terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Revista «Quaderns d’Animació i Educació Social»

«Quaderns d’ Animació i Educació Social» é uma revista semestral destinada a animadores socioculturais e educadores sociais, editada pelo prof. Mario Viché. O número atual da revista reúne um conjunto significativo de trabalhos que versam sobre a educação social e a animação sociocultural.

O desenvolvimento comunitário nos tempos de crise social e económica, o movimento internacional dos «indignados», o voluntariado e a animação sociocultural, a formação em animação e áreas profissionais afins, em Espanha, a ciberanimação e o envelhecimento ativo são temáticas refletidas nos trabalhos publicados no número atual.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A César o que é de César

Continua a prevalecer uma leviandade no exercício de funções de animador sociocultural na administração pública local. A alguns dias atrás, foi contatado por uma colega que questionou-me sobre os efeitos práticos da aprovação do estatuto do animador sociocultural, aprovado em assembleia-geral da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC), na cidade de Aveiro, no decorrer do I congresso nacional de animação sociocultural, em novembro de 2010. Uma questão pertinente e que exige a todos os animadores uma reflexão ponderada e sem euforias.

A questão que me colocou está diretamente relacionada com o procedimento concursal para o provimento de uma vaga de técnico superior Animador Sociocultural, na autarquia onde exerce funções de animadora, como assistente técnica, apesar de ser licenciada em animação socioeducativa. A revolta manifestada ao longo da nossa conversa, estado de espírito justificado face a um procedimento contínuo de injustiça laboral. Curiosamente, o mapa de pessoal da autarquia referente a 2011, prevê duas vagas de assistente técnico para o exercício de funções em animação cultural, sem fazer referência à especificidade da formação académica e/ou profissional. O mesmo mapa de pessoal é mais detalhado quando explicita as atribuições e competências a desempenhar como técnico superior na área da animação cultural, especificando que o técnico deverá possuir formação académica e/ou profissional em design, estando mesmo a decorrer o tal concurso de provimento para um técnico superior para o exercício da profissão de animador cultural na autarquia.

Esta é uma realidade que continuamos a ignorar, porque na verdade, ainda não fomos capazes de trilhar um caminho de diálogo com as instituições com responsabilidades na gestão das relações laborais e no reconhecimento das novas profissões. Precisamos de ultrapassar o grau de satisfação pelo dever cumprido com a aprovação de uma «proposta» de estatuto do animador. Precisamos de colocar na mesa do debate e  da agenda política as questões socioprofissionais dos animadores socioculturais. Esta é uma forma ética, responsável e digna de valorizar os animadores e combater o clientelismo e tráfico de influências.

Este é o tempo de avançarmos coletivamente para a mudança, uma realidade que se transformará com a participação de todos. As intenções não mudam os factos, as ações através de um trabalho associativo concertado com outros parceiros sociais contribuem para a transformação da nossa realidade. Não basta a aprovoação do estatuto pelos animadores, é preciso trabalhar para que ele tenha caráter legislativo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Revista «Práticas de Animação», número 4

A Delegação Regional da Madeira da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC) acaba de publicar o número 4, da revista «Práticas de Animação». Este é um projecto editorial que tem previlegiado a reflexão sobre a Animação Sociocultural, numa perspectiva transdiciplinar e plural partilhada por Animadores, investigadores e académicos, com experiências e vivências que permite posicionarem-se no campo teórico-prático de uma comunidade aberta e democrática que continua a dinamizar a discussão sobre a Animação Sociocultural e as suas práticas.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Boas Festas


SUGESTÕES PARA PRENDAS DE NATAL

Para o teu inimigo, perdão.
Para um oponente, tolerância.
Para um amigo, o teu coração.
Para um cliente, serviço.
Para todos, caridade.
Para todas as crianças, um bom exemplo.
Para ti mesmo, respeito

Oren Arnold

sábado, 17 de dezembro de 2011

Revista internacional Animación, territorios y prácticas socioculturales


A revista internacional Animación, territorios y prácticas socioculturales (ATPS) é um projecto editorial dinamizado desde a sua criação, em 2010, por Jean-Pierre Augustin e Jean-Marie Lafortune, com a edição de dois números anuais; o primeiro aborda os "Desafíos del intercultural y aportaciones de la investigación-acción" e o segundo as "Realidades virtuales y sociales de la animación".

A revista privilegia a publicação de trabalhos que contribuam para uma melhor compreensão do campo da Animação e das práticas socioculturais aplicadas aos territórios. No âmbito dessas práticas estão as da esfera do social, cultural, educativa, económica e política; práticas que contribuam para o desenvolvimento simultâneo das pessoas, organizações e da sociedade.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Os Nodos da RIA em Portugal

A dinâmica vigorante da Animação Sociocultural em Portugal tem sido mensurável a vários níveis: a proliferação dos cursos de Animação, no ensino secundário e superior; o associativismo militante dos Animadores Socioculturais profusamente ligado à problemática passada e presente, mas, necessária e urgente o reconhecimento do Estatuto, Carreira e Código Deontológico do Animador; e talvez de forma mais difusa no espaço, a organização de iniciativas coloquiais que têm permitido, menos do que o desejável, porque há uma maior ausência dos Animadores Socioculturais nos encontros de Animação, espaços que deveram ser de partilha e reflexão sobre o conceito polissémico da Animação e as suas práticas de intervenção, cada vez mais comprometidas com a comunidade e com as realidades locais.

Os Nodos da RIA que recentemente foram criados em Portugal são um contributo importante para essa dinâmica vigorante da Animação e dos Animadores. Em Maio de 2010, no decurso do VII Colóquio “Caminhos da Animação” organizado pela então Comissão Técnico-Científica e Pedagógica do Curso de Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Beja e respectivos alunos do curso, foi apresentado oficialmente o Nodo RIA Portugal pelo Prof. Doutor Víctor Ventosa, Presidente da Junta Directiva da Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural (RIA).

A fundação desta célula associativa esteve a cargo de académicos, investigadores sociais e Animadores Socioculturais, entre os quais figura a minha pessoa. A título informativo, referir que a liderança do Nodo RIA Portugal está a cargo da Prof. Doutora Ana Piedade, com sede no Instituto Politécnico de Beja.

A constituição dos núcleos regionais da Rede Iberoamericana de Animação é louvável e sinónimo da dinâmica e vigor colectivo que a Animação Sociocultural e os Animadores vêm protagonizando no panorama nacional. Esta demanda em prol da afirmação da Animação marcada pela constituição de Nodos RIA deverá estar intrinsecamente associada a uma instituição que leccione o curso superior de Animação Sociocultural. Qual o sentido prático de proliferação de núcleos regionais da RIA? Divulgar a Rede, os seus objectivos e actividades? Não deverá também ser uma célula promotora de investigação e aprofundamento das práticas de Animação Sociocultural nos territórios regionais e nacional? Defendo uma ligação directa e pedagógica entre as dinâmicas académicas de formação dos Animadores e da experimentação que esses jovens começam a desenvolver ainda durante a sua formação.

É importante e legalmente necessário que seja constituída uma associação – Associação RIA Portugal, a qual, nos seus órgãos sociais estejam representados os vários Nodos RIA criados em Portugal, com o intuito de ganhar poder de reivindicação e de representatividade junto dos diferentes parceiros sociais, mas também, ser um fórum de discussão de matérias comuns entre os núcleos e de fortalecimento do papel do Animador Sociocultural na sociedade do século XXI.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Animação Sociocultural, Voluntariado e Cidadania Activa


O ano 2011 foi distinguido pelo Conselho da União Europeia como o Ano Europeu das Actividades de Voluntariado Que Promovam Uma Cidadania Activa.

As «actividades de voluntariado» refere-se a todos os sectores de actividade voluntária, formais ou não formais, realizadas por vontade própria das pessoas interessadas, por sua livre escolha e motivação e sem fins lucrativos. Beneficiam as pessoas voluntárias a nível individual, as comunidades e a sociedade como um todo e constituem um veículo para os indivíduos e a sociedade examinarem as necessidades e preocupações a nível humano, social, intergeracional ou ambiental, sendo muitas vezes levadas a cabo em apoio de uma organização sem fins lucrativos ou de uma iniciativa da comunidade. (Resolução do Conselho de Ministros n.º 62/2010)

Neste quadro é fundamental questionarmo-nos sobre o papel do voluntariado na comunidade, através da promoção e dinamização do associativismo, o impulso e a sustentabilidade da economia social, os Animadores Socioculturais voluntários e profissionais na promoção do bem comum, enquanto, dimensão privilegiada da cidadania activa.

O exercício do voluntariado deve caracterizar-se por uma intervenção não assistencialista, ou motivada pela afirmação de vontades cooperativistas, pelo contrário, deverá ser um trabalho comunitário com as pessoas, envolvendo-as, para que sejam protagonistas do processo. O voluntariado deve ser motivado pela leitura crítica da realidade, pelo sentido da cidadania activa e empenho no bem comum, o que implica uma rede de condições sociais que deve proporcionar às pessoas e aos grupos um desenvolvimento humano integral.

A cidadania activa é um compromisso social com a comunidade através da sua liberdade, criatividade e livre pensamento, com uma atitude de conscientização do ser Pessoa. Ser cidadão, ser Animador é exercer a sua autonomia e concretizar acções conscientes na discussão dos problemas comunitários, no encontro de soluções de inclusão das pessoas e no combate aos défices socioculturais, económicos e educativos vincados na sociedade portuguesa.

O voluntariado e a Animação Sociocultural perfilam concepções de intervenção próximas, com destaque para o compromisso com a transformação social mediada pelos Animadores profissionais e voluntários. A animação contribui positivamente para o estímulo dos grupos, no sentido de emergirem cidadãos activos que sejam um “antídoto” para a massa humana amorfa.

A promoção do voluntariado é uma tarefa própria dos Animadores como compromisso comunitário. As associações e outros movimentos cívicos são espaços de Animação Sociocultural, de promoção da cidadania através de processos de educação não formal. A Animação Sociocultural exerce uma função primordial na promoção e dinamização do voluntariado, enquanto, chave para uma cidadania consciente e contributo para a mudança social.

Animar o voluntariado é pensar globalmente para agir localmente, é (re)ligar os laços sociais dos grupos e comunidades; laços que conduzam ao fortalecimento das dinâmicas comunitárias alicerçadas na participação activas dos sujeitos. O voluntariado trilha diferentes percursos, desenvolve-se em muitos âmbitos de intervenção, mas há valores que são universais, os quais, os Animadores Socioculturais também perfilam no exercício da sua acção.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Curso de Formação de Animadores de Actividades de Tempos Livres


O Instituto Português da Juventude (IPJ) promoverá o Curso de Formação de Animadores de Actividades de Tempos Livres, que decorrerá nos dias 3, 4, 10 e 11 de Dezembro, nas instalações da Direcção Regional do Algarve do IPJ, na Cidade de Faro.

O curso tem como principal objectivo proporcionar aos formandos a aquisição de competências necessárias ao desempenho de funções de Animação em actividades de tempos livres organizadas para crianças e jovens. A formação desenvolver-se através de metodologias activas, nomeadamente, exercícios práticos e de integração, estudos de caso, jogos educativos, actividades de expressão e criatividade, trabalhos de reflexão e discussão em grupo.

O corpus programático do curso é constituido pelas seguintes temáticas: enquadramento conceptual, histórico, funcional e organizativo; funções e competências do animador; animação de grupos de crianças e jovens; e organização, planeamento, preparação, dinamização e avaliação.

Os interessados poderão contactar o IPJ - Direcção Regional de Faro para mais informações e inscrições, através do e-mail: faro@ipj.pt

domingo, 6 de novembro de 2011

Livro Branco da Juventude


A Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude é a promotora da iniciativa - "Livro Branco da Juventude" - uma plataforma online, na qual, os jovens podem participar contribuindo com propostas de acção em matéria de políticas de juventude. Esta iniciativa é uma medida louvável, do ponto de vista do incentivo ao debate e à participação cívica dos jovens portugueses, enquanto, agentes da mudança e "parceiros" das políticas.

O objectivo da plataforma é recolher entre o período de Novembro de 2011 e Fevereiro de 2012, contributos para elaborar um documento a nível nacional que defina uma Estratégia Global e um plano de acção no quadro político sectorial de juventude, seguindo a linha de acção dos "Livros Brancos" da Comissão Europeia.

Esta é uma oportunidade importante para que os jovens não sejam, apenas, destinatários das políticas, mas, sejam protagonistas das mesmas. Os contributos sectoriais podem ser em matéria de Educação e Formação (superior e não superior, formal e não formal); Emprego e Empreendedorismo; Participação Cívica; Emancipação Jovem; Mobilidade; Prevenção Rodoviária; Saúde, prevenção dos comportamentos de risco (combate à obesidade, álcool e toxicodependência); Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Cultura, Inovação e Criatividade; Voluntariado; Inclusão Social; Habitação; Solidariedade Inter-geracional; Jovem Português no espaço Europeu e no Mundo; Associativismo e Combate à desigualdade de Oportunidades.

Na sequência desta iniciativa serão organizados em Março e Abril de 2012, 5 Seminários/Workshops Regionais distribuidos, geograficamente, pelas 5 regiões-plano (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve). E as Regiões Autónomas?

A apresentação das Conclusões dos Seminários Regionais acontecerá em Maio de 2012, num evento nacional. Em Junho, será entregue o Relatório Final à Assembleia da República e ao Presidente da República.

A Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude pretende que o "Livro Branco" seja um instrumento capaz de produzir consequências práticas, contribuindo, para a mudança das políticas de juventude em Portugal.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Reinvenção e Criatividade em Animação


A decadência das dinâmicas sociais das organizações, associadas ao contexto económico actual e há sua localização geográfica no mapa do país, são em alguns casos, o argumento falacioso para justificar decisões provocadas pela falha abrupta, gestão danosa e irresponsável, e falta de visão global de uma política sustentável que os líderes das instituições vão acusando ao longo do tempo, através de acções que provocam a descredibilização das organizações, dos seus projectos e dos recursos humanos por efeito de contágio.

É imperioso que se reflicta com seriedade intelectual sobre os cursos superiores de Animação leccionados no Ensino Superior em Portugal. Impõe-se uma análise criteriosa do plano de estudos, conteúdos programáticos, e metodologias de ensino/aprendizagem. Esta avaliação não é somente responsabilidade do órgãos directivos do ministério da tutela ou das universidades/escolas superiores, também é responsabilidade dos Animadores Socioculturais que a partir da sua entrada no mercado de trabalho deverão prestar o seu contributo para a avaliação do ensino.


Hoje, tal como sempre, é necessário empenho pessoal e colectivo de todos os envolvidos na formação dos Animadores, empenho que expresse a frescura do discurso académico, das práticas de ensino/aprendizagem, a procura pela excelência da formação do corpo docente, e o empenho de antigos e novos Animadores Socioculturais para que os projectos respirem criatividade e sejam o reflexo da reinvenção necessária de si mesmos. A manutenção das dinâmicas das organizações de ensino superior, especial referência, para aquelas que leccionam o curso de Animação Sociocultural, devem provocar um “choque” de criatividade e de transformação nas estratégias de captação de novos alunos.


Acredito que os Animadores Socioculturais que estão no mercado de trabalho são canais de comunicação privilegiados, enquanto, corpus expressivo da qualidade ou não, da formação em Animação. A austeridade também se fará sentir no momento de optar por esta organização de ensino ou outra, cuja nomenclatura do curso é igual, mas, o plano de estudos é muito diferente. A captação de novos alunos para as dezenas de cursos superiores de Animação será um desafio que exigirá criatividade. É chegado o momento crucial de gerar novas sinergias e de aprimorar o discurso sobre a Animação Sociocultural e o papel do Animador na comunidade. Talvez seja interessante e pedagógico que os académicos e os Animadores Socioculturais partilhem o essencial da visão transformadora e solidária da Animação para o século XXI.