O primeiro blog de animação sociocultural na Região Autónoma da Madeira
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Revista Práticas de Animação, número 4
O número actual reúne um conjunto significativo de contributos para a reflexão e debate em torno das questões e dos âmbitos da Animação Sociocultural. Destaque para a participação portuguesa, sinal claro, de uma nova geração de Animadores começam a materializar na escritas as suas práticas e reflexões sobre a Animação Sociocultural. De salientar ainda, as participações de investigadores/Animadores do Brasil, Espanha e Venezuela.
A revista Práticas de Animação é um projecto que vem ganhando uma sustentabilidade no meio editorial das revistas de Animação. Para esta realidade contribui a participação entusiasta de todos os colaboradores que até o número 4 deram o seu estimável e importantíssiomo contributo activo e solidário.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Que muitos autarcas partilhassem desta linha de pensamento
Os saberes expressos pela prática da animação sociocultural podem ser compreendidos a diferentes níveis, nomeadamente no político.
No discurso e actuação política a animação sociocultural, deve ser inserida numa perspectiva de cidadania activa, face aos problemas existentes na sociedade portuguesa como sejam a desintegração social à ausência de uma cultura de vivência e de convivência em grupo.
Hoje tende-se para o predomínio de uma “cultura” virtual desfasada da vida, assente no virtual onde as pessoas vivem a partir das vidas dos outros.
Acreditamos que o futuro da animação sociocultural, tem de centrar-se na dinâmica comunitária, trabalhando a partir dos projectos das pessoas, que fazem parte das associações.
A animação é um fim em si mesmo, um processo interactivo, um meio de aperfeiçoamento pessoal e colectivo, dando sentido às experiências humanas, e contribuindo para a emancipação e transformação das pessoas.
O homem obtém parte da sua realização, participando na comunidade, valorizando culturas ancestrais, lutando por valores, partilhando saberes, promovendo assim a qualificação das relações interpessoais e o diálogo entre pares.
O homem é um criador de sonhos cuja formação se abre à vida, aprende com ela, e potencia esse conhecimento das formas mais diversas!
Daí a importância que neste desiderato, têm as associações e os clubes culturais e recreativos, nas comunidades locais. Já era assim na Primeira República, em cujo programa educativo encontramos sinais do valor da animação sociocultural, numa atitude generosa e quase romântica, às vezes utópica, mas que se transformou numa bandeira que uniu na acção política, muitos republicanos.
Estes fomentaram a realização de concertos populares, de exposições e de eventos culturais e sociais, na perspectiva do novo ideário de transformação do Homem Novo, da autonomia, da liberdade, da participação, da criatividade, da convivência, da justiça, do bem-estar e da partilha de saberes.
Hoje, tal como no tempo da Primeira República, acreditamos no potencial formador do associativismo e porque transportamos a esperança de um futuro, onde todos somos chamados a participar, o executivo da Câmara da Guarda, encomendou a criação de um espectáculo comunitário ao Teatro Municipal, onde as associações e colectividades culturais e recreativas do concelho, se congregaram num projecto de equipa, enquadrados por actores amadores e profissionais reinterpretando a Guarda na Primeira República e comemorando assim os 811 anos da cidade.
Em tempos difíceis, ficou bem patente que quando o “Amor à Terra” é um determinismo colectivo, é possível vencer obstáculos, unindo esforços, e tornando real a utopia.»
Joaquim Valente, Presidente da Câmara Municipal da Guarda.
(Publicado em 05/12/2010, em www.asbeiras.pt)
sábado, 4 de dezembro de 2010
Associação Insular de Animação Sociocultural
A AIASC no prossecução da sua acção colectiva para e com os Animadores desenvolverá os esforços necessários para:
- Promover a investigação nos âmbitos da Animação Sociocultural e na sua inter-relação com outras áreas de intervenção;
- Propor, apoiar e organizar iniciativas que visem a investigação e/ou o desenvolvimento do objecto da AIASC;
- Articular parcerias para impulsionar o desenvolvimento de grupos de trabalho no âmbito da animação no território insular;
- Fomentar o intercâmbio, a discussão, a cooperação e a comunicação com associações nacionais e internacionais que se relacionem com o estudo da Animação Sociocultural;
- Prestar serviços a entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais no âmbito do objecto da AIASC;
- Adquirir, produzir, divulgar e vender em qualquer tipo de suporte, com conteúdo científico, cultural, social, didáctico, lúdico e/ou informativo;
- Proporcionar apoio aos associados.
«A AIASC - Associação Insular de Animação Sociocultural nasce da vontade e das utopias de um grupo de Animadores madeirenses, cuja visão e entendimento da Animação Sociocultural extravasa os conceitos e âmbitos amplamente discutidos nos fóruns de Animação.
O sentido de oportunidade e crença na mudança social protagonizada nas estruturas associativas, aliado a um forte sentimento de pertença e de contributo para a afirmação da Região Autónoma da Madeira no panorama nacional ao nível da discussão e reflexão da Animação Sociocultural, dos seus âmbitos emergentes e das problemáticas estruturais da profissionalização dos Animadores foram argumentos generosos e, suficientemente, credíveis para que nós sejamos pioneiros na constituição da primeira Associação de Animação Sociocultural no território insular português.
O percurso inicial da AIASC não é muito diferente de outros organismos associativos. O exercício da cidadania no movimento associativo e o conhecimento da realidade madeirense no campo do estudo, da discussão e reflexão colectiva sobre a Animação, facto este, infelizmente, assinalado pela ausência pública de um visível manifesto interesse colectivo é a matéria que alentou o nosso espírito de cidadãos e de Animadores Socioculturais insulares.» (in www.aiasc.pt)
domingo, 28 de novembro de 2010
Apresentação Pública da Associação Insular de Animação Sociocultural - AIASC
No próximo dia 3 de Dezembro, pelas 18h30m, o Fórum FNAC Madeira será o palco de apresentação pública de uma nova associação com sede na Região Autónoma da Madeira.A Associação Insular de Animação Sociocultural - AIASC, nasce da vontade e das utopias de um grupo de Animadores madeirenses, cuja visão e entendimento da Animação Sociocultural extravasa os conceitos e âmbitos amplamente discutidos nos fóruns de Animação.
A AIASC tem como objectivo contribuir para o estudo, formação, desenvolvimento e divulgação de projectos de investigação no domínio da animação sociocultural.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Leitura(s) sobre o I Congresso Nacional de Animação Sociocultural
A aprovação da proposta de Estatuto dos Animadores Socioculturais foi importante, mas também é importante resalvar o facto, desta estar aberta a propostas de melhoria, responsabilidade que recai sobre uma comissão eventual designada para o efeito. Uma oportunidade para que os Animadores apresentem propostas válidas para que este sejam um projecto colectivo. Outro documento aprovado no decorrer do congresso, foi a Proposta de Código Ético e Deontológico dos Animadores Socioculturais, documento meramente orientador, sem efeitos sansionatórios para os actos que violem o código, práticas decorrentes do exercício profissional dos Animadores.
Reforço a posição dos Animadores insulares em matéria de integração das diferentes nomenclaturas profissionais na presente proposta de Estatuto dos Animadores. A proposta final tem que priveligiar os diferentes contributos, ela tem que resultar de um processo de integração socioprofissional dos Animadores. Lamentavelmente, não discutimos os conteúdos funcionais do técnico profissional e do licenciado, bem como e o respectivo perfil de competências dos Animadores. Precisamos de discutir com os Animadores e os académicos o perfil de competências e os conteúdos funcionais, talvez num próximo congresso, ... Faço votos para que seja a breve trecho, talvez em reuniões parcelares.
Há temas que simplesmente não pode ser manipulados com o intuito de encerrar dossiers que têm uma fase de maturação dilatada no tempo. Compreendo que é crucial avançar,mas para que isso aconteça é importante que estejamos conscientes das reais dificuldades que o futuro nos reserva. Sou realista e é por sê-lo, que estou convencido de que há pessoas que não entendem ou não querem admitir, ser necessário iniciar um longo e sinuoso caminho de diálogo, de negociações, de avanços e recuos com os organismos com responsabilidades legislativas em matéria laboral para que o Estatuto do Animador (Sociocultural) seja um dia uma realidade. Há que deixar todas as portas da cooperação institucional abertas e isso faz-se com o bom senso que é exigido em situação de inferioridade de poder.
Há princípios basilares de consciencialização de classe profissional que lamentavelmente continua a faltar-nos, porque nós Animadores, somos um grupo profissional fragmentado pela ausência de um desejado Estatuto Profissional, como se isso fosse a tábua de salvação e a resolução permanente dos problemas estruturais, como a ausência de um perfil de competências, o questionamento sobre as múltiplas formações, a ausência de um barómetro oferta/procura ao nível do mercado de trabalho. Estes são focos de tensão que persistem e face aos quais continuamos incapazes de discutir no colectivo. Estou convicto de que estamos a gerir o processo de forma errada e isso será prejudicial para levar por diante um projecto que continuará a contar com futuras propostas e divergências latentes entre os Animadores.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Que modelo de intervenção na cultura?
É preciso planificar uma política cultural assente nos recursos socioculturais das comunidades locais; prespectivar a intervenção pública a partir de um projecto cultural transversal aos diferentes domínios da acção municipal (cultura, educação, juventude, ...), previlegiando todos os grupos sociais e envolvendo de forma efectiva e activa os protagonistas da cultura.
A sustentabilidade da actividade cultural digna desse nome, não pode assentar apenas na realização de festivais que algumas pessoas entendem ser um nicho de sustentabilidade cultural e, consequentemente, capaz de projectar o território além fronteiras. Concordo que a efectividade das práticas culturais também se concretizam com a promoção de festivais, eventos que tenham valor cultural acrescido para a promoção das dinâmicas locais; que a eles estejam associados outros projectos promotores das culturas locais, que contribuam para a afirmação de uma identidade comunitária e que sejam instrumentos de democratização cultural.
Continuamos a pensar em mega eventos que nos projectem no mundo exterior. Talvez no plano imediato consigamos esse feito, e a longo prazo? Que mais valias esses projectos contribuem para o tecido sociocultural local/regional? Continuo a defender que a sustentabilidade da intervenção na cultura passa pela envolvimento democrático e participativo da comunidade nos próprios processos de desenvolvimento cultural, partilhando com ela aprendizagens comuns, procurando dinamizar nichos de participação efectiva e de reflexão comum sobre as problemáticas inerentes à construção de uma política cultural que precisa de manter independência das dinâmicas culturais e artísticas de outros territórios, que infelizmente, é como um "vírus" que se vai propagando e de uma opinião pública que quer ganhar notariedade pela "megalomania" dos festivais e eventos artísticos periódicos, com artistas de renome internacional.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Programa de Rádio - "Cidadania Cultural"
Porquê "Cidadania Cultural"? Porque é nossa intenção que os diferentes agentes culturais colectivos e individuais do concelho, os organismos públicos e entidades privadas com responsabilidades e acção directa nas políticas socioculturais sejam os protagonistas do programa. Eles são convidados a assumir um papel activo num espaço de diálogo informal, onde possam dar a conhecer os seus projectos, discutir ideias e reflectir sobre a(s) cultura(s) como matriz identitária da comunidade machiquense.
domingo, 24 de outubro de 2010
A responsabilidade do contributo pessoal para o bem comum dos Animadores
Brevemente, realiza-se o almejado congresso nacional sobre a profissão e profissionalização dos Animadores Socioculturais organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural (APDASC), um espaço de debate que desejo que seja profícuo na reflexão colectiva, mas, mais importante, que sai do congresso propostas concretas e credíveis sobre os temas centrais que têm alimentado os últimos debates sobre a Animação e os Animadores em Portugal. Presumo ser um desejo comum que deste congresso nasçam dinâmicas autênticas e comprometidas com o interesse da maioria, dinâmicas que valorizem as acções colectivas construídas nos últimos tempos.
É com apreensão que assistimos a um vazio que tem reflexos expressivos no debate sobre as questões da profissão que, pessoalmente, acreditava que fosse motivador e crescente na participação dos Animadores através das reflexões pessoais e colectivas expressas em fóruns, blogs, entre outros meios de comunicação e de ciberanimação. Enquanto dirigente da Delegação Regional da Madeira da APDASC manifesto a minha satisfação pela adesão e participação activa dos Animadores insulares nos debates realizados na Madeira ao abrigo do ciclo de debates preparatório do congresso nacional.
A democracia reserva um conjunto de direitos expressos no uso da liberdade pelos cidadãos; liberdade essa que no exercício de determinadas acções é pouco abonatório para a consolidação de um projecto nacional. Penso que devemos repensar seria e ponderadamente sobre o que desejamos para o futuro da profissão de Animador Sociocultural em Portugal. Apelo para que os Animadores que partilham destas preocupações manifestem as suas posições, as suas preocupações, expectativas, enfim, dêem o seu contributo para o debate que urge dinamizar numa perspectiva construtivista, acrescida de valor humano e sobretudo de seriedade para que a Animação e os Animadores em Portugal possam olhar o futuro com esperança e partilharem da co-responsabilidade com os dirigentes associativos.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Declaração dos Participantes no Seminário Nacional República e a Juventude
No âmbito das comemorações do Centenário da República, o Conselho Nacional de Juventude promoveu o Seminário Nacional República e a Juventude que decorreu em Almada, entre os dias 2 e 4 de Outubro, do qual saiu uma Declaração subscrita pelos participantes. Os jovens subscritores, conscientes da responsabilidade representativa da juventude portuguesa vêem os valores republicanos como princípio basilar para uma reflexão crítica conjunta sobre a participação activa e o papel de protagonistas para o qual são convidados a assumir na transformação social.
A declaração dos participantes enuncia âmbitos de intervenção perante os quais os jovens devem assumir um pensamento crítico, interventivo e transformador. O associativismo e a participação juvenil são premissas base para uma acção activa dos jovens na vida comunitária e, consequentemente, factor de reforço dos espaços que promovem essa participação. As associações continuam a ser escolas de democracia, de formação cidadã e promotoras de igualdade de oportunidades no acesso aos palcos da discussão colectiva sobre temáticas que de outra forma a juventude dificilmente teria acesso ao debate.
A educação é vector estratégico do desenvolvimento social, cultural e económico do país. É necessário e urgente assegurar e promover o acesso de todos, incluindo as minorias que continuam a crescer e a ser minorias à Escola Pública reivindicada pelo Governo e sustentada nos ideais republicanos. É responsabilidade das instituições públicas, entre ela a escola, a garantia efectiva da aprendizagem ao longo da vida. Uma aprendizagem que encontra eco na educação não formal, prática educativa que pode e deve contribuir significativamente para a formação de cidadãos activos e críticos perante as realidades sociais.
A cidadania constrói-se através de processos contínuos de aprendizagens pelo exercício consciente e educador da participação individual e colectiva em favor de mudanças sociais; tarefa permanente que exige abordagens multidisciplinares e de envolvência da sociedade no seu próprio processo de desenvolvimento e transformação comunitária. O diálogo cooperante e institucional entre os diferentes organismos públicos e o sector privado é instrumento fecundo de renovadas políticas de inclusão que premeie a inserção dos jovens no mercado de trabalho.
A promoção da diversidade cultural é um princípio de uma sociedade democrática. Este princípio deve ser trabalhado com os jovens em vários âmbitos da educação formal e não formal, promovendo sempre um diálogo cooperante e respeitador das diferenças e orientações de cada indivíduo. Os valores republicanos devem integrar as acções previstas nas políticas de juventude premiando a participação, a envolvência democrática e consciente dos jovens nos mais variados sectores de decisão da vida juvenil comunitária.
