade turística do território e o envolvimento das comunidades num processo que deverá ostentar o selo da autenticidade e da identidade cultural do lugar e das suas gentes.

Uma política local de turismo deverá estar sustentada no diálogo e no compromisso comunitário ou seja, envolver a sociedade civil em torno de um objetivo comum: a definição de um segmento que tenha correspondência prática e sustentável na participação comunitária, e que possua identidade genuína. 

A criação de uma «marca» resulta de um longo e apurado processo de intervenção multidisciplinar que deverá ser transversal às políticas públicas em diferentes áreas, passando pela cultura, a educação, a economia, o social, os transportes, entre outros domínios de ação. É o resultado de um trabalho de investigação e de recolha das memórias coletivas, de trabalho educativo com a comunidade sobre o seu património cultural material e imaterial, é o resgate da história e da cultura dos lugares e das pessoas.

Entendemos que a autenticidade e a afirmação da identidade turística de um território e consequentemente, dos produtos turísticos resulta da investigação, recuperação, conservação e divulgação dos ativos culturais, de um contínuo processo de educação formal e não formal para o turismo, do envolvimento participativo da comunidade para que esta contribua ativamente na implementação das políticas turísticas.