terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Considerações sobre o Estatuto do Animador Sociocultural

O Estatuto do Animador Sociocultural foi ratificado por aclamação no I Congresso Nacional de Animação Sociocultural organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural. O documento que consubstancia o Estatuto do Animador está aberto a propostas de revisão de conteúdo. Os interessados em participar activamente na revisão do documento poderão enviar as suas propostas de revisão para geral@apdasc.com até o próximo dia 18 de Fevereiro de 2011.

O Estatuto do Animador (Sociocultural) não é a solução imediata para os problemas socioprofissionais e de identidade que centenas de Animadores continuam a expressar como temas centrais para o bom exercício da Animação Sociocultural. Há um longo caminho sinuoso a percorrer, é importante que todos os Animadores contribuam com as suas sugestões para que o documento agora apresentado, seja integrador de todas as nomenclaturas profissionais no domínio da Animação e que contemple a pluralidade de espaços e metodologias de intervenção sociocultural.

No quadro da Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), o acesso às carreiras profissionais está legislado para as diferentes categorias (técnico profissional e técnico superior) na área da Animação Sociocultural com a correspondente atribuição do valor remuneratório. No âmbito da Administração Pública a realidade é diferente. A Lei n.º 12-A/2008 estabelece duas carreiras: a carreira do Assistente Técnico e a carreira do Técnico Superior, cujas atribuições/competências atribuídas aos agentes posicionados nesta última carreira são generalistas, cabendo ao serviço competente definir outras atribuições/competências específicas para cada colaborador de acordo com a profissão exercida no seio da instituição.

Há direitos associados ao exercício da profissão do Animador comuns a todas as profissões, facto argumentativo que entendo ser pouco relevante para fortalecer a posição colectiva face à necessidade da criação do Estatuto do Animador. A dignificação da carreira profissional e a valorização da figura do Animador Sociocultural é num primeiro plano dever do próprio profissional, tal como, há outros deveres que são implícitos ao exercício profissional. Há princípios que não podem, nem são instituídos por decreto legislativo, tal como não me parece correcto estar a restringir de alguma forma as muitas possibilidades ao nível das estratégias e das dinâmicas de Animação ao dispor dos Animadores, cujo objectivo último desses recursos são auxiliar na intervenção comunitária. Não há uma realidade… há realidades sociais e culturais distintas de região para região, até dentro do mesmo município, enquanto, espaço geográfico de intervenção e/ou grupos sociais com características diferenciadas. Não é aceitável que estejamos a restringir a criatividade dos Animadores.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Quaderns d' Animació i Educació Social, número 13

Está disponível o número 13, Janeiro de 2011, da Revista Quaderns d' Animació i Educació Social editada pelo Prof. Mário Viché. O número actual mantém vária secções: artigos sobre a temática da Animação Socicoultural e da Educação Social, relato de experiências e divulgação de recursos para Animadores, pedagogos e educadores.

sábado, 8 de janeiro de 2011

«Programa de Educação Estética e Artística»

O «Programa de Educação Estética e Artística» é iniciativa do Ministério da Educação e tem como objectivo desenvolver um plano de intervenção no domínio das expressões artísticas (expressão dramática/teatro, música, dança, artes plásticas). Um projecto semelhante ao programa apresentado pelo Governo da República, já é desenvolvido há 30 anos, na Região Autónoma da Madeira, pela Secretaria Regional de Educação e Cultura através do Gabinete Coordenador de Educação Artística (GCEA).

O «Programa de Educação Estética e Artística» de acordo com a nota informativa do Governo, é uma medida de relevante interesse para a promoção da pedagogia cultural, um trabalho a realizar-se entre a escola e as instituições culturais em contexto escolar e cultural. A valorização da participação activa dos agentes culturais e educativos não pode estar restringida ao espaço escolar. As instituições culturais devem ser a continuidade do espaço escolar não formal. Os agentes culturais têm que assumir, efectivamente, funções de pedagogos para a cultura.

É tempo de olhar para as instituições culturais como parceiras privilegiadas para o desenvolvimento de projectos pedagógicos, pois, o desenvolvimento da sensibilidade artística e a educação do sentido crítico para as diferentes manifestações culturais devem ser trabalhadas não apenas no contexto escolar formal. Continuamos a assistir a uma rigidez do processo de aprendizagem mesmo que os conteúdos programáticos e os parceiros dos programas favoreçam a abertura da escola à comunidade, relação que passa pela promoção de um ambiente informal de aprendizagens, onde o lúdico e a educação não formal sejam os factores dominantes do processo de ensino/aprendizagem. A criação de hábitos culturais da comunidade será muito mais dinâmica com a partilha de experiências entre os artistas e os públicos, com a possibilidade das pessoas poderem experimentar, sentir e participar nas suas próprias práticas culturais, e isto faz-se através de uma necessária e estimulante pedagogia para a cultura.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

“A Animação não é exclusiva dos Animadores”


“A Animação não é exclusiva dos Animadores”. Esta afirmação não é minha, nem partilho dela. Pelo contrário, é necessário um discurso unificador que reflicta a necessidade de uma acção colectiva que legitime a acção dos Animadores Socioculturais não defesa dos seus reais interesses e direitos socioprofissionais. Sou intransigente e não subestimo a minha autonomia de reflexão sobre o tema e acção quotidiana, especialmente, quando alguém com responsabilidades na formação académica de futuros Animadores defende premissas que considero lesivas para a Animação Sociocultural e para o futuro profissional dos seus agentes.

Princípios como a liberdade de pensamento e autonomia na acção são inalienáveis da pessoa humana, e é com alguma desilusão que presencio a alienação dos Animadores face a matérias que exigem visão crítica sobre o presente e o futuro. A minha perplexidade aumenta quando encontro na blogosfera “promoção” à afirmação supra citada. Os Animadores necessitam de uma dose de motivação colectiva, de espírito solidário e de perder o medo de lutar contra algumas pretensões isoladas, mas que de alguma forma consegue passar uma mensagem que em nada privilegia uma acção participativa com as pessoas, prática que eu considero estar directamente associada ao exercício profissional dos Animadores.

A afirmação que está a substanciar esta reflexão levanta outras questões que entendo ser oportuno referi-las. O Estatuto do Animador é uma das possíveis soluções para minimizar as consequências de apropiações indevidas da categorização profissional Animador e de outros "males". A proposta de Estatuto apresentada pela APDASC no congresso nacional realizado em Novembro de 2010, está a ser ultimada por uma comissão de trabalho constituída para o efeito , é oportuno que ela tenha em linha de conta um conjunto de possíveis cenários de profissionalização dos Animadores. Aos Animadores Socioculturais está vedado a possibilidade de exercerem funções de antropólogos, sociólogos, historiadores, filósofos e o exercício da medicina. Porque razão alguém se lembra de defender que profissionais qualificados em outras áreas do saber possam exercer a Animação Sociocultural ou até se autodefinirem de Animadores?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal

Votos sinceros de um Feliz e Santo Natal. Que este tempo de solidariedade, harmonia e olhar fraterno sejam nossos cúmplices em 2011. Um ano próspero e rico em Humanidade.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Novo número da Animador Sociocultural: Revista Iberoamericana

Está disponível a Animador Sociocultural: Revista Ibroamericana, número 2, ano 4, Dezembro 2010, editada pela Red Iberoamericana de Animación Sociocultural (RIA).

O número actual desta publicação periódica compila um conjunto de trabalhos produzidos por investigadores no âmbito das práticas de Animação Sociocultural e do lazer. Os artigos agora publicados evidenciam a emergência e correlação entre os temas do lazer, da cidadania participativa e intercultural e os âmbitos da Animação. Um conjunto de trabalhos que espelham novas visões e leituras sobre a Animação Sociocultural.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

I Colóquio de Intervenção Comunitária

Século XXI: que comunidades, que intervenções? Este é o tema do I Colóquio de Intervenção Comunitária que realiza-se na Escola Superior de Educação Paula Frassinetti, a 05 de Janeiro de 2011.

A entrada é livre, apenas sujeita a inscrição. Para consultar o programa e realizar a inscrição, clique aqui.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Revista Práticas de Animação, número 4

Está disponível o número 4 da Revista Práticas de Animação editada pela Delegação Regional da Madeira da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC).

O número actual reúne um conjunto significativo de contributos para a reflexão e debate em torno das questões e dos âmbitos da Animação Sociocultural. Destaque para a participação portuguesa, sinal claro, de uma nova geração de Animadores começam a materializar na escritas as suas práticas e reflexões sobre a Animação Sociocultural. De salientar ainda, as participações de investigadores/Animadores do Brasil, Espanha e Venezuela.

A revista Práticas de Animação é um projecto que vem ganhando uma sustentabilidade no meio editorial das revistas de Animação. Para esta realidade contribui a participação entusiasta de todos os colaboradores que até o número 4 deram o seu estimável e importantíssiomo contributo activo e solidário.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Que muitos autarcas partilhassem desta linha de pensamento

«Guarda: a República - 811 anos da cidade

Os saberes expressos pela prática da animação sociocultural podem ser compreendidos a diferentes níveis, nomeadamente no político.

No discurso e actuação política a animação sociocultural, deve ser inserida numa perspectiva de cidadania activa, face aos problemas existentes na sociedade portuguesa como sejam a desintegração social à ausência de uma cultura de vivência e de convivência em grupo.

Hoje tende-se para o predomínio de uma “cultura” virtual desfasada da vida, assente no virtual onde as pessoas vivem a partir das vidas dos outros.

Acreditamos que o futuro da animação sociocultural, tem de centrar-se na dinâmica comunitária, trabalhando a partir dos projectos das pessoas, que fazem parte das associações.

A animação é um fim em si mesmo, um processo interactivo, um meio de aperfeiçoamento pessoal e colectivo, dando sentido às experiências humanas, e contribuindo para a emancipação e transformação das pessoas.

O homem obtém parte da sua realização, participando na comunidade, valorizando culturas ancestrais, lutando por valores, partilhando saberes, promovendo assim a qualificação das relações interpessoais e o diálogo entre pares.

O homem é um criador de sonhos cuja formação se abre à vida, aprende com ela, e potencia esse conhecimento das formas mais diversas!

Daí a importância que neste desiderato, têm as associações e os clubes culturais e recreativos, nas comunidades locais. Já era assim na Primeira República, em cujo programa educativo encontramos sinais do valor da animação sociocultural, numa atitude generosa e quase romântica, às vezes utópica, mas que se transformou numa bandeira que uniu na acção política, muitos republicanos.

Estes fomentaram a realização de concertos populares, de exposições e de eventos culturais e sociais, na perspectiva do novo ideário de transformação do Homem Novo, da autonomia, da liberdade, da participação, da criatividade, da convivência, da justiça, do bem-estar e da partilha de saberes.

Hoje, tal como no tempo da Primeira República, acreditamos no potencial formador do associativismo e porque transportamos a esperança de um futuro, onde todos somos chamados a participar, o executivo da Câmara da Guarda, encomendou a criação de um espectáculo comunitário ao Teatro Municipal, onde as associações e colectividades culturais e recreativas do concelho, se congregaram num projecto de equipa, enquadrados por actores amadores e profissionais reinterpretando a Guarda na Primeira República e comemorando assim os 811 anos da cidade.

Em tempos difíceis, ficou bem patente que quando o “Amor à Terra” é um determinismo colectivo, é possível vencer obstáculos, unindo esforços, e tornando real a utopia.»

Joaquim Valente, Presidente da Câmara Municipal da Guarda.

(Publicado em 05/12/2010, em www.asbeiras.pt)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Associação Insular de Animação Sociocultural

No passado dia 3 de Dezembro, foi apresentada oficialmente a Associação Insular de Animação Sociocultural - AIASC. Este novo organismo associativo tem como objectivo principal contribuir para o estudo, formação, desenvolvimento e divulgação de projectos de investigação no domínio da Animação Sociocultural.

A AIASC no prossecução da sua acção colectiva para e com os Animadores desenvolverá os esforços necessários para:

- Promover a investigação nos âmbitos da Animação Sociocultural e na sua inter-relação com outras áreas de intervenção;
- Propor, apoiar e organizar iniciativas que visem a investigação e/ou o desenvolvimento do objecto da AIASC;
- Articular parcerias para impulsionar o desenvolvimento de grupos de trabalho no âmbito da animação no território insular;
- Fomentar o intercâmbio, a discussão, a cooperação e a comunicação com associações nacionais e internacionais que se relacionem com o estudo da Animação Sociocultural;
- Prestar serviços a entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais no âmbito do objecto da AIASC;
- Adquirir, produzir, divulgar e vender em qualquer tipo de suporte, com conteúdo científico, cultural, social, didáctico, lúdico e/ou informativo;
- Proporcionar apoio aos associados.

«A AIASC - Associação Insular de Animação Sociocultural nasce da vontade e das utopias de um grupo de Animadores madeirenses, cuja visão e entendimento da Animação Sociocultural extravasa os conceitos e âmbitos amplamente discutidos nos fóruns de Animação.

O sentido de oportunidade e crença na mudança social protagonizada nas estruturas associativas, aliado a um forte sentimento de pertença e de contributo para a afirmação da Região Autónoma da Madeira no panorama nacional ao nível da discussão e reflexão da Animação Sociocultural, dos seus âmbitos emergentes e das problemáticas estruturais da profissionalização dos Animadores foram argumentos generosos e, suficientemente, credíveis para que nós sejamos pioneiros na constituição da primeira Associação de Animação Sociocultural no território insular português.

O percurso inicial da AIASC não é muito diferente de outros organismos associativos. O exercício da cidadania no movimento associativo e o conhecimento da realidade madeirense no campo do estudo, da discussão e reflexão colectiva sobre a Animação, facto este, infelizmente, assinalado pela ausência pública de um visível manifesto interesse colectivo é a matéria que alentou o nosso espírito de cidadãos e de Animadores Socioculturais insulares.» (in www.aiasc.pt)