sábado, 26 de março de 2011

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2011

O Teatro ao serviço da Humanidade

A celebração de hoje é um verdadeiro reflexo do imenso potencial que o teatro tem na mobilização de comunidades e na criação de pontes.

Já imaginaram que o teatro pode ser um instrumento poderoso para a paz e a reconciliação? Enquanto as nações gastam somas colossais de dinheiro em missões de paz em zonas de conflitos bélicos por todo o mundo, pouca atenção é dada ao teatro como alternativa personalizada para a transformação e gestão de conflitos. Como podem os cidadãos da mãe-terra alcançar a paz universal se os instrumentos que empregam provêem de poderes externos e aparentemente repressivos?

O Teatro impregna subtilmente a alma humana presa pelo medo e pela desconfiança, alterando a sua própria imagem e abrindo um mundo de alternativas para o individuo e, por conseguinte, para a comunidade. Pode dar significado às realidades quotidianas antecipando o futuro incerto. Pode participar em temáticas de políticas sociais de modo simples e directo. Porque é inclusivo, o teatro pode apresentar uma experiência capaz de transcender ideias pré-concebidas.

Para além disso, o teatro é um meio garantido de fomento e antecipação de ideias que partilhamos e pelas quais estamos dispostos a lutar.

Para antecipar um futuro pacífico, nós temos que começar a usar meios pacíficos que procurem compreender, respeitar e reconhecer as contribuições de cada ser humano na procura da paz. O Teatro é essa linguagem universal através da qual nós podemos propor mensagens de paz e reconciliação.

Permitindo a cada participante comprometer-se activamente, o teatro pode fazer com que muitos indivíduos desconstruam ideias preconcebidas, e, desta forma, dar a cada um a oportunidade de renascer para tomar decisões baseadas em conhecimentos e realidades redescobertos. Para que o teatro prospere, entre outras formas de arte, nós temos que dar o passo audaz de incorporá-lo na vida quotidiana, tratando de assuntos críticos de conflitos e paz.

Na procura da transformação social e na reforma das comunidades, o teatro já existe em áreas de devastadas pela guerra e entre populações que sofrem pela pobreza e doença crónicas. Existe um número crescente de histórias de sucesso em que o teatro tem sido capaz de mobilizar públicos por forma a mobilizar a opinião pública e auxiliar vítimas de traumas pós-guerra. As plataformas culturais como o International Theatre Institut que tem como objectivo a “consolidação da paz e da amizade entre os povos” já estão no terreno.

É, portanto, um farsa manter o silêncio nos tempos que correm, com o conhecimento do poder do teatro, e permitir que aqueles que empunham armas e lançam bombas sejam os pacificadores do nosso mundo. Como é que as ferramentas de alienação se podem substituir a instrumentos de paz e reconciliação?

Eu peço-vos neste Dia Mundial do Teatro que ponderem esta possibilidade e que proponham o teatro como uma ferramenta universal para o diálogo, a transformação e reforma sociais. Enquanto as Nações Unidas gastam somas colossais de dinheiro em missões de paz pelo mundo fora, através do uso de armas, o teatro é espontâneo, humano, menos custoso e uma alternativa muito mais poderosa.

Embora possa não ser a única resposta para conseguir a paz, o teatro deve seguramente ser incorporado enquanto uma ferramenta efectiva em missões de paz.

Jessica A. Kaahwa (autora, encenadora, actriz, investigadora académica e humanista)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Reconhecimento Profissional: Os nossos argumentos também são os argumentos dos outros


O reconhecimento profissional é uma problemática transversal a outros sectores profissionais. Os Animadores não estão sós na luta pela dignificação social da profissão. Nós Animadores temos que reinventar argumentos e apresentar outras soluções que não passem pela criação de uma ordem profissional, ideia defendida em alguns fóruns, facto que considero excessivamente prematuro e sem qualquer enquadramento socioprofissional legal.

A propósito da ausência do reconhecimento da importância da profissão, nós padecemos do mesmo mal social e político que os colegas de Serviço Social, aqueles a quem durante muito tempo acusamos de usurparem o «nosso lugar» nas instituições.

A questão do reconhecimento profissional foi abordada numa conferência sobre a prática do Serviço Social, iniciativa realizada na Região Autónoma da Madeira, no espírito comemorativo do Dia Mundial do Serviço Social. A oradora recordou os principais pontos de descontentamento que curiosamente são semelhantes no contexto do exercício profissional dos Animadores. O exercício da prática de Serviço Social por outros profissionais sem formação adequada e remunerações que não estão equiparadas às habilitações académicas dos técnicos de Serviço Social, a proliferação desregulada de formações em Serviço Social, foi outra das preocupações manifestadas pela docente. Esta é a realidade dos Animadores com as devidas adaptações ao contexto profissional.

Os Animadores têm que interiorizar que o reconhecimento profissional também se conquista pelo bom exercício da prática da Animação Sociocultural, pelo empenho na dignificação individual e colectiva da profissão. Estas são premissas que cada um deverá cultivar no quadro da intervenção institucional e comunitária. A dignificação profissional também é uma conquista quotidiana e de profunda persistência no acreditar que é possível mudar. Esta crença não vigora por meio de um qualquer decreto legislativo, ela é um exercício pessoal e intransmissível.

terça-feira, 15 de março de 2011

«Rumo à Cidadania Participativa»


A Câmara Municipal do Funchal no âmbito do programa «Juventude em Acção» dinamizou o projecto de promoção e de educação para a cidadania denominado «Rumo à Cidadania Participativa».

Esta iniciativa de educação não formal e de estímulo à participação cidadã teve início em Setembro de 2010 e o seu término acontecerá no mês homólogo de 2011, envolvendo os jovens residentes no Concelho do Funchal, com idades compreendidas entre os 15 e os 30 anos.

O objectivo do projecto passa por auscultar, debater, questionar e propor medidas aos decisores políticos locais em matéria de políticas de juventude, através da concepção e desenvolvimento de programas, projectos e actividades direccionadas para a população juvenil com o intuito de uma melhoria contínua da intervenção do poder local ao nível das políticas juvenis.

«Rumo à Cidadania Participativa» envolveu activamente os jovens das freguesias do Concelho do Funchal, as escolas básicas do 2º e 3º ciclos, secundárias e profissionais através da realização de fóruns, com o desiderato de reunir um conjunto de propostas a apresentar pelos grupos de trabalho criados em cada freguesia, no fórum juvenil na câmara municipal.

O fórum juvenil é um espaço de discussão onde serão debatidas as propostas e seleccionados os representantes juvenis que protagonizarão em nome do colectivo, a apresentação das propostas finais numa assembleia municipal juvenil coordenada pelo presidente da autarquia.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Programa «Cidadania Cultural»… Espaço de aprendizagens


Foram quatro meses de aprendizagens sobre a vida cultural e social da comunidade local protagonizada pelas associações recreativas, pelas instituições sociais e culturais, pela câmara municipal e demais agentes socioculturais do concelho. Semanalmente, fui construindo uma outra relação com a comunidade local através da rádio, essa ferramenta de comunicação de proximidade que também, é um recurso para a Animação Sociocultural.

Procurei corresponder de forma simples e inteligente ao desafio que me tinha sido colocado pela direcção da Rádio Zarco, já na emissão do 1º programa “Cidadania Cultural”. A rádio deu voz às colectividades e aos muitos actores da cultura. Procurei que o protagonismo da cena cultural municipal fosse deles, porque continuo a acreditar e a defender que o movimento associativo e os muitos cidadãos anónimos são parceiros inequívocos dos processos de Animação Sociocultural.

O «Cidadania Cultural» ajudou-me a desenhar melhor a radiografia cultural do concelho, a conhecer realidades específicas, a sentir o pulsar da cidadania activa que continua viva e recomenda-se. Foram dezoito programas de partilha de cumplicidades, de fortalecimento de laços sociais e profissionais, de descobertas permanentes e afirmação da multiplicidade cultural que fortalece as dinâmicas sociais e a identidade das populações.

O meu sincero agradecimento a todos aqueles que pelo seu trabalho, dedicação e entusiasmo tornaram possível a realização e emissão do programa ao longo dos quatro meses, ajudando-me a superar o desafio proposto. O meu obrigado a todos os que acreditam que é possível envolver as pessoas na transformação social através da acção cultural.

quarta-feira, 2 de março de 2011

ENEJA 2011 - Encontro Nacional e Europeu de Jovens Animadores


Nos dias 18, 19, 20 e 21 de Abril de 2011, realiza-se em Vila Nova de Famalicão, o Encontro Nacional e Europeu de Jovens Animadores organizado pela Plataforma de Animadores SocioEducativos e Culturais (PASEC).

Para consultar o programa e aceder à ficha de inscrição, clique aqui.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Congressos, Seminários, Encontros, Colóquios, …


A Animação Sociocultural é tema central de um conjunto de iniciativas organizadas pelos cursos profissionais e superiores de Animação, por associações cujo objecto social é a Animação Sociocultural e os Animadores ou por outras colectividades que por razões directas ou indirectas desenvolvem a sua acção neste domínio, ou os seus dirigentes estão ligados ao campo da Animação.

Se pesquisarmos um pouco, facilmente, encontramos um espólio informativo sobre a realização de congressos, seminários, encontros e colóquios realizados em Portugal Continental e Ilhas. A realização de alguns destes encontros tiveram um carácter generalista, a organização privilegiou a discussão e reflexão sobre diferentes âmbitos de acção no campo da Animação Sociocultural, outros, foram de temática especializada. Considero que as metodologias adoptadas são válidas e não empobrecem a qualidade e a profundidade da reflexão. Os destinatários são um público heterogéneo na sua relação com as práticas da Animação Sociocultural.

A ética e a deontologia da profissão do Animador Sociocultural é um tema excelente para um seminário, colóquio, encontro, …, talvez para um congresso. Esta temática tem que ser trabalhada e reflectida conscientemente, talvez, numa disciplina dos cursos superiores de Animação, ou não há recursos humanos cientificamente competentes para leccionar sobre o tema? Reunimos um conjunto de especialistas para debater um tema específico no âmbito da Animação, mas, não somos capazes de mobilizar dois ou três especialistas para falar sobre a ética e deontologia em Animação Sociocultural. Deixem-me dizer especialistas, porque nos consideramos especialistas em qualquer coisa.

Compreendo e aceito que a organização dos seminários e encontros sobre Animação Sociocultural dinamizados pelos cursos profissionais sejam generalistas. É importante construir perspectivas da multiplicidade de campos de intervenção dos Animadores junto dos futuros profissionais, porventura, muitos deles optarão pelo prosseguimento de estudos em Animação. Por outro lado, parece-me despropositado que os responsáveis dos cursos superiores sigam uma linha generalista de apresentação do tema. Talvez seja mais rico do ponto de vista da discussão e rico na reflexão colectiva que cada edição esteja focalizada num tema monográfico, porque o reportório científico dos Animadores exige uma outra oferta formativa no quadro extracurricular.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

I Jornadas de Animação Cultural: Que Desafios?


As I Jornadas de Animação Cultural: Que Desafios? realizam-se nos dias 7 e 8 de Abril de 2011. Este é um evento científico organizado pela equipa coordenadora e docente da licenciatura em Animação Cultural da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria e do Núcleo de Animação Cultural, em colaboração com os Centros de Investigação NIDE – Núcleo de Investigação e Desenvolvimento em Educação e CIID – Centro de Investigação Identidade(s) e Diversidade(s).

O tema das jornadas enquadra-se no «(…) quadro da reflexão sobre o papel do(s) património(s) nas sociedades contemporâneas, enquadrada nos três âmbitos da Animação Cultural.»

A partilha com a comunidade da «(…) importância da formação de recursos humanos no campo da Animação Cultural na dinamização da economia local e regional, na captação de novos públicos para a área cultural, na valorização de recursos endógenos e, em geral, na qualidade de vida das populações.» são alguns dos propósitos da organização das I Jornadas de Animação Cultural, que pretendem ser um espaço e tempo de discussão, reflexão e debate, troca de conhecimentos e de experiências sobre as realidades da Animação Cultural, com ênfase nos âmbitos da gestão e programação, intervenção e da investigação.

Para mais informações, consulta do programa e inscrições, clique aqui.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quatro anos de actividade na blogesfera

O Animação Sociocultural e Insularidade celebra hoje quatro anos consecutivos de actividade na blogesfera. Agradeço a todos os visitantes que têm contribuido com as suas leituras, comentários e sugestões. Estas são acções que fortalecem a dinâmica do blog e sinal inequívoco do necessário diálogo que estabelecemos com a comunidade virtual.

Continuarei a manter uma postura de seriedade e neutralidade na reflexão e discussão das diversas temáticas que são transversais à Animação Sociocultural e à acção dos Animadores. Não sou apologista dos números, eles valem o que valem. As visitas ao blog têm origem em diferentes pontos geográficos do mundo, com uma média de 20 mil visitas por ano. Não deixo-me iludir pelos números, continuarei com a mesma postura e objectivos que estiveram na origem do blog e que ao longo destes anos têm sido um referencial.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Audição Pública sobre Políticas de Juventude

Em 2011 celebram-se as efemérides - Ano Europeu das Actividades de Voluntariado que Promovam uma Cidadania Activa e Ano Internacional da Juventude das Nações Unidas -, é neste âmbito que a Comissão Parlamentar de Educação e Ciência promove a Audição sobre Políticas de Juventude, na Sala do Senado da Assembleia da República, no próximo dia 14 de Fevereiro.

A Audição visa auscultar as entidades envolvidas e realizar um debate alargado sobre as seguintes temáticas:

- Execução do Programa Nacional do Ano Europeu do Voluntariado;- Consequências da implementação do Pacto Europeu de Juventude e do Programa Nacional de Juventude.

Ainda no âmbito da temática da Juventude, a Comissão Parlamentar de Educação e Ciência organiza no mês de Março, o Colóquio da Emancipação Jovem. O colóquio pretende reflectir sobre o processo de emancipação jovem nas suas diferentes dimensões, aludindo para a realização pessoal da juventude, realçando a importância do reconhecimento da emancipação como processo de crescimento e autonomia face a um conjunto de constrangimentos familiares e sociais.

A participação na Audição Pública está sujeita a inscrição, a qual deve ser feita até ao dia 9 de Fevereiro, em http://app.parlamento.pt/InscriptionForm/form/Formulario8cecAPJ.aspx

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Considerações sobre o Estatuto do Animador Sociocultural

O Estatuto do Animador Sociocultural foi ratificado por aclamação no I Congresso Nacional de Animação Sociocultural organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural. O documento que consubstancia o Estatuto do Animador está aberto a propostas de revisão de conteúdo. Os interessados em participar activamente na revisão do documento poderão enviar as suas propostas de revisão para geral@apdasc.com até o próximo dia 18 de Fevereiro de 2011.

O Estatuto do Animador (Sociocultural) não é a solução imediata para os problemas socioprofissionais e de identidade que centenas de Animadores continuam a expressar como temas centrais para o bom exercício da Animação Sociocultural. Há um longo caminho sinuoso a percorrer, é importante que todos os Animadores contribuam com as suas sugestões para que o documento agora apresentado, seja integrador de todas as nomenclaturas profissionais no domínio da Animação e que contemple a pluralidade de espaços e metodologias de intervenção sociocultural.

No quadro da Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), o acesso às carreiras profissionais está legislado para as diferentes categorias (técnico profissional e técnico superior) na área da Animação Sociocultural com a correspondente atribuição do valor remuneratório. No âmbito da Administração Pública a realidade é diferente. A Lei n.º 12-A/2008 estabelece duas carreiras: a carreira do Assistente Técnico e a carreira do Técnico Superior, cujas atribuições/competências atribuídas aos agentes posicionados nesta última carreira são generalistas, cabendo ao serviço competente definir outras atribuições/competências específicas para cada colaborador de acordo com a profissão exercida no seio da instituição.

Há direitos associados ao exercício da profissão do Animador comuns a todas as profissões, facto argumentativo que entendo ser pouco relevante para fortalecer a posição colectiva face à necessidade da criação do Estatuto do Animador. A dignificação da carreira profissional e a valorização da figura do Animador Sociocultural é num primeiro plano dever do próprio profissional, tal como, há outros deveres que são implícitos ao exercício profissional. Há princípios que não podem, nem são instituídos por decreto legislativo, tal como não me parece correcto estar a restringir de alguma forma as muitas possibilidades ao nível das estratégias e das dinâmicas de Animação ao dispor dos Animadores, cujo objectivo último desses recursos são auxiliar na intervenção comunitária. Não há uma realidade… há realidades sociais e culturais distintas de região para região, até dentro do mesmo município, enquanto, espaço geográfico de intervenção e/ou grupos sociais com características diferenciadas. Não é aceitável que estejamos a restringir a criatividade dos Animadores.