segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

«O que é preciso é criar desassossego»

«O que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a criar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! (...) Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de "homenzinhos" e "mulherzinhas". Temos é que ser gente, pá». (José Afonso)





segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Programa de Estágios Jovens Animadores

A Fundação da Juventude promove mais uma edição do Programa de Estágios Jovens Animadores do Museu da Electricidade (PEJAME). O programa enquadra-se no primeiro Vector de Intervenção Estratégica da fundação. Destacamos alguns dos objetivos delineados pela entidade promotora:

- Reforçar no Museu da Electricidade um espírito de juventude, em matéria de receção, comunicação e demosntração da respetiva riqueza museológica;
- Fomentar o interesse e a participação de jovens qualificados na revitalização da atividade museológica portuguesa;
- Adquirir competências orientadas para o desempenho de funções práticas;
- Reforçar as competências pessoais, profissionais e culturais.

O programa é destinado a alunos do ensino superior público ou privado, a frequentar uma licenciatura, mestrado, ou pós-graduação. A iniciativa oferecida pelo museu visa proporcionar aos jovens «animadores» o aprofundamento dos seus conhecimentos técnico-científicos, desenvolver as capacidades pessoais de liderança, gestão de grupos, espírito de iniciativa e de equipa, compromisso e disciplina em contexto real de trabalho.

É pertinente referir que o programa de estágios tem como público-alvo preferencial, os jovens que frequentam os cursos com componentes em física, electricidade, electrónica, química, energia ou ambiente. Estou convicto que estas áreas do saber não fazem parte dos currículos dos cursos das licenciaturas e mestrados em Animação. Fica o reconhecimento e estímulo da Fundação da Juventude para com os jovens animadores com formação académica na área da animação sociocultural.

Para mais informações, clique aqui.





quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Dia Mundial da Liberdade - 23 de janeiro

Liberdade

Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente

Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada

Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir.

Sérgio Godinho

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Quaderns d’ Animació i Educació Social

A revista Quaderns d' Animació i Educació Social editada pelo prof. Mário Viché, conta com um novo número participado por um leque de investigadores de Portugal, Espanha, Brasil, Argentina e França. Destaque para áreas de intervenção que não são alheias à animação sociocultural, pelo contrário, cruzam-se. Está em foco neste número a política cultural, a pedagogia e a educação sociais, sem descorar a reflexão sobre a formação dos animadores em Espanha e comparativamente no Brasil.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Associação Nacional dos Animadores Socieducativos

Há um novo projeto associativo, ainda embrionário, divulgado através de uma rede social, algo inesperado, face ao quadro social e económico do país, mas, de todo pertinente perante o desânimo coletivo e os desafios sociais que nos envolvem a todos.

Segundo os seus dinamizadores a associação «(...) tem como objetivo a união dos profissionais da área da Animação, bem como, a criação de vários cursos de especialização na área da mediação. Antevemos  uma grande necessidade de técnicos especializados nos próximos anos e teremos com toda a certeza um papel fundamental na restruturação do Estado Social.». Este propósito coletivo é do ponto de vista das dinâmicas sociais, educativas e da revitalização do papel do animador no seio da comunidade e na sua interligação com as organizações, uma ação necessária para restabelecer e animar o papel da mediação, entre os grupos sociais e as instituições da sociedade civil.

Na minha opinião a futura estrutura associativa poderá revitalizar o debate em torno da discussão «sedada» sobre a uniformização da nomenclatura profissional dos animadores (socioculturais, socioeducativos, culturais, sociais, …), graças à designação social da associação. Este fato revela a irreverência e a necessidade de respeitar as diferenças dentro do grupo dos animadores. Esta designação fará reacender a discussão sobre a proposta de Estatuto do Animador defendida pela APDASC - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural, que defende uma única nomenclatura profissional.

O debate sobre o papel do Estado social é uma matéria sensível que exige um elevado sentido democrático e de responsabilidade cidadã na sua discussão. Infelizmente, não tive oportunidade de ouvir e ler algo sobre esse desígnio assinado por animadores. Desejo estar enganado, mas parece-me que as preocupações dos animadores são outras que não as do Estado social. A emergência do debate sobre o papel dos animadores socioeducativos vinculados à mediação, tal como é vincado pelos responsáveis do organização é extensível aos animadores socioculturais e demais agentes agregados à intervenção social e educativa. A figura do mediador sociocultural goza de diploma próprio definido pela Lei n.º 105/2001, de 31 de agosto de 2001, que enquadra o seu estatuto legal.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A Animação sociocultural e os desafios da sociedade portuguesa

Nos últimos anos a sociedade portuguesa iniciou a travessia do deserto. Uma sociedade que produziu no imaginário social, um quotidiano de falsas ilusões materializadas na ascensão de uma «burguesia» movida pelo enriquecimento fácil, mas vazia de ideias para efetivar um plano de desenvolvimento comunitário sustentado. Vivemos um «ciclo de ouro» alimentado pelos parceiros europeus, agora pagamos a fatura da irresponsabilidade política e da ambição coletiva em projetarmo-nos socialmente como uma sociedade de elite, e pobres em matéria de propriedade cultural. Vivemos a ilusão de sermos uma sociedade do futuro, fruto da indisciplina, uma leviandade transversal a todo o sistema governativo.

Assistimos ao declínio da cultura. As instituições públicas do setor cultural e outras com responsabilidades neste setor fomentaram a política do subsídio, em detrimento de projetos socioculturais capazes de produzir resultados que sustentassem programas de desenvolvimento cultural no espaço geográfico dos territórios locais e regionais.

Os processos de democracia e democratização culturais foram preteridos em função do espetáculo do imediatismo, do show-off, enfim, o erário público alimentou coletividades estéreis, incapazes de continuarem a atividade sociocultural sustentada num trabalho valorizador e de salvaguarda das raízes culturais da comunidade. Felizmente, às exceções, são projetos que devem continuar a serem apoiados graças ao bom trabalho de ação cultural e de participação comunitária que foram capazes de empreender na comunidade.

Projetaram-se novos equipamentos culturais, mas os responsáveis políticos descoraram o essencial, o planeamento e a criação de serviços educativos desenhado para ser um mecanismo de educação não formal, um instrumento dinâmico de aprendizagens e de educação para a cultura. Hoje temos os recursos infraestruturais e humanos, falta-nos a visão política que sustente o binómio educação e cultura. Talvez pela ausência e insistência absurda dos decisores em não quererem ouvir os técnicos.

Insisto na ideia da economia social e solidária. Os recursos comunitários continuam a ser um eixo estratégico para (re)fundar um projeto de revitalização da economia local, um nicho de crescimento à microescala importante para a continuidade da vida cultural das nossas comunidades, geradora de dinâmicas económicas que não salvará as economias regional e nacional, mas estou convicto de que alavancará a economia local. É urgente despertar nos cidadãos os valores da solidariedade, da participação comunitária, da cidadania comprometida com a mudança coletiva e da cultura do verdadeiro voluntariado para que as comunidades avancem, com firmeza num processo global de transformação social.

É expectável que os animadores socioculturais não descartem o papel pró-ativo que devem assumir no desiderato de contribuir para a mudança efetiva. Esta deverá estar projetada no exercício profissional dos animadores. Arrisco a afirmar que os agentes socioculturais afrouxaram as leituras críticas sobre a realidade e respetiva ação coletiva, «demitiram-se» da responsabilidade de assumir categoricamente uma posição de rutura e de transformação social. Falta alavancar com firmeza na ação a cultura do bem comum, um desiderato comunitário e um dos desafios imediatos nos processos de animação sociocultural.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Adeus 2012! Bem-vindo 2013!

O ano 2012 está no seu término. Ele foi repelto de desafios e sacrifícios que foram muito para além do que é socialmente aceite e tolerável. Não estavamos conscientes da intensa dor social que foi imposta aos portugueses, agora fazemos ideia do flagelo que foi semeado na sociedade portuguesa. Continuo a acreditar que a solução está na ação coletiva, num processo de consciencialização face a um problema que ultrapassa a ação governativa, parece-me óbvio que idealizamos uma sociedade à escala do interesse individual e cooperativo. Vivemos uma ilusão que acabo da pior forma.  

Foi um ano difícil e severo social e económicamente, mas também foi de oportunidades e de conquistas diárias, de um labor intenso e acutilante para demonstrarmos a nós próprios que eramos capazes de ultrapassar a adeversidade. O nosso ADN está irrigado pela resistência ideológica e cultural.

Faço votos para que nos encontremos em 2013, convictos da urgência que é necessária operar no domínio da política social, económica, mas também, e fundamentalmente, repensarmos a política cultural ao nível regional e municipal. Que 2013 seja marcado pela solidariedade, pelo respeito mútuo entre os homens, que a etnia e a religião não sejam entrave, mas, ponte no diálogo cultural entre os povos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Votos de um feliz e santo Natal

Adoração dos Reis Magos
Atribuído ao Mestre da Adoração de Machico
Início do século XVI
O Natal é um tempo de partilha dos afetos, da solidariedade genuína, de celebrar a «Festa», tal como é conhecido e vivido o Natal madeirense. O meu Natal! É este que quero celebrar, e continuar a acreditar que o Natal é quando o Homem quiser,…

É um tempo cíclico que transporta-nos para o cosmos, para um mundo onde as diferenças e as divergências ideológicas não têm lugar. É um tempo de saudade e de magia. É nesta altura que todos estão disponíveis para ajudar, uma ação solidária que exige entrega e disponibilidade durante todo o ano. Façamos Natal todos os dias, em 2013.

Feliz e Santo Natal!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Novo número da revista «Práticas de Animação»

Está disponível o mais recente número da «Práticas de Animação». O número agora editado reúne um conjunto de trabalhos de investigação nos domínios da animação sociocultural, do tempo livre e do lazer, da gerontologia – no Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações -, da educação de adultos e de experiências de formação no contexto da animação.

«A “Práticas de Animação” é um projeto consolidado, graças, à participação dos animadores e investigadores que contribuem para a democratização do debate e das reflexões sobre as práticas e os contextos da animação sociocultural. É um espaço de discussão livre e de consolidação de novas hipóteses sobre as práticas de animação». (Editorial, número 5)

Falamos de hipóteses sobre as práticas de animação não porque a animação sociocultural seja um laboratório de experiências, mas de participação e de cidadania democrática geradora de autonomia dos indivíduos e de práticas solidárias e responsáveis pelo coletivo.

O número agora publicado traduz a nossa convicção no projeto da revista, ele é sinónimo da sustentabilidade e da diversidade de pensamento traduzidos na escrita. É um ato criador que desejamos que continue a fortalecer-se na participação ativa de animadores e investigadores, em razão da animação sociocultural.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Animação e Animadores. Um futuro improvável

O estado atual do nosso microcosmos social, cultural, político e educativo é o centro e a periferia do questionamento permanente, que nos empela na procura de respostas às inquietações sociais e do compromisso com a cidadania e a democracia, fruto do exercício da intervenção sustentada numa participação ativa e comprometida com os grupos. Esse questionamento também projeta-nos para outras preocupações, nomeadamente com a qualidade, o rigor técnico-científico e o futuro da formação em animação sociocultural.

Esta inquietação intensifica-se com o debilitar da pujança dos militantes associativos da animação sociocultural, sinal manifesto do recuo face a projetos que exigem empenho e sentido de responsabilidade face à defesa dos interesses coletivos. O número de candidatos admitidos ao grau de licenciatura em animação sociocultural no ano letivo 2012/2013 é um sinal preocupante. A qualidade do plano de estudos, o know how técnico-científico do corpo docente e a localização geográfica do par estabelecimento de ensino/curso poderão ser indicadores que influenciam ou contribuam para explicar o afrouxamento do interesse pelos cursos superiores de animação. No ano letivo 2012/2013, registou-se a suspensão da abertura de novas vagas para a licenciatura em animação sociocultural devido à fraca procura pelo curso.

Que modelo de animadores socioculturais tem o ensino superior formado para o mercado de trabalho? Haverá alguma relação entre a definição teórica do perfil do animador e o mosaico político, sociocultural e educativo do país? Talvez a formação académica dos animadores socioculturais têm sido inspirada em modelos teóricos e projetados para um espaço geográfico localizado, um bom exemplo dessa ação redutora é o território regional onde está localizado o estabelecimento de ensino. Uma outra hipótese é a proliferação excessiva dos cursos profissionais de animação sociocultural que anualmente formam centenas de animadores que alegremente contribuem para as estatísticas.

O mercado de trabalho em Portugal há muito que regrediu no sentido de possibilitar uma primeira oportunidade de experiência profissional aos recém-licenciados em animação, graças, à proliferação dos técnico-profissionais. Diga-se em abono da verdade, são «excelentes» soluções para as organizações. Precisamos hoje de compreender os caminhos da animação e os percursos sinuosos dos animadores em Portugal.