sábado, 25 de agosto de 2012

Afinal, quais são as prioridades dos animadores?

Os argumentos que sustentam as discussões e, consequentemente, a produção de matéria, por vezes, controversa entre os próprios animadores, não tem tido o acolhimento e a reflexão contínua que entendo ser necessária para a prossecução dos objetivos da proposta de «Estatuto do Animador», que ciclicamente anima e apaixona os intervenientes nos debates relacionados com a profissão de animador. Este é um tópico frequente na agenda dos congressos e encontros de animação, mas, manifestamente insuficiente, ou seja, uma «proposta» que continuará a ser isso mesmo, uma proposta sem continuidade, porque aparentemente o dossier de «Estatuto de Animador» não teve continuidade junto dos organismos oficiais, que por si só, poderá constituir matéria para a continuidade de um processo de reflexão e de apresentação de propostas válidas e adequadas à realidade da profissão em Portugal, no sentido de ser um estatuto socioprofissional reconhecido pelo Estado.

A ausência do reconhecimento do Estatuto do Animador pelo Estado inviabiliza qualquer ação no sentido do reconhecimento legal e estatutário no Catálogo Nacional das Profissões e da dignificação da profissão.

Afinal, quais são as prioridades coletivas dos Animadores? É preciso exercitar outros âmbitos de intervenção associativa, que na minha opinião, serão reveladores da capacidade criativa, crítica e observadora da realidade sociocultural, política e educativa dos organizações que formam animadores e desenvolvem um trabalho comunitário de animação sociocultural. A discussão sobre a animação e a formação dos animadores não pode estar condicionada a uma agenda particular ou cooperativa, antes, deverá estar ao serviço dos animadores, e são estes agentes que devem definir as suas prioridades coletivas e o papel que a animação assume no contexto sociopolítico do país. Falta-nos a capacidade de auscultar os animadores, e aos muitos outros, distribuídos geograficamente pelo território nacional assumir a sua cidadania, e através de uma ação coerente contribuir para que as prioridades que se desvanecem no vazio da identidade dos animadores, sejam na verdade, os objetivos que alimentam o nosso conceito de práticas de animação sociocultural.

Não encontro animadores a discutirem e a refletirem as suas práticas. Os textos que refletem sobre temas relevantes no domínio da intervenção em animação sociocultural, assinados por de animadores da minha geração, é uma raridade, talvez, não tenha pesquisado o suficiente. Desafio os animadores a passar para a escrita as suas reflexões e a divulgá-las, só assim, seremos capazes de aprender mutuamente. O futuro da animação constrói-se com as práticas e discussões presentes, e que as fazem são os animadores socioculturais.

A ausência de tomadas de posição sobre matérias em que os animadores socioculturais também deverão implicar-se ativamente, é pretexto para questionarmo-nos sobre o que os animadores desejam para o grupo de pares. As tomadas de posição, simples exercícios de reflexão argumentativa são excelentes pretextos para efetivar simples práticas da cidadania comprometida com a mudança social, com a construção de uma comunidade solidária com os seus membros, de dirigentes associativos empenhados num futuro que ofereça estabilidade social aos seus pares.

domingo, 12 de agosto de 2012

Dia Internacional da Juventude – 12 de agosto



«A atual geração de jovens, a maior que o mundo jamais conheceu, a grande maioria vivendo em países em desenvolvimento, tem um potencial sem precedentes para promover o bem-estar da de toda a família humana. No entanto, muitos jovens, incluindo aqueles que são altamente qualificados, têm salários muito baixos, estão em empregos sem futuro ou desempregados. A crise econômica mundial atingiu mais gravemente a juventude e muitos estão compreensivelmente desanimados por causa das desigualdades crescentes. Um grande número de jovens não têm perspectivas imediatas e estão privados do seu direito a participar nos processos políticos, sociais e de desenvolvimento dos seus países. Se não tomarmos medidas urgentes, corremos o risco de criar uma “geração perdida” de talentos e sonhos desperdiçados.

Trabalhar com os jovens e para os jovens é uma das minhas principais prioridades. Os jovens são uma força transformadora. São criativos, engenhosos e agentes entusiastas da mudança, quer seja na praça pública quer seja no ciberespaço. Desde o seu papel central nos esforços para alcançar a liberdade, democracia e a igualdade, à sua mobilização global de apoio à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a juventude demonstrou uma vez mais, energicamente, a sua capacidade e o desejo de inverter o curso da história mundial e encontrar soluções para os desafios globais.

Os homens e as mulheres jovens não são beneficiários passivos, mas sim parceiros iguais. As suas aspirações vão muito além do emprego. Os jovens também querem ter um lugar à mesa, uma voz real na definição das políticas que moldam suas vidas. Precisamos ouvir e dialogar com os jovens. Precisamos estabelecer cada vez mais e mais fortes mecanismos para a participação dos jovens. Chegou a hora de integrar as vozes de jovens de forma mais significativa em processos de decisão a todos os níveis.

Em todo o mundo, existe um crescente reconhecimento da necessidade de reforçar as políticas e investimentos que envolvam os jovens. No Dia Internacional da Juventude, apelo aos governos, ao setor privado, à sociedade civil e às universidades que abram as portas aos jovens e reforcem parcerias com organizações lideradas por jovens. A juventude pode determinar se nesta era nos movemos em direção a um maior perigo ou em direção a uma mudança positiva. Vamos apoiar os jovens do nosso mundo para que eles se tornem adultos que criam gerações de líderes ainda mais produtivos e poderosos.»

Mensagem do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, alusiva ao Dia Internacional da Juventude – 12 de agosto de 2012.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

4º Congresso Iberoamaricano de Animação Sociocultural



A Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural através do Nodo RIA Uruguai organiza o 4º Congresso Iberoamaricano de Animação Sociocultural, de 1 a 4 de novembro de 2012, na cidade de Montevideo, República Oriental do Uruguai. A temática em discussão estará centrada na educação e no desenvolvimento comunitário.

As linhas de intercâmbio, debate e reflexão, partilhadas em conferências, ateliers, cursos, intervenções urbanas, espetáculos e tertúlias, assentará nas seguintes diretrizes: 

- A animação sociocultural e a construção da cidadania e sentido coletivo. Diversidade – multiculturalismo geracional.
- A animação sociocultural e a sua articulação com a educação popular, a educação social e a educação não formal, a recreação e o desporto.
- A animação sociocultural e o desenvolvimento comunitário: fazer a criação de cenários de proximidade relacional. A cultura, o seu desenvolvimento e a criação de consciência cidadã.
- A animação sociocultural e o seu papel na transformação social com ênfase na luta contra a pobreza e a exclusão social.
- A animação sociocultural como referente científico e académico do diálogo social, comunitário e educativo.
- A animação sociocultural na construção de acessibilidade para todas e todos: possibilidades educativas de articulação em diferentes tempos e espaços.

Divulgar experiências e conhecimentos de animação sociocultural dos paises que constituem o espaço iberoamericano; contribuir para a consolidação da animação sociocultural como uma prática concebida desde um marco ético, político e estético, que pode e deve contribuir para a formação de cenários e territórios sociais, culturais e comunitários saudáveis e solidários; contribuir para o desenvolvimento da animação sociocultural nos campos académico, político e comunitário, práticas de socialização e investigações que fundamentem os processos socioeducativos, culturais e populares com especial ênfase no contexto iberoamericano; e gerar oportunidades para a discussão e partilha de ideias sobre propostas e projetos de animação sociocultural, educação não formal e educação popular no território iberoamericano são alguns objetivos do congresso.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Um excelente exemplo de trabalho em rede de instituições sociais

Dia dos Avós: Bragança está a preparar manual da animação sénior

Os responsáveis por instituições de várias aldeias do concelho de Bragança querem tornar os dias dos idosos nos lares mais ativos e animados, com um projeto que contempla a publicação de um guia para motivar a atividade sénior.
A ideia nasceu de uma lacuna detetada pelos centros paroquiais de Santa Comba de Rossas, Santo Estêvão, Pinela, São Roque e Salsas, que concluíram existirem poucas atividades destinadas a idosos, ao contrário do que acontece com outras faixas etárias, como jovens e crianças.
Segundo explicou hoje à Lusa João Carlos Estevinho, o responsável pelas instituições em causa, no âmbito do trabalho em rede que têm desenvolvido decidiram avançar com um estudo/projeto de animação sénior à procura de formas de "motivar a atividade, conhecendo o envelhecimento".
O projeto, de acordo com o responsável, procura "ir ao encontro do gosto dos idosos" e descobriu que os jogos tradicionais assumem-se como uma motivação comum aos cerca de 20 idosos que estão a participar na fase de estudo.
"Os lares, às vezes, são uma pasmaceira, porque há pouca coisa adaptada à nossa realidade e a ideia é criar motivação a partir de algo muito conhecido dos nossos idosos, que são os jogos tradicionais, como a malha, o fito ou de mesa", afirmou.
Com estas atividades pretendem contribuir "para o bem-estar, a recuperação dos idosos e ajudar a retardar o processo de envelhecimento e de patologias limitadoras".
Desde o início do ano que uma equipa composta por seis técnicos superiores e o presidente das instituições efetuaram estudos sobre motivação e conhecimento do processo de envelhecimento e jogos tradicionais e outros, associado ao trabalho que realizam em lares de idosos e serviços de apoio domiciliário.
Os promotores comemoram hoje o Dia dos Avós com atividades integradas no projeto, que, durante os meses de julho e agosto, têm em curso os jogos em oficinas de animação, "para verificação da adequabilidade destes ao bem-estar e progresso individual e coletivo, bem como ao retardar do processo degenerativo, proveniente de algumas patologias associadas à idade".
João Carlos Estevinho garantiu à Lusa que os "resultados são animadores".
O estudo deve estar concluído em setembro e até ao final do ano esperam reunir num livro as conclusões.
O propósito é disponibilizar a outras instituições congéneres "um contributo, um instrumento", para motivarem a atividade e animação sénior.
As receitas deste novo manual para o envelhecimento ativo servirão para ajudar a financiar as atividades destas instituições dedicadas aos seniores.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Revista Quaderns d’ Animació i Educació Social

Está disponível o número 16, da Quaderns d’ Animació i Educació Social. Esta publicação semestral tem como principal público os agentes da animação sociocultural, da educação popular e da educação social, bem como, o mundo universitário.

O número agora publicado conta com uma colaboração portuguesa. A prof. Sónia Alexandre Galinha assina o artigo «Los Factores de Sostenibilidad Social en la Educación – La Dinámica Intersubjetiva de la Era de la Globalización».

«LA ANIMACIÓN SOCIOCULTURAL. DE LA MILITANCIA TRANSFORMADORA A LA ACCIÓN SOLIDARIA Y LIBERADORA» é o ensaio editorial da responsabilidade do editor da revista, o prof. Mario Viché. «Las acciones de Educación para el Desarrollo como manifestaciones de Animación Sociocultural» é outro trabalho que destaco é assinado por Mª Dolores Atienza Ibáñez.

domingo, 8 de julho de 2012

A função social e cívica da animação cultural de Fernando Namora

O capítulo «Cultura e animação cultural» da obra a nave de pedra cadernos de um escritor originou em mim, uma deambulação por realidades comunitárias reais e atuais, que à luz da escrita de Fernando Namora são um retrato político, social e cultural, resultado de um projeto político-partidário, mas que carecem de sustentabilidade em matéria de participação da comunidade e de um projeto cultural capaz de ser agregador de uma agitação intelectual e artística, ou seja, construi-se os equipamentos mas falta-nos o essencial, a comunhão comunitária do projeto. É urgente educar para a cultura, é preciso que as pessoas voltem a sentir o pulsar do ser comunidade.

É com preocupação que observo o mapa geográfico do sociocultural e perceciono que nós, talvez, enquanto comunidade, não somos capazes de gerar na nossa espontaneidade individual e coletiva mecanismos de revitalização de dinâmicas de festividade, de socialização capazes de produzir na agitação do pensamento e da ação, produtos culturais, ou revitalizar alguns que pela incúria dos homens ou na sua finita inteligência julgaram ser «coisas» do primitivo «homo sapiens». Porque não, projetar com e para a comunidade um programa de salvaguarda da cultura popular, porque é neste universo de símbolos e de rituais que estão as nossas raízes identitárias e o nosso simbólico cosmos. Houve um plano de realizações de espaços para a cultura, mas esquecemo-nos de provocar um processo de educação comunitária para um quadro sociocultural e político que privilegie as diversas expressões e manifestações da cultura, ou talvez, deixamos que outros se encarregassem desse empreendimento,

A cultura é a bússola que orienta o espírito humano. O homem deve ser educado para o que é a cultura, respeitando a sua diversidade e salvaguardando as muitas expressões peculiares e identitárias da matriz cultural de um povo. Em que sentido pode a animação cultural contribuir para a consciencialização dos indivíduos em matéria de promoção da cultura, em especial da cultura popular? Que lugar tem a cultura no projeto político de um município ou de uma região? Celebrar a festa, a cultura de um povo não é só promover espetáculos e festivais. É valorizar as memórias na celebração da cultura local, é privilegiar o que demarca um povo dos outros, é projetar para o exterior a riqueza cultural e patrimonial, promovendo um destino de turismo cultural.  

A gestão administrativa do território não pode ser oposição à manutenção de rituais comunitários, como fonte de produção da cultura popular. A animação cultural tem um papel tão necessário como urgente na salvaguarda e na manutenção das redes de sociabilidade comunitária. As casas da cultura e outros equipamentos comunitários são recursos que precisam de um projeto de dinamização sociocultural mas é fundamental que a comunidade local seja parte integrante e ativa da dinâmica. As palavras escritas por Fernando Namora continuam atuais e são de uma inteligência social e cívica sobre a qual, devemos refletir e depois agir, cabalmente.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A animação cultural na escrita de Fernando Namora

«CULTURA E ANIMAÇÃO CULTURAL

(…)

Que é, pois, verdadeiramente cultura, cuja noção importa definir e incutir, para que as pessoas a sintam onde quer que residam, onde quer que sonhem e lidem, onde quer que lutem, seja aonde for que se exprimam como células vivas do tecido social? A definição não é fácil precisamente porque terá de incluir tudo o que diferencia a existência como simples função económica-fisiológica da existência como acto participante e criador – um canto profundo que irrompe de cada um de nós, indivíduos, e de uma sociedade enquanto organismo solidarizado no intercâmbio desses impulsos singulares.

A cultura será, por conseguinte, uma certa maneira de nos situarmos no mundo, interrogando-o, interpretando-o e refazendo-o, de nos dispormos no xadrez gregário, uma certa maneira de conceber o trabalho, os lazeres e a fruição de tudo isso, uma certa maneira de apreender a novidade e de a legar, já transfusionada, aos que receberão de nós um universo inevitavelmente modificado.

Nada, pois, menos passivo que cultura. Todo o fenómeno cultural pressupõe alvoroço e adesão fecundamente às coisas e aos seres – deles e delas recolhendo as linfas que, após subtis alquimias, irrigam o que de mais vital existe na trama colectiva. Nada menos passivo e nada menos aristocrático. Sabe-se, aliás, que é nas épocas de crise, quando o homem joga astuciosamente com a sua esterilidade e o seu desespero, que se propõe uma cultura amaneirada, de difícil acesso, que, como todo o cerimonial ofuscador, não tem verdade nem tem fé.

O camponês que inventa uma dança ou uma cantiga referentes ao seu mundo de anseios e labores, o pastor que, nas horas solitárias, esculpe bichos, objectos ou figurantes do seu agro, o aldeão que representa um auto tradicional e lhe acrescenta a sua perspectiva das paixões, o citadino que pratica desporto num estádio, a criança que traduz, num desenho, uma cena familiar – todos eles fazem cultura, e fazem-na, sobretudo, se cada um desses actos for diverso dos que, no tempo e no espaço, de algum modo se lhes assemelharam.

Porque é justamente na diversidade, e não na obediência a um figurino, que os valores culturais o são como tal e oferecem ao homem a chave da adaptação, o mesmo que dizer: da sobrevivência. Políticos, sociólogos, economistas, são agora unânimes em acusar de paralisadora a uniformidade para que tendíamos, reduzida a orbe, pela informação globalizada, às dimensões de uma vitória, em que os acontecimentos e a instantânea reacção por eles provocada eram impostos aos homens de qualquer lugar e de qualquer contexto. O apelo, agora, mostra timbre bem distinto: é dirigido ao que existe de específico em cada povo, em cada agregado, em cada indivíduo, repositório decantado de experiências acumuladas, que a prática a todo o momento reformula, pois essa especificidade revela-se muito mais capaz de agir positivamente sobre o mundo, de integrar as verdades novas, de rectificar as desigualdades, do que a artificial padronização de um estilo de vida.

(…)

A animação cultural, portanto, nesta fase de rudimentarismo das populações, deveria ter em vista fundamentalmente a sensibilização dos espíritos aos seus próprios valores. Ensinar as pessoas a servirem-se dos seus sentidos, a entenderem, a interferirem, a reconhecerem, afinal, o significado e a relevância dos actos que as testemunham. Como escreveu Michel Guy: "dar ao público os meios de se identificar." O convívio com obras de arte, a romagem a monumentos e museus, a organização de exposições, palestras, festivais. de pouco valem, ou o seu vinco será efémero, se as pessoas se sentirem de "fora", se não tiverem sido gradual e insistentemente preparadas para um desfrute genuíno. Daí que a cultura, para ser assumida e dinamizada, precise dos veículos mais diversos. E não dispense nenhum dos domínios da actividade humana, a escola, a oficina, o recreio. Em todos eles deverá erguer-se uma antena que capte e transmita esse estremecimento pujante que vibra num povo inteiro quando tem alguma coisa a escutar e a dizer-nos.

Educar, revelar, adestrar o gosto. Mas, primeiro que tudo, incitando as iniciativas espontâneas dos interessados. De contrário, desenharemos abstracções num papel impávido, edificaremos templos mortos, como parece ter sucedido à amioria das Casas de Cultura com que muitos países, ditos civilizados, julgaram satisfazer as necessidades culturais  dos cidadãos.»

In a nave de pedra cadernos de um escritor

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Receção de trabalhos para o próximo número da revista «Práticas de Animação»

A revista «Práticas de Animação» é um projeto editorial que tem como objetivo gerar espaços de reflexão e discussão sobre a animação sociocultural, através das suas diversas práticas educativas e culturais, possibilitando desta forma que animadores e outros agentes possam contribuir ativamente para a afirmação de novos projetos no âmbito das práticas de animação sociocultural. Uma das linhas mestras da revista é disponibilizar aos leitores, em particular, aos animadores um conjunto de investigações, relato de experiências e artigos de opinião sobre temáticas como a animação, o lazer e a recreação, o desenvolvimento comunitário, os tempos livres, a pedagogia e a educação social, entre outros temas. Este é um projeto editorial assinado «pela universalidade de temas e pensamentos verbalizados pela escrita, reflexões de investigadores e acções de Animadores protagonizadas nas muitas perspectivas do que é a Animação e em que contextos podem intervir».

A «Práticas de Animação» é uma revista eclética, aberta à participação de todos os interessados. É graças ao contributo de todos aqueles que solidariamente têm contribuído para a sustentabilidade deste projeto, participações que para nós têm um grande significado e que são reveladoras da premência desta publicação no contexto da reflexão sobre as teorias e as práticas da animação sociocultural.

Convidamos todos os interessados em colaborar no próximo número da revista (a editar em outubro de 2012), a remeterem os seus trabalhos para o e-mail del.madeira@apdasc.com até final do mês de setembro próximo. Este é um projeto aberto à participação dos animadores, dos académicos e de todos os investigadores cuja atividade se cruza com os campos multidisciplinares da animação sociocultural.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O reconhecimento do papel dos animadores socioeducativos pelos organismos europeus (II)

Os paradigmas de desenvolvimento cultural, social e económico estão num processo de conversão e de sedimentação em novos modelos de crescimento sustentado nos recursos comunitários endógenos. O trabalho com os jovens também deve buscar outros paradigmas de intervenção.

Os animadores socioculturais ou socioeducativos têm a responsabilidade ética e um compromisso com os grupos, no sentido de provocarem com eles processos participativos de desenvolvimento de um conjunto de estratégias de trabalho e de consciencialização no seio das organizações de juventude para um trabalho que é prioritário desenvolver em vários setores de atividade, nomeadamente, no emprego, porque os números são chocantes ao nível do desemprego jovem, agora sim, falemos de empreendedorismo e de projetos inovadores dinamizados por jovens. O nosso país precisa urgentemente da alma e da vitalidade da juventude, ele precisa do contributo ativo de todos. Os animadores têm responsabilidades na dinâmica de outros processos de desenvolvimento e de participação. Não deixemos o futuro da juventude e das nossas regiões, apenas, nas mãos dos decisores políticos.

A implementação das políticas de juventude têm que assumir um caráter transversal e a animação socioeducativa é o eixo transversal à ação política com o objetivo de convocar os jovens para a participação ativa e responsável nas decisões que lhes dizem diretamente respeito. O Comité Económico e Social Europeu defende que «Os jovens devem estar no centro da estratégia. O trabalho de animação socioeducativa e a participação em estruturas para a juventude constituem a forma mais eficaz de chegar até eles. Assim, a avaliação e a melhoria da qualidade do trabalho de animação socioeducativa devem ser uma prioridade.» (2009).

O reconhecimento do papel dos animadores socioeducativos pelos organismos europeus é um marco indelével do exercício da animação em contextos de educação não formal, como é as associações de juventude, espaços de promoção da cidadania ativa, mas também, de outras estruturas de decisão que são importantes instrumentos democráticos de participação e decisão dos jovens. Este reconhecimento precisa de concretizar-se no contexto nacional e regional. Os animadores têm que desenvolver estratégias que provoquem o reconhecimento do papel da animação sociocultural ou socioeducativa nas estruturas de juventude, o valor do desenvolvimento de projetos com os jovens para a concretização de estratégias de inclusão social e de competências reais experienciadas no quotidiano.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

O reconhecimento do papel dos animadores socioeducativos pelos organismos europeus (I)

A designação «animadores socioeducativos» é o termo comum do trabalho realizado com jovens, conceito utilizado no n.º 2, do artigo 149ª do Tratado da União Europeia. A Comissão das Comunidades Europeias no documento «Uma Estratégia da EU para a Juventude – Investir e Mobilizar – Um método aberto de coordenação renovado para abordar os desafios e as oportunidades que se colocam à juventude» (2009), reporta a animação socioeducativa para o campo da educação não formal. A animação socioeducativa «…é uma forma de educação realizada fora da escola por profissionais ou voluntários no contexto de organizações de juventude, entidades autárquicas, centros de juventude e paróquias…», um trabalho com jovens que contribui para o seu desenvolvimento.

A Comissão reconhece a transversalidade e o alcance de possíveis estratégias de ação desde a animação socioeducativa, enquanto, trabalho não formal mas que precisa de uma maior profissionalização como resposta social e política em áreas passíveis de serem matérias de discussão e objeto das políticas de juventude, como o insucesso escolar, a exclusão social, o desemprego, a ocupação dos tempos livres, entre outros fenómenos sociais e culturais quotidianos para os quais, urge encontrar respostas capazes de inverter uma escala de crescimento de fatores de exclusão social com níveis seriamente preocupantes na nossa sociedade.

O papel da animação socioeducativa deverá estar no centro das políticas de juventude dos estados-membros, uma ideia fortemente sublinhada pelos organismos europeus e expressa nos respetivos pareceres. A triangulação – educação não formal, organizações de juventude e trabalhadores socioeducativos (leia-se animadores) – são elementos chave para o sucesso da aproximação dos jovens e da sua participação ativa e consciente nas tomadas de decisão em matéria de políticas de juventude; políticas que não podem ser discutidas de forma isolada e como medidas avulsas, pelo contrário, elas têm de ser parte integrante de um manifesto social global e inclusivo.

A educação não formal como complemento da educação formal concretiza-se numa pedagogia da ação, da consciencialização e dinamização das potencialidades individuais e coletivas dos jovens, pois, o trabalho de animação socioeducativa tem que traduzir-se na tomada de consciência da juventude para a sua própria realidade.