sábado, 17 de setembro de 2011

Ser Comunidade

Ser Comunidade é um desafio permanente. Sê-lo é mais do que partilhar um território geográfico com outros indivíduos, vai para além da criação de laços sociais, enquanto, símbolo de pertença a um lugar ou a um grupo, ele supera o compromisso da cidadania vincada nos direitos e deveres de cada pessoa para com a comunidade e vice-versa. Ao interrogarmo-nos sobre o que é ser comunidade, o nosso sentimento de pertença a um território geograficamente definido é, talvez, a resposta imediata e inconsciente, mas paralelamente, apodera-se de nós um ligeiro desconforto social cujo antídoto está na partilha do ADN cultural comum a um povo.

Enquanto Animador Sociocultural entendo que o Ser Comunidade, também se fundamenta e alimenta pela criação cultural e democratização dos espaços públicos. Estes são lugares de partilha e de fortalecimento da ideia de pertença numa relação de proximidade e de exaltação dos valores comunitários que a história local e o património cultural imaterial e material transportam associados às vivências quotidianas de diferentes gerações que anonimamente contribuiram para construir uma comunidade.

Os tempos actuais são de grandes incertezas quanto ao futuro e de pressões sociais; mais do que nunca, todos nós precisamos de sentir que pertençemos a um território, precisamos de sentir viva a nossa identidade comunitária construída pela cultura. Os laços simbólicos de pertença ao território cultural também podem ser (re)descobertos nos monumentos, nas tradições, nas práticas comunitárias de sociabilidades, nos rituais quotidianos que preenchem a vida familiar e na relação de proximidade de vizinhança.

A propósito e porque parece-me ser digno de registo, uma breve alusão à Viagem Monumental, espectáculo comemorativo dos 250 anos da Igreja Matriz da Freguesia de São Jorge, Concelho de Santana. O espectáculo protagonizado pela Banda Municipal de Machico com recurso à multimédia, sustentou-se na história da Igreja Matriz desde a fundação daquela comunidade nortenha até à actualidade. Foi uma viagem que possibilitou a congregação da população no espaço público, junto ao adro da igreja, local que nas comunidades rurais ainda mantém vincada uma funções de socialização através da confaternização entre as pessoas.

O adro da Igreja Matriz de São Jorge, enquanto, espaço público e lugar de encontro e de celebração profana, exerceu do meu ponto de vista, um papel fundamental para que as pessoas que ali estavam se sentissem comunidade e conhecessem alguns episódios da história local profusamente enraizada com a da Matriz, património cultural e símbolo de identidade colectiva. Estou em crer que a Viagem Monumental despertou sentimentos de valorização do território, de orgulho na história de um povo que soube conviver com a natureza ao longo de centenas de anos, do reconhecimento da cultura local pelas gentes de São Jorge, paralelamente, ao fortalecimento e afirmação da identidade comunitária. Percebi o que é Ser Comunidade.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

5º Colóquio Internacional de Animação Sociocultural

"Animação, Cultura e Cidadania: modelo de políticas socioeducativas e socioculturais em contextos de mudança" é o tema do 5º Colóquio Internacional de Animação Sociocultural que realizar-se-á nos dias 26, 27 e 28 de Outubro de 2011, organizado pelo Instituto de Educação e Políticas Sociais de Aragón na Universidade de Zaragoza, em Espanha. Este colóquio acontece na sequência do realizado em Bordeos na França, em 2003; São Paulo no Brasil, em 2005; Lucerna na Suiça em 2007 e em Montreal no Canadá em 2009.

A organização do Colóquio Internacional de Animação, a partir dos temas propostos pretende fomentar a discussão sobre:

- As contribuições que a Animação e a cultura fazem num mundo em transformação; o sentido da aprendizagem ao longo da vida para melhorar as pessoas e as sociedades em que elas estão integradas;
- As politicas que são adoptadas no âmbito socioeducativo e sociocultural e a sua incidência nas mudanças sociais;
- O papel da criatividade e inovação para o desenvovlimento de políticas pró-activas;
- As contribuições da Animação Sociocultural para o aprofundamento das práticas democráticas.

Para mais informações e inscrição aceda no site do Colóquio Internacional, em http://www.unizar.es/colinanimacion-IEPSA/

domingo, 21 de agosto de 2011

Novo número da revista Animador Sociocultural


A Red Iberoamericana de Animación Sociocultural editou mais um número do Animador Sociocultural: Revista Iberoamericana.


O número actual reúne um conjunto diversificado de trabalhos científicos que abordam diferentes temáticas, mas com interesse para os Animadores. Os trabalhos agora publicados espelham a diversidade das práticas de Animação Sociocultural no espaço iberoamericano.

Para aceder ao número actual da revista, clique aqui.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A popularização do conceito de Animação


O uso popularizado da expressão Animação, associada a contextos diferenciados e muitas vezes, sem qualquer conexão real com o verdadeiro sentido da Animação é um facto recorrente. E por associação, está o uso muita vezes descontextualizado da denominação socioprofissional Animador.

É preciso reinventar os argumentos discursivos. É importante que os Animadores construam o seu corpus teórico-prático, ou seja, que façam reflectir nas práticas profissionais, o verdadeiro sentido da Animação. Este corpus que defendo, tem que ter por base uma matriz conceptual comum, mas, é responsabilidade de cada Animador criar o seu discurso. Uma ideia assertiva disseminada em canais de comunicação estratégicos, capazes de mobilizar diferentes visões e posições sobre o que é a Animação Sociocultural.

Mais do que interiorizar o verdadeiro sentido do conceito de Animação, é desenvolver um trabalho de charneira na afirmação da profissão que perante os novos desafios sociais e políticos poderá ser benéfico para a construção de um outro modo de pensar e o conceito de Animação.

É tempo de desconstruir os estereótipos associados à figura profissional do Animador, o que pressupõe uma maior preocupação com a aplicação do conceito. Muitos decisores políticos percepcionam o trabalho de Animação e o exercício da profissão, numa perspectiva de promoção de eventos culturais capazes de mobilizar centenas de pessoas. Em abono da verdade, é essa ideia preconcebida e há muito interiorizada nos corpus político que fomenta as políticas culturais. A verdade é que a Animação Sociocultural está presente em programas sociais, culturais e de lazer. Hoje a intervenção desde a prática da Animação Sociocultural é transversal à sociedade contemporânea.

Não posso deixar de alertar para o facto da Escola, nomeadamente, os docentes dos cursos profissionais de Animador Sociocultural, serem convidados a exercerem um papel de pedagogos em matéria discursiva sobre a Animação Sociocultural e o exercício da profissão, independentemente, de estar ou não, regulamentada pela legislação. Os docentes e os Animadores em exercício têm que assumir um discurso positivista que dignifique os Animadores e a própria Animação Sociocultural.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Quaderns d’ Animació i Educació Social


A Revista Quaderns d’ Animació i Educació Social é uma publicação semestral da responsabilidade editorial do Prof. Mário Viché. Está disponível o número 14, da revista para Animadores Socioculturais e aos Educadores Sociais.
O número actual reúne contributos de investigadores de Espanha e da América Latina, nomeadamente, do Brasil e Chile. A Quaderns d’ Animació continua a pautar-se pela diversidade de reflexões e divulgação de estudos temáticos sobre âmbitos de relevante interesse para os agentes culturais e educativos.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Associação Insular de Animação Sociocultural assina protocolo de cooperação com o Instituto Politécnico de Beja

A Associação Insular de Animação Sociocultural (AIASC), celebrou um protocolo de cooperação com o Instituto Politécnico de Beja (IPB). O documento tem por objectivo fixar um quadro de cooperação institucional, amplo e efectivo, entre o Instituto Politécnico de Beja e a Associação Insular de Animação Sociocultural. As duas institutições comprometem-se desenvolver um plano de colaboração no domínio da formação, e da consultadoria nomeadamente no que respeita à organização e divulgação de eventos formativos nas diversas disciplinas que integram a animação, sem prejuízo de outras formas de cooperação que se venham a revelar do interesse das partes signatárias. Estas linhas de acção subdividem-se em compromissos para as duas instituições.

Este é um passo importante para a materialização do objectivo de contribuir para o estudo, formação, desenvolvimento e divulgação de projectos de investigação no domínio da animação sociocultural.

Congratulo-me, enquanto, Animador Sociocultural e dirigente da AIASC pelo compromisso celebrado mediante o protocolo de cooperação com o Instituto Politécnico de Beja, ele é um marco indelével na história da associação. A concretização dos compromissos rubricados pelo documento protocolar exigirá de nós um esforço vital, ao qual, saberemos responder à altura do desafio. Ele é um sinal efectivo da vontade de fazer mais e de concretizar os objectivos, a que nos propusemos com a fundação da AIASC.

É crucial para a vitalidade e compreensão das diferentes práticas e âmbitos da Animação Sociocultural na Região Autónoma da Madeira, a feliz efectivação da cooperação AIASC/IPB, mas, com determinante enfoque para os Animadores insulares. Estou convicto de que será benéfico e profícuo esta aproximação entre uma associação de Animadores e uma instituição de Ensino Superior (relação que tenho defendido em diferentes manifestos). Agora há que trabalhar para construir canais de oportunidade na Região Autónoma para concretizar as medidas acordadas.

No papel de dirigente da Associação Insular, manifesto a abertura da associação à cooperação com outras entidades, qualquer que seja o seu objecto social, desde que, a sua acção se coadune com o interesse colectivo dos Animadores e a salvaguarda pelo desenvolvimento de um projecto valorizador do que é a Animação Sociocultural e de que forma ela poderá contribuir positivamente para a transformação social e para o desenvolvimento comunitário.

sábado, 2 de julho de 2011

Recepção de Artigos para a Revista "Práticas de Animação"

A "Práticas de Animação" é uma revista editada pela APDASC - Delegação Regional da Madeira. Esta publicação periódica anual tem como objectivos:

- Divulgação da Animação Sociocultural através das suas diversas práticas educativas e culturais; - Contribuir para a construção de um espaço de debate e reflexão sobre a Animação;
- Possibilitar que Animadores e outros profissionais possam contribuir para a afirmação de novos projectos associativos no âmbito das práticas de Animação Sociocultural;
- Reunir ideias e opiniões sobre teorias e práticas da Animação, do lazer, da recreação, do desenvolvimento comunitário, da educação social e da pedagogia.

O próximo número da revista "Práticas de Animação" será editado em Novembro próximo. As pessoas interessadas em participar neste projecto editorial, poderão remeter o seu contributo até o mês de Outubro de 2011, para o seguinte e-mail: revistapraticasdeanimacao@gmail.com

Este projecto editorial conquistou um espaço próprio e sustentável no contexto da reflexão colectiva sobre a Animação. Os números editados revelam a sua maturidade e a abrangência geográfica que a revista assume desde o primeiro número. A "Práticas de Animação", revista temática, com um conselho de redacção constituido por investigadores e académicos de reconhecido mérito no âmbito da Animação Sociocultural e de outras áreas das ciências sociais e humanas atestam o carácter científico protagonizado pela revista.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os nossos artistas devem ser parceiros nas dinâmicas artísticas locais

Os artistas consagrados ou autodidactas, independentemente, da grandeza da sua obra artística devem ser co-responsáveis com as instituições culturais e educativas na promoção das dinâmicas socioculturais no espaço público, enquanto, lugares de criação e democratização da cultura, onde, verdadeiramente, os cidadãos têm livre acesso aos bens culturais.

Estimular os cidadãos para o delicado exercício da observação e da leitura das obras de arte é um princípio elementar que está subjacente à criação artística, mas que, para muitos decisores políticos com responsabilidades em matéria de cultura, tal provocação pública pode suscitar leituras políticas indesejadas, ou provocar indiferença colectiva por parte dos públicos, o que seria mais constragedor para eles. Há uma verdade que não podemos ocultar e que nós, animadores da cultura, não podemos fingir que não é nossa função: a educação para a cultura.

Alguns artistas locais, mesmo autodidactas, têm desenvolvido um trabalho reconhecido e de uma maturidade artística recomendável, por isso, defendo que eles devem ser parceiros inequívocos das políticas culturais dos municípios. As suas obras podem ser veículos para educar os cidadãos para a arte. Eles devem ter um papel de mediadores artísticos mais activo entre o mundo das artes e a sociedade civil, entre as instituições culturais e a escola. As suas obras devem fazer parte da paisagem cultural urbana. Elas devem ser observadas como o prolongamento dos espaços museológicos, das galerias de arte e dos ateliers dos seus criadores.

Há alguns dias atrás, no fim da tarde, cruzei-me na rua com um grupo de pessoas, talvez cinco ou seis amigos, que perante uma escultura instalada no Largo do Município, obra que integra a instalação de um artista local, discutiam sobre a representatividade da obra. Elas emitiam opinião; confidenciavam o que, talvez, a escultura representava...

Aquelas pessoas têm a "escola da vida". Não frequentaram a universidade, conheço-as, são parte integrante da minha vida social, alguns são pescadores, mas, estavam ali, a observar e a "ler", o que porventura o artista deixou transparcer naquela peça escultórica. Aquele grupo de amigos, pela sua atitude perante o novo e temporário cenário artístico urbano foi provocado pelo artista. E eu, depois daqueles breves instantes, prossegui viagem mais feliz e realizado.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A produção e difusão do conhecimento sobre Animação Sociocultural

É com humildade e responsabilidade acrescida que acolho o elogio do amigo, Prof. Avelino Bento, postado em «OS ENCONTROS DE ASC E A ARROGÂNCIA INTELECTUAL», no blogue Exdra/Animação.

A matéria produzida no meu blogue, resulta do pensamento reflexivo sobre as práticas de Animação Sociocultural que se estão a efectivar no território, em diferentes escalas geográficas. São reflexões através das quais, procuro criar auto-conhecimento e partilhá-lo. Esta pretensão não tem subjacente qualquer tipo de ensinamento ou pretensioso protagonismo, pelo contrário, visa sistematizar e partilhar experiências, preocupações e interrogações quotidianas associadas às minhas práticas de Animador Sociocultural, irrigadas pelas leituras com pertinência em matéria de Animação. Não há teoria sem prática, tal como, não há prática sem teoria. Os meus escritos são o reflexo das práticas experenciadas e mediadas pelo local/global. Este balizamento deve ser um dos pilares da acção do Animador.

A materialização pela escrita dos saberes poderá ser um fórum de discussão de ideias, conceitos e práticas, talvez, e mais importante, um tempo conquistado pela auto-aprendizagem permanente. Os meus escritos no blogue e em outros suportes de divulgação, nomeadamente, revistas, actas de congressos e outras obras colectivas, consolida os esforços realizados no trilhar de outros caminhos para a Animação Sociocultural em Portugal, em especial, no território insular. Não me assumo como profeta da Animação ou dos Animadores, mas, reconheço-me, como membro efectivo de uma nova geração de Animadores Socioculturais.

É hora de participarmos na produção e difusão do conhecimento em matéria de Animação Sociocultural. As práticas profissionais são um bom exemplo para esse desígnio. O saber não é propriedade de uma elite pseudo-intelectual refugiada no mundo académico e científico. Os Animadores que estão no terreno são parceiros na produção intelectual; este acto de criação não é previlégio de uma minoria iluminada, ele tem de ser um compromisso aberto ao envolvimento de todos.

Infelizmente, os organizadores dos congressos científicos continuam a privilegiar a elite intelectual estrangeira, em detrimento, de um novo pensamento e visão dos campos de intervenção da Animação Sociocultural no século XXI, que emerge no território nacional.

Portugal, é um país com história no campo da Animação Sociocultural. Hoje, há vários estudos científicos realizados por investigadores portugueses sobre a Animação e os Animadores, resultado de teses de mestrado que, do ponto de vista académico e científico são excelentes obras literárias, e talvez, superem muita da literatura científica importada do país vizinho. As organizações associativas de Animadores não podem recuar, perante, a responsabilidade de fomentar e apoiar, ou até mesmo, assumirem o papel de editoras.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Estratégia da Comissão Europeia para a Juventude. A função da Animação e o papel dos Animadores Socioeducativos (III)


«A animação socioeducativa é uma forma de educação realizada fora da escola por profissionais ou voluntários no contexto de organizações de juventude, entidades autárquicas, centros de juventude e paróquias, entre outros, que contribui para o desenvolvimento dos jovens. Juntamente com as famílias e outros profissionais, o trabalho de animação socioeducativa pode ajudara lidar com o desemprego, o insucesso escolar e a exclusão social, além de ser uma forma de ocupação dos tempos livres. Além disso, também é um modo de angariar competências e ajudar a transição para a vida adulta. Apesar de não ser formal, este trabalho precisa de ser mais profissionalizado. O contributo da animação socioeducativa reflecte-se em todos os domínios de acção e respectivos objectivos.»

Ainda no domínio de acção 8 – Juventude no Mundo, com destaque para o novo papel do trabalho de Animação Socioeducativa, a Comissão também definiu como objectivo o apoio e reconhecimento do trabalho de Animação Socioeducativa pela sua importância económica, social e profissionalizado. Na esfera das competências dos Estados-Membros e da Comissão, estes devem desenvolver acções que visem:

«-Dotar estes animadores de competências profissionais e promover a sua validação através dos instrumentos europeus adequados (Europass, QEQ e ECVET)
- Promover a animação socioeducativa, por exemplo, pela ajuda dos fundos estruturais
- Desenvolver a mobilidade dos animadores socioeducativos como previsto no Tratado CE
- Desenvolver pedagogias, práticas e serviços inovadores no domínio da animação socioeducativa
A Comissão continuará a elaborar a análise do impacto económico e social da animação socioeducativa».