quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Algumas conclusões e recomendações do estudo «Cultura, Formação e Cidadania»

O estudo «Cultura, Formação e Cidadania» desenvolvido no âmbito do Plano Cultura 2020, pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e coordenado pelo professor Carlos Fortuna, apresenta um conjunto de conclusões e recomendações que nos parece, importantes para reflexão a posteriori.

É fundamental tomar nota de alguns itens (conclusões e recomendações) relevantes do ponto de vista das possíveis e futuras práticas de intervenção sociocultural com as comunidades. Na verdade, algumas conclusões e recomendações atestam o que defendemos sobre a participação cidadã na vida cultural da comunidade e do envolvimento ativo das instituições da sociedade civil na discussão e reflexão dos projetos estruturantes no âmbito de uma política cultural municipal.

Uma das conclusões revela a importância do envolvimento dos grupos sociais mais desfavorecidos em atividades culturais que, mobilizam o envolvimento comunitário, ou que proporcionam aprendizagens artísticas e participação cultural ativa. Os resultados do envolvimento ativo reflete-se ao nível do reforço da autoestima e da autoconfiança; do desenvolvimento de capacidades pessoais facilitadoras do acesso à informação e de interpretação do mundo atual; no acesso às oportunidades de formação e aprendizagem ao longo da vida; na formação de competências criativas e de adaptação ao mundo laboral, ao mercado de emprego e aos recursos da informação e da comunicação; no reforço do sentimento de identidade coletiva e de envolvimento na vida comunitária, no combate ao isolamento e à exclusão; no incremento das capacidades expressivas, relacionais e interpretativas.

O estudo revela que o capital cultural, o nível de escolaridade, a condição socioprofissional e os níveis de rendimento são fatores determinantes para a desigualdade no acesso à cultura. A idade também é um elemento diferenciador, com tendência de uma quebra da propensão para as práticas culturais, entre a população idosa e reformada.

As regiões Autónomas da Madeira e Açores, o Alentejo e o Algarve, são as regiões que registam a maior fatia da despesa dos municípios no apoio às associações culturais, em atividades socioculturais. Este dado revela o papel determinante das autarquias para a sustentabilidade da atividade associativa.

Uma outra conclusão do estudo «Cultura, Formação e Cidadania» destaca a relevância das atividades artísticas na escola. Argumento sustentado em diversas análises que indicam que as atividades de educação artística podem potenciar um clima saudável no espaço escolar, sendo um catalizador de práticas e interações sociais positivas, combatendo o insucesso e o abandono escolar precose. 

As atividades artísticas e culturais extraescolares são sinalizadas como de grande importância, porque constituírem uma oportunidade de saída para determinados segmentos da população escolar, como também, uma via de acesso direto aos equipamentos vocacionados para a fruição e experimentação cultural e artística.

Entre as recomendações do estudo «Cultura, Formação e Cidadania», enunciamos a constituição de uma plataforma tripartida que envolva os responsáveis políticos pela tutela da cultura, da educação e da ação social e agentes com intervenção nestes campos de ação. Outra recomendação é a criação de medidas de estímulo ao desenvolvimento de projetos culturais e artísticos que integrem componentes formativas e de combate ao isolamento e ao alheamento dos idosos, numa perspetiva de troca de saberes e experiências entre gerações.

O desenvolvimento da monitorização e avaliação das medidas e dos projetos artísticos e culturais direcionados para o envolvimento de grupos e comunidades social e cultural mais desfavorecidas e excluídas é outra recomendação, tal como, a produção de informação atualizada sobre os agentes culturais, e em particular a participação associativa (com exclusão do desporto). 

Entre as propostas avançadas nas recomendações, sublinhamos o reforço das artes e da cultura no meio escolar, através do contacto sistemático dos alunos e docentes com diferentes linguagens artísticas e estéticas, e com os agentes artísticos e culturais mediante o recurso a visitas de estudo a diversos equipamentos artístico-culturais, fomento de residências artísticas de grupos e companhias, ou outras estruturas culturais no espaço escolar. 

Uma outra recomendação que mereceu o nosso acolhimento, é a defesa do aumento das oportunidades de formação-ação destinadas a professores e educadores nos domínios da criação artística e cultural.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Turismo e desenvolvimento comunitário


«Turismo e desenvolvimento comunitário» é o tema do Dia Mundial do Turismo 2014, celebrado a 27 de setembro. O tema realça o potencial do turismo para promover novas oportunidades para as comunidades, com destaque para a importância da participação comunitária na promoção do desenvolvimento do turismo sustentável.

A Organização Mundial do Turismo (OMT) com a escolha deste tema pretende fomentar o debate sobre o contributo do turismo para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), projeto das Nações Unidas, a partir de 2015, que prioriza a participação local.

O Dia Mundial do Turismo 2014, direciona o foco de atenção para a equação de que o turismo pode propiciar e potenciar o desenvolvimento comunitário sustentável. O turismo com enfoque na comunidade, possibilita que esta se envolva no processo de tomada de decisões em função das prioridades de cada território, tornando-se uma comunidade participativa, que intervém ativamente no processo de desenvolvimento.

O turismo pode ser um catalisador de coesão social e (des)envolvimento comunitário através da criação de emprego, com consequências económicas positivas para a comunidade anfitriã. 

O secretário-geral da OMT, Taleb Rifai, na mensagem alusiva ao Dia Mundial do Turismo 2014, afirma que,
El turismo es una actividad económica sustentada en las personas, construída sobre la interacción social, y en este sentido, solo puede prosperar si integra a la población local incentivando valores sociales como la participación, la educación y la mejora de la gobernanza local. Al mismo tiempo, no puede haber un verdadero desarrollo del turismo si esse desarrollo obra de algún modo en detrimento de los valores y la cultura de las comunidades receptoras o si los benefícios socioeconómicos que genera no llegan a percibirse directamente en las comunidades.

A propósito dos Objetivos de Desenvolvimento das Nações Unidas, e na preparação para o assumir do compromisso face aos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Taleb Rifai afirma que «Empoderar a los indivíduos y a las comunidades de todo el mundo a todos los niveles a través del turismo puede ser un paso fundamental para avanzar hacia estos objetivos». 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Programa de Estágios de Jovens Animadores do Museu da Electricidade

O Programa de Estágios de Jovens Animadores do Museu da Electricidade (PEJAME) promovido pela Fundação da Juventude, tem como objetivo proporcionar aos estudantes um aprofundamento dos conhecimentos técnico-científicos, através do contexto real de funcionamento do Museu da Electricidade, em Lisboa.

Esta experiência formativa possibilitará que os jovens desenvolvam capacidades pessoais de liderança, gestão de grupos, espírito de iniciativa e de equipa, compromisso e disciplina.

Os candidatos ao PEJAME deverão ter idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos, e que sejam estudantes do ensino superior universitário (licenciatura, mestrado ou pós-graduação), em cursos com componentes em ciências (ambiente, eletricidade, eletrónica, energia, física e química), ou artes (arte multimédia, artes plásticas, ciências da arte e do património, comunicação cultural, estudos artísticos, história da arte, museologia produção e gestão cultural).

As candidaturas ao PEJAME decorrem até 19 de setembro de 2014. A realização do estágio de 6 meses tem início a 3 de novembro de 2014 e fim a 4 de maio de 2015.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Turismo e animação, uma relação de reciprocidades

O turismo como dinâmica de interações sociais e culturais entre a comunidade turística e a comunidade anfitriã potencia um conjunto de valores capitais para o desenvolvimento local. O turismo deverá ser percecionado como o paradigma do desenvolvimento integrado e participado pelos atores locais e pelos turistas.

O estímulo da reciprocidade entre o turismo e a animação deverá acontecer numa relação mutualista, ou seja, a animação turística é a força motriz da memória e da identidade dos lugares, das gentes e da sua cultura. Não há turismo sem cultura, ela é a memória coletiva, o núcleo duro onde deverá assentar o desenvolvimento do produto turístico.

 A animação é a alavanca das dinâmicas socioculturais e turísticas, o ponto de partida para um processo gerador do envolvimento ativo do turista com a população anfitriã, numa relação de proximidade e integração social, de descoberta dos valores civilizacionais, culturais e ambientais.  

O turismo tem que ser perspetivado como prática cultural de integração social. É necessário fazer a pedagogia da comunicação semiótica, desenvolver projetos de desenvolvimento turístico que envolvam os agentes de desenvolvimento local, que valorizem os ativos culturais e potenciem o saber-fazer coletivo, enquanto geradores da «economia imaterial» tripartida na cultura, na criatividade e no conhecimento.

O paradigma do desenvolvimento tem que assentar na participação ativa da comunidade, na valorização dos recursos endógenos do território. É preciso (re)criar símbolos culturais comunitários, contribuir para a afirmação da identidade dos lugares e da cultura.

A participação no processo de desenvolvimento turístico faz sentido, quando pensado desde a perspetiva da animação como pedagogia participativa, ou seja, na construção de um plano de educação para o turismo numa lógica de educação não formal, uma dinâmica que envolva os agentes turísticos, os atores da cultura e da educação na gestão e otimização dos recursos humanos e dos ativos culturais. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Os projetos culturais âncora, um modelo a replicar

A consciência individual e coletiva para o papel que a cultura assume no desenvolvimento local, nomeadamente, nas dinâmicas socioeconómicas e turísticas associadas aos projetos culturais âncora na afirmação da identidade cultural do território, na sua potencialização turística e na diferenciação da ação cultural realizada com o coletivo, ou seja, pensar a cultura como motor de desenvolvimento comunitário sustentado, leva-nos a afirmar que, os projetos âncora são um modelo que deverão ser desenvolvidos no sentido de gerar sinergias de cooperação institucional, dinâmicas culturais, educativas e económicas no território. 

Os projetos socioculturais também poderão ser projetos âncora para o turismo cultural. E sublinhamos esta ideia, porque entendemos que a cultura e o turismo são dois vetores de desenvolvimento sustentável fundamentais para a afirmação do território. A história e a cultura e os signos que desenham a identidade comunitária são ativos singulares que poderão contribuir diretamente para alavancar as economias locais. 

O tempo presente e futuro são exigentes, cheio de desafios e oportunidades. A intervenção no domínio da ação cultural exige audácia, empreendedorismo, criatividade e autocrítica, mas mais importante, é analisar a realidade social para desenhar programas de animação sociocultural que validem a afirmação dos territórios culturais no mapa do (des)envolvimento das comunidades.

Na intervenção sociocultural deverá estar associado uma prática pedagógica de compromisso da cidadania ativa dos atores sociais com a afirmação e diferenciação da identidade coletiva na promoção e valorização dos ativos culturais. Estas singularidades tornam os territórios em novos atrativos turísticos, lugares de afirmação cultural  e pólos de desenvolvimento económico. 

Os executivos municipais devem esquematizar a ação política considerando o desenvolvimento económico local alavancado na política de ação cultural. Há que considerar os projetos socioculturais âncora como parte da estrutura nuclear do desenvolvimento económico local, porque a ele está agregado um conjunto de serviços e de dinâmicas sociais que potenciam e diferenciam o território pela cultura e pela ação protagonizada pelos seus agentes de desenvolvimento. Os projetos culturais âncora são um modelo de desenvolvimento a replicar em outros territórios, respeitando as singularidades das comunidades, mas potenciado os seus ativos culturais e a sua participação no desenvolvimento local sustentado na cultura local. 

Hoje pensar o desenvolvimento cultural das comunidades não é somente a promoção de iniciativas pontuais, muitas delas promovidas pelas coletividades de cultura e recreio, enquanto pólos de animação sociocultural. A visão política da ação cultural deve compreender as agremiações culturais e a escola como parceiras diretas de programas e projetos socioculturais. Elas são protagonistas do processo e da ação. É na base da cooperação que os projetos são desenvolvidos, é no envolvimento da comunidade numa perspetiva de compromisso coletivo e na visão conjunta de futuro que poderemos pensar uma política cultural sustentável. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Receção de artigos para a revista Práticas de Animação

A revista Práticas de Animação é um projeto editorial alicerçado na participação plural e eclética dos animadores socioculturais, docentes, investigadores, educadores e outros agentes de ação, que pelos seus contributos têm acrescentado valor à reflexão sobre o corpus teórico e as práticas de animação sociocultural numa perspetiva interdisciplinar, cruzando temas como o lazer, a educação não formal, as políticas culturais, entre outros domínios onde a animação sociocultural regista uma ação transformadora pela participação dos atores sociais.

A Práticas de Animação é um projeto consolidado e reconhecido pela pertinência dos conteúdos de caráter científico e de reflexão crítica. Arriscamos a afirmar que, hoje refletimos com maior particularidade sobre a animação sociocultural em Portugal. A continuidade da revista é um exemplo material da produção teórica que o coletivo tem sido capaz de realizar sobre temas relevantes e paralelos às práticas de ação transformadora.

A reflexão e o relato de experiências são as vigas que sustentam o projeto editorial. Os números até agora publicados espelham a pluralidade do sentido de participação coletiva, de diversidade de pensamento e de reflexão das práticas que contribuem para a afirmação de uma ação cultural e educativa alternativa. 

Neste quadro de realização aberta a todos os interessados em colaborar ativamente no próximo número da revista, convidamos a participarem com contributos no domínio da animação sociocultural e socioeducativa, ócio e lazer, pedagogia social, educação social, ação cultural, educação não formal e informal. Para tal, poderão enviar os trabalhos até o próximo mês de setembro de 2014, para revistaparticasdeanimacao@gmail.com

quinta-feira, 15 de maio de 2014

CALL FOR PAPERS: V Congresso Iberoamericano de Animação Sociocultural



A pedido da organização divulgamos a seguinte informação:

CALL FOR PAPERS: Até 1 de junho, 2014

SINOPSE

O V Congresso Iberoamericano de Animação Sociocultural é um congresso internacional organizado pela Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (RIA), que ocorre bianualmente num dos países pertencentes à referida rede.

O mesmo visa contribuir para o avanço da teoria e prática em animação e insere-se num conjunto de atividades que a RIA tem vindo a desenvolver desde 2006. Tais atividades tendem a promover a colaboração entre investigadores, professores, estudantes e decisores com o intuito de identificar e discutir desafios e ainda soluções de envolvimento criativo das populações, para os mais diversos problemas e contextos no mundo da Animação.

Desta forma, é preocupação central deste congresso proporcionar um espaço de encontro entre profissionais de várias áreas, nomeadamente da educação, das artes e da cultura, afim de, em conjunto, partilharem abordagens de intervenção e de investigação que sejam mais participativas, sensíveis e criativas.

Temas Principais:
• Desenvolvimento Comunitário
• Educação e Artes
• Educação ao Longo da Vida
• Educação para o Desenvolvimento
• Educação na Sociedade do Conhecimento
• Intervenção Artística com diferentes públicos
• Ócio e animação
• Associativismo e Participação
• Autarquias e Comunidade

Participantes/Destinatários:
Animadores, educadores, professores, investigadores, estudantes do ensino superior, órgãos de direção e gestão de instituições/associações e técnicos da área da animação e educação.

DATAS IMPORTANTES:
Datas do Congresso: 16, 17, 18 e 19 de outubro 2014
Inscrições no Congresso: até 15 de setembro de 2014

ARTIGOS:
Limite para a submissão de resumos: 1 de junho de 2014
Notificação dos autores sobre a aceitação de artigos: 20 de junho de 2014
Entrega final de artigos para publicação: 15 de julho de 2014

RELATOS:
Limite para a submissão de resumos: 1 de junho de 2014
Notificação dos autores sobre a aceitação dos relatos: 20 de junho de 2014

POSTERS:
Limite para a submissão de posters: 1 de junho de 2014
Notificação dos autores sobre a aceitação de posters: 20 de junho de 2014

INFORMAÇÕES/INSCRIÇÕES:

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Jornadas de Animação Sociocultural «Mediação Multidisciplinar e o Desenvolvimento Social»


Mediação Multidisciplinar e o Desenvolvimento Social são a temática das Jornadas de Animação Sociocultural organizadas pela direção do curso de Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre.

As jornadas realizam-se no dia 15 de Maio, no auditório da Escola Superior de Educação, e desenvolvem-se em quatro painéis temáticos. No primeiro painel estará em foco, A Emergência da Animação Sociocultural e Multidisciplinaridade em Análise. Entre o Sociocultural e o Socioeducativo – Práticas Reflexivas é o tema do segundo painel. O terceiro painel será dedicado às Associações Locais e Internacionalização – Experiências e conteúdos e no último painel estará em discussão a Mediação Social – Intervenção em EQUIPAS e Desenvolvimento Local em contexto socioeducativo.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Fundação INATEL promove curso de Turismo e Animação Cultural

O curso de Turismo e Animação Cultural é um dos cursos de abertura da Academia INATEL. O curso pretende promover o turismo num conceito mais generalista, associando-o a outras áreas de missão da Fundação INATEL, nomeadamente, a cultura. O curso terá uma estrutura modular, dividida por 3 trimestres, num total de 144 horas por trimestre. No último trimestre, os formandos realizarão um estágio de 4 horas semanais, desenvolvido nos serviços da Fundação INATEL ou em entidades parceiras.

O curso visa dar noções gerais de turismo, mas especializar na vertente da animação turística e cultural, formando técnicos especialistas de animação turística e cultural que de forma autónoma ou sob orientação, planeiem, organizem e executem atividades lúdico-educativas que, valorizando o contacto com os recursos turísticos e os equipamentos, associem a destreza, o desafio, a criatividade e a inovação em diversas situações e contextos.

Pode ler-se no portal da INATEL que ela «(…) é hoje reconhecida como uma instituição formadora na área da animação de turismo e cultura pelo mercado em geral. Esta ação formativa visa a criação de um produto diferenciador dos já existentes no mercado, com uma componente prática muito elevada, assente na máxima: APRENDER FAZENDO

domingo, 13 de abril de 2014

A defesa do estatuto do animador, um exemplo do bem comum

Os princípios do bem comum estão de alguma forma associados às práticas de intervenção em animação sociocultural. Estes princípios deverão ser fomentados no percurso académico e profissional dos animadores, talvez com maior incidência, em momentos chave da história recente da animação sociocultural em Portugal.

O bem comum deve ser entendido numa perspetiva transversal de intervenção pública, num processo de educação para a cidadania, de responsabilidade de todos para com todos. E não, apenas, de alguns para com muitos.

Por estes dias, o sentido do bem comum, a vontade de intervir com sentido crítico, e consequentemente, de mudança socioprofissional, foi o mote para um grupo de animadores e investigadores tomarem em mãos, um projeto que deveria ser de todos: a proposta de estatuto do animador sociocultural. Talvez o seja, mas, muito poucos foram os que acreditaram no exercício da cidadania ativa e comprometida com o bem comum.

Acredito que a proposta do estatuto do animador sociocultural apresentada pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC), documento produzido e aprovado, em Aveiro, em novembro de 2010, com a pluralidade de contributos que espelham as diferentes sensibilidades sociais e políticas. A proposta recentemente enviada para a Assembleia da República, é um bom exemplo do trabalho cooperativo e do alcance que o bem comum assume na vida coletiva dos animadores socioculturais.

Manifesto o meu sentido de responsabilidade na defesa do estatuto do animador. Acredito que foi dado um passo muito importante para que o desejado estatuto do animador sociocultural seja uma realidade efetiva e promulgada em Diário da República. Há um longo e sinuoso caminho a percorrer, para que o sonho seja uma realidade. Há uma batalha a travar, há que esgrimir argumentos e refutar falsos propósitos que obstruem a defesa da carreira e da profissão dos animadores.

As virtudes do bem comum exigem determinação, coragem e sentido de cidadania ativa para que a luta de alguns, seja o prémio da vitória de todos os animadores.