terça-feira, 17 de setembro de 2013

Animation Lab

Animation Lab é um projeto de estágios internacionais na área da animação sociocultural, enquadrado no programa de formação profissional da União Europeia Leonardo da Vinci.

O objetivo do projeto Animation lab é dar a oportunidade aos animadores socioculturais de colocarem em prática a sua experiência num contexto profissional internacional durante um período de 5 meses, em países como Espanha, Itália, Reino Unido e Húngria.

A Associação Rota Jovem, organização coordenadora da iniciativa ocupa-se da medida de mobilidade que está relacionada com a colocação de jovens em empresas e organizações noutros países para realização de estágios profissionais.

Podem candidatar-se ao projeto Animation Lab, animadores com idade superior a 18 anos e inferior a 35 anos. Outro dos requisitos é serem licenciados em animação sociocultural ou na área das ciências sociais e humanas, técnicas ou educação social. Os candidatos que não reúnam as condições elegíveis anteriores, devem possuir o curso técnico-profissional na  área, ou ter no mínimo um ano de experiência profissional nesta área. As candidaturas estão abertas até o dia 15 de outubro de 2013.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Congresso Internacional «Teatro do Oprimido»

A intervenção - Associação para a Promoção e Divulgação Cultural organiza o I Congresso Internacional «Teatro do Oprimido - teorias, técnicas e metodologias para a intervenção social, cultural e educativa no século XXI. 



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Mensagem da UNESCO para o Dia Internacional da Juventude 2013


O Dia Internacional da Juventude é celebrado no dia 12 de agosto. Apesar de volvidos alguns dias, parece-nos importante e atual divulgar a mensagem da diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, a assinalar a efeméride.

«Os jovens representam hoje quase um terço dos migrantes internacionais. Essas migrações redirecionam o mapa do mundo e a face da sociedade moderna. Elas representam um imenso potencial de reaproximação dos povos, do diálogo intercultural e de desenvolvimento. No entanto, elas também provocam um imenso desafio em termos de exclusão, de pobreza, de exploração ou de discriminações.
É vital conhecer melhor as realidades complexas dessas migrações, conceber as políticas públicas para que sejam mais adequadas e mais eficazes. A pesquisa em ciências sociais são de importância decisiva. Elas mostram as evoluções surpreendentes de fluxos migratórios ao longo dos últimos 20 anos: mais numerosos, mais femininos e mais jovens. O Dia Internacional da Juventude dedicado aos migrantes jovens coincide justamente com o lançamento do Relatório mundial da juventude sobre este tema, que traz um esclarecimento original sobre o impacto dos jovens migrantes no futuro das nações.
Para liberar o potencial dos jovens, devemos considera-los como parceiros de primeiro plano na concepção e na implementação de políticas que lhes concernem. Novas ferramentas aumentaram nossos métodos de consulta, de participação e de diálogo: vamos usá-las, então! A Conferência Nacional sobre a Migração de Jovens e o Desenvolvimento, em Chennai (Índia), em cooperação com a UNESCO, é um exemplo de evento sobre mudanças que permite aos jovens e aos pesquisadores de compartilhar suas experiências, como outros eventos similares que aconteceram este ano em Samoa sobre emprego para jovens, na Rússia sobre o diálogo intercultural, no Quirguistão sobre jovens mulheres migrantes… No mesmo espírito, e tenho o prazer de anunciar que o 8° Fórum de Juventude da UNESCO acontecerá na sede da Organização, em Paris, de 29 a 31 de outubro de 2013. Para que todos os jovens de mobilizem para defender seus direitos: a jovem Malala Yousafzai, que lutou pela educação de meninas é um exemplo. Vamos dar-lhes meios de se fazerem compreendidos!
A intensidade dos movimentos migratórios em um mundo globalizado e conectado clama por uma cooperação mais forte e solidária entre os Estados. Exige também, no interior das sociedades, que haja mais acesso à educação de qualidade, à participação democrática e a competências interculturais, que ajudam a viver juntos, especialmente nas cidades, onde vive mais da metade da população mundial.
Quer pela rejeição à pobreza, pelos perigos de aquecimento climático, pela aspiração a uma vida digna ou pelo respeito de seus direitos, milhões de jovens desejam construir um futuro melhor além de suas fronteiras. Eu peço neste dia aos parceiros da UNESCO e a todos os Estados-membros a unirem seus esforços para fazer dessa energia considerável uma força e um ativo para a paz, o desenvolvimento e o respeito aos direitos do indivíduo.»

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A animação sociocultural na encruzilhada da realidade sociopolítica (II)

É preocupante o encerramento abrupto dos cursos superiores de animação, considero um revés na afirmação social da profissão e na formação académica dos animadores. Esta medida origina diferentes sentimentos e leituras sobre o processo e contribui para alimentar a descrença coletiva de transformação social da realidade atual. Outra leitura, talvez reúna menos apoio, mas com maior fundamento à luz da realidade social, política e educativa do país, é o ajustamento da oferta formativa à procura por parte dos candidatos ao ensino superior. Não quero descurar a possibilidade de um ajustamento da procura às reais necessidades do mercado de trabalho.

Qual o número de animadores licenciados em Portugal? Porque não há uma uniformização dos planos de estudos das licenciaturas em animação sociocultural? Porquê as muitas nomenclaturas para designar os cursos de animação quando têm em comum a matriz axiológica? Estas são questões que devem servir de base para compreendermos o processo em marcha. Continuo a defender uma única nomenclatura em animação, com um plano de estudos comum e uma aposta inequívoca em áreas de especialização que sejam uma resposta aos paradigmas de desenvolvimento dos territórios e das comunidades.

A animação sociocultural não é panaceia para os males sociais e os animadores não são «bombeiros» de serviço para socorrer as instituições. É preciso balizar a profissão, é fundamental definir competências técnicas e sociais, mas acima de tudo é urgente fomentar uma plataforma de pressão que desperte nas instituições a necessidade das dinâmicas da animação no seio organizacional. A aproximação progressiva entre as organizações de ensino e o mercado laboral é um desafio permanente e, é por excelência uma porta aberta a um intercâmbio de experiências que possibilitam um real conhecimento do que é ser animador sociocultural.

Os animadores reivindicam espaços de intervenção e reclamam para o exercício da profissão a presença de agentes socioculturais em inúmeras organizações da administração pública e da sociedade civil. Este é um exercício de cidadania, um direito que lhes assiste e um propósito sério e digno de registo. Não considero que a animação sociocultural esteja moribunda, ela continua dinâmica, talvez a pujança dos animadores esteja orientada para labores exclusivamente individuais em detrimento do coletivo. Os novos movimentos sociais são expressão de dinâmicas de animação sociocultural, de força coletiva que irrompe do anonimato cidadão e conquista identidade de grupo impelindo para um novo paradigma de cidadania na era global.

Os contextos educativos e sociopolíticos alteraram-se e com eles, nós, cidadãos e animadores, somos forçados a nos reposicionar no mundo, a ler e reinterpretar a realidade, a mediar conflitos e implementar soluções à luz dos novos paradigmas. A animação sociocultural enquanto metodologia de intervenção comunitária e padrão estratégico de fomento da participação ativa dos indivíduos nos processos de mudança, encontra nos grupos e nas instituições os recursos endógenos ao desenvolvimento local sustentável.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A animação sociocultural na encruzilhada da realidade sociopolítica (I)

A animação sociocultural e os animadores enquanto fomentadores da participação comunitária são protagonistas de reflexões espontâneas, apaixonadas, e por vezes eloquentes. É preciso focar a reflexão e posterior ação nos tempos sociais que vivemos, eles são bafejados por ventos de mudança e de oportunidades que empelam os animadores, enquanto militantes da cidadania ativa comprometida com a democracia e o bem comum, a projetarem no presente aquilo que poderá ser novos âmbitos de intervenção sociocultural.

O que é a animação sociocultural? Quem são os animadores? São duas questões que se revelam de difícil resposta. A identidade socioprofissional é a matriz da ação que se desvaneceu no tempo.

Uma premissa nuclear para fundamentar a animação desde a perspetiva dos animadores é que conheçam o seu ADN profissional, ou serão incapazes de contribuir individual e coletivamente para descodificar os sinais sociais da sociedade atual e compreender as suas dinâmicas. Na verdade, quantificar e tentar definir as funções do animador sociocultural é um exercício académico que exige um conhecimento da realidade profissional. Neste domínio de estudo, têm que ser os próprios agentes da mudança social a construírem o discurso teórico da animação e consequentemente a definirem as suas funções, enquanto profissionais especializados na área.

Aos animadores socioculturais é exigido autenticidade, atitude ativa e crítica na intervenção face às realidades socioculturais, políticas e educativas no entorno dos territórios de intervenção. É esperado dos animadores um discurso técnico-científico com o objetivo de transmitir numa linguagem persuasiva através da sua ação o que é a animação sociocultural e os seus territórios de intervenção.  

O prof. Avelino Bento e muito bem, desafiou os animadores a refletirem sobre as suas práticas. Não posso estar mais de acordo. Há a ausência de uma reflexão alargada e comprometida por parte dos animadores sobre as suas práticas, um exercício que exige a conjugação de dois vetores estruturantes: a teoria e a ação. Não menos verdade é a falta de um sentido de responsabilidade pela dignificação da profissão materializada em grupos de pressão, com objetivos claros e com uma linha de orientação estratégica definida para o longo prazo. Falta a coesão grupal que nunca conseguiu vingar entre os animadores.

É total responsabilidade dos animadores a materialização do conceito de animação sociocultural, para isso, impõe-se que soltem as amarras do porto seguro e se aventurem, com a convicção de que poderão contribuir positivamente para a mudança do perceção social e política sobre o trabalho dos animadores socioculturais. Definir a animação sociocultural é uma condição para construir socialmente e identitária da profissão. 

Não é legítimo, digo mesmo, é confuso reivindicar um estatuto profissional quando os próprios interessados não refletem sobre as suas práticas com o objetivo de sintetizarem o conceito matricial da animação sociocultural à luz das nossas realidades sociais, educativas, económicas, políticas e culturais. É fundamental agir em função de uma atitude pró-ativa e de uma consciência crítica.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Recepção de artigos para a revista Práticas de Animação

A revista Práticas de Animação é um projeto editorial que tem privilegiado a reflexão sobre o corpus teórico e as práticas de animação sociocultural, numa perspetiva interdisciplinar e de reflexão plural partilhada por animadores, educadores, investigadores e outros atores sociais com experiências e vivências profissionais que permitem posicionarem-se no campo teórico-prático da animação e projetar as suas reflexões no seio de uma comunidade aberta e democrática como a dos animadores socioculturais que continua a dinamizar a discussão sobre a animação e as suas práticas.

É nosso desiderato reunir um conjunto diversificado de contributos que aclarem sobre as dinâmicas da animação e sejam achegas para a reflexão sobre o papel da animação sociocultural nos múltiplos contextos de intervenção. Os artigos poderão versar sobre a animação sociocultural, socioeducativa, turística, o ócio, o lazer e os tempos livres, as políticas culturais, a pedagogia social e a educação sociocomunitária, entre outros domínios de investigação e intervenção privilegiados para a ação dos animadores.

Neste quadro de realização convidamos todos os interessados a colaborar no próximo número da revista. Para tal poderão enviar os seus contributos até o próximo mês de setembro de 2013, para o e-mail: revistapraticasdeanimacao@gmail.com

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O reconhecimento europeu sobre a animação juvenil (III)

O Conselho e os Representantes dos Governos dos Estados-Membros convidam a Comissão e os Estados-Membros no quadro das suas competências a criarem condições mais favoráveis para o desenvolvimento, apoio e implementação da animação juvenil, bem como, reconhecer e fortalecer o seu papel na sociedade. Outra recomendação está associada com o apoio ao desenvolvimento de novas estratégias, ou melhoria das existentes para desenvolver as capacidades dos animadores e dirigentes juvenis, e apoiar a sociedade civil na implementação de modelos ajustados de formação de animadores /dirigentes.

O reconhecimento e o aumento qualitativo da animação juvenil poderão ser rentabilizados, caso haja, a identificação das competências e métodos partilhados pelos agentes da animação e as diversas formas de intervenção. A empregabilidade jovem é um desafio permanente e audaz, quando ele é meta para os animadores e dirigentes juvenis e a sua mobilidade através de um melhor (re)conhecimento das suas qualificações e capacidades adquiridas pelas práticas.  

A Resolução do Conselho e dos Representantes dos Governos dos Estados-Membros também sugere a promoção e apoio à investigação no domínio da animação juvenil e da política de juventude, e a disponibilização de informação sobre a animação e torna-la acessível através de mecanismos de informação, aumentando as sinergias e a complementaridade entre iniciativas da União Europeia, do Conselho da Europa e de outros organismos europeus, nacionais, regionais e locais. Esta medida é reforçada com a promoção de oportunidades de intercâmbio, cooperação em rede de animadores/ dirigentes juvenis, decisores políticos e investigadores no domínio da juventude.

A sociedade civil com afetação direta ao trabalho socioeducativo é incentivada a aumentar a plataforma de acessibilidade da animação juvenil a todas as crianças e jovens, em especial, as que têm menos oportunidades, bem como, promover a formação de animadores e dirigentes que exercem a sua atividade no domínio da juventude, com o intuito de garantir a qualidade das práticas de intervenção. A avaliação das abordagens, dos métodos e práticas de animação juvenil é uma das recomendações dirigidas à sociedade civil, que é desafiada a continuar a investir no desenvolvimento inovador através de novas iniciativas sustentadas nas experiências reais das crianças e jovens, dos animadores e dirigentes.

É salientada a importância do reconhecimento do papel da animação juvenil como plataforma de oportunidades de aprendizagem não formal. A animação deverá estar integrada nas políticas e programas de juventude por forma a possibilitar a todos os jovens, a aquisição e desenvolvimento de capacidades e competências necessárias à sociedade e à economia de 2020 e mais além.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O reconhecimento europeu sobre a animação juvenil (II)

É consensual que a animação contribui para a definição e concretização de políticas de juventude em áreas como a aprendizagem ao longo da vida, a inclusão social e a criação de emprego através da capacitação social e empreendedora dos jovens. Estas valias deverão ser ratificadas formalmente pelos governos locais, regionais e nacionais, através do reconhecimento formal e da validação das competências adquiridas pelos processos de educação não formal.

A Resolução do Conselho e dos Representantes dos Estados-Membros reforçam a necessária complementaridade de implicar em matéria de animação juvenil os decisores políticos, os dirigentes e animadores juvenis, investigadores e outros atores sociais associados de alguma forma à juventude. Esta pretensão das organizações europeias poderá materializar-se através dos Conselhos Municipais de Juventude enquanto órgãos consultivos dos decisores políticos e plataformas de democracia representativa e participativa.

Os conselhos municipais são ferramentas privilegiadas para o exercício da cidadania ativa, teoricamente, é a partir do diálogo estruturado que emergirá contributos válidos sustentados na realidade concreta vivida pela juventude, ser a voz irreverente que denúncia as necessidades e alerta para os desafios que os jovens enfrentam como grupo social, desafios como a exclusão social e o desemprego jovem. O Conselho Municipal de Juventude é um ator social personificado pelo coletivo, a quem é-lhe incumbida a responsabilidade, quando não instrumentalizado partidariamente, de contribuir para a definição de políticas locais de animação juvenil.

É recomendado aos Estados-Membros que promovam estratégias de apoio e remoção dos obstáculos à animação juvenil. Os apoios poderão ser financeiros, de recursos ou infra estruturas. Outras formas de apoio poderão passar pelo envolvimento das organizações governamentais e não governamentais locais e regionais na assunção de um papel mais ativo no desenvolvimento, no apoio e na implementação da animação juvenil. Os Estados-Membros também poderão contribuir no apoio e desenvolvimento da animação juvenil na implementação do quadro renovado, extensível na concretização dos objetivos dos diversos campos de intervenção.

O Conselho e os Representantes dos Estados-Membros convidam a Comissão a desenvolver estudos para mapear a diversidade, a abrangência e o impacto que a animação juvenil assume na União Europeia. Outro desafio está associado ao desenvolvimento de capacidades e competências dos animadores e dirigentes juvenis, bem como, o reconhecimento da aprendizagem não formal via animação juvenil proporcionando experiências de aprendizagem com a mobilidade aos animadores e dirigentes. Desenvolver instrumentos que atestem as competências dos animadores e dirigentes juvenis que ajudem a reconhecer e a avaliar a qualidade da animação juvenil na Europa. 

Estas recomendações devem ter acolhimento por parte dos decisores políticos que em parceria com as organizações da sociedade civil apoiem o desenvolvimento de estratégias para a sustentabilidade de dinâmicas locais de animação juvenil. Os paradigmas de desenvolvimento social e de bem-estar comunitário podem ser trabalhados na perspetiva da animação. O protagonismo tem de estar do lado dos jovens cidadãos, são eles que no exercício da sua cidadania e na rebeldia das suas ideias que contribuirão para uma política de juventude responsável e de inclusão social.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O reconhecimento europeu sobre a animação juvenil (I)

As políticas setoriais para a juventude produzidas no seio da União Europeia constituem os antecedentes da «Resolução do Conselho e dos Representantes dos Governos dos Estados-Membros, reunidos no Conselho, sobre animação juvenil». Pode ler-se no documento que os antecedentes políticos de tal Resolução estão associados à ação da União Europeia que deve ter por objetivo o incentivo ao «… desenvolvimento de programas de intercâmbio para jovens e animadores socioeducativos ( …) e a participação dos jovens na vida democrática» (2010: 1). Outros propósitos são o programa «Juventude em acção» e a resolução sobre um quadro renovado para a cooperação europeia no domínio da juventude (2010-2018).

Para o Conselho a animação juvenil «(…) é uma expressão lata que abrange uma grande diversidade de actividades de natureza social, cultural, educativa ou política, efectuadas por jovens, com e para os jovens. Nestas actividades incluem-se ainda, cada vez mais, o desporto e os serviços aos jovens.» (2010: 1). O Conselho e os representantes dos Governos dos Estados-Membros reconhecem que a animação juvenil pertence ao domínio da educação extraescolar e está sustentada em dinâmicas de aprendizagem informal e não formal e na participação voluntária. As atividades são geridas autonomamente e/ou conjuntamente sob a orientação educativa ou pedagógica de animadores e dirigentes juvenis.

De acordo com a Resolução do Conselho e dos Representantes dos Governos dos Estados-Membros a animação juvenil é organizada e exercida por organizações dirigidas por e para jovens, grupos informais ou entidades públicas, aos níveis local, regional, nacional e europeu conforme o contexto comunitário, histórico, social e político de realização da animação juvenil; mediante o objetivo de envolver e empoderar todas as crianças e jovens, principalmente, os com menos oportunidades; o empenho de animadores e dirigentes juvenis; as organizações, serviços ou prestadores governamentais ou não, independentemente de serem ou não, dirigidos por jovens. Saliente-se que as autoridades locais e regionais também desempenham um papel fundamental no apoio e desenvolvimento local e regional da animação juvenil.

A animação juvenil complementa o âmbito da educação não formal, possibilitando aos jovens as mais variadas aprendizagens informais e não formais, de assunção de responsabilidades na execução de ações individuais e no coletivo, e conferindo-lhes o papel de protagonistas no seu próprio processo de desenvolvimento, dotando-os de autonomia, de espírito empreendor e de emancipação social. A animação juvenil contribui para o fortalecimento das relações grupais, para a capacitação pessoal e profissional e na tomada de decisões.

O valor social que a animação juvenil acresce na vida dos jovens pode ser mensurável ao nível da sua participação autónoma nos processos de desenvolvimento grupal, na responsabilização social através do voluntariado, e consequentemente, da cidadania ativa através do exercício dum um diálogo estruturado, intergeracional e intercultural como elo de reforço da coesão social comunitária. A aludida Resolução sobre a animação juvenil no contexto europeu aponta para o contributo que a animação poderá assumir no desenvolvimento da criatividade, da sensibilização sociocultural, do empreendedorismo e da inovação dos jovens. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A animação sociocultural e o território educativo

Os territórios educativos enquanto espaços de educação formal, informal e não formal são lugares de dinâmicas sociais e culturais de crianças e jovens, são espaços de criação de identidade e de cultura, capazes de proporcionarem experiências partilhadas. A escola como território privilegiado da educação formal tem de ser observada como agente de mudança social e, consequentemente, também cenário de políticas de animação sociocultural, ou seja, a animação enquanto pedagogia transformadora implícita aos processos geradores de participação cidadã e de desenvolvimento comunitário tem que ser potencializada através das dinâmicas educativas.

Neste quadro de realização é pertinente focar o projeto de enriquecimento curricular «Mercado Quinhentista» dinamizado numa primeira edição apenas pela comunidade educativa da Escola Básica e Secundária de Machico. Nos passados dias 07, 08 e 09 de junho, realizou-se a 8ª edição do projeto cuja temática foi «Machiquo Villa Manuelina», numa organização da Câmara Municipal de Machico e da Escola Básica e Secundária de Machico. Uma organização que conta com a participação ativa de escolas, organizações educativas e culturais locais e regionais, partilhando dos objetivos e acrescentando valores culturais. À luz da matriz conceptual da animação sociocultural penso ser correto considerar o «Mercado Quinhentista» um projeto de animação, porque ele é fortemente envolvente e redesenhado pela participação comunitária a cada edição.

O projeto de recriação histórica extravasou o território da educação formal, mas mantêm-se fiel aos objetivos traçados pelos docentes responsáveis pela paternidade do «Mercado Quinhentista» e a uma metodologia de pedagogia participativa, de envolvência e coresponsabilidade de todos os atores que corporizam o projeto. O envolvimento comunitário através da participação ativa das organizações educativas, culturais e sociais, do comércio local e a emergência de novas dinâmicas turístico-culturais associadas ao «Mercado Quinhentista» revelam práticas transformadoras de uma cidadania alheia à vida cultural, com o emergir de uma pedagogia da participação cidadã voluntária, da promoção da cultura e da história, como ativos culturais decisivos para o alavancar da economia local mediadas por processos educativos nos contextos da educação formal e da não formal.  

Este é um exemplo da necessária e urgente complementaridade de políticas de animação sociocultural que precisam de germinar nos territórios educativos. É preciso construir uma cidadania ativa alicerçada na democracia da cultura e da responsabilidade socioeducativa partilhada por todos os atores sociais. Envolver é um verbo de ação, e deverá sê-lo na construção de políticas educativas e culturais, numa relação de proximidade e de compromisso. A animação sociocultural enquanto pedagogia participativa e transformadora através da ação humanizadora de homens e mulheres conscientes do seu papel cidadão só será efetiva, dinâmica e construtora de um tecido socialmente equilibrado, se houver processos mobilizadores da participação de crianças e jovens em projetos que garantam equidade no acesso à cultura e à educação.

A escola de hoje tem que proporcionar experiências de cidadania cultural, de transmissão de valores democráticos e de construção de um diálogo estruturado. A animação sociocultural e a educação deverão ser o suporte de políticas sustentáveis que visem o desenvolvimento comunitário pela participação de todos os atores sociais. É necessário reforçar o diálogo e a cooperação entre a escola e a comunidade envolvente, uma dinâmica que não pode ser entendida como perda da autonomia, mas como a dinamização do território educativo não formal. Este é um espaço privilegiado para a pedagogia dos valores e da cidadania.