segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Práticas de Animação - número 8

Está disponível o oitavo número da revista Práticas de Animação. A revista ao longo dos oito anos de existência tem congregado animadores, docentes, investigadores e outros agentes educativos e culturais de diferentes nacionalidades que nas suas esferas de investigação e ação têm contribuído para a consolidação do projeto.

A animação sociocultural e os seus âmbitos de intervenção, numa perspetiva de reflexão plural com enfoque para as diferentes áreas de ação é o objeto central da revista. O número atual reúne um conjunto de artigos de investigação e divulgação de práticas. 

A Práticas de Animação é um dos instrumentos de divulgação séria da participação ativa de docentes/investigadores e animadores que através dos trabalhos agora publicados, refletem a visão distinta sobre o papel da animação sociocultural e, são um contributo para as diferentes abordagens que poderão ser desenvolvidas partindo dos princípios da animação como metodologia de intervenção social, educativa, cultural e política.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Votos Natalícios

Vivemos um tempo de esperança, de (re)encontro, de partilha de valores e sentimentos generosos que nos alimentam a alma e fortalecem a dignidade de seres humanos; partilhamos afetos e ansiamos pela paz no mundo. 

Os valores da solidariedade são fecundos e prósperos no tempo da Natividade.

Faço votos para que sejamos capazes de alimentar a esperança solidária em 2015, numa ação coletiva que não pode apenas alimentar-se de palavras e morrer na vontade de tentar fazer algo, antes deverá alimentar e fortalecer as nossas ações em prol da mudança, com sentido firme de que é pelo coletivo que a mudança acontece.

Votos de um feliz e Santo Natal!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

XXI Congresso Internacional de Animação Sociocultural


«Cooperação, Desenvolvimento e Futuro» é o tema do XXI Congresso Internacional de Animação Sociocultural organizado pela Associação para o Desenvolvimento da Animação Sociocultural (APDASC), nos dias 20 e 21 de novembro de 2015, na Ericeira.

O tema global do congresso vai de encontro à decisão do Parlamento Europeu e do Conselho que aprovou o ano 2015, como Ano Europeu da Cooperação para o Desenvolvimento, com o lema «O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro». Entre os objetivos do Ano Europeu destaque para o «Fomentar a participação direta, o pensamento crítico e o interesse ativo dos cidadãos da União e dos interessados na cooperação para o desenvolvimento, inclusive na formulação e execução das respetivas políticas».

O XXI congresso de animação sociocultural tem como temas: o desenvolvimento humano; as políticas de desenvolvimento da União Europeia; a discriminação em razão do género; as práticas de animação sociocultural no âmbito da cooperação para o desenvolvimento, e os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). 

Entre os objetivos do congresso destacamos os seguintes: celebrar 2015 como o Ano Europeu da Cooperação para o Desenvolvimento; fomentar a cooperação para o desenvolvimento humano e a realização do ser humano em todas as suas dimensões; sensibilizar para a orientação da política atual da União Europeia; promover programas de animação sociocultural que contribuam para a luta contra a discriminação em razão do género, superar estereótipos e eliminar obstáculos em matéria de acesso à educação e ao emprego; identificar e divulgar boas práticas de animação sociocultural no campo da cooperação para o desenvolvimento.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Animação sociocultural, didática da participação

Não basta (des)envolver. É preciso educar para a participação.

A participação não pode ser reduzida a um chavão em animação sociocultural, ou seja, não basta afirmar e sublinhar a importância da participação cidadã nos processos, antes, terá que haver uma cultura da participação democrática e horizontal, que nasça das bases e do envolvimento responsável e consciente do grupo.

A participação pressupõe um processo de maturação da cultura democrática, de diálogo construtivo e horizontal, de aprendizagens permanentes, de empoderamento individual e coletivo.

A animação sociocultural como didática da participação é o eixo central de um processo de aprendizagem, de facilitação de ferramentas e de métodos para a participação comunitária. Precisamos de refletir a animação enquanto metodologia de intervenção social, cultural, educativa e cívica, partindo do pressuposto de que a animação é o suporte do exercício da política cidadã.

Entendemos que os animadores socioculturais na prossecução da ação individual e colectiva devem privilegiar o princípio da educação no século XXI defendido pela UNESCO. Este princípio está alicerçado em quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.

Aprender a conhecer implica um olhar extramuros, ou seja, aprender a ler e a interpretar os sinais dos tempos, as micro realidades sem excluir as macro realidades, pois há muito que vivemos no mundo global. A aprendizagem do conhecimento exige um olhar analítico, crítico e problematizador que busca soluções a partir da sua própria resiliência e dos colectivos.

O aprender a fazer é um desígnio cidadão, do qual os animadores socioculturais são os baluartes deste princípio educativo, incluindo os outros três. O empoderamento das comunidades também se faz pelo processo educativo não formal, munindo-os de ferramentas que viabilizem os indivíduos a serem os protagonistas da transformação social, da projecção da sua identidade enquanto comunidade e da sua emancipação sociopolítica.

Ser cidadão é ter voz e liberdade de intervir na vida comunitária como resultado de um processo de consciencialização e de aquisição de competências socioeducativas que fortaleçam as dinâmicas de aprendizagens participativas.

Aprender a viver juntos apela para o princípio da multiculturalidade e da tolerância, para os valores da promoção da paz, da dignidade humana e da democracia. O respeito pelo outro aloca um conjunto de valores humanos e princípios inquestionáveis na ação transformadora. A animação sociocultural deve promover sempre o diálogo aberto, pacífico e enriquecedor entre os povos, entre culturas distintas e longínquas. Aprender a viver juntos é um desígnio permanente e o pilar mais arrojado da educação no século XXI.

Aprender a ser é um processo de aprendizagem comum que encerra os três pilares anteriores. Este princípio educativo evoca a autonomia do sujeito, o ser cidadão num mundo global e multicultural, implica o vigor da resiliência face à complexa realidade social envolvente que exige múltiplas leituras e ações transformadoras e apaziguadoras.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Autenticidade, identidade e participação em turismo

O turismo enquanto fenómeno social, cultural e económico tem que assentar em políticas públicas que cruzem as diferentes áreas de ação governativa. 

A definição de políticas de turismo não pode ficar à mercê de interesses associativos e privados, pelo contrário, deverá resultar da sinergia do trabalho em rede das entidades públicas e privadas, de linhas estratégicas de intervenção sustentadas na tríade autenticidade, identidade e participação. As políticas locais de turismo não podem ser desenhadas à revelia de um contínuo processo participativo de consciencialização da comunidade para o fenómeno turístico, para a sua importância económica e para as consequências sociais e culturais que advêm do desenvolvimento turístico sobre o território e as comunidades local e visitante. 

Em turismo a autenticidade é a palavra de ordem. É errado e contra natura oferecer um produto turístico que não detenha o selo da autenticidade do lugar. A criação de artificialismos e de recriações imaginadas em nada contribui para a diferenciação do destino, para a afirmação do território e dos seus ativos socioculturais, para a sustentabilidade turística do território e o envolvimento das comunidades num processo que deverá ostentar o selo da autenticidade e da identidade cultural do lugar e das suas gentes.

Uma política local de turismo deverá estar sustentada no diálogo e no compromisso comunitário ou seja, envolver a sociedade civil em torno de um objetivo comum: a definição de um segmento que tenha correspondência prática e sustentável na participação comunitária, e que possua identidade genuína. 

A criação de uma «marca» resulta de um longo e apurado processo de intervenção multidisciplinar que deverá ser transversal às políticas públicas em diferentes áreas, passando pela cultura, a educação, a economia, o social, os transportes, entre outros domínios de ação. É o resultado de um trabalho de investigação e de recolha das memórias coletivas, de trabalho educativo com a comunidade sobre o seu património cultural material e imaterial, é o resgate da história e da cultura dos lugares e das pessoas.

Entendemos que a autenticidade e a afirmação da identidade turística de um território e consequentemente, dos produtos turísticos resulta da investigação, recuperação, conservação e divulgação dos ativos culturais, de um contínuo processo de educação formal e não formal para o turismo, do envolvimento participativo da comunidade para que esta contribua ativamente na implementação das políticas turísticas.

sábado, 20 de setembro de 2014

I Congresso Internacional «As Artes na Educação»



A Intervenção - Associação para a Promoção e Divulgação Cultural organiza o I Congresso Internacional «As Artes na Educação», nos dias 14, 15 e 16 de novembro de 2014, em Amarante.

O congresso está dividido pelos seguintes painéis temáticos:

- O cinema/Multimédia na Educação
- As Artes Plásticas na Educação
- Educação Comunitária e Intervenção Artística
- O Teatro na Educação
- A Dança na Educação
- A Música na Educação
- Artes Performativas na Educação
- Animação Artística e Educação



quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A propósito das recomendações do estudo «Cultura, Formação e Cidadania»

Algumas das recomendações veiculadas no estudo «Cultura, Formação e Cidadania» suscitam uma reflexão cuidada.

A nossa apreciação sustenta-se na recomendação que propõe a criação de medidas de estímulo ao desenvolvimento de projetos artístico-culturais de base formativa; o reforço das artes e da cultura no meio escolar; e o aumento das oportunidades de formação-ação direcionadas aos docentes e educadores nos domínios da criação artístico-cultural.

O Programa de Promoção de Projectos Educativos na Área da Cultura foi aprovado pelo Despacho conjunto n.º 834/2005, de 4 de novembro de 2005, entre os ministérios da Educação e da Cultura. Este Despacho possibilita que as entidades da área da educação (agrupamentos de escolas e/ou escolas não agrupadas) e da área da cultura (museus palácios, monumentos, sítios arqueológicos, equipamentos culturais, …) possam desenvolver projetos em espaços escolares e ou em espaços de cultura, pressupondo sempre uma articulação entre entidades das duas áreas. O Programa alavanca o envolvimento de docentes e alunos e a potencialização de pontes de cooperação entre a Escola e os espaços de cultura.

O Programa  de Promoção de Projectos Educativos na Área da Cultura contempla a possibilidade de parceria com câmaras municipais, juntas de freguesia, associações de pais, ATL’s, associações locais de defesa do património, associações de amigos de museus e outras entidades com experiência no âmbito das atividades educativas ou culturais.

A análise, avaliação e aprovação das propostas de adesão ao Programa, e o acompanhamento da execução do mesmo, é responsabilidade das comissões regionais de operacionalização e acompanhamento do Programa de Promoção de Projectos Educativos na Área da Cultura (CROA).

As atividades das comissões regionais são acompanhadas pela comissão nacional de acompanhamento do Programa de Promoção de Projectos Educativos na Área da Cultura (CNA). É da competência desta comissão realizar o relatório nacional, propor medidas para a execução do Programa, bem como, avaliar o Programa.

Há recomendações que de alguma forma vão de encontro a programas de promoção de pontes entre a educação e a cultura validados pelo Governo. Parece-nos importante avaliar o que menos positivo há nesses programas (se há), fazer as correções e ajustes necessários, por forma, a que seja possível materializar as recomendações do estudo «Cultura, Formação e Cidadania».

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Algumas conclusões e recomendações do estudo «Cultura, Formação e Cidadania»

O estudo «Cultura, Formação e Cidadania» desenvolvido no âmbito do Plano Cultura 2020, pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e coordenado pelo professor Carlos Fortuna, apresenta um conjunto de conclusões e recomendações que nos parece, importantes para reflexão a posteriori.

É fundamental tomar nota de alguns itens (conclusões e recomendações) relevantes do ponto de vista das possíveis e futuras práticas de intervenção sociocultural com as comunidades. Na verdade, algumas conclusões e recomendações atestam o que defendemos sobre a participação cidadã na vida cultural da comunidade e do envolvimento ativo das instituições da sociedade civil na discussão e reflexão dos projetos estruturantes no âmbito de uma política cultural municipal.

Uma das conclusões revela a importância do envolvimento dos grupos sociais mais desfavorecidos em atividades culturais que, mobilizam o envolvimento comunitário, ou que proporcionam aprendizagens artísticas e participação cultural ativa. Os resultados do envolvimento ativo reflete-se ao nível do reforço da autoestima e da autoconfiança; do desenvolvimento de capacidades pessoais facilitadoras do acesso à informação e de interpretação do mundo atual; no acesso às oportunidades de formação e aprendizagem ao longo da vida; na formação de competências criativas e de adaptação ao mundo laboral, ao mercado de emprego e aos recursos da informação e da comunicação; no reforço do sentimento de identidade coletiva e de envolvimento na vida comunitária, no combate ao isolamento e à exclusão; no incremento das capacidades expressivas, relacionais e interpretativas.

O estudo revela que o capital cultural, o nível de escolaridade, a condição socioprofissional e os níveis de rendimento são fatores determinantes para a desigualdade no acesso à cultura. A idade também é um elemento diferenciador, com tendência de uma quebra da propensão para as práticas culturais, entre a população idosa e reformada.

As regiões Autónomas da Madeira e Açores, o Alentejo e o Algarve, são as regiões que registam a maior fatia da despesa dos municípios no apoio às associações culturais, em atividades socioculturais. Este dado revela o papel determinante das autarquias para a sustentabilidade da atividade associativa.

Uma outra conclusão do estudo «Cultura, Formação e Cidadania» destaca a relevância das atividades artísticas na escola. Argumento sustentado em diversas análises que indicam que as atividades de educação artística podem potenciar um clima saudável no espaço escolar, sendo um catalizador de práticas e interações sociais positivas, combatendo o insucesso e o abandono escolar precose. 

As atividades artísticas e culturais extraescolares são sinalizadas como de grande importância, porque constituírem uma oportunidade de saída para determinados segmentos da população escolar, como também, uma via de acesso direto aos equipamentos vocacionados para a fruição e experimentação cultural e artística.

Entre as recomendações do estudo «Cultura, Formação e Cidadania», enunciamos a constituição de uma plataforma tripartida que envolva os responsáveis políticos pela tutela da cultura, da educação e da ação social e agentes com intervenção nestes campos de ação. Outra recomendação é a criação de medidas de estímulo ao desenvolvimento de projetos culturais e artísticos que integrem componentes formativas e de combate ao isolamento e ao alheamento dos idosos, numa perspetiva de troca de saberes e experiências entre gerações.

O desenvolvimento da monitorização e avaliação das medidas e dos projetos artísticos e culturais direcionados para o envolvimento de grupos e comunidades social e cultural mais desfavorecidas e excluídas é outra recomendação, tal como, a produção de informação atualizada sobre os agentes culturais, e em particular a participação associativa (com exclusão do desporto). 

Entre as propostas avançadas nas recomendações, sublinhamos o reforço das artes e da cultura no meio escolar, através do contacto sistemático dos alunos e docentes com diferentes linguagens artísticas e estéticas, e com os agentes artísticos e culturais mediante o recurso a visitas de estudo a diversos equipamentos artístico-culturais, fomento de residências artísticas de grupos e companhias, ou outras estruturas culturais no espaço escolar. 

Uma outra recomendação que mereceu o nosso acolhimento, é a defesa do aumento das oportunidades de formação-ação destinadas a professores e educadores nos domínios da criação artística e cultural.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Turismo e desenvolvimento comunitário


«Turismo e desenvolvimento comunitário» é o tema do Dia Mundial do Turismo 2014, celebrado a 27 de setembro. O tema realça o potencial do turismo para promover novas oportunidades para as comunidades, com destaque para a importância da participação comunitária na promoção do desenvolvimento do turismo sustentável.

A Organização Mundial do Turismo (OMT) com a escolha deste tema pretende fomentar o debate sobre o contributo do turismo para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), projeto das Nações Unidas, a partir de 2015, que prioriza a participação local.

O Dia Mundial do Turismo 2014, direciona o foco de atenção para a equação de que o turismo pode propiciar e potenciar o desenvolvimento comunitário sustentável. O turismo com enfoque na comunidade, possibilita que esta se envolva no processo de tomada de decisões em função das prioridades de cada território, tornando-se uma comunidade participativa, que intervém ativamente no processo de desenvolvimento.

O turismo pode ser um catalisador de coesão social e (des)envolvimento comunitário através da criação de emprego, com consequências económicas positivas para a comunidade anfitriã. 

O secretário-geral da OMT, Taleb Rifai, na mensagem alusiva ao Dia Mundial do Turismo 2014, afirma que,
El turismo es una actividad económica sustentada en las personas, construída sobre la interacción social, y en este sentido, solo puede prosperar si integra a la población local incentivando valores sociales como la participación, la educación y la mejora de la gobernanza local. Al mismo tiempo, no puede haber un verdadero desarrollo del turismo si esse desarrollo obra de algún modo en detrimento de los valores y la cultura de las comunidades receptoras o si los benefícios socioeconómicos que genera no llegan a percibirse directamente en las comunidades.

A propósito dos Objetivos de Desenvolvimento das Nações Unidas, e na preparação para o assumir do compromisso face aos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Taleb Rifai afirma que «Empoderar a los indivíduos y a las comunidades de todo el mundo a todos los niveles a través del turismo puede ser un paso fundamental para avanzar hacia estos objetivos».