quinta-feira, 8 de maio de 2014

Jornadas de Animação Sociocultural «Mediação Multidisciplinar e o Desenvolvimento Social»


Mediação Multidisciplinar e o Desenvolvimento Social são a temática das Jornadas de Animação Sociocultural organizadas pela direção do curso de Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre.

As jornadas realizam-se no dia 15 de Maio, no auditório da Escola Superior de Educação, e desenvolvem-se em quatro painéis temáticos. No primeiro painel estará em foco, A Emergência da Animação Sociocultural e Multidisciplinaridade em Análise. Entre o Sociocultural e o Socioeducativo – Práticas Reflexivas é o tema do segundo painel. O terceiro painel será dedicado às Associações Locais e Internacionalização – Experiências e conteúdos e no último painel estará em discussão a Mediação Social – Intervenção em EQUIPAS e Desenvolvimento Local em contexto socioeducativo.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Fundação INATEL promove curso de Turismo e Animação Cultural

O curso de Turismo e Animação Cultural é um dos cursos de abertura da Academia INATEL. O curso pretende promover o turismo num conceito mais generalista, associando-o a outras áreas de missão da Fundação INATEL, nomeadamente, a cultura. O curso terá uma estrutura modular, dividida por 3 trimestres, num total de 144 horas por trimestre. No último trimestre, os formandos realizarão um estágio de 4 horas semanais, desenvolvido nos serviços da Fundação INATEL ou em entidades parceiras.

O curso visa dar noções gerais de turismo, mas especializar na vertente da animação turística e cultural, formando técnicos especialistas de animação turística e cultural que de forma autónoma ou sob orientação, planeiem, organizem e executem atividades lúdico-educativas que, valorizando o contacto com os recursos turísticos e os equipamentos, associem a destreza, o desafio, a criatividade e a inovação em diversas situações e contextos.

Pode ler-se no portal da INATEL que ela «(…) é hoje reconhecida como uma instituição formadora na área da animação de turismo e cultura pelo mercado em geral. Esta ação formativa visa a criação de um produto diferenciador dos já existentes no mercado, com uma componente prática muito elevada, assente na máxima: APRENDER FAZENDO

domingo, 13 de abril de 2014

A defesa do estatuto do animador, um exemplo do bem comum

Os princípios do bem comum estão de alguma forma associados às práticas de intervenção em animação sociocultural. Estes princípios deverão ser fomentados no percurso académico e profissional dos animadores, talvez com maior incidência, em momentos chave da história recente da animação sociocultural em Portugal.

O bem comum deve ser entendido numa perspetiva transversal de intervenção pública, num processo de educação para a cidadania, de responsabilidade de todos para com todos. E não, apenas, de alguns para com muitos.

Por estes dias, o sentido do bem comum, a vontade de intervir com sentido crítico, e consequentemente, de mudança socioprofissional, foi o mote para um grupo de animadores e investigadores tomarem em mãos, um projeto que deveria ser de todos: a proposta de estatuto do animador sociocultural. Talvez o seja, mas, muito poucos foram os que acreditaram no exercício da cidadania ativa e comprometida com o bem comum.

Acredito que a proposta do estatuto do animador sociocultural apresentada pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC), documento produzido e aprovado, em Aveiro, em novembro de 2010, com a pluralidade de contributos que espelham as diferentes sensibilidades sociais e políticas. A proposta recentemente enviada para a Assembleia da República, é um bom exemplo do trabalho cooperativo e do alcance que o bem comum assume na vida coletiva dos animadores socioculturais.

Manifesto o meu sentido de responsabilidade na defesa do estatuto do animador. Acredito que foi dado um passo muito importante para que o desejado estatuto do animador sociocultural seja uma realidade efetiva e promulgada em Diário da República. Há um longo e sinuoso caminho a percorrer, para que o sonho seja uma realidade. Há uma batalha a travar, há que esgrimir argumentos e refutar falsos propósitos que obstruem a defesa da carreira e da profissão dos animadores.

As virtudes do bem comum exigem determinação, coragem e sentido de cidadania ativa para que a luta de alguns, seja o prémio da vitória de todos os animadores.

domingo, 30 de março de 2014

Conselho da Cultura. Que papel?

O edil da Câmara Municipal do Funchal reuniu pela primeira vez, o conselho da cultura, formado por sete personalidades da área cultural. Curiosamente, a primeira conclusão do encontro foi constatar que há uma ausência de estratégia cultural, bem como, um planeamento que crie sustentabilidade aos projetos culturais.

Parece-me oportuno, retomar e vincar a posição que expões, num post anterior sobre o papel do conselho municipal da cultura, enquanto órgão consultivo que os executivos municipais deveriam constituir como elemento dinamizador do pensamento e da crítica no setor cultural do território local.

Há muito que defendo a criação do conselho municipal da cultura, enquanto, espaço de reflexão coletiva alargada e plural sobre as dinâmicas do território cultural. Estou convicto que será uma mais-valia para a captação de novas ideias, clarificação de políticas, rentabilização de recursos e acima de tudo, a definição inequívoca de uma linha estratégica de ação cultural.

Entendo que, o conselho municipal da cultura deve ser um órgão que reúna um conjunto de sensibilidades culturais e artísticas, que congregue a representatividade do tecido cultural associativo do município. É responsabilidade do executivo municipal a definição das linhas orientadoras da política cultural, dos projetos estruturantes para a vida da comunidade. É redutor deixar ao livre arbítrio de um grupo de agentes culturais o diagnóstico sociocultural do município.

Há um trabalho de análise da realidade que compete ao executivo municipal fazer com o possível recurso a entidades externas, e então, reunir com os agentes culturais e artísticos locais para desenhar linhas de ação que conduzam a um programa político alargado, no sentido, de este ser transversal a opções político-partidárias e não ser limitado no tempo pelo mandato do executivo municipal.

Pensar a cultura e desenhar estratégias de intervenção neste campo é um trabalho transversal que exige envolvimento dos vários atores locais. Pensar a cultura como motor de desenvolvimento económico exige capacidade de diálogo e de negociação com o objetivo claro de educar para a cultura. O ponto de partida está no processo educativo e de envolvimento da comunidade nos projetos culturais.

Pensar a cultura é pensar a comunidade de forma horizontal, compreender as suas dinâmicas e potencialidades. É democratizar o acesso à cultura.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2014

«Desde que existe sociedade humana, existe o irreprimível espírito da representação.

Debaixo das árvores, nas pequenas cidades e sobre os palcos sofisticados das grandes metrópoles, nas entradas das escolas, nos campos, nos templos; nos bairros pobres, nas praças públicas, nos centros comunitários, nas caves do centro das cidades, as pessoas reúnem-se para comungar da efeméride do mundo teatral que criámos para expressar a nossa complexidade humana, a nossa diversidade, a nossa vulnerabilidade, em carne, em respiração e em voz.

Reunimo-nos para chorar e para recordar; para rir e para contemplar; para ouvir e aprender, para a firmar e para imaginar. Para admirar a destreza técnica, e para encarnar deuses. Para recuperar o fôlego coletivo, na nossa capacidade para a beleza, a compaixão e a monstruosidade. Vivemos pela energia e pelo poder. Para celebrar a riqueza das várias culturas e para afastar as fronteiras que nos dividem.

Desde que existe sociedade humana, existe o irreprimível espírito da representação.

Nascido na comunidade, veste máscaras e os trajes das mais variadas tradições. Aproveita as nossas línguas, os ritmos e os gestos, e cria espaços no meio de nós. E nós, artistas que trabalhamos o espírito antigo, sentimo-nos compelidos a canalizá-lo pelos nossos corações, pelas nossas ideias e pelos nossos corpos para revelar as nossas realidades em toda a sua concretude e brilhante mistério.

Mas, nesta ERA em que tantos milhões lutam para sobreviver, está-se a sofrer com regimes opressivos e capitalismos predadores, fugindo de conflitos e dificuldades, com a nossa privacidade invadida pelos serviços secretos e as nossas palavras censuradas por governos intrusivos; com florestas a ser aniquiladas, as espécies exterminadas e os oceanos envenenados.

O que é que nos sentimos obrigados a revelar?

Neste mundo de poder desigual, no qual várias hegemonias tentam convencer-nos que uma nação, uma raça, um género, uma preferência sexual, uma religião, uma ideologia, um quadro cultural é superior a todos os outros, será isto realmente defensável? Devemos insistir que as artes sejam banidas das agendas sociais?

Estaremos nós, os artistas do palco, em conformidade com as exigências dos mercados higienizados ou será que têm medo do poder que temos para limpar um espaço nos corações e no espírito da sociedade, reunir pessoas, para inspirar, encantar e informar, e para criar um mundo de esperança e de colaboração sincera?»

Brett Bailey


Tradução: Margarida Saraiva; revisão EV; Escola Superior de Teatro e Cinema

sexta-feira, 21 de março de 2014

V Congresso Iberoamericano de Animação Sociocultural

O V Congresso Iberoamericano de Animação Sociocultural Da participação na cultura à cultura da participação organizado sob a chancela da Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (RIA), realiza-se em Portugal, na cidade de Leiria, entre os dias 16 e 19 de outubro de 2014. 

O congresso visa contribuir para o aprofundamento da teoria e da prática da animação, reunindo investigadores, professores, animadores, estudantes entre outros agentes das áreas da educação, da cultura e das artes com o propósito de identificar e discutir os desafios e soluções de envolvimento ativo e criativo das populações, no contexto de intervenção da animação sociocultural.  

A didática da participação enquanto elemento central do processo de animação, o apoio ao crescimento da democracia, desenvolvendo redes de trabalho e de aproximação entre as comunidades na procura do bem-estar, o reforço do valor da cidadania ativa, criativa e da participação são outros dos propósitos do congresso. 

De acordo com a organização o congresso tem entre outros objetivos:

- Desenvolver um espaço de produção ao nível do conhecimento e de divulgação de informação científica na área da animação bem como de criação de atividades;
- Permitir a troca de de conhecimento, de experiências e de práticas no âmbito da animação sociocultural; 
- Contribuir para a consolidação da animação sociocultural como prática que pode e deve, através do fomento da participação, contribuir para a transformação dos diversos contextos sociais, culturais e comunitários, em contextos mais saudáveis e solidários;
- Contribuir para o desenvolvimento da animação sociocultural nos campos académicos, políticos e comunitários;
- Consolidar a animação sociocultural enquanto didática da participação;
-Reforçar o papel da animação enquanto método de educação para a participação.

No V Congresso Iberoamericano de Animação Sociocultural estarão em destaque os seguintes temas:

- Desenvolvimento comunitário;
- Educação e Artes;
- Educação ao Longo da Vida;
- Educação para o Desenvolvimento;
- Educação na Sociedade do Conhecimento;
- Intervenção Artística com diferentes públicos;
- Ócio e Animação;
- Associativismo e Participação;
- Autarquias e Comunidade

quarta-feira, 5 de março de 2014

I Congresso Internacional Animação Sociocultural, Turismo, Património, Cultura e Desenvolvimento Local

A Intervenção - Associação para a Promoção e Divulgação Cultural promove nos dias 24, 25 e 26 de abril de 2014, o «I Congresso Internacional Animação Sociocultural, Turismo, Património, Cultura e Desenvolvimento Local», evento que se realiza na Golegã.

A metodologia de trabalho do congresso assenta em painéis e relatos de experiências. Os painéis versarão sobre os seguintes temas: 

- Animação Sociocultural, Associativismo, Sociedade Participada e Desenvolvimento Local;
- Animação Turística: Teorias, Paradigmas, Fundamentos e Metodologias;
- Animação Sociocultural: Turismo, Cultura e Educação Multicultural e Intercultural;
- Animação Sociocultural: Turismo, Ócio, Tempo Livre, Intervenção e Desenvolvimento Comunitário;
- A Animação Sociocultural e participação comunitária no desenvolvimento e conservação do património cultural;
- Animação Sociocultural: Turismo, Cultura, Património e os Agentes de Intervenção;
- Animação Sociocultural, Turismo, Cultura, Artes, Património como meio de emprego e empreendedorismo social, cultural e educativo para o século XXI.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Oferta de emprego: «Animador SocioCultural com experiência»

Há uma linha muito ténue que separa a leviandade da escrita da realidade factual. Isto a propósito de um anúncio on-line de oferta de emprego para «Animador SocioCultural com experiência», referência # 1934568, divulgado no portal net-emprego, no dia 26 de fevereiro de 2014.

Uma instituição social pretende contratar uma animadora sociocultural com experiência para exercer funções na valência de centro de dia com idosos. O insólito desta oferta de emprego, e sublinho insólito, entre os vários requisitos é a exigência a que a(s) candidata(s) ao posto de trabalho tenha(m) «conhecimentos em cozinha».

É de capital importância para a salvaguarda do bom nome da instituição e da sua direção técnica, que haja o bom senso nesta matéria, no sentido, de esclarecer cabalmente, sobre a oferta de emprego. É pretendido recrutar um ajudante de cozinha ou um animador sociocultural? Estamos a falar de duas profissões muito distintas: o ajudante de cozinha trabalha numa cozinha em redor de tachos; e o animador sociocultural trabalha numa relação social e educativa com pessoas.

Repudio a forma grosseira com que os agentes sociais, em concreto, os animadores socioculturais são considerados por algumas instituições, quando a legislação em vigor define os parâmetros técnicos e os recursos humanos necessários ao bom funcionamento das instituições sociais, nomeadamente, os centros de dia.

É lamentável que a direção técnica da instituição tenha cometido um erro grosseiro e de uma atrocidade social e de classe para com os agentes sociais, digna de um atestado de incompetência. É lamentável que a direção do centro social desconheça o trabalho que o animador sociocultural desenvolve com a população sénior.

Assumo a minha ignorância sobre um dos requisitos para exercer funções de animador sociocultural numa instituição de acolhimento de seniores: o domínio da arte da culinária. Talvez seja exigível, apenas em alguns cérebros mais acutilantes.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O turismo das culturas

O potencial turístico associado à cultura é a força motriz na dinamização económica de uma comunidade e de atrativo para um território. É fundamental pensar um plano de promoção turística com respeito pelos ativos culturais locais e regionais, no sentido de esses ativos serem a alavanca para o desenvolvimento integrado do território, das suas gentes e do turismo cultural como aposta política racional. Podemos considerar como um dos ativos culturais o património cultural material e imaterial. 

Pensar o turismo no território cultural municipal exige uma reflexão aturada e uma partilha comum de objetivos para que, o plano de desenvolvimento turístico, não seja um documento de intenções políticas, mas um referente estratégico de envolvimento e participação da sociedade civil.  Pensar o turismo implica diálogo com os atores locais, exige envolvimento e ações qualificantes dos ativos culturais. 

O binómio cultura e turismo remete o processo para um campo de ação que será mais profícuo do ponto de vista do envolvimento da comunidade, da ideia de participação ativa dos turistas e visitantes, se estiver alicerçado num processo comunicativo que envolva e qualifique o tecido sociocultural. 

 Há que projetar a cultura no turismo. Esta divisa é política, social, económica e cultural, mas mais importante, é a perceção real e efetiva que a cultura desempenha na alavancagem da economia local, na participação da comunidade no seu próprio processo de desenvolvimento económico, na afirmação das identidades e na promoção da cultura local. 

 É de fulcral importância desenvolver as potencialidades turísticas virgens dos pequenos municípios, que por razões geográficas, económicas e de estratégia política menos acertada, remeteram os territórios para uma segunda linha de desenvolvimento endógeno. Hoje há que potencializar outros modelos de desenvolvimento comunitário. 

 A promoção cultural e turística através de eventos socioculturais qualificantes, genuínos na participação comunitária, projetores da história e da cultura locais são um veículo de desenvolvimento do território, de fixação da população, de gerenciamento de riqueza e de valorização da identidade do lugar e das suas gentes, e dos ativos culturais.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A desgovernação na cultura

A ação cultural municipal não pode estar sujeita a um calendário de vontades político-partidárias. Esta é uma preocupação que tenho manifestado há muito, em vários fóruns de discussão e em encontros de trabalho. É urgente que os agentes culturais tenham a coragem de reivindicar uma política cultural municipal estruturada e musculada nos recursos e nos ativos culturais do município, que projete a cultura como pólo dinamizador e de desenvolvimento comunitário local.

É fundamental dinamizar a cultura, mas antes, compreender a função dos equipamentos culturais municipais (centros cívicos, biblioteca municipal, espaços museológicos), para então, desenhar um projeto dinamizador das culturas. Há que potenciar os espaços socioculturais, imprimindo-lhes identidade comunitária, envolvendo na sua dinamização os agentes culturais e educativos.

A escola não pode estar divorciada da comunidade cultural, a reciprocidade entre ambas é fundamental para um projeto pedagógico contínuo no tempo, capaz de proporcionar aprendizagens não formais. A escola é um elemento nuclear no trabalho cultural. É fulcral construir pontes entre a comunidade e a escola, entre agentes educativos e socioculturais, enfim, aproximar a escola do território cultural. Não concebo, ideologicamente, uma política cultural municipal que não esteja alicerçada na pedagogia cultural.

Não é legítimo falarmos na concretização de política cultural, se não houver, um plano pensado e cuja execução seja viável a médio e longo prazo, isento de clientelismos e desenhado em função do calendário político-partidário. Falemos antes, num calendário de atividades culturais. Este não é despropositado, se estiver fundamentado num projeto de desenvolvimento comunitário cultural.

As agremiações culturais e artísticas, os artistas que singram no mundo das artes, por conta e risco, os agentes educativos e turísticos têm uma palavra importante a acrescentar ao debate. Eles devem ser convocados a participar no projeto de governação da cultura. É importante que os executivos municipais compreendam o alcance que a cultura tem no desenvolvimento local e dêem passos firmes na consolidação de uma verdadeira e integradora política cultural.